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A redução e a avaliação dos custos nos próximos meses

Por Maurício Palma Nogueira
postado em 26/10/2001

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Mesmo com a queda dos preços, CPI, denúncia de cartel e PNMQL- Plano Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite dominando os assuntos nos últimos dias, o produtor, suas vacas e a fazenda não puderam se dar ao luxo de parar.

A crise é real e mesmo que se tenha a necessidade de acreditar que algo irá melhorar, as ações para que isso ocorra depende dos produtores e dos demais envolvidos na atividade, mesmo os que vivem indiretamente do leite.

O cenário atual

A atividade leiteira passa por uma longa crise, embora exista uma corrente que insiste em afirmar que a crise não existe.

Alguns fatores poderão ou não ser positivos para o setor, dentre os quais o principal será a produção de excedente de leite.

O IBGE confirmou esta semana a recepção diária de leite cru nos estabelecimentos fiscalizados até o mês de junho. A recepção no primeiro semestre foi quase 13% superior ao primeiro semestre de 2000. No mês de junho, confirmou-se a coleta de leite cerca de 25% maior que junho do ano passado.

Resta saber se todo o leite é proveniente do aumento efetivo da produção ou simplesmente do redirecionamento de leite do mercado informal para os estabelecimentos fiscalizados.

Ao que tudo indica , em pouco tempo estaremos aptos a exportar volumes consideráveis (pois já se exporta alguma coisa).

Neste ponto cabem duas considerações:

- Não é fácil abrir mercado mas não é impossível desde que haja um planejamento e um esforço conjunto para atingir metas. Não se pode esquecer que, dependendo do exportador, o produtor não será melhor remunerado a partir das exportações o que já ocorre com outros produtos.

- Antes de se abrir mercado, haverá excedente de produção no país, o que se traduz em preços baixos, ou pressão maior que a vivida hoje.

Desta forma não adianta esperar por melhora na remuneração no curto prazo pois exportar ainda está longe da realidade.

As expectativas

O produtor tem apostado as fichas em atuações políticas, como as medidas antidumping, a CPI do leite, a denúncia de cartel, a busca por redução de margem nas redes varejistas, etc. Embora sejam linhas de frente importantes e não possam ser abandonadas, todas as vitórias somadas e mantidas não resolveriam o problema de preços ao produtor, que é o grande motivo de desconforto e aflição. O preço está relacionado com mercado e, a menos que o mercado volte a ser regulamentado, medidas políticas, isoladamente, não resolverão os problemas, embora faça parte da solução. Vale lembrar que regularizar o mercado nos colocaria na contramão da história.

Até o programa nacional de melhoria na qualidade do leite tem sido visto com muita expectativa, quando na verdade, num primeiro momento, tem sido usado como fator para pressionar preços por indústrias que se dizem adiantadas quanto a implantação do programa.

Tabela 1: Queda acumulada nos preços dos alimentos concentrados e do leite, em reais deflacionados pelo IGP-DI, no mesmo período considerado



Tabela 2: Variação acumulada de leite e outros insumos nos últimos seis anos, em reais deflacionados



Como agir

O empresário rural, além de buscar redução de custos precisa compreender o mercado em que está inserido para tomar decisões acertadas.

O entendimento dos fatos é algo de extrema importância para que não se crie clima de euforia como foi criado este ano, quando vários produtores alegavam que nada seguraria os preços do leite.

Acompanhando o mercado, o produtor saberá definir as linhas de análises do setor, avaliar a real situação do leite e tomar decisões e atitudes no sentido da solução.

Entrevistado, um produtor que abandonara a atividade contabilizando lucros deu a seguinte declaração: "Deixamos a atividade por falta de perspectivas, mais do que pela baixa rentabilidade".

Esta falta de perspectiva envolve fatores de maior relevância que a redução de custos, pois o cenário que está se formando para a produção leiteira profissional não é nada animador. A mudança de rumo se dará através da conscientização do produtor, independente do volume de produção. Não estamos falando de união, participação política, etc, mas simplesmente de conhecimento de mercado e a somatória de várias medidas isoladas, porém convergentes.

No entanto, o que importa no momento é garantir a renda mínima para compensar a manutenção da atividade.

Buscando reduzir os custos

Basicamente, todas as recomendações para redução de custos de produção numa propriedade considerarão a redução dos custos fixos, melhor atenção à produção de volumosos, à melhoria das condições sanitárias e apuro nos controles zootécnicos.

O momento decisivo para o próximo ano é agora, início de outubro.

Portanto, para reduzir efetivamente os custos com alimentação faça um plano atual, evitando os transtornos da falta de planejamento e aperto na oferta de volumoso para suplementação, por exemplo.

A consulta a um técnico especializado é indispensável, pois é o momento de planejar todos os custos de alimentação para o próximo o período de seca.

Técnicas e preços

Independente da técnica e da raça do rebanho escolhidas, as decisões devem ser adaptadas à realidade da fazenda, permitindo rentabilidade. Com resultados positivos na contabilidade dos custos variáveis, a escala de produção tende a ser eficaz na redução de custos. Porém, caso o emprego de tecnologia não esteja possibilitando resultados positivos nos custos variáveis, há a necessidade de reavaliação da atividade.

Outro fator que preconiza a necessidade de escala está ilustrado na tabela 1.

Observe que nos últimos 20 anos tanto os preços do leite como dos principais alimentos recuaram nas mesmas proporções considerando preços deflacionados pelo IGP-DI.

Nessas condições há a necessidade de escala, uma vez que mantidas as margens de lucro, o volume de produção deve ser maior para que o produtor mantenha o mesmo padrão de vida.

Outros insumos

Comparando outros insumos utilizados na produção de leite no período de 6 anos tendo em vista a falta de série histórica mais longa, tem-se os resultados que podem ser observados na tabela 2.

Os insumos representam, em média, 55% dos custos de formação da forragem. O diesel representa 10% dos custos de formação. Nos custos de manutenção de pastos e cana de açúcar, o diesel representa 5%, enquanto os insumos agrícolas representam cerca de 60%dos custos totais.

Nos custos totais, a participação da compra dos concentrados, de acordo com estimativas, caiu de 55% para cerca de 40%.

Portanto, ao contrário do que se imagina, o leite produzido a pasto não apresentou redução nos custos.

O que ocorre, é que grande parte das fazendas podem reduzir suas despesas através de programas adequados de produção baseado a pasto e custo mínimo de concentrados, sem discriminação conceitual com nenhum tipo de alimento.

Porém, quem já adotava produção baseada a pastos também tem visto seus custos subirem.

Alternativas

Com margens baixas e, ano a ano ocorrendo aumentos proporcionais nos custos de produção, uma hora a situação fica fora de controle.

O fato serve de alerta para aqueles que têm espaço para reduzir custos, que dão pouca atenção aos volumosos, técnicas de alimentação, controle de mastite (subclínica principalmente), etc. Para quem trabalha com custo baixo, a situação está apertando, quem caminha mais lentamente o negócio é pior ainda.

A avaliação dos custos

Os discursos em torno desse assunto acabam sendo apaixonados, com argumentos fora de propósito, apesar de aparentemente embasados, enfim, acaba-se comparando laranja com banana.

É compreensível e de conhecimento geral que a grande maioria das fazendas trabalham com custos acima do que poderiam estar trabalhando. Até então, falar de custos próximos dos R$0,20/litro em fazendas especializadas.

O cálculo de custos deve ser completo, contabilizando todas as depreciações, remunerações de capital, etc.

Através de avaliação, a situação do produtor pode ser esclarecida e estudada por ele e sua equipe.

Caso a propriedade dê lucro com todos o itens de custos de produção apurados: excelente, embora a rentabilidade hoje não seja estimuladora.

Caso dê prejuízo, o produtor vai retirando itens de custos não presentes no fluxo de caixa para efeito de avaliação.

Se, mesmo extraindo a remuneração do capital fixo e da terra, a fazenda ainda dê prejuízo, o produtor passa a retirar as depreciações que nem sempre são consideradas em planilhas de custos, como depreciação de forragens, depreciações de vacas, etc.

Neste caso, mesmo no prejuízo, essas decisões não devem provocar resultados dramáticos, porém no próximo item dos custos, não desembolsáveis, como as depreciações de maquinários, instalações e benfeitorias, essa desconsideração vai causar perturbações. Quando esse item não é considerado inicia-se o processo de empobrecimento do produtor pelo sucateamento de seus bens.

Neste momento, as decisões começam a ser mais complexas, mas ainda passíveis de solução.

O problema é quando o resultado negativo entra nos componentes de fluxo de caixa. A primeira coisa a ser feita pelo produtor é cortar o salário administrativo, ou seja, inicia-se o subsídio e por aí vai. A produção começa a entrar em colapso e é neste momento que outras atividades começam a dar uma "forcinha" a mais no rateio dos custos.

Rentabilidade x lucro

Apesar da rentabilidade sempre ser citada, o critério final de avaliação dependerá da realidade do produtor.

Quem não depende da atividade e tem nela uma diversificação de investimento tende a avaliar a rentabilidade. Por outro lado, quem vive dos resultados tende a avaliar o lucro mensal, pois precisa do dinheiro.

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Esse material foi extraído do Informativo A Nata do Leite, edição 43, editado pela Scot Consultoria.

Informações complementares podem ser obtidas através do e-mail: scotconsultoria@scotconsultoria.com.br ou pelo telefone: (17) 3343-5111

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Maurício Palma Nogueira    Casa Branca - São Paulo

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