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Mercado equilibrado mesmo com as importações; oferta no segundo trimestre determinará comportamento do mercado

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PANORAMA DE MERCADO

EM 02/03/2012

5 MIN DE LEITURA

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A estação das águas vai chegando em seu último mês com uma situação bastante estável. Segundo informações divulgadas ontem (01/03) pelo CEPEA, os preços no atacado mantêm-se estáveis (na casa do R$ 1,72/litro) ensaiando elevação. No caso do queijo muçarela, o preço médio se manteve estável, a R$ 10,23/kg.

O varejo mostra comportamento semelhante. Em pesquisa feita regularmente pelo MilkPoint no varejo de Piracicaba (SP), o longa vida valorizou cerca de 2,96% em fevereiro sobre janeiro, ficando com valor médio de R$ 2,08/litro (Gráfico 1). Esse dado é interessante uma vez que sinaliza uma recuperação de preços após as quedas de dezembro e principalmente janeiro.

Gráfico 1: Preços no varejo de Piracicaba (SP)



Fonte: MilkPoint.

Essa relativa tranquilidade se verifica também no campo, onde os preços estão alcançando valores altos e sem grandes oscilações. Segundo dados do CEPEA, o preço voltou a subir em fevereiro e fechou 1,1% superior à janeiro, com média R$ 0,8408/litro.

É interessante notar que esse cenário foi construído mesmo com grandes importações. De fato, o que mais chamou a atenção no mês passado foi a entrada expressiva de leite importado, aumento de 39% quando comparado à dezembro. Dentre as importações de leite em pó, foram 5.182 toneladas da Argentina, 6.221 toneladas do Uruguai, e uma participação menor do Chile.

A entrada de produtos lácteos acontece em função do câmbio e por ter em sua origem um custo de produção mais baixo do que o nosso. É o caso dos nossos vizinhos: Uruguai e Argentina. E essa pressão de entrada sempre irá existir caso o Brasil não consiga produzir leite de forma eficiente e competitiva, ou se o câmbio estiver em um patamar que mina nossa competitividade. É até repetitivo bater nessa tecla, mas é uma realidade importante quando se fala em balança comercial.

Ao analisarmos as importações veremos que os principais produtos internalizados hoje são o leite em pó e o queijo. Dessa forma, é possível encontrar no comércio brasileiro lácteos importados mais baratos que os produtos nacionais. Ainda assim, o reflexo dessa movimentação não foi sentido de forma expressiva no campo, pelo menos quando se pensa em importações reduzindo os preços do leite ao produtor.

Na verdade, ao constatarmos que o mercado está bastante estável há vários meses (olhando do lado do produtor), conclui-se que há equilíbrio entre oferta e demanda e, assim, as importações controladas têm preenchido o déficit de produção e regulado essa dinâmica, sem resultar em queda dos preços apesar do volume expressivo importado. Melhor seria, claro, se toda a demanda fosse suprida internamente. É importante ressaltar que, com importações descontroladas a preços bem mais baixos do que os internos, o resultado seria a queda de preços, afetando diretamente o preço ao produtor. Portanto, o equilíbrio é tênue.

E para frente?

O pico da safra da região tropical passou e a região sul prepara-se para entrar no vazio outonal. Historicamente, por ser um mês mais curto, fevereiro apresenta uma queda na captação em relação a janeiro, algo em torno de 3%.

Se o mercado ainda mantiver um comportamento tranquilo, é provável que os preços pagos ao produtor em março andem na linha da estabilidade ou alta. Agentes de mercado preveem leve queda na oferta baseado na curva normal de sazonalidade de produção nas regiões centrais do país. Na região Sul, o início da entressafra e o provável impacto da estiagem do verão devem contribuir para retração da produção.

Reforçando a informação anterior, historicamente a produção do segundo trimestre é em média 8% menor que o primeiro trimestre, como pode ser observado no gráfico 2. Acreditamos que, neste ano, a queda deva ser pequena (abaixo de 5%).

Gráfico 2: Comparação histórica entre a produção do 1º e 2º trimestre



Fonte: IBGE; Elaboração: MilkPoint

Essa tendência poderá ser reforçada pela análise apresentada na observação do gráfico 3, que foi feito a partir dos dados do ICPLeite/Embrapa e preços do leite em Minas Gerais apontados pelo Cepea/USP. No entanto, como o ICPLeite/Embrapa trabalha com os valores relativos apenas, nós arbitrariamente colocamos o valor de R$ 0,525/litro como custo em julho de 2007, corrigindo a partir daí pela inflação. O ICPLeite/Embrapa indicou que no mês de janeiro teve alta de 1,69% nos preços dos insumos utilizados nos sistemas de produção de leite, sendo que a maior alta ocorreu no grupo mão de obra, devido ao reflexo do reajuste do salário mínimo.

No gráfico 3, a diferença entre o preço do leite e o custo estimado reflete o lucro do produtor, e por mais que em 2011 tenha apresentado relativa rentabilidade, agora o cenário inicia-se com um comportamento diferente, com valores levemente negativos. Os custos altos e rentabilidade apertada podem fazer com que o produtor fique mais comedido em seus investimentos, podendo retrair a oferta. Com a produção mais tímida, os preços tenderão a subir a fim de balancear a dinâmica de oferta e procura.

Gráfico 3: Estimativa de preços/custos/lucro de um produtor de leite em Minas Gerais



No entanto, o mercado trabalha como cenário mais provável uma elevação gradativa e pouco pronunciada nos próximos meses, uma vez que como os preços estão elevados, o espaço para reajustes é menor, além do fato de estimarmos uma queda mais moderada na oferta do que em anos anteriores. Ademais, as indústrias vêm de um período longo de margens apertadas e o espaço para posturas mais agressivas, como ocorreu em 2010, por exemplo, é menor.

Além disso, se os preços subirem significativamente, as importações principalmente do Uruguai devem se elevar. Em janeiro, o Brasil comprou desse país 6.221 toneladas de leite em pó e 1.043 toneladas de queijos. O Instituto Nacional de Leite do Uruguai (INALE) estimou um acréscimo de 24% na produção de leite em janeiro de 2012 em relação ao mesmo mês de 2011. Ainda que esse aumento não deva refletir o comportamento do restante do ano, percebe-se pelo gráfico 3 que a produção uruguaia começa 2012 em um outro patamar, quando comparada aos anos anteriores.

Gráfico 3: Produção de leite do Uruguai



Fonte: INALE; Elaboração: MilkPoint

Portanto, o cenário mais provável hoje é: leve redução da oferta no segundo trimestre; demanda continua funcionando; importações preenchem o déficit de produção; leve espaço para aumento de preços ao produtor, sendo improvável uma corrida de preços.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

Médica Veterinária (UEL), Mestre em Medicina Veterinária (UFV), e coordenadora de conteúdo e analista de mercado do MilkPoint.

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JANAINA MARTINS ESTEVÃO

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/10/2012

Parabéns pelo artigo, muito bem colocado.
GUILHERME DONÁ DE CAMARGO

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/03/2012

teste
MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/03/2012

Prezado Alexander,

Muito bem lembrado. É normal nesta época do ano as indústrias terem estoques, afinal, dez, jan e fev são meses de produção maior do que o consumo. Precisaremos observar como irá comportar-se o preço do UHT para analisarmos melhor como se comportará o preço ao produtor.

Um abraço,

Atenciosamente,

Bia Ortolani
JOAO TEOFILO PARAIBA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/03/2012

Marcelo e Beatriz,

Parabéns pelo artigo!

Fico mensalmente na espera desses artigos de mercado de vocês, que são excelentes e têm fundamento cientifico, e fico comparando com o que ouço no campo dos "compradores de leite" que visitam minha fazenda!

É isso aí que vocês disseram mesmo no artigo e o que o amigo Alexander Silva adicionou mais um fator para esse "Equilibrio no Mercado".

As industrias andam com as margens apertadas e agora a choradeira é dos compradores, com as histórias (OU SERÁ VERDADE???) de que estão estocadas de Leite UHT e Leite em Pó, que o SUPERMERCADO não aceita aumentos de preços, que tem industrias importantes em Minas Gerais em dificuldades financeiras, que é melhor continuar na manutenção de preços, etc. É tanta desculpa que colocam para me pagar R$ 0,01 ou R$ 0,02 a mais no litro de leite, que eu até acho que fico mendigando!

Já não sei mais para onde ir nesse ambiente de incertezas da produção de leite!

Fico indignado de acordar e não conseguir se quer projetar para o ano que vem (2013) se posso aumentar o volume e o faturamento de minha empresa rural, ao contrário dos Laticinios que cada semana anunciam investimentos milionários, aumentos de faturamentos, etc.

Mas, como gosto de fazenda, e sou apaixonado pela atividade leiteira e temos o MILKPOINT para nos dar uma LUZ, vou continuar até quando conseguir LUTAR nesse mercado, que é parece ser pior do que bolsa de valores!
DURVAL MARTINS DA SILVEIRA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/03/2012

Cada vez fica mais claro, que em um mundo de economia globalizada, alguns procedimentos precisam estar a frente de qq atividade econômica, qualidade do produto, regularidade e escala de producão que vai gerar a viabilidade econômica. Não existe mais aquele sistema onde se vendia menos por mais,o negócio hoje é exatamente o inverso vender mais por menos e com aspecto qualidade sempre a frente. Este é um grande desafio do setor leiteiro brasileiro, para isto nós precisaremos de muito profissionalismo  e competencia empresarial no campo.
MARCO AURELIO MARTINS DE OLIVEIRA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/03/2012

O mercado de lácteos está desequilibrado e dificilmente entrará em estabilidade com esta política de porteira aberta para os países vizinhos. O governo precisa proteger a nossa produção.

As estatisticas não revelam os preços reais praticados no mercado, Janeiro e Fevereiro foram só um alerta mostrando que devemos tomar providências urgentes .

A maioria das empresas estão pensando em estratégias e metas de vendas, plano A, B, C .

Eu particulamente não gosto e acho um erro das indústrias brasileiras, este tipo de fórmula não são eficazes a longevidade dos negócios que sempre estão ligados a preços com menor rentabilidade.

Acredito que as empresas que terão melhores resultados nos próximos anos , serão as empresas que buscam as prioridades do CRM , fidelizar os clientes com a Marca é e sempre será o melhor caminho.
RUY JOSE DA SILVA

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2012

Sou da região do noroeste fluminense, e a partir de abril as chuvas comecam a ser escassa nesta regiao e  o preco do  leite  melhora um pouco, pra nos os produtores.
ALEXANDER BOAVENTURA

LINS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/03/2012

E ainda tem o fator "estoque de lácteos" das empresas que estão muito altos, que também irá suprir os déficits de produção a medida que for aumentando o consumo no mercado. Então como se comportará preço de leite pago ao produtor?
MilkPoint AgriPoint