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Mercado lácteo: primeiros sinais de 2010

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E MARLIZI M. MORUZZI

PANORAMA DE MERCADO

EM 19/01/2010

6 MIN DE LEITURA

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O último trimestre de 2009 foi marcado por uma recuperação significativa dos preços no mercado internacional. Os primeiros sinais de recuperação da economia mundial, a demanda firme por lácteos - principalmente por países emergentes - e a produção restrita nos principais países produtores sustentou essa elevação de preços, alcançando cotações não vistas há mais de 12 meses. Na Europa, o leite em pó integral chegou a US$ 4.000/tonelada em dezembro.

Iniciando 2010, a pergunta que se faz é se essa elevação de preços será mantida e, no mercado interno, quais serão os reflexos da mesma. Até o final do ano, essa recuperação no mercado internacional não refletiu nos preços internos, sendo que o valor médio nacional pago ao produtor registrou queda de 5,4% em dezembro, de acordo com o Cepea-Esalq/USP, ficando em R$ 0,6024/litro. O valor médio pago ao produtor em 2009 (R$ 0,667/litro) ficou 4,0% abaixo em relação ao valor médio de 2008, R$ 0,694 (ambos corrigidos pelo efeito da inflação).

Gráfico 1. Preços do leite ao produtor (deflacionados pelo IGP-DI).



A atividade agropecuária sofreu fortes dificuldades em 2009. No caso do leite, o desestímulo em função dos baixos preços praticados no final de 2008 acarretou na queda de 4,52% na captação do 1º semestre. Também, as adversidades climáticas (seca e depois excesso de chuva) castigaram o Sul do país, afetando a produção, que deve ter fechado 2009 com valores próximos à produção de 2008, segundo analistas da região consultados pelo MilkPoint. A antecipação do período de chuvas também fez com que o pico da safra no Centro-Oeste e Sudeste chegasse antes. No 3º trimestre, a Pesquisa Trimestral do Leite, divulgada pelo IBGE, já apontou essa recuperação na captação nacional, que ficou 4,7% superior em relação a 2008.

No cenário externo, o mercado lácteo brasileiro também não conseguiu desenvolver-se; ao contrário, apresentou retrocesso. O país, que saiu da condição de importador de lácteos em 2004, voltou a apresentar déficit em sua balança comercial no ano de 2009. Dentre os diversos efeitos da crise econômica, a forte valorização do real frente ao dólar foi o principal desafio dos exportadores neste ano. Ao todo, foram exportadas 73,5 mil toneladas de lácteos, no valor de US$ 178,5 milhões, o que representa uma queda de 50,5% em volume e 67% em valor quando comparado a 2008.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em 2009 e 2008 e variações.



Em virtude da variação cambial, o leite brasileiro chegou a ser um dos mais caros do mundo, superando até mesmo os preços europeus. Nesta condições, passou a ser vantajoso para as empresas nacionais importarem leite de outros países, principalmente do Mercosul. Como resultado, foram importadas 45 mil toneladas de leite em pó da Argentina e 22,6 mil toneladas do Uruguai. Ao longo do ano, foram aplicadas várias medidas pelo governo brasileiro visando controlar a entrada de leite em pó desses países.

No mercado interno, os efeitos da crise não foram tão acentuados. O consumo de alimentos e bebidas aumentou ao longo do ano, em função da melhora no poder de compra da população (aumento real do salário mínimo e de programas assistenciais). Também contribuiu para o aumento do consumo familiar a queda da inflação, que em 2009 registrou a segunda menor taxa dos últimos 10 anos, sendo que a redução no preço dos alimentos no decorrer do ano foi o principal fator para isso. Já para 2010, na visão de economistas, é pouco provável que o grupo alimentação ajude a segurar a inflação.

Apesar da queda nos preços dos alimentos, durante algum momento do ano o leite foi o vilão da inflação em 2009. Entre dezembro de 2008 e o encerramento de 2009, produtos alimentícios de maior importância na mesa do brasileiro, como o arroz e feijão, ficaram mais baratos em todas as 17 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). No entanto, leite, óleo e batata também tiveram predomínio de alta na maioria das capitais brasileiras em 2009, de acordo com dados do Dieese. Em pesquisa realizada pela Equipe MilkPoint no varejo de Piracicaba-SP, verificou-se que o preço médio do leite UHT em 2009 ficou em R$ 1,87/litro, com preço médio máximo de R$ 2,34/litro (junho) e mínimo de R$ 1,49/litro (dezembro).

2010

No intuito de saber as expectativas dos produtores de leite para este ano, perguntamos aos nossos leitores quais serão os três principais desafios para 2010. Dentre as inúmeras respostas, a maioria dos participantes do debate acredita que uma política de preços que amenize a curva de altos e baixos ao longo do ano, assim como uma maior integração indústria-produtor, sejam aspectos prioritários. Também, a melhoria da qualidade do leite, dentro e fora da porteira, trazendo maior reconhecimento do leite brasileiro no exterior e ampliando as possibilidades de exportação. Por fim, o terceiro desafio mais citado diz respeito ao marketing do leite, divulgando os benefícios do produto e, assim, estimulando o consumo interno, que ainda tem muito espaço para crescer. Ainda, foram citadas: redução dos custos de produção, qualificação de mão-de-obra, união dos produtores, assistência técnica, entre outros.

Em relação aos preços, apesar do resgate de certo otimismo no mercado internacional, as primeiras cotações de 2010 mostraram queda. No primeiro leilão realizado pela Fonterra, o preço médio do leite em pó integral (US$ 3.309/ton) ficou 7% abaixo em relação ao valor de dezembro. Na visão de analistas internacionais, isso se deve ao cenário ainda instável do mercado e da existência de estoques na Europa e nos Estados Unidos. O período de férias também é de vendas mais fracas, impactando nos preços do atacado e varejo.

No Oeste da Europa, os preços também recuaram, e o leite em pó integral foi cotado a US$ 3.600/tonelada na primeira semana do ano, queda de 6% em relação ao preço médio de dezembro (US$ 3.830/ton). Segundo informações da European Dairy Farmers, o mercado mundial encontra-se bastante equilibrado e, portanto, os preços internacionais dos lácteos não devem subir durante o primeiro trimestre de 2010, ficando estáveis.

Os agentes do setor consultados pela Equipe MilkPoint acreditam que, em janeiro, os preços ao produtor no mercado interno devam ficar estáveis ou ter leve alta, com valores médios a R$ 0,60/litro no Sul, R$ R$ 0,65/litro no Centro-Oeste, e R$ 0,65-0,68/litro no Sudeste. O volume comercializado no mercado spot (entre as indústrias) já mostra redução em alguns estados, como Minas Gerais - onde a produção já começa declinar - com o litro sendo negociado em média a R$ 0,70. Já no Sul os preços do leite spot estão por volta dos R$ 0,64/litro e, no Centro-Oeste, a R$ 0,63/litro para a primeira quinzena de janeiro.

Em pesquisa realizada pela Equipe MilkPoint no varejo de Piracicaba-SP, observa-se que os preços do leite longa vida já mostram reajustes em relação aos valores de dezembro. Na primeira quinzena de janeiro, o valor médio para o leite UHT integral ficou em R$ 1,67/litro, valor 12% superior em relação ao preço médio de dezembro (R$ 1,49), como mostra o gráfico abaixo.

Gráfico 2 Preços do leite longa vida integral no varejo de Piracicaba-SP, e dias de prateleira do produto (dia de fabricação - data da pesquisa).



De modo geral, este início de ano se comportou de forma bem semelhante ao final de 2009. Daqui para frente, o ritmo da produção e da demanda - principalmente com a volta às aulas - é que devem dar novos sinais ao mercado. É fato que há muitos fatores importantes na formulação de preços, mas considerando a possibilidade de reabrirmos as exportações, com preços internacionais na casa dos US$ 3.500/ton e mantido câmbio atual (ao redor de R$ 1,70), forma-se um teto de preços para o mercado interno que, se fortemente extrapolado, pode dar novas condições para importação, retrocedendo esse início de alta, a não ser que a política de controle das importações seja mantida, ou que os preços internacionais continuem subindo, aposta que pouca gente faz hoje. Atualmente, as vendas brasileiras ao exterior são bem reduzidas, segundo analistas do setor, podendo considerar que as exportações ainda não foram retomadas. Vale lembrar que para vários países exportadores, os preços atuais são suficientes: remuneram produções a pasto, como na NZ, reduzem o risco de substituição por produtos concorrentes e afugentam países que têm custo de produção mais alto, como EUA e talvez Brasil.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

MARLIZI M. MORUZZI

Médica Veterinária pela FCAV/UNESP-Jaboticabal.

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LICILDO JUNIOR

ANTÔNIO CARLOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/03/2010

Há pouco tempo que começei no ramo da pecuaria, logo a principio percebi que ser produtor de leite do mais modernizado ou convecional tem que ter um don contabil...
porque isso será?
Eu acho na minha pequena experiencia que "Custos" é a chave
sendo isto vivenciado todos dias.
maior produção e menor custo. rsrs
ah!! uma referencia!!!!!
O amigo da minha regiao faz uma referencia sobre o ganho dos supermercados
que a meu ponto de vista nao é eles que tem o lucro maior com isso pois eles trabalham com o marcap de 20 a 40 % sem des de nf.
no caso eles devem conseguir comprar dos laticinio no minimo a 1.15 a 1.20 com nf para vender 1.60 por ai.(calculo a grosso modo)
será que o Marcap dos laticinios 70 a 100% nao é maior do que o dos mercardos
isso é como vc citou do leite em caixa que para mim é um sub produto do leite
ou melhor para nao ser muito radical para checgar ao leite em caixinha tirase outros sub produtos rsrs.

ah!! qual será o marcap do produtor 5 a 10%?
ou melhor lucro.....
Qual será o ponto de equilibrio entre o produtor e o consumidor final.

O pior disso tudo que na minha pequena experiencia ,tive que mudar a dieta dos meus animais do ano passado ate hoje umas 6 vezes por causa de preço.
isso que é pior nota-se uma queda a absurda na produçao .
a minha media ocila de 18 a 13 litrs por animal. (aff até refazer a flora ruminal)
os maiores ricos somos nos produtores que corremos. Os nossos fonecedores e compradores q tem menos riscos e a amaior lucratividade.
ODECIO ANTONIO LARA

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/02/2010

O artigo foi muito bom;somente e que fica muito confuso, se devo ou não investir. No pais em que vivemos não temos certeza de NADA. Não temos uma politica seria no setor, o governo atual está preocupado é com a eleição.
GIL AMBRÓSIO LOPES

CONSELHEIRO LAFAIETE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/02/2010

Prezados,
Fazer campanha para aumentar o consumo de leite é valida, mas isso não vai bastar, pq a industria e os supermecados é que ganham, e qto mais aumentar o consumo mais eles vão ganhar.
Exemplo: Qdo estava recebendo 0,80 por litro, no supermercado chegou a 2,80 o longa vida, agora estou recebendo 0,60 e esse mesmo leite esta 1,60 , ou seja qdo o momento é bom os supermercados ganham tanto que o consumo diminui, e ai o preço ao produtor cai, ja fizeram CPI e tudo mais e nada muda, e quem esta na base da piramide nunca vai ganhar (salvo raras exceções).
PAULO ROBERTO LEAL COELHO

RIO DE JANEIRO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 24/01/2010

Prezados...
Apesar da análise correta e "cartesiana"...creio que os prêços passam por situações que são meio "imponderáveis" no mercado.
Concordo bastante com a posição do Héldr de Arruda.
Trabalho em uma enorme região, visito muitas fazendas, Cooperativas, e não vejo a mesma situação ocorrer, de forma igual, em duas delas.
Além do mais, a enorme "cartelização" do setor, não está deixando escolha ao produtor. Ou se manda pra quem compra por pouco e paga direito, ou se arrisca a se mandar a quem paga mais e ...pode não pagar.
Também não ocorre por parte do governo e das entidades (inclusive as representattivas da classe), propagandas de estímulo ao consumo (ensinamos a produzir melhor, mas não a se consumir mais).
Juntamos então:, programas "assistenciais" que tiram a mão de obra rural, baixa remuneração, cartel de compra, baixo consumo, entidades fracas (desunidas) e nenhuma representação parlamentar decente... ficamos ao sabor da sorte.
Falta produto, o leite sobe. Produz-se normalmente e não se sabe o que vai dar.
OSMANI MENDES FERREIRA

IBIÁ/ MG - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 23/01/2010

Só ganharemos com a atividade no erro de calculo dos grandes tipo Fonterra,Dpa e Outras.
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/01/2010

Marcelo/Marlizi
A análise competente de vcs nos ajuda muito neste começo de ano. Continuamos trabalhando na APLISI, no sentido de fazer com que haja menos variações de preço para o produtor, e que este, seja mais respeitado por todos. Enfim, que haja uma verdadeira parceria entre o comprador do leite e o produtor.

Acho que temos conseguido bons resultados, e agradecemos a contribuição do MilkPoint.

Abraço.
Paulo Fernando.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 22/01/2010

Prezados, Marcelo e Marlizi. As vezes eu gosto de esperar um pouquinho para ver como é a arrancada da carruagem e desta vez, vejo que está alavancada por profissionais de altíssimo peso e de estatura compatível com o nível profissional de vocês dois. Há alguns anos passados, eu mencionei aqui, que nosso produtor de leite vive numa gangorra, num sobe e desce constante e o leite brasileiro é transportado juntamente com o produtor, numa velha carreta, sem pneus, sem freios e com o motor queimando óleo, e, que naquele momento essa velha carreta estava no topo da ladeira começando a descer.

A cada análise que vejo feita por você Marcelo, ou em conjunto com a Marlizi e no passado com outros colaboradores, noto que o mercado está mudando, que as cabeças pensantes da cadeia produtiva estão convergindo no sentido de buscar soluções práticas e inteligentes para melhorar o consumo interno do nosso leite, me alegra perceber que, enfim, estamos acordando para um mercado interno de 200.000.000 de consumidores, ao invés de ficarmos brincando de exportadores de produto sem qualidade, conforme já falei muito aqui, e sem condições de competir com os gigantes lá de fora. Tenho acompanhado os comentários inteligentes e muito ponderados do empresário Sávio Santiago em outros foruns e aqui, ele expressa com muita sabedoria, suas preocupações em relação a essa coisa que reina nesse país e que chamam de governo; confesso que também me preocupa muito, 2010.

O colega Eduardo Fonsceca Portugal da querida Mal. Câdido Rondon, também expressa com inteligencia suas preocupações em relação a 2010, e acho que ele deve continuar gritando mesmo rouco e quando não puder mais falar, só escreva que um dia encontrará éco, embora o Paraná, seja "sui generis" e tenha política meio independente em relação a programas de leite aja vista a lei que o nosso amigo deputado Abelardo Lupion está tentando passar em votação na câmara. Por fim a análise do sr. Guilherme Alves de Mello Franco, com sua linha crítica, verdadeira e profunda em relação a irrealidade do real (R$) frente ao dollar (US$) e seus reflexos no bolso do produtor brasileiro, refletem a expectativa para 2010 e a julgar por essas e as demais opiniões, o ano não será de grandes esperanças... infelizmente. O sr.Dilson Alberto Correa, não está batendo sua tecla sozinho, eu bato juntamente; sou seu aliado. Particularmente, acho que devemos voltar as atenções para produção com qualidade, focar cada vez mais o mercado interno, criar política de marketing voltada para a classe dos refri, isotônicos e cervejas, e, também a classe pobre e menos esclarecida que é a classe que em mais alguns anos, sem dúvida, será dominante neste país sem lei, sem programas de educação e sem política de curto ou médio prazos que nos deem esperanças de dias melhores, enfim... esquecer que temos um governo confiável e fazer deste país um país de gente confiável mesmo sem governo

Parabéns, Marcelo, Marlizi, Srs. Guilherme, Sávio, Eduardo e os demais até aqui.
WILDOMAR JOSÉ DE OLIVEIRA

UBERABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/01/2010

Achei um bom artigo, entretanto a "lei da oferta e procura" sempre foi o que regulou qualquer mercado, e o do leite não será diferente dos outros.
Acho que a baixa remuneração ao produtor de leite no Brasil continuará ainda por um bom tempo, pelo menos até quando as cooperativas e sindicatos, que congregam produtores, RESOLVEREM investirem em propaganda, na grande mídia, mostrando o valor nutricional e as qualidades/vantagens do ser humano em utilizar mais leite na alimentação diária. Acho que somente assim a procura poderá aumentar e com o aumento do consumo os preços tenderão a subirem.
Há pouco tempo deixei o gado de corte para investir no leite. Sou teimoso e ACREDITO que ainda terei recompensa nisso.
DILSON ALBERTO CORREA

AJURICABA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/01/2010

Muito oportuna a análise dos economistas Marcelo e Marlizi, complementada pelos colegas; considero complicada a situação para melhora dos preços ao produtor, haja visto que dependemos de vários fatores, dentre eles: o câmbio desfavorável, a redução das importações (absurdas em 2009), a melhora das exportações e do consumo interno, infelizmente isso tudo não é pouco. Bato na tecla de que devemos primeiro fazer o dever de casa, ou seja, devemos aumentar o consumo interno de lácteos, e como fazer isso? cade o fundo criado para que se invista em MARKETING, sem isso não vamos aumentar o consumo, devemos melhorar a imagem do leite, mostrar que sua produção está cada vez mais profissional e que tomar leite e seus derivados é muito saudável em todas as fases da vida.
HELDER DE ARRUDA CÓRDOVA

CASTRO - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 19/01/2010

Trabalho a 22 anos na pecuária leiteira. Produzo e ensino a produzir leite. Insisto.
Qaulquer previsão quanto a mercado de lácteos é mera especulação e precipatada. Não existem regras quanto ao esse mercado consistente o bastante para que possamos fazer projeções futuras. Portanto resta ao produtor administrar bem a sua empresa, ou seja ser profissional. Os videntes com suas bolas de cristal não funcionam para atividade leiteira.
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 19/01/2010

Boa tarde amigos;

Diante da situação cambial e da frieza comercial no que tange as exportações, acredito que o que vai dar o tom em 2010 é novamente o mercado interno.
Mais uma vez, quando voltarem as aulas e os volumes no sudeste reduzirem o UHT vai puxar as cotações. Tudo parece então resolvido, mas não está. As industrias vão mais uma vez querer recompor margens de uma só vez manipulando estoques e preços nos grandes centros e mais uma vez o pico de preços será extremamente elevado e rápido, sempre mais rápido que os anos anteriores. Além desse cenário, me preocupa a questão política de 2010. Rende muito mais votos o controle da inflação e a manutenção da cesta básica à valores baixíssimos do que o sucesso de setores do agronegócio capazes de gerar emprego e renda.

Temos um potencial de mercado interno forte, dependemos de marketing para evidenciar ao consumidor que somos muito superiores a produtos alternativos, que nosso subproduto (soro) e melhor que leite de soja, quanto mais o produto principal.
Dependemos de políticas que não permitam nosso governo populista inundar nosso mercado de leite em pó do mercosul, ou sei lá de onde quando ocorre valorização interna.

A roda social depende de produção x geração de renda X consumo, e a partir daí uma repetição virtuosa de desenvolvimento econômico e não de subsídio de qualquer espécie seja para produtores ou consumidores.

Na minha opinião temos que "curar" nosso mercado interno com tecnologias, preços, protecionismo saudável, acessibilidade do produto a diversas classes e marketing. Após esse passo, aí sim, tentarmos acessar mercados externos vantajosos e não essa "desovas" de produtos de segunda linha como tem ocorrido.

Um abraço;

Sávio Santiago
EDUARDO FONSECA PORTUGAL

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/01/2010

Marcelo e Marlizi,

Boa tarde. Concordo plenamente com a exposição e tb com o comentário do colega Guilherme (1ª carta). Sai ano...entra ano e o problema continua! Queremos resolver (ou quem sabe sonhar) que a exportação é a solução das nossas "intempéries" de preço. A muito tempo escuto que leite é produto de pobre! Dói não? A mim, mais ainda, mas não consigo entregar os pontos! Continuo insistindo que Leite é um alimento "Nobre", e precisa ser bem tratado e divulgado. Lógico que é político, é social e as grandes redes é quem ganham! O consumidor está na nossa porta! São 200 milhões de brasileiros! Se é político-social, vamos criar o vale leite para os "Sem Leite", se gasta tanto em programas sociais, seria mais um.. .mas um programa de grandeza, que com certeza ajudaria em muito àqueles abaixo da linha de pobreza! (Ele é amigo do Requião, que implantou no Paraná o maior programa social...que é o "Leite das Crianças"). Assim seria uma ação que ajudaria em muito a regular a gangorra de preços do produtor, que padece muito pela oscilação de mercado.

Estou "rouco" em repetir que a propaganda é que define o consumo. Colegas, não vamos desânimar, mas a conjuntura mostra que o Mercado vai reagir, mas não nos patamares de 2007. Sendo assim, temos que nos preparar para lidar com os excedentes, pois acredito que os grandes mercados mundiais estão abastecidos. Não é com geadas no sul e secas intermitentes que resolverá o ganho do Produtor e da Indústria!

Sds, Portugal.
UBIRATAN TAVARES

UNAÍ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/01/2010

GUILHERME CONCORDO COM VOCÊ.

PARABÉNS.
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 19/01/2010

Quando verifico que estou vendendo leite a US$0,35, duas vezes mais o que já recebi e, a conta não está fechando, dentre outras variáveis, em razão do câmbio, acredito eu. Fica difícil acreditar, que 2010, ano de eleição e, os votos dos que estão pulando de alegria, com esta disparidade cambial, podem fazer a diferença, são inumeras as reflexões.
Dentre estas, a situação que presenciou um amigo meu, na fila do açougue, em um supermercado, no final do ano. Vamos a ela.
A fila estava enorme e, acabou a carne. Ai um cidadão disse, "que adianta o presidente dá dinheiro para a gente, se não tem carne pra gente comprar".
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/01/2010

Prezados Marcelo e Marlizi: Parabéns por mais esta preciosa análise. O mais grave de tudo considero como sendo a política cambial que coloca o real (de forma irreal) sempre muito próximo do dólar, fazendo com que o produto pátrio fique encarecido no mercado internacional. Por outro lado, a vontade politiqueira que o preço do leite não suba para que possam ser mantidos os "programas sociais" do Governo Federal, celeiros de votos e garantia de eleição - pelo menos em tese - tornam o produtor sacrificado, eis que a política de contenção somente a este cerceia, deixando livres os atravessadores e comercializadores do produto e promovendo o enorme "buraco negro" entre os preços pagos ao produtor e o efetivado pelo consumidor. Não vou desenvolver previsões porque, no mercado em que quem dá o preço ao produto é o comprador, quem produz nunca pode dizer o que vai auferir no final do mês, a não ser que seja grande produtor e mantenha contratos de preço mínimo, coisa que anda rara no setor.

Desta feita, vou esperar para ver a quantas andará a gangorra este ano.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
MilkPoint AgriPoint