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Importações seguem no radar...mas origem pode mudar

VÁRIOS AUTORES

PANORAMA DE MERCADO

EM 27/08/2015

5 MIN DE LEITURA

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Produção interna em retração e preços internacionais em queda livre; estes fatores (mesmo com uma taxa de câmbio desfavorável), levaram as importações lácteas brasileiras a crescerem quase 50% este ano. Alguns fatos recentes, relacionados ao mercado internacional de lácteos e aos nossos principais fornecedores de lácteos importados (Uruguai e Argentina) dão sinais mistos em relação a como podem evoluir as importações lácteas brasileiras até o final do ano.

Como está o mercado brasileiro hoje

O mercado doméstico de leite e derivados em geral segue relativamente desconectado dos mercados internacionais, principalmente por conta da Tarifa Externa Comum de 28% e das taxas adicionais antidumping (origens Europa e Oceania), com os preços domésticos, principalmente de queijos e leite em pó, acima das cotações internacionais.

Leite UHT tem oscilado por volta dos R$ 2,03, caindo quase R$ 10 Centavos nas últimas 4 semanas, o leite em pó integral tem poucos negócios com produto nacional por volta de R$ 10/kg (o importado tem chegado a R$ 8,5-9/kg) e a muçarela gira em torno de R$ 14,2/kg (contra uma cotação de R$ 10,8/kg do produto importado em julho).

É provável uma redução de preços pagos aos produtores até o final do ano (num cenário tendencial, estamos projetando cerca de R$ 6 Centavos/litro de queda na referência média Brasil do CEPEA) com o início do aumento de produção do Sudeste e Centro Oeste a partir de Outubro.

Indústrias têm preferido evitar produção de Leite em Pó, pelas margens negativas que estão proporcionando no momento. Com a redução da participação dos volumes vindos do Uruguai nas importações brasileiras (veja comentário a respeito, logo a seguir), é possível que haja impacto positivo nos preços de leite em pó que sofreram queda nos últimos meses, influenciados em grande parte pela sobre oferta de leite importado.

Foi destaque na balança comercial de julho a exportação de 6.000 tons de leite em pó integral para a Venezuela a preços bem mais altos comparados aos do mercado mundial (por volta de US$ 5.700 a US$ 5.800/ton). No entanto, é possível que esse fluxo comercial não seja sustentável por longo período, sobretudo após o acordo firmado entre Uruguai e Venezuela. Excetuando-se o mercado venezuelano e eventualmente Rússia, não há muitas expectativas quanto a exportação brasileira de lácteos nos próximos seis meses dada a concorrência com exportadores tradicionais atuando com preços mais competitivos.

Acordo comercial Venezuela & Uruguai

O Uruguai vem sendo, em 2015, o principal fornecedor de derivados lácteos importados para o mercado brasileiro. De janeiro a julho deste ano, os lácteos uruguaios representaram boa parte do volume que entrou no Brasil.

O Uruguai acaba de sacramentar um acordo para venda de lácteos a Venezuela. Venderão aos venezuelanos, para entrega ainda neste ano, 44 mil toneladas de leite em pó e 12 mil toneladas de queijos.

Estes volumes acordados para 2015 são bastante relevantes e já começaram a impactar as vendas uruguaias ao Brasil. Como comparação, entre janeiro e julho deste ano, o Uruguai vendeu ao Brasil cerca de 30 mil toneladas de leite em pó (60% do volume comprado por nosso país). Estimamos que a produção uruguaia (que vem crescendo este ano, em ritmo de 2,8% em relação ao ano passado) seja, entre agosto e dezembro, equivalente a 120 mil toneladas de leite em pó. Assim, as vendas acordadas com a Venezuela (um total de 56 mil toneladas de produtos uruguaios), representarão quase a metade do volume que o Uruguai produzirá até o final do ano. Menos produto para exportar para o Brasil...

Fontes alternativas de importações

O leilão da plataforma GDT apresentou alta no último evento, mas ainda com preços a níveis muito baixos, com o leite em pó integral cotado a com preços do leite em pó integral caindo para US$ 1.856/ton no porto na Nova Zelândia, em média. Ao mesmo tempo, taxa de câmbio no Brasil teve franca desvalorização recente: média de agosto (até o dia 25 do mês) em R$ 3,49/US$, quase 14% acima da taxa média do mês de maio. Em Julho, a Tarifa Externa Comum (TEC) foi renovada em 28% até 2023 para importações de lácteos de fora do Mercosul.

Todas estas variáveis conduzem a um cenário no qual o leite de outras origens além do Mercosul, principalmente Estados Unidos (que paga “somente” a TEC de 28%) e da Nova Zelândia (que paga a TEC + um antidumping de 3,8%) passam a ser competitivos quando comparados ao similar nacional. O gráfico 01 apresenta a evolução da comparação, em R$ por equivalente leite fresco, do leite brasileiro (média Brasil do valor bruto apurado pelo CEPEA) com o leite de diferentes origens (leites em pó transformados em equivalente leite fresco).

Gráfico 1. Comparativo do preço do leite de diferentes origens CIF Brasil (em R$/litro equivalente leite fresco)

Fonte: MilkPoint Inteligência

Incertezas na economia da China

Pegou todo o mercado de surpresa a desvalorização da moeda chinesa frente ao dólar, realizada pelo governo chinês (que controla a taxa de câmbio naquele país) algumas semanas atrás. Os motivos desta medida do governo chinês foram relacionados à manutenção da competitividade das exportações chinesas (e, por conseguinte, ao crescimento da economia daquele país).

Objetivamente, esta desvalorização torna os produtos lácteos importados na China mais caros para sua população, o que pode reduzir ainda mais o apetite chinês no mercado internacional. É, portanto, uma medida “baixista” quanto ao cenário de preços internacionais de leite. Por outro lado, tal movimento deve impactar (para baixo) também os preços de grãos, visto que a China também é grande importadora de soja, milho e outros cereais. Este efeito, no mercado de grãos, melhoraria a relação leite/insumos, o que pode incentivar a oferta mesmo com preços pagos ao produtor em baixa.

No entanto, nesta semana a bolsa de valores chinesa entrou em colapso, com queda de 16,5%, motivada pela perspectiva de que a economia chinesa irá diminuir mais fortemente o ritmo de crescimento, que teve média acima de dois dígitos nas últimas três décadas.

Em resumo, se por um lado o acordo entre Uruguai e Venezuela pode restringir a oferta de derivados lácteos ao mercado brasileiro, por outro lado os níveis de preços internacionais ainda seguem baixos historicamente, afetando direta ou indiretamente o mercado local. A recente desvalorização da moeda chinesa, aliada à perspectiva de desaceleração na economia de lá, é fator baixista no mercado internacional, podendo viabilizar abastecimento de importados no mercado brasileiro, ainda que com taxa de câmbio desvantajosa no Brasil. As fontes potenciais dos importados são, além da Argentina, os Estados Unidos e Nova Zelândia. Neste cenário, o mercado local poderá seguir pressionado; salvo algumas surpresas adicionais à queda da produção nacional que já consideramos no nosso cenário, poderemos ver a partir de setembro ajuste (para baixo) nos preços ao longo de toda a cadeia láctea nacional.

O artigo contou com a colaboração de Otávio A. C. Farias
Diretor da Alliance Commodities – Brasil 
o.farias@alliance-commodities.com.br

Administrador de empresas com especialização em economia internacional e fusões e aquisições, Trader especialista no comércio internacional de commodities lácteas desde 1997.



ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

VALTER GALAN

MilkPoint Mercado

OTAVIO A C FARIAS

Especialista em comercio internacional de leite e derivados.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

CARLOS EDUARDO PULLIS VENTURINI

Economista formado pela ESALQ/USP; Coordenador de Conteúdo do MilkPoint Mercado

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VALTER BERTINI GALAN

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/09/2015

Bom dia Patrique,



A abertura do mercado russo para exportações brasileiras de lácteas é uma (louvável) ação de médio/longo prazo iniciada pelo governo brasileira, com o apoio de diferentes entidades do setor. Normalmente estes processo de abertura de mercados envolvem questões burocráticas bastante detalhadas que são resolvidas com prazos de tempo mais longo e, caso surja a oportunidade de exportação pelas empresas brasileiras, elas já estarão encaminhadas por conta desta ação.



No curto prazo, as diferenças de preços entre o nosso mercado interno e o mercado internacional levaram ao aumento dos volumes importados.



Abraço,



Valter
PATRIQUE GIARETTA

SAUDADES - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/09/2015

Boa Tarde, sou leigo nessa questão, portanto me surgiu uma dúvida.

Em uma matéria anterior mostra que o Brasil tenta firmar exportações de lácteos com a Rússia. E nessa matéria são apresentados os números referentes a importação dos lácteos pelo país. Pois então, por que o país tenta firmar negócios de exportações do produto se há necessidade de importação do mesmo?
OTAVIO A C FARIAS

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 31/08/2015

Bom dia Sr Cincinato,

O acordo entre Venezuela e Uruguai está em fase de fechamento ainda.

A operação consiste de troca de petróleo por alimentos numa operação "barter trade", equivalente a 265 mil toneladas de no total de arroz, soja, leite em pó e queijos.

"Bater trade" consiste da troca de mercadorias (permuta) entre nações sem uso de moeda na transação (em geral o Dólar Americano).

O valor unitário por tonelada final para a indústria nao é sabido ainda.
CINCINATO MENDES FERREIRA FILHO

MONTANHA - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/08/2015

Bom dia, apenas uma curiosidade qual foi o preço que a Venezuela pagou no leite Uruguaio.

At.

Cincinato
JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DOS REIS

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/08/2015

Parabéns. Excelente matéria!!!
GILMAR GOMES DA SILVA

PIUÍ - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/08/2015

Parabéns , excelente explicação .
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