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Doce de leite nacional: alta valorização sugere oportunidades para o setor

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/01/2021

5 MIN DE LEITURA

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O doce de leite, também conhecido como Dulce de Leche, é um laticínio de alto valor agregado, largamente consumido como sobremesa e valorizado devido à diversidade de apresentações, versatilidade e características sensoriais agradáveis.

Seu baixo teor de umidade resulta em um produto que pode ser armazenado em temperatura ambiente com segurança, o que facilita a logística de armazenamento e transporte, e, portanto, um produto com amplas vantagens comerciais e que tem impulsionado sua comercialização ao longo dos anos.

É amplamente consumido e comercializado em alguns países da América Latina, como Argentina, Uruguai e Brasil. Estes são ainda os maiores produtores de doce de leite do mundo e juntos com outros países formam o bloco econômico MERCOSUL, que permite a circulação de mercadorias e acirram a competição destes produtos entre si, tornando o processo de decisão de compra dos consumidores cada vez mais complexo.

A escolha do consumidor é baseada em inúmeros fatores, tanto intrínsecos como características sensoriais do produto, como extrínsecos, que permeiam valores sociais, demográficos e psicológicos, por exemplo.

Deste modo, a intenção de compra e de consumo dos alimentos vão muito além dos atributos sensoriais. Alguns produtos geram grandes expectativas nos consumidores e podem ter receptividade distinta entre países com maior tradição de consumo e produção.

Neste âmbito, frisa-se o etnocentrismo do consumidor (EC) que se refere a um comportamento de compra leal aos produtos fabricados no país de origem, e que leva a rejeição de produtos importados por razões estritamente nacionalistas.

Os níveis de EC podem ser variáveis entre países, dentro de uma mesma população e até mesmo entre diferentes categorias de produtos. Dessa forma, considerando o crescente movimento nacionalista em diversos países, associado à globalização e intensa competição no mercado, identificar grupos com diferentes níveis de etnocentrismo dentro de uma população pode ser uma importante ferramenta para avaliar a compra e consumo de alimentos nacionais e importados, além de permitir delinear estratégicas de marketing mais assertivas e direcionadas aos distintos segmentos de consumidores.

Sendo assim, um estudo conduzido pela mestranda Bruna Boaretto Durço na Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense (UFF) buscou investigar a influência do EC na percepção do doce de leite de diferentes países de origem (Argentina, Brasil e Uruguai) através da técnica de Laddering.

A técnica de entrevista em laddering se baseia na teoria de cadeia meios-fim, bastante utilizada em estudos de Marketing, e visa identificar os motivos de escolha e consumo de um produto específico, permitindo alcançar, da razão à emoção, determinando os motivos que influenciam inconscientemente os consumidores.

Por meio de uma pesquisa online, os participantes foram apresentados simultaneamente às embalagens de doce de leite, que diferiam apenas do país de origem, juntamente com o questionamento: "Se você tivesse escolher um desses doces de leite para consumir, qual seria?", e uma série de perguntas" por quê?". Em seguida, o nível de CE foi avaliado usando uma escala específica (CETSCALE de 17 itens).

Os resultados apontam que no Brasil, em específico para o doce de leite e com a população estudada, identificou-se consumidores com três diferentes níveis de etnocentrismo: alto nível de etnocentrismo, consumidores de médio-alto etnocentrismo e consumidores levemente etnocêntricos.

Observou-se que os consumidores altamente etnocêntricos possuem forte relação com o doce de leite brasileiro, exaltando sua alta qualidade, sabor característico e outros atributos bastante valorizados, além do comportamento patriótico de defesa do produto produzido nacionalmente.

Já a queda no nível de etnocentrismo evidenciou um aumento na escolha dos produtos importados, apesar do doce de leite nacional permanecer com a preferência entre os demais. O mais interessante é que, mesmo entre os participantes de médio-alto e baixo etnocentrismo, foi possível observar forte afeto, nacionalismo e solidariedade ao produto brasileiro.

Acredita-se que no Brasil, por se tratar de um país em desenvolvimento, os consumidores se preocupam com a situação econômica do país e buscam apoiar a indústria local e evitar abalos que ponham em risco a estrutura econômica. Destaca-se ainda que os produtos importados, quando escolhidos, foram associados a atributos de qualidade sensorial, segurança e satisfação.

Dessa forma, nota-se que o doce de leite nacional mantem uma posição privilegiada nas gôndolas dos mercados diante de todos os níveis de etnocentrismo dos consumidores, apesar do reconhecimento da qualidade dos produtos importados.

Segundo Bruna Durço, isso se mostra uma ótima notícia para o setor, composto por laticínios especializados, mas em sua maioria pequenos produtores que compõem sua renda através da venda do produto, e que podem exaltar e buscar a valorização do produto nacional/regional/local no mercado.

Contudo, ela ressalta ainda que essa oportunidade deve vir acompanhada de arrojadas discussões sobre melhorias da qualidade, uniformização de procedimentos e adequações aos padrões regulatórios do produto, que acabam nem sempre sendo considerados dentro da produção artesanal.

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Autores

Bruna B. Durço, Departamento de Tecnologia, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal Fluminense (UFF);

Anna Carolina G. Penna, Departamento de Tecnologia, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal Fluminense (UFF);

Camila B. F. da Silva, Departamento de tecnologia de Alimentos, Instituto de Tecnologia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ);

Mariana T. C. Machado, Departamento de Alimentos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ);

Mônica M. Pagani, Departamento de Alimentos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ);

Maria Carmela K. H. Duarte, Departamento de Tecnologia, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal Fluminense (UFF);

Erick A. Esmerino, Departamento de Tecnologia, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal Fluminense (UFF), Departamento de tecnologia de Alimentos, Instituto de Tecnologia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)  e Departamento de Alimentos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). 

Referências 

EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Anuário de Leite 2020. Juiz de Fora/MG: Embrapa Gado de Leite, 2020, 104f.

MAKSAN, M. T., KOVACIC, D., CERJAK, M. (2019). The influence of consumer ethnocentrism on purchase of domestic wine: Application of the extended theory of planned behaviour. Appetite, v. 142, 104393.

SALES, Y. J. D., CORRÊA, F. J. B., TAVARES-FILHO, E. R., SOARES, P. T. S., DURÇO, B. B., PAGANI, M. M.,… ESMERINO, E. A. (2020). Insights of Brazilian consumers’ behavior for different coffee presentations: An exploratory study comparing hard laddering and completion task. Journal of Sensory Studies, v. 35(6), e12611.

SHIMP, T., & SHARMA, S. (1987). Consumer ethnocentrism. Construction and validation of the CETSCALE. Journal of Marketing Research, v. 24, 280–289.

MAA, J., YANGB, J., YOO, B. (2020). The moderating role of personal cultural values on consumer ethnocentrism in developing countries: The case of Brazil and Russia. Journal of Business Research, v. 108, p. 375–389.

*Fonte da foto do artigo: Freepik

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ADONIRO DE OLIVEIRA

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS

EM 09/01/2021

Bom dia , Prof. Pagani ! primeiro agradeço suas valorosas contribuições em especial aos pequenos neste segmento de Doces Leite, Grato ; Agora , noutro norte , gostaria de suas considerações sobre D/C 10468 /20 que vem finalmente abranger (depois 2 Décadas) L/C 123/06 como a promoção , simplificação , tratamento orientativo e diferenciado aos Todos os pequenos ( antes o MAPA facilitava somente as pequenas Agro sendo que a legislação maior não continha esse Hiato que agora equiparou em Todos pequenos; Aliás já partilhei sobre dupla visita ,1° educativa , entre outros ponto de vista comentando essa omissão diante da legislação maior e vigente ,Estatuto Nacional PEmpresa . Diante desse nova realidade legal que determina a promoção ,simplificação procedimentos ,dupla visita , enfim.. como ficam os controles ,ao meu ver o MAPA deverá editar uma I.N. com Modelos diferenciados para contemplar o direito a todos os pequenos. Senão, os Princípios estabelecidos na L/C 123, tratamento diferenciado, simplificado e favorecido não vão ser respeitados . Todos sabemos que os Macro empreendedores detém recursos financeiro e corpo técnico diante dos pequenos verdadeiro abismo . Gostaria de sua análise .
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