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A informação influencia a produção de leite com qualidade?

POR ANA CAROLINA VISCARDI PLEFH

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2021

4 MIN DE LEITURA

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O Brasil está entre as três primeiras posições no ranking de maiores produtores mundiais de leite, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia e, detém o segundo maior rebanho de vacas ordenhadas do mundo (FAO, 2019).

A produção de leite tem grande participação social e econômica, com forte efeito na geração de emprego e renda. Presente em grande parte dos municípios brasileiros, a cadeia de produção leiteira envolve mais de um milhão de produtores entre pequenas e grandes propriedades.

Nos últimos dois anos, o valor bruto da produção de leite nas propriedades atingiu aproximadamente R$ 35 bilhões (Brasil, 2020). Já dentro das indústrias, o rendimento econômico dentro dos laticínios mais do que duplicou, com o faturamento líquido atingindo R$ 70,9 bilhões, alcançando os setores de derivados de carne e beneficiamento de cereais (ABIA, 2020).

Ainda que o Brasil seja o terceiro maior produtor mundial de leite, quando se trata de produtividade animal a situação é bem diferente, não apresentando um grande rebanho de vacas ordenhadas, estando na posição mundial 84 com produtividade cinco vezes inferior aos Estados Unidos, por exemplo, que ultrapassam 10 mil litros/vaca no ano (FAO,2019).

Ao passo que a produção nacional cresceu nas últimas décadas, o número de produtores de leite vem caindo de forma considerável. Na década de 90 o país contava com mais 1,80 milhão de propriedades que produziam leite.

Em 2006 houve queda para 1,350 milhão e em 2017, cerca de 1,176 milhão de produtores (IBGE, 2019), uma demonstração da saída de mais de 600 mil produtores da atividade leiteira em pouco mais de 2 décadas.

No último censo, os dados mostraram que as propriedades rurais que deixaram a atividade leiteira produziam menos de 50 litros de leite por dia e se encaixavam no sistema de agricultura familiar sendo a maior parte deles com produção diária inferior a 10 litros, enquanto que o número de propriedades com produção acima de 50 litros diários, cresceu nos últimos 10 anos.

As produções leiteiras, especialmente dessas pequenas propriedades significam além de uma fonte de renda, indicam uma forma da utilização da mão de obra de toda a família (Silva e Tsukamoto, 2001) e, ainda que a participação no PIB seja pequena, a importância dessas propriedades a nível municipal e regional é relevante para a produção de leite e produtos lácteos em pequenos laticínios, os quais movimentam o comércio local.

O sistema de agricultura familiar não indica que a produção é atrasada ou que não haja modernização (Schmitz e Santos, 2013), porém há estudos que demonstram que propriedades com menor instrução ou sem orientações zootécnicas apresentam os resultados de qualidade do leite abaixo do recomendado, sugerindo que o nível de instrução veterinária tem influência sobre os parâmetros de qualidade avaliados (Schmitz e Santos, 2013; Picoli et al. 2014).  

A adoção de tecnologias de produção e de industrialização, organização e instrução dos produtores e para estimular relações estáveis entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva, são importantes para obtenção de um leite de qualidade que atende aos requisitos brasileiros e ao mesmo tempo, satisfaça a relação comercial entre os elos da cadeia da produção leiteira (Milinski et al. 2008).

É visto que propriedades que não possuem instrução técnica efetiva, que pode ser oferecida pela indústria, cooperativas integradoras ou até mesmo pela contratação de profissionais, apresentam baixos índices no teor de sólidos totais e altos índices de leite positivos para presença de antimicrobianos. O leite que apresenta resíduos de antimicrobianos não pode ser destinado ao consumo humano (Brasil, 2017) e desta forma, deve ser descartado ou direcionado a outros setores que não o consumo.

As pequenas propriedades que em sua maior parte são de sistemas de agricultura familiar, e que ainda são muito presentes no interior do Brasil e que abastecem as indústrias locais, precisam de mais profissionais a campo com a finalidade de instruir e orientar sobre os procedimentos adequados de ordenha, saúde animal e manejo sanitário de vacas tratadas com antimicrobianos, para a compreensão do tempo de carência desses medicamentos antes de destinar o leite desses animais à indústria.

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Referências

Abia. Números do Setor – Faturamento. Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (2019) <https://www.abia.org.br/vsn/anexos/faturamento2019.pdf> Acesso em: 02 de jul de 2021.

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Valor Bruto da Produção Agropecuária. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Brasília, DF, 2020. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/vbp-e-estimado-em-r-689-97-bilhoes-para-2020/202003VBPelaspeyresagropecuariapdf.pdf >. Acesso em: 02 de jul de 2021.

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal, Brasília, DF, 2017.

Food and Agriculture Organization of the United Nations. 2019. Climate change and the global dairy cattle sector. Global Dairy Platform Inc. Rome, 2019.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Pesquisa Pecuária Municipal. Rio de Janeiro, RJ, 2018. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2021.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Pesquisa Trimestral do Leite. Rio de Janeiro, RJ, 2020. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2021.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Censo Agro. Rio de Janeiro, RJ, 2019. Disponível em: < https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/censo-agropecuario/censoagropecuario-2017>. Acesso em: 27 jun. de 2021.

Milinski, P. F., Barancelli, G., Pereira, A. R., (2008) O sistema agroindustrial do leite no Brasil: uma análise sistêmica. In: Congresso Brasileito de Sistemas, 4., 2008, Franca. Anais., Centro Universitário de Franco – UniFACEF.

Picoli, T., Zani, J. L., Peter, C. M., Latosinski, G. S., Fisher, G. (2014) Nível de instrução de produtotes rurais e as características da produção leiteira. Sci Ani Healt, 2(2):147-159

Schmitz, A. M., Santos, R. A. (2013) A produção de leite na agricultura familiar do Sudoeste do Paraná e a participação das mulheres no processo produtivo. Terra Plural, Ponta Grossa, 7(2):339-355

Silva, J. A.; Tsukamoto, R. Y. (2001) A modernização da pecuária leiteira e a exclusão do pequeno produtor. Londrina, 10(2). Disponível em: <https://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/ article/view/8574>. Acesso em: 02 jul. 2021.

ANA CAROLINA VISCARDI PLEFH

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