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Estratégia nutricional em período de escassez: Tithonia diversifolia

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/11/2021

4 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 09/11/2021

O uso de espécies arbóreas ou arbustivas tem sido cada vez mais comum na alimentação animal, por apresentarem grande aceitabilidade e produtividade, principalmente no período de estiagem, onde se tem menor disponibilidade de alimento e maiores custos com a alimentação animal, devido à pouca oferta e a maior demanda de alimentos disponíveis.

Também conhecida como girassol mexicano, margaridão ou botão de ouro, a Tithonia diversifolia é uma forrageira arbustiva tropical, nativa da América Central, a qual apresenta baixa demanda de nutrientes do solo, adaptando-se bem a solos de baixa fertilidade. Assim, pode ser utilizada para pastejo, corte de forragem e produção de silagem para alimentação de ruminantes.

A T. diversifolia apresenta um crescimento rápido, fornecendo alta produção de biomassa, decorrente da rápida rebrota, mesmo após cortes sucessivos, o que possibilita efetuar cerca de sete cortes ao longo do ano.

Fornece elevada produção de biomassa forrageira (até 55 t de MS/ha) e possui resistência a solos ácidos, com baixos teores de fósforo disponível.


Botão de ouro em monocultivo, IF Sudeste MG Campus Barbacena.
Foto: Rogério M Mauricio/ Arquivo Pessoal

A espécie é cultivada em diversos países, como Argentina, Bolívia, Uruguai e México, podendo ser plantada em cultivo exclusivo ou consorciada com culturas como milho, café e capim braquiária. A sua utilização destaca-se principalmente pelo uso como forragem, adubo verde e como matéria-prima para a indústria farmacêutica, devido sua ação anti-inflamatória.

Por sobreviver em solos com pouco nutrientes disponíveis e tolerar climas secos, essa planta pode ser tornar promissora, por diminuir possíveis custos com adubação e, consequentemente, reduzir os gastos da produção animal, tanto de leite como carne.

O potencial dessa forrageira para elevar a produção dos rebanhos é amplo, porém, julga-se necessário, maiores estudos nutricionais que forneçam o nível ideal de inclusão dessa forrageira nas dietas, a fim de aumentar sua eficiência alimentar.

Nesse sentido, a alta digestibilidade e fermentação ruminal da T. diversifolia contribui para a melhor absorção de nutrientes no rúmen, bem como uma maior contribuição de energia para o ruminante e, consequentemente, é possível ter comportamento animal favorável quando incluída em dietas.

Comparada com outras forrageiras tropicais utilizadas na produção animal, a T. diversifolia apresenta elevados teores de proteína bruta, em torno de 24,5% (Wambui et al., 2006; Rivera et al., 2010; Tendonkeng et al., 2014).

Sendo assim, esta espécie forrageira é considerada uma alternativa promissora como suplementação proteica na produção animal, visto ainda que seus teores de FDN e FDA encontram-se dentro da faixa ideal para a nutrição animal (Gualberto et al., 2011). Alguns estudos mostram que o valor nutritivo da T. diversifolia é mantido relativamente constante durante todo o período seco (Sao et al., 2010; Ruiz et al., 2014), porém com o envelhecimento da planta há uma queda no valor nutricional e produtivo da mesma (Calsavara et al., 2016).

Na tabela 1 podem ser encontradas as comparações da T. diversifolia com as demais forrageiras comumente utilizadas na nutrição de ruminantes.


Fonte: Reis et al. (2015).

Por tanto, pode-se dizer que a T. diversifolia é uma forrageira a qual apresenta grande resistência a solos pobres e as mudanças climáticas, além de apresentar elevado valor nutritivo, rico em proteína, e de grande aceitação pelos animais, o qual justifica o seu plantio no país. Com isso, o custo de produção dos pecuaristas pode ser reduzido.

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Autores: 
Queila Tavares¹
Karise Fernanda Nogara²
Maity Zopollatto3

1Engenheira Agrônoma formada pelo Instituto Federal do Sudeste de Minas/ campus Barbacena/ MG. Mestre em Zootecnia pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal do Paraná. 

2 Zootecnista formada pela Universidade Federal de Santa Maria/campus Palmeira das Missões/RS. Atualmente mestranda do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal do Paraná.

 

Referências:

CALSAVARA, L. et al. Potencial forrageiro da Tithonia diversifolia para alimentação de ruminantes. Livestock research for rural development, v. 28, n. 2, 2016.

GONZÁLEZ-CASTILLO, J.C.; VON-HESSBERG, C.M.H; NARVÁEZ-SOLARTE, W. Características botánicas de Tithonia diversifolia (Asterales: Asteraceae) y su uso en la alimentación animal. Bol. Cient. Mus. Hist. Nat, v. 18, n. 2, p. 45-58, 2014.

GUALBERTO, R. et al. Influência do espaçamento e do estádio de desenvolvimento da planta na produção de biomassa e valor nutricional de Tithonia diversifolia (hemsl.) Gray. Nucleus, v. 8, n. 1, p. 1-16, 2011.

REIS, M.M et al. Potencial forrageiro de Tithonia diversifolia na alimentação Animal. Caderno de Ciências Agrárias, v. 7, p. 233-245, 2015.

RIVERA, U. R.; Sanginés-García, JR, Escobedo-Mex, JG, Cen-Chuc, F, Rivera-Lorca, JA, Lara-Lara, PE. Effect of diet inclusion of Tithonia diversifolia on feed intake, digestibility and nitrogen balance in tropical sheep. Agroforestry Systems. 80: 295-302, 2010.

SAO, N. V., N. T. MUI, and D. V. BINH. Biomass production of Tithonia diversifolia (Wild Sunflower), soil improvement on sloping land and use as high protein foliage for feeding goats. Livestock Research for Rural Devel. 22, 2010

TENDONKENG, F.; FOGANG ZOGANG, B.; SAWA, C.; BOUKILA, B.; PAMO, E.T. Inclusion of Tithonia diversifolia in multinutrient blocks for West African dwarf goats fed Brachiaria straw. Tropical animal health and production, v. 46, n. 6, p. 981-986, 2014.

WAMBUI, C. C., S. A. ABDULRAZAK, and Q. NOORDIN. The effect of supplementing urea treated maize stover with Tithonia, Calliandra and Sesbania to growing goats. Livestock Research for Rural Development 18, 2006.

 

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