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Eficiência técnica e econômica na produção de leite

Analisar a eficiência técnica e econômica na produção de leite deve ser preocupação do produtor, uma vez que, quanto maior a sua ineficiência, maior o seu custo

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: 09/09/2021 - Atualizado em: 16/09/2021 - 5 minutos de leitura

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Analisar a eficiência técnica e econômica com a qual se produz leite deve ser preocupação do produtor, uma vez que, quanto maior a sua ineficiência, maior o seu custo de produção.

Produtores com conhecimento técnico podem utilizar certos indicadores de produtividade como referência, como por exemplo, produção de leite por hectare, produção de leite por vaca no rebanho, produção de leite por vaca em lactação e até mesmo conversão alimentar, comparando-os com outros indicadores semelhantes fornecidos pela assistência técnica ou avaliando estes indicadores de outros produtores.

Estas comparações são necessárias, mas não suficientes. O produtor tem dois caminhos para avaliar o seu desempenho de forma efetiva. O primeiro deve reunir em um só, todos os indicadores acima, criando um índice de produtividade e compará-lo com um índice de produtividade de referência. Os valores isolados dos indicadores de produtividade não permitem que o produtor tenha uma visão unificada da sua produtividade total.

O outro caminho é medir a eficiência com que produz comparada, também, a um valor de referência. A eficiência é um componente importante para que o produtor obtenha ganhos de produtividade, sendo o outro componente da produtividade, a inovação tecnológica. Dessa forma, a eficiência pode ser estimada comparando-se a produção atual com a produção potencial (máxima) que pode ser obtida do capital investido na propriedade em vacas no rebanho, área para produção de forragens e nos gastos com adubos e concentrados, vacinas e medicamentos, inseminação etc. mais gastos com mão-de-obra própria, familiar ou de terceiros, utilizados na produção.

Esta produção potencial será calculada utilizando um ou mais produtores referência ou benchmarks. Os benchmarks são os produtores que conseguem obter um máximo de receitas, produção etc. considerando o capital utilizado.

Os resultados apresentados neste artigo referem-se a uma análise de eficiência técnica, realizada com 31 produtores de leite do Paraná.

Os estudos tem mostrado que o produtor ineficiente quando comparado ao seu benchmark dados o capital e os demais fatores de produção utilizados, poderia obter uma receita muito maior do que a observada.

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A Tabela 1 mostra os dados agregados e médias dos produtores para as variáveis utilizadas para análise e a Tabela 2 estas mesmas variáveis por produtores individualmente.

Figura 1

A tabela 1 mostra que:

  • A produção de leite total dos 31 produtores foi de 3.893.876 kg/ano com média de 125.609 kg/ano/produtor e média diária de 344 kg;
  • Foram utilizadas 825 vacas, média de 27 vacas/produtor;
  • Uma área total para produção de forragens de 405 hectares, média de 13 hectares/produtor;
  • A mão-de-obra total utilizada foi de 84 pessoas, média de 3 pessoas/produtor/ano;
  • A quantidade de adubo consumida foi de 473,9 toneladas/ano e média/ produtor de 15,3 toneladas/ano;
  • A quantidade de concentrado total foi de 1.339 toneladas/ano com média de 45,1 toneladas/produtor/ano.

Por questões de espaço disponível, disponibilizou-se, apenas, a relação abreviada dos produtores da amostra na Tabela 2.

Figura 2

A Tabela 3 mostra os resultados da análise de eficiência restrita dos 31 produtores e seus benchmarks.

Figura 3

Com base nos resultados das análises realizadas utilizando-se a técnica de programação matemática, os 31 produtores representados parcialmente na Tabela 3, teriam um potencial de produzir anualmente 4.300.702 kg/ano sem aumentar o capital, os insumos e mão-de-obra, utilizados. Isso equivale a um incremento de 10,4% na produção anual.

Precificando o leite em R$ 2,00 o kg, pode-se constatar uma receita não auferida por ineficiência de parte da amostra dos 31 produtores de (4.300.702 kg de leite projetados - 3.893.876 kg de leite observados) = 406.826 x R$ 2,00 = R$813.652,00.

A média de eficiência dos 31 produtores foi de 90 %, cabendo salientar que foi alta, quando comparada com a obtida com outros estudos, com eficiências variando de 40 a 70%. Isso provavelmente se deve a maior assistência técnica recebida pelos produtores, já que estes são participantes do Programa Balde Cheio da Embrapa.

A produção potencial de cada produtor é estimada tendo como referência a produção de um ou mais produtores considerados eficientes na amostra do estudo, ou seja, produtores que maximizaram a produção, dados os fatores de produção utilizados quando comparados.

Por exemplo, tomando-se o produtor 24 da Tabela 2, observa-se que a sua produção potencial é calculada multiplicando-se os pesos gerados pela técnica de otimização matemática, pelas produções de leite observadas dos respectivos benchmarks (Tabela 3). Ou seja,

Figura 4

Sendo esta a produção máxima que pode ser obtida pelo produtor 24, dados o capital, insumos e mão-de-obra utilizados no seu processo produtivo, conforme consta da Tabela 2. A soma dos pesos sempre é igual a um.

Quando da visita aos seus benchmarks, o produtor e a assistência técnica, devem enfatizar aqueles de maior peso, no caso o benchmark 7 com um peso de 0,649. Da Tabela 2 pode-se observar comparando o produtor 24 ao produtor 7, que este último com menos vacas, pastagens, quantidade de adubos e de concentrados produziu mais leite (Tabela 2). Neste caso, o benchmark 7 foi o que mais se aproximou do produtor 24 na amostra por isto o maior peso.

Na Tabela 2 pode-se observar uma receita não realização da ordem de R$ 125.588,00 (192.322 kg potencial-129.528 kg produzido (Tabela 2) x R$2,00) para o produtor 24 e de R$711.945,50 para os 31 produtores. Outros produtores foram ineficientes em algum grau na amostra. Dessa forma, caso fosse considerada uma amostra de 1.000 produtores com as mesmas características, a receita não realizada se ampliaria para R$ 22.965.893,82.

Assim, pode-se dizer que para não perder dinheiro, os produtores devem monitorar periodicamente a sua eficiência produtiva comparando-a com a de seus pares e corrigindo-a se necessário.

O ideal é fazer um acompanhamento mensal mediante parceria com instituições de pesquisa, consultorias e assistência técnica.

O produtor ineficiente sempre gasta mais para produzir leite do que o seu benchmark ou retira uma receita menor do que deveria dado o capital e fatores de produção empregados, aumentando os seus custos de produção frente ao seu ou seus benchmarks.

Quer se especializar? Confira o curso “Custos na produção na pecuária leiteira: uma abordagem prática" e "Índices zootécnicos: econômicos, criação de animais jovens e produção a pasto" do EducaPoint!

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Figura 5

Autor
Oscar Tupy - Pesquisador da Embrapa Gado de Leite 

 
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Publicado por:

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