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Novas estratégias para o tratamento da mastite bovina - parte 1

Por Marcos Veiga Santos - postado em 02/04/2012

 

Novas estratégias para o tratamento da mastite bovina – parte 1

Marcos Veiga dos Santos, Tiago Tomazi*, Juliano Leonel Gonçalves*


Introdução
O controle da mastite bovina tem como princípios básicos a redução de novas infecções intramamárias (IIM) e da duração dos casos existentes. Contudo, mesmo com rigoroso controle, é inevitável a ocorrência de novos casos de mastite. Nesta situação, a redução da duração dos casos de mastite pode ser realizada por meio da: a) cura espontânea, b) descarte de vacas com casos crônicos, c) tratamento durante a lactação, d) tratamento de vaca seca.

Uma das principais ferramentas para a eliminação de infecções intramamárias é o tratamento com antibióticos e antimicrobianos, os quais são ferramentas essenciais para o controle de mastite. O tratamento de IIM é a principal razão para uso de antimicrobianos em vacas leiteiras. Com o uso da antibioticoterapia, busca-se atingir pelo menos um dos seguintes objetivos: a) curar os casos de mastite clínica de maneira rápida e diminuir o desconforto do animal, b) reduzir as fontes de infecção de mastite contagiosa, c) retornar a produção leiteira normal, d) evitar a morte do animal em casos de mastite aguda.

De forma geral, a maioria dos casos de mastite que demandam tratamento com antibióticos são diagnosticados e tratados pelos próprios ordenhadores ou responsáveis pela ordenha, sem a presença do veterinário. Normalmente, os tratamentos são iniciados imediatamente após o início dos sintomas, sem prévio conhecimento do agente causador, pelo uso de protocolo pré-definido. Além disso, em fazendas comerciais a avalição da cura do caso de mastite é feita somente com base no desaparecimento de sintomas clínicos. Dessa forma, a definição de um protocolo de tratamento adequado para cada rebanho deve ser uma decisão a ser tomada em conjunto entre produtor e veterinário.

Existe limitado número de estudos científicos desenvolvidos com delineamentos apropriados para avaliação de tratamento de mastite. Isso ocorre em razão da dificuldade de obtenção de número de casos suficientes para comparação entre grupos, diferenças entre critérios de definição de cura e protocolos de coleta de amostras, dependência de ocorrência natural de casos em fazendas leiteiras e ausência de grupos controle (sem tratamento) em fazendas comerciais. No entanto, mesmo com a restrição do número de pesquisas sobre tratamento de mastite, os poucos estudos existentes podem fornecer informações úteis para os veterinários e proprietários na tomada de decisão sobre aplicação de tratamentos visando o aumento da taxa de cura da mastite bovina.

Fatores que afetam o tratamento da mastite
Os prejuízos causados pela mastite clínica incluem os custos de diagnóstico microbiológico, medicamentos, mão de obra, descarte de leite, redução da produção de leite em razão da mastite clínica e subclínica, descarte do animal ou perda do quarto, e risco de transmissão da infecção para outras vacas.

A eficácia do tratamento da mastite é dependente de fatores ligados à vaca (idade, estágio de lactação, status do sistema imune, histórico prévio de mastite clínica, contagem de células somáticas-CCS e número de quartos afetados), patógeno (patogenicidade e sensibilidade antimicrobiana) e tratamento utilizado (espectro de atividade da droga, via de administração, concentração no local da infecção e duração do tratamento). Entre os fatores associados ao sucesso da terapia, podem ser incluídos:

a) Tipo de patógeno causador: existe marcante diferença entre as taxas de cura de diferentes agentes causadores de mastite. A taxa de cura do tratamento de mastites causadas por S. aureus é baixa em comparação com IIM causadas por S. agalactiae, as quais respondem bem ao tratamento com antibióticos. Casos de mastite causados por patógenos ambientais apresentam taxas de cura variáveis. As taxas de cura variaram de 89% (Streptococcus uberis), 69% (Streptococcus dysgalactiae), 33% (Staphylococcus aureus) a 85% (estafilococos coagulase-negativa).

b) Duração da infecção: casos de longa duração (crônicos) apresentam menor taxa de cura do que casos recentes, principalmente para Staphylococcus aureus. Sendo assim, a identificação precoce do caso clínico de mastite e tratamento imediato aumentam a taxa de cura.

c) Vaca: o estágio de lactação, a idade e o histórico de ocorrência de mastite clínica afetam a probabilidade de sucesso da terapia. Vacas mais velhas e no final de lactação apresentam menor chance de cura que as em início de lactação. Em termos gerais, a probabilidade de cura bacteriológica é máxima (80%) para primíparas, com até 60 dias em lactação, com < 200.000 células/ml e sem histórico de mastite clínica. Em razão da maior probabilidade de cura em animais jovens, a idade da vaca deve ser levada em conta para definição do protocolo a ser usado, quando da tomada de decisão do uso de terapia nos animais velhos.

d) Gravidade da infecção: para casos de mastite de alta gravidade de sintomas clínicos, como dor, edema e sinais sistêmicos (febre, queda na ingestão de alimentos, dificuldade de locomoção, desidratação), a terapia durante a lactação é recomendada em função de risco da vaca morrer. Nesses casos, a identificação precoce dos sintomas e o uso de terapia de suporte são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Protocolos para tratamento de mastite clínica

A gravidade dos casos de mastite clínica pode ser classificada em 3 diferentes escores: 1) leve, somente alteração do leite (grumos, coágulos); 2) moderado, alterações do leite e de sintomas no quarto afetado (inchaço, dor); 3) grave, além dos sintomas dos escore 2, a vaca apresenta sintomas sistêmicos (febre, desidratação, prostração).

Os critérios para definir o sucesso do tratamento de mastite são variados e difíceis de serem completamente estabelecidos, pois podem ser usados: a) cura clínica (eliminação dos sintomas), b) eliminação do agente causador (cura bacteriológica), c) redução da CCS (p.ex. < 200.000 células/ml após o tratamento). A cura bacteriológica é um critério mais objetivo do que a cura clínica e tem sido usado para a maioria dos estudos científicos, no entanto, em condições de campo este tipo de avaliação é impraticável.
Para a definição de um protocolo adequado de tratamento, após o diagnóstico inicial, recomenda-se a classificação do caso de mastite com base na gravidade dos sintomas (escores 1, 2 e 3) e a coleta de amostra para cultura microbiológica. O protocolo de tratamento a ser utilizado deve levar em conta a gravidade do caso, o tipo de agente predominante no rebanho e o histórico da vaca.

O tratamento durante a lactação é geralmente recomendado para todos os casos clínicos, tão logo sejam identificados antes da ordenha pelo teste da caneca de fundo preto. Para que a terapia com antibiótico tenha bons resultados, a droga deve atingir os locais da infecção no quarto afetado e manter concentração mínima inibitória por um período mínimo necessário para eliminar o microrganismo. A via mais comum para tratamento de casos de mastite clínica em vacas leiteira é a intramamária. Os tratamentos dos casos clínicos leves são feitos geralmente pela infusão intramamária de antibiótico de amplo espectro, em bisnagas descartáveis, destinadas ao uso em vacas em lactação por um período de pelo menos 3-4 dias. Recomenda-se ainda, que o tratamento seja continuado por mais 24 horas após o desaparecimento dos sintomas, uma vez que em muitos casos pode ocorrer apenas a cura clínica, mas não a cura microbiológica.

Streptococcus agalactiae é extremamente sensível a antibioticoterapia comumente usada por via intramamária com taxas de cura que variam entre 80 a 100%. Os princípios ativos mais recomendados para tratamento de Streptococcus agalactiae, são a penicilina, a cefalosporina, a cloxacilina e a eritromicina. Em rebanhos com alta prevalência de S. agalactiae, o tratamento de mastite subclínica durante a lactação é recomenda, utilizando-se a “blitz terapia” como ferramenta para erradicação desse agente, no entanto, deve ser feita a avaliação do custo:benefício desta medida para cada rebanho.

Por outro lado, a taxa de cura para tratamento durante a lactação de Staphylococcus aureus é de 25 a 30%. Dentre as razões para esse insucesso do tratamento de IIM causadas por S. aureus estão a demora para o início do tratamento, a escolha inadequada dos antibióticos, o curto período de tratamento, a resistência do microrganismo à droga, ocorrência de bactérias inativas ou metabolicamente inertes, contato deficiente entre a bactéria e o antimicrobiano em decorrência da formação de tecido cicatricial, a proteção dentro dos leucócitos, a difusão pobre da droga e a inativação dos antibióticos por componentes do leite e proteínas teciduais.
Vacas com menor produção de leite (< 9 kg/dia) apresentam maior período de eliminação de resíduos de antibióticos no leite. Da mesma forma, vacas com mastite também apresentam maior período de eliminação de antibióticos no leite, já que estas vacas apresentam redução da produção de leite e maior absorção do antibiótico na corrente sanguínea. Esquemas de tratamento para rebanhos com três ordenhas devem ser conduzidos em intervalos de 16 horas (ordenha sim, ordenha não).

Os testes de susceptibilidade antimicrobiana in vitro são normalmente utilizados para auxiliar na escolha do antimicrobiano para tratamento da mastite. No entanto, os resultados de estudos de avaliação de testes de susceptibilidade antimicrobiana in vitro (antibiograma) apresentam baixa correlação com o sucesso do tratamento de mastite clínica e subclínica. Desta forma, estes testes são de valor limitado para o desenvolvimento de protocolos de tratamentos de mastite. Um dos principais problemas de resistência antimicrobiana é a ocorrência de S. aureus resistente a penicilina, uma vez que as taxas de cura das cepas resistentes são menores que as das sensíveis.

Fonte: originalmente publicado em
SANTOS, M. V., TOMAZI, T., GONÇALVES, J.L. Novas estratégias para o tratamento da mastite bovina In: IX Congresso Brasileiro Buiatria. 04 a 07/10/2011, Goiânia-GO. Vet. e Zootec. 2011 dez.18 (4 Supl. 3) -. v.18. p.131 – 137, 2011.
*Mestrando do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP

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Comentários:

Pablo Carvalho

Iguatama - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 06/04/2012

BOA NOITE!

ACREDITO, QUE HOJE A MASTITE SEJA UNS DOS MAIORES MALES E DESAFIO DA PECUARIA LEITERA , PORTEIRA Á DENTRO... MUITO BOM O ARTIGO,... PORÉM PARA CONTROLAR A MASTITE TEMOS QUE MONTAR UMA ESTRATEGIA SIMPLES E EFICIENTE... DE FACIL APLICAÇÃO NO CAMPO PELOS NOSSOS ORDENHADORES...

GOSTARIA DE SABER, A OPINIÃO DE VCS SOBRE O USO DE VACINAS, CASO TENHA RESULTADO POSITIVO, QUANDO DEVO USAR??? E QUAL PROTOCOLO??

AT.

PABLO CARVALHO

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 06/04/2012

Prezado Pablo,

Atualmente, existem dois tipos de vacinas que podem ser utilizadas para prevenção e controle de mastite: coliformes (J5) e Stahylococcus aures. Para estes dois tipos de agentes, as vacinas apresentam uma eficácia moderada para redução da gravidade dos sintomas e aumento da taxa de cura espontânea. As vacinas contra mastite devem ser encaradas como ferramentas auxiliares para o controle de mastite e não devem ser usadas para substituir as demais medidas de controle.

Atenciosamente, Marcos Veiga

LISIANE ROCHA CZECH

Teixeira Soares - Paraná - Produção de leite/extensão
publicado em 06/04/2012

O que eh exatamente essa blitz-terapia ?

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 06/04/2012

Prezada Lisiane,

A blitz terapia é um tipo de tratamento para vacas com mastite subclínica causada por Streptococcus agalactiae. Em rebanhos com alta porcentagem de vacas com mastite causada por Strep. Agalactiae recomenda-se a identificação de todas as vacas positivas para este agente e o tratamento de todas as vacas. As taxas de cura para mastite subclínica, neste caso, atingem cerca de 90-95% e desta forma, apresentam boa relação custo:benefício.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Jefferson Hugo Mazzutti

Outro - Paraná - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
publicado em 06/04/2012

Marcos , aqui vc mencionou    blitz terapia   o que seria exatamente esse tratamento e como ele poderia ser feito .

Jefferson

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 06/04/2012

Prezado Jeferso,

A blitz terapia é um tipo de tratamento para vacas com mastite subclínica causada por Streptococcus agalactiae. Em rebanhos com alta porcentagem de vacas com mastite causada por Strep. Agalactiae recomenda-se a identificação de todas as vacas positivas para este agente e o tratamento de todas as vacas. As taxas de cura para mastite subclínica, neste caso, atingem cerca de 90-95% e desta forma, apresentam boa relação custo:benefício.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Tiago luís Rhoden

Cerro Largo - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 09/04/2012

Boa noite Marcos! Qual o antibiótico que tu recomendas para o tratamento da  staphylococcus aures?

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 09/04/2012

Prezado Tiago, infelizmente não é possível recomendar um antibiótico específico para tratamento de Staph. aureus. Minha opinião é de que este tipo de recomendação tem que ser feita por um veterinário que está no local e que possa avalair outras informações importantes (histórico, disponibilidade de antibióticos, protocolo de tratamento).

Sem dúvida que esta é uma questão que não existe uma resposta única e nem uma mais correta. Atenciosamente, Marcos Veiga

CAROLINA CASTELLO BRANCO BARROS

Valença - Rio de Janeiro - Consultoria/extensão
publicado em 09/04/2012

Olá Marcos, boa noite !  Primeiramente, parabéns pelo artigo.
Com certeza, a mastite é uma doença muito difícil de ser controlada em nosso rebanho, devido a vários fatores ...
Estou com um problema sério de mastite causada por Staphylococcus aureus em uma fazenda que faço assistência. Já fiz cultura e antibiograma, e alguma vacas não estão respondendo a antibioticoterapia indicada, até mesmo a Cefquinoma. Acredito que a medida mais certa seria o descarte, mas há muita relutância para realizá-lo. São vacas que produzem muito leite e há tb dificuldade em secá-las, pois essa seria uma outra alternativa. Por favor gostaria você me desse uma luz.

Desde já obrigada,
Abraços,
Carolina.

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 09/04/2012

Prezada Carolina, nesta situação, a minha recomendação seria a segregação total destas vacas (ordenha por último) e caso não haja resposta ao tratamento intramamário, uma possibilidade de manter os animais sem descartá-los é pela secagem permanente do quarto afetado (secar definitivamente o quarto).

Essa seria uma medida paliativa para evitar o descarte do animal, mas não resolve o problema por completo. Uma das possíveis medidas auxiliares seria o uso de vacinação para reduzir a gravidade dos sintomas e aumentar a chace de cura na secagem. Infelizmente, não existe uma medida rápida e fácil para resolver o problema de Staph. aureus.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Arlete Romeiro

São Paulo - São Paulo - Produção de gado de corte
publicado em 09/04/2012

E a prevenção  existe ?
Seria interessante ,também saber se é possivel agregar produtos naturais , fitoterapicos?
obigada
arlete

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 09/04/2012

Prezada Arlete, as medidas básicas de prevenção são relacionadas ao manejo de ordenha (pré e pós-dipping), tratamento de vaca seca, manutenção de equipamento de ordenha e descarte e segregação de vacas com mastite crônica.

Em relação ao uso de produtos chamados naturais e fitoterápicos, pessoalmente, eu não recomendo a não ser que existam evidências científicas de que funcionam e que tenham eficiência comprovada.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Jardel Ygor da Siva Almeida

Limoeiro do Norte - Ceará - Produção de leite (de vaca)
publicado em 09/04/2012

Caro Marcos Veiga,como devo agir nos casos de  prototheca sp?

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 09/04/2012

Prezado Jardel,

Não existe recomendação técnica para tratamento de casos de mastite causada por Prototheca, uma vez que se trata de uma alga e não temos produtos que tenham ação específica e eficaz contra este agente. A recomendação é o descarte da vaca e a segregação do animal.

Atenciosamente,

Marcos Veiga

CAROLINA CASTELLO BRANCO BARROS

Valença - Rio de Janeiro - Consultoria/extensão
publicado em 09/04/2012

Caro Marcos, muito obrigada por sua resposta.
Já estamos fazendo a segregação destas vacas, ordenhando-as por último. Agora, irei fazer a vacinação contra o Staphylococcus aureus como você está recomendando, pois anteriormente fiz J5, e ela é para mastite ambiental.
Obrigada,

Att.,

Carolina.

Otavio Aguiar

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012

Olá Marcos, a mastite clínica pode ser tratada na secagem da vaca? Ou obrigatoriamente deve ser tratada com a vaca em lactação?

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 10/04/2012

Prezado Otavio,

A minha recomendação é sempre tratar o caso de mastite clínica antes de secar a vaca. Sendo assim, eu somente secaria a vaca (interromper a ordenha e aplicar o medicamento de tratamento de vaca seca) após a cura clínica do caso de mastite clínica, ainda durante a lactação.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Felipe Zanforlin Freitas

Belo Horizonte - Minas Gerais - Consultoria/extensão
publicado em 04/05/2012

Marcos,
no seu artigo você cita algumas formas de monitoramento da cura perante aos tratamentos de casos clínicos de lactação. Como você mesmo diz, a cultura seria o mais ideal porém é difícil realizar no campo. Estou utilizando a ccs para dar uma idéia da situação. Estou pegando as vacas com casos clínicos de um mês, e que  obtiverama cura clínica, e avaliando a ccs individual das mesmas no mês seguinte, ou seja, estou dando um intervalo de 30 a 45 dias pos cura clínica para avaliar a CCS, uma vez que o tempo para redução da ccs varia. Você acha que é uma uma boa forma de avaliar a eficiência do tratamento de casos clínicos?
Abraços.

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 04/05/2012

Prezado Felipe,

Para avaliação da cura da mastite clínica, os procedimentos que poderiam ser usados são:
Avaliação somente de sintomas clínicos, o que pode ser feito na fazenda. Tem a vantagem de ser fácil, mas nos casos em que houve a cura clínica não há garantia de que a bactéria foi realmente eliminada. Isso é um problema, principalmente para agentes contagiosos (S. aureus, por exemplo).
Avaliação da CCS do mês seguinte: não seria a melhor forma, mas é um indicativo se houve ou não regressão da gravidade dos sintomas. Da mesma forma, não garante que houve cura microbiológica.
Cultura do quarto afetado 14 dias depois do tratamento: esta é a melhor forma, pois além da sintomatologia clínica, a cultura facilita a identificação se houve eliminação do agente.
Para uma situação de fazenda, eu julgo que o mais recomendável seria a opção 1, mas para rebanhos com problemas de S. aureus eu recomendaria usar a cultura , pelo menos em parte dos casos.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Felipe Zanforlin Freitas

Belo Horizonte - Minas Gerais - Consultoria/extensão
publicado em 05/05/2012

Marcos,
como você cita em seu artigo há diferentes formas de se monitorar a eficiência dos tratamentos de lactação na cura bacteriológica. Tendo em vista que a cultura é o ideal porém há dificuldade para se realizar a campo, estou utilizando a ccs para monitorar. Pego as vacas que apresentaram mastite clínica em um mês e que obtiveram a cura clínica, e avalio a ccs das mesmas no mês seguinte. Ou seja, está tendo um intervalo de 30 a 45 dias pós tratamento em que a ccs está sendo avaliada, uma vez que há uma variação no tempo para a redução da ccs das vacas curadas. Sei que essa forma de monitoramento não é a ideal, ocorrem falhas, mas ao meu ver consegue dar uma idéia de como está sendo a cura dos casos clínicos. Gostaria de saber qual a sua opinião em relação a isso.
Obrigado,
atenciosamente, Felipe Zanforlin.

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 05/05/2012

Prezado Felipe,

Para avaliação da cura da mastite clínica, os procedimentos que poderiam ser usados são:
Avaliação somente de sintomas clínicos, o que pode ser feito na fazenda. Tem a vantagem de ser fácil, mas nos casos em que houve a cura clínica não há garantia de que a bactéria foi realmente eliminada. Isso é um problema, principalmente para agentes contagiosos (S. aureus, por exemplo).
Avaliação da CCS do mês seguinte: não seria a melhor forma, mas é um indicativo se houve ou não regressão da gravidade dos sintomas. Da mesma forma, não garante que houve cura microbiológica.
Cultura do quarto afetado 14 dias depois do tratamento: esta é a melhor forma, pois além da sintomatologia clínica, a cultura facilita a identificação se houve eliminação do agente.
Para uma situação de fazenda, eu julgo que o mais recomendável seria a opção 1, mas para rebanhos com problemas de S. aureus eu recomendaria usar a cultura , pelo menos em parte dos casos.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Ricardo Schmidt Dias -

Witmarsum - Santa Catarina - Médico Veterinário - Prefeitura de Witmarsum/SC.
publicado em 08/05/2012

Boa Noite Marcos.
Parabéns pelo seus artigos.
Qual forma você recomenda para realizar a secagem permanente do quarto afetado (secar definitivamente o quarto)?

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 08/05/2012

Prezado Ricardo,

Entre os métodos disponíveis, eu indicaria o uso de tintura alcóolica de iodo (o mesmo usado para cura de umbigo) ou solução de hipoclorito de sódio. Ambos podem ser usados para infusão no quarto mamário a ser secado permanentente (não se recomenda o procedimento para tratamento, pois haverá perda funcional da capacidade de produção de leite).  As infusões são feitas durante alguns dias (depende da resposta do animal) e geralmente é um procedimento doloroso. Deve-se observar a reação do animal e avaliar o uso de antinflamatório.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Tiago Luiz Cereta

Abelardo Luz - Santa Catarina - Estudante
publicado em 19/06/2012

muito bom ajuda muito no meu curso

Álvaro Correia

Coimbra - Coimbra - Portugal - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
publicado em 23/11/2012

Boa noite Marcos,

No pré diping e pós diping em função do tipo de mastite, que tipo de produto se deve usar? por exemplo: composto por ácido lático...

Cumprimentos, Álvaro Correia

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 23/11/2012

Prezado Álvaro, primeiramente obrigado pela participação e saudações aos colegas portugueses.

Eu não tenho nenhuma recomendação específica de um tipo de pré ou pós-dipping que seja específico para um determinado agente ou grupo de agentes causadores de mastite. De forma geral, os princípios ativos e as formulações mais conhecidas e usadas são testadas com os dois principais agentes contagiosos (S. aureus e Strep. agalactiae).

Atenciosamente, Marcos Veiga

Wanderson Oliveira

Araçatuba - São Paulo - Melhoramento Genético / Reprodução Animal
publicado em 08/12/2012

Bom dia Marcos

Gostaria primeiramente de parabeniza-lo por seu trabalho que é fundamental para todos que trabalham no setor lácteo.

Sou médico veterinário e trabalho em uma propriedade com vacas de alta produção. Gostaria de saber se você acredita que a realização de exames individuais (animal)  para CCS, 2 ou 3 vezes  por mês pode ser uma medida de prevenção, já que o tratamento seria iniciado precocemente.

Acredito que o custo beneficio é interessante, até pela fazenda se localizar em Limeira - SP , próximo a Clinica do Leite

Desde já agradeço

Wanderson  Oliveira

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 08/12/2012

Prezado Wanderson,

Obrigado pela participação. Minha opinião é que somente teria sentido e benefício a realização mais frequente de CCS individual por vaca, se os resultados gerados em cada análises fossem utilizados para alguma tomada de decisão. Ou seja, não acredito que seja interessante fazer CCS individual a cada 15 dias, se estes dados não forem usados para algum tipo de intervenção ou de medida em relação as vacas (segregação, cultura microbiológica, etc).

Não acredito que o simples fato de maior ou menor proximidade seja um fator para aumento da frequência de realização da CCS individual. Por outro lado, penso que a CCS do tanque possa ser feita com frequência semanal para monitoramento da CCS.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Álvaro Correia

Coimbra - Coimbra - Portugal - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
publicado em 11/12/2012

Boa noite Marcos,

Obrigada pela sua resposta, tem algum artigo que incida no pré e pós dipping?

Cumprimentos de Portugal.

Álvaro Correia

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 11/12/2012

Prezado álvaro, este é um tema muito amplo e já foi abordado em artigos anteriores. Não tenho nenhum artigo recente especificamente sobre este tema.

Atenciosamente, Marcos Veiga

manoel rocha oliveira

Sabino - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 26/12/2012

Boa tarde marcos. estamos com um problema serio de mamite cronica sercs de dois meses pra cá. estamos com muinta  dificuldades em cura-las ah casos de tetoa ja xoxos ou perdidos. ja não sei mais o que fazer. vc pode mim orientar?

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 26/12/2012

Prezado Manoel,

Considerando que se trata de casos de mastite crônica, o tratamento com antbióticos deve ter pouca eficácia e os resultados não são animadores em termos de recuperação das vacas e dos quartos afetados.

O primeiro passo a ser dado é a identificação da causa da mastite. Além disso, recomenda-se a realização da contagem de células somáticas de todas as vacas em lactação, uma vez ao mês. Antes do tratamento, recomenda-se que seja coletada uma amostra de leite para ser enviado para a cultura microbiológica e desta forma, pode-se identificar qual a bactéria é a causadora da mastite. Dependendo do tipo de causa, pode-se recomendar o tratamento, segregação, secagem do quarto ou descarte do animal.

Além disso, o mais importante é ter em conta que a mastite é uma doença de rebanho e não se resolve o problema por meio do tratamento de uma vaca isoladamente e sim por meio de um conjunto de medidas de controle e prevenção. Sendo assim, o importante é proteger o restante do rebanho para que não tenha este mesmo tipo de caso de mastite.

Seria recomendável que o veterinário responsável pelo rebanho recomendasse as medidas de controle, tratamento e prevenção, pois somente com as informações específicas do rebanho é possível fazer alguma recomendação.

Atenciosamente, Marcos Veiga

joao marcos c novaes

Buíque - Pernambuco - Produção de leite
publicado em 09/03/2013

eu gostaria de saber qual e o plobemar que minha vaca tem  tosse seca constante pus pela vaxina e um começo de mastite no peito e falta de apetite

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 09/03/2013

Prezado Buíque, em razão da situação específica do animal, o mais recomendável seria procurar um veterinário para que possa fazer um exame clínico mais detalhado da situação e indicar o tratamento mais recomendável. Para este tipo de situação, não é possível fazer qualquer tipo de recomendação sem uma avaliação do animai.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Daniel Vieira Batista

Uberlândia - Minas Gerais - Reprodução de Bovinos
publicado em 09/05/2013

Marcos, estou iniciando um projeto de leite e estou com uma vaca em lactação prestes a secar porém a mesma está com mastite clínica.

Devo secar a vaca mesmo com a mastite e essa será curada com a ausência de leite?

ou Devo tratar a mastite para depois secar essa vaca.

Obrigado

Marcos Veiga Santos

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 09/05/2013

Prezado Daniel, minha recomendação seria tratar a vaca como um caso de mastite clínica antes da secagem. Eu não recomendaria secar a vaca com mastite clínica.

Atenciosamente, Marcos Veiga

Daniel Vieira Batista

Uberlândia - Minas Gerais - Reprodução de Bovinos
publicado em 10/05/2013

Muito obrigado Marcos.

Depois me envie um em-mail com seu contato para trocarmos algumas idéias técnicas.

daniel.med.vet@hotmail.com

Abraço

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