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Raça Holandesa no Brasil: tendências e ganhos genéticos

POR CLAUDIO NAPOLIS COSTA

E TIMOTHEO SOUZA SILVEIRA

A.B.C.B.R.H.

EM 18/11/2020

7 MIN DE LEITURA

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Objetivos de Seleção: Progresso genético

A produtividade do rebanho leiteiro é um componente importante da eficiência técnico-econômica dos sistemas de produção de leite. O desempenho do rebanho, além das práticas de manejo, depende do seu padrão genético, cuja melhoria pode ser realizada pela seleção e acasalamento dos animais de melhor potencial genético para as características de importância econômica. Tais características são determinadas pelas necessidades e prioridades dos criadores e produtores, pelo padrão genético dos animais e estrutura do sistema de produção, pelos interesses da indústria de laticínios, e também pelos hábitos e preferências dos consumidores quanto aos produtos lácteos. Encontrar o equilíbrio entre as diferentes demandas é um processo contínuo e requer planejamento para estabelecer os objetivos de seleção dos programas de melhoramento genético animal. 

Ao nível do rebanho leiteiro, o melhoramento genético visa o aprimoramento dos animais, alterando suas habilidades genéticas para as características economicamente importantes, que representam os objetivos de seleção. Portanto, os objetivos de seleção identificam e são representados pelas características a serem melhoradas, incluindo a ênfase a ser dada a cada uma delas, individualmente ou em um Índice de seleção. Os objetivos de seleção são realizados ao longo dos anos, após várias gerações de seleção, o que requer o desenvolvimento de habilidades, conhecimentos e determinação dos criadores selecionadores participantes do programa de seleção.

Seleção e Acasalamento

No processo de seleção, os criadores identificam os melhores progenitores (touros e vacas) para certas características e os selecionam ??para a produção da nova geração de animais do rebanho. Este processo se realiza com a identificação dos melhores animais (por meio dos resultados das avaliações genéticas), critérios e estratégias de seleção e acasalamento entre eles. 

Os touros identificados com valor genético superior à média da população poderão melhorar as características do objetivo de seleção na próxima geração. Quando, por exemplo, um grupo de touros com o maior valor genético para produção de leite é selecionado para acasalamento, é esperado que suas filhas produzirão mais leite do que a atual geração das vacas do rebanho. Após a seleção dos touros, a outra decisão é com quais vacas devem ou podem ser acasalados. Os critérios e estratégias de seleção e acasalamento com base no valor genético dos animais, registros de pedigree e outras informações disponíveis determinam a realização do progresso genético nas características do objetivo de seleção, nas próximas gerações.

Tendências e ganhos genéticos

O acompanhamento da evolução ou do progresso genético esperado em um programa de seleção pode ser realizado pela avaliação das tendências genéticas observadas nas características ao longo de um determinado período de tempo (por exemplo, anos ou gerações). Em bovinos leiteiros as gerações se sobrepõem porque algumas vacas permanecem no rebanho por mais tempo (mais velhas) do que outras. Ao se expressar a tendência genética por ano de nascimento, essa sobreposição de gerações é "ajustada" e facilita a avaliação sobre o ocorrido durante o período de tempo considerado. A tendência genética caracteriza o progresso genético ou resposta à seleção realizada e o sentido da sua evolução ao longo do período. A sua avaliação fornece uma indicação de sucesso com relação aos impactos desejados e motiva a identificação de aspectos que possam eventualmente ter comprometido o que se planejou inicialmente.

A avaliação da tendência genética observada em uma população sob seleção é geralmente visualizada em um gráfico, o que facilita verificar a consistência ou eventuais desvios na direção do progresso genético esperado. Um gráfico de tendência genética apresenta a caracterização da direção e da taxa de resposta observada ao longo do período avaliado. Neste sentido, faz-se a plotagem das médias anuais dos valores genéticos (previamente ajustados para a base genética), no eixo vertical do gráfico, ao longo dos respectivos anos de nascimento dos animais, no eixo horizontal do gráfico.

A tendência genética observada nem sempre é a mesma ou igual a tendência genética esperada. Na prática, geralmente não é maior, mas pode até ser em sentido contrário ao da esperada. Nestes casos, é importante avaliar o porquê. Em geral, tendências genéticas significativas de pequena magnitude em características de herdabilidade moderada a alta (h2 > 0,25), podem ser consequência da ausência de seleção direta (ou mesmo de estratégias de seleção e acasalamento não adequadas), para essas características na população.

Tendências e ganhos genéticos

Nas Figuras abaixo são apresentadas as tendências e os ganhos genéticos para as produções de leite, gordura e proteína, Escore de células somáticas (ECS) e para a Pontuação Final da conformação, de vacas incluídas na Avaliação genética nacional da raça Holandesa, em 2020.

1. Características produtivas: Leite, Gordura e Proteína

Figura 1 - Tendências e ganhos genéticos para as características de produção de vacas da raça Holandesa, nascidas entre 1991 e 2017, no Brasil.

 

2. Escore de células somáticas

Figura 2 - Tendências e ganhos genéticos para o escore de células somáticas (ECS) de vacas da raça Holandesa, nascidas entre 1991 e 2017, no Brasil.

As médias anuais foram obtidas dos valores genéticos (VG) dos animais avaliados, previamente ajustados para a base genética (ano de referência), cujo valor é a média dos valores genéticos das vacas nascidas em 2015, evidenciada pela média dos VG neste ano estar próxima do valor zero (0). Assim, os anos após 2015 apresentam médias maiores que a de 2015, predominando entre eles animais que possuem VG maior que 0 (zero), e nos anos anteriores, cujas médias são inferiores à de 2015, um maior número de animais com VG negativo.

A maior ocorrência de valores médios negativos no gráfico significa que a base genética (ano de referência, 2015) está próxima dos anos mais recentes, incluídos no período de avaliação do progresso genético observado na população. Em síntese, é um efeito de escala dos valores anuais, pelo ajuste dos VG dos animais para a base genética.

O ganho genético realizado para a produção de leite foi de 53,8 kg/ano, e os ganhos genéticos para as produções de gordura e de proteína foram semelhantes (1,7 kg/ano). Na Figura 2, observa-se a tendência no entido desejado de redução da contagem de células somáticas, com ganho genético favorável realizado para o ECS de 0,03 unidades/ano.

A consistência na evolução dos valores médios positivos na sequência dos anos indica que os animais jovens apresentaram maior VG que os da geração anterior e, portanto acertos na escolha e acasalamento dos progenitores, resultando na realização do progresso genético para a característica sob seleção, no período considerado.

Uma interpretação complementar, possível de se realizar é sobre a significância prática do progresso ou do ganho genético realizado para as características na população. No caso da produção de leite, se assumirmos que a sua média nas três primeiras lactações da raça Holandesa, no Brasil, é de 8000 Kg, calcula-se então que o progresso genético foi de 0,67 %/ano. Esta estimativa indica que embora positivo, o ΔG realizado está aquém de 1,0% (um porcento), que como valor de referência, representa um mínimo desejável para um programa de seleção.

Em conclusão, foram realizados ganhos genéticos favoráveis para as características produtivas e para o ECS de vacas da raça Holandesa no Brasil. Entretanto, os ganhos genéticos foram de relativa pequena magnitude, indicando oportunidades de melhoria nos processos de escolha e acasalamento dos progenitores e mesmo na seleção direcionada para tais características. Neste particular, é promissor avaliar as práticas na seleção de touros e vacas nos rebanhos e promover orientações que possam definir ou readequar estratégias para a realização de taxas anuais de progresso genético que correspondam às expectativas dos investimentos dos criadores na melhoria genética de seus rebanhos em particular, e consequentemente, para a melhoria genética da raça Holandesa no Brasil.

3. Característica da Conformação: Pontuação Final


Figura 3 - Tendências e ganhos genéticos para a Pontuação Final (PFI) de vacas da raça Holandesa, nascidas entre 1991 e 2017, no Brasil.

Com relação às tendências genéticas apresentadas na Figura 3 acima, pode-se concluir:

O ganho genético realizado para a Pontuação Final foi de 0,02 unidades/ano, com muito boa tendência dos valores das médias anuais, ao longo do período. O ganho fenotípico para a PFI (média anual dos valores recebidos na classificação para a conformação foi de 0,07 unidades/ano. Observou'-se uma aparente descontinuidade no final do período, mas mais um efeito de escala, pois as médias anuais oscilaram muito pouco no período, entre 81,0 (1994) e 82,6 (2013).

À semelhança das características produtivas, foi observada tendência genética favorável para a PFI de vacas da raça Holandesa no Brasil. Entretanto, o ganho genético foi de pequena magnitude, indicando oportunidades de melhoria no processo de seleção para esta característica.

 

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CLAUDIO NAPOLIS COSTA

Zootecnista, UFV 1977
MS Zootecnia, UFV 1980
Ph. D. Melhoramento Animal, Cornell University 1998
Pesquisador Embrapa Gado de Leite

TIMOTHEO SOUZA SILVEIRA

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