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Comportamento da oferta e importações definirão o mercado nos próximos meses

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E MARLIZI M. MORUZZI

PANORAMA DE MERCADO

EM 18/05/2009

8 MIN DE LEITURA

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O setor leiteiro viveu um mês de expectativas melhoradas. Oferta restrita, estoques reduzidos, preços ao produtor ensaiando recuperação, reajustes no atacado, varejo com demanda consistente (principalmente pelo longa vida) e o mercado internacional indicando reação dos preços. De outro lado, a importação de leite em pó da Argentina e a apreciação do real, diminuindo a competitividade do nosso leite no mercado externo. Mas o que de fato pôde ser evidenciado neste período e o que se pode tecer sobre a tendência para os próximos meses?

No mês de abril, os produtores tiveram um aumento no preço recebido pelo leite. De acordo com o Cepea, a média nacional teve acréscimo de 1,7 centavo por litro, ao preço de R$ 0,6258, alta de 2,81% em relação ao mês anterior. Notadamente, os aumentos de preços variaram regionalmente, sendo que em abril, os maiores aumentos, de quase 3 centavos por litro, ocorreram em Minas e em Goiás - reajustes de 4,63% e 5,02% respectivamente. Já em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, as médias não conseguiram se sustentar, mas os recuos não chegaram a um centavo por litro.

De acordo com a Embrapa, em seu Índice de Custo de Produção - que mede o custo de produção de leite em uma empresa localizada no Estado de Minas Gerais - no mês de março o índice geral permaneceu estável. Contudo, analisando os grupos separadamente, houve reajustes em mão-de-obra (9,95% - decorrente do aumento do salário mínimo), qualidade do leite (4,82%), sanidade (0,63%) e produção e compra de volumosos (0,49%). Já para o grupo dos insumos, o mês de março foi de queda - sal mineral (-5,87%), concentrado (-1,14%), reprodução (-0,37%) e energia e combustível (-0,13%).

Gráfico 1. Preços médios pagos ao produtor (média de RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA).



A oferta de um determinado produto é fator de extrema importância na formação de seu preço (senão o principal). A conhecida lei da "oferta e procura" ilustra essa afirmação. No caso do leite, estamos no período de entressafra do Sudeste e Centro-Oeste, em que a produção é reduzida, gerando maior competição pelo produto. Concomitantemente, a região Sul foi afetada por um grave período de estiagem, sendo que em algumas regiões a produção chegou a cair mais de 20%.

Se é verdade que a oferta é fundamental para formação de preços, o inverso também acontece. Em épocas de preços em ascensão, a resposta é relativamente rápida, com incremento do volume de produção. Isso pode ser observado através do Índice de Captação de Leite do Cepea-Esalq/USP, no qual nota-se a elevação da captação à partir do 2º semestre de 2007 (quando os preços começaram a subir no mercado internacional), e sua regressão após o 2º semestre de 2008 - a partir de então, a captação vem caindo mês a mês, quando comparada ao mesmo período do ano anterior. Nesta última aferição (março/09), no entanto, a queda do volume captado, em comparação ao mesmo mês de 2008, já foi menor.

Com a redução da oferta, o que se vê é uma maior competição entre as empresas, em busca de leite. E aqui residem os movimentos de alta nos preços ao produtor. A maioria das fontes do setor consultadas pela Equipe MilkPoint acredita em novo reajuste de preços para o próximo mês, entre 3 a 5 centavos, com preços variando entre R$ 0,65 a R$ 0,78/litro (bruto). Altas mais expressivas não foram relatadas, denotando que, para esse ano, não é esperada uma escalada de preços, até onde se pode analisar. A continuidade do efeito da oferta pressionando preços vai depender agora do aumento da produção no Sul, com o início das chuvas, que pode reduzir o déficit de leite no meio do ano.

Um outro fator de peso na reação dos preços tem sido o leite longa vida. Apesar de todos os produtos lácteos terem reagido - em proporções consideravelmente menores - o leite UHT vem subindo de preço - no mês de abril, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo - medido pelo IBGE), registrou alta de 3,12% para o leite pasteurizado, no qual o IBGE inclui o leite UHT. A demanda está firme e não há estoques. Apesar de termos os dados de atacado do Cepea apenas até fevereiro, agentes do setor informaram que, no atacado, os preços médios do litro do leite longa vida variam hoje entre R$ 1,55-1,60 (Sul), R$ 1,70-1,80 (CO) a R$ 1,80-2,00 (Sudeste). No varejo, as médias do produto vão de R$ 1,80 a R$ 2,20/litro, com regiões registrando preços acima de R$ 2,40 (MS), de acordo com as mesmas fontes.

Mesmo que de forma mais modesta, os demais produtos lácteos apresentaram reação nestes últimos dias. O leite em pó, após um leve sinal de alta no mercado internacional, tem tido preços mais firmes no atacado, já apontando alguma recuperação. Segundo agentes do setor consultados pela Equipe MilkPoint, os preços no atacado giram em torno de R$ 7,00/Kg, e o mercado mostra-se estabilizado (com estoques reduzidos e demanda normalizada). Até o momento da elaboração deste artigo, novos contratos de exportação não haviam sido fechados, mas há negociações sendo feitas, com preços médios de US$ 2.300/tonelada (para o Mercosul) e US$ 2.800/ton (para a Argélia). O mesmo ocorre com os queijos, que devem mostrar uma reação neste próximo mês. O quilo do produto está sendo negociado no atacado entre R$ 7,00 e R$ 8,50, e no varejo, entre R$ 11 e R$ 14,00/Kg.

O consumo de produtos de primeira necessidade, assim como de artigos que, de certa forma, tragam alguma forma de compensação ao consumidor - com a crise, foram adiados investimentos em bens duráveis, como carros, imóveis, eletrodomésticos, entre outros - tem aumentado. Segundo uma pesquisa da LatinPanel, no 1º trimestre deste ano o crescimento de compras de alimentos e bebidas foi de 15% e 9%, respectivamente.

Com oferta reduzida e demanda firme, reajustes de preços são esperados como um ajuste normal de mercado. Como fatores de restrição a esse movimento estão as importações e a valorização do real. De janeiro a abril de 2009, foram importadas 26 mil toneladas de leite em pó da Argentina (equivalente a cerca de 213 milhões de litros de leite). No mês de abril, foram importadas 5,7 mil toneladas de leite em pó integral (equivalente a 46,9 milhões de litros), sendo 78,2% provenientes da Argentina (ao preço médio de US$ 1.840/t) e 21,4% do Uruguai (em média, a US$ 1.665/t). Em relação ao mês de março - no qual foram importadas 9,589 mil toneladas de leite em pó integral (69% proveniente da Argentina) - as importações recuaram 41%.

No final de abril, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu impor uma barreira à importação de produtos lácteos da Argentina. O colegiado de sete ministros autorizou o governo a implantar um sistema de licenciamento não-automático para as compras externas de leite e derivados do vizinho. Um grupo interministerial está analisando e monitorando os pedidos de importação. No acordo firmado com o país vizinho, estabeleceu-se o preço mínimo de US$ 2.200/tonelada de leite em pó, e volume máximo até 3 mil toneladas por mês.

Caso a oferta interna de leite se mantenha em declínio - como no 1º trimestre - e as importações do Mercosul sejam insuficientes (principalmente pela limitação às importações de leite da Argentina), será necessário trazer leite de fora do bloco, pagando 27% de imposto + tarifas anti-dumping. Como resultado, teremos um descolamento de preços em relação ao mercado externo, o que pode estimular uma elevação dos preços ao produtor, com consequente aumento da produção no final do ano.

No mercado internacional, as atenções estão voltadas - além dos preços - para os estoques. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), no 1º trimestre deste ano, os estoques de leite em pó desnatado atingiram níveis históricos, com 84,2 milhões de quilos (15,4% acima em relação ao ano anterior). Na Europa, os estoques de intervenção de manteiga e leite em pó desnatado atingiram os mais altos volumes desde 2002; cerca de 61.000 toneladas de manteiga e 120.000 toneladas de leite em pó desnatado estão em estoques de intervenção públicos, além de 72.000 toneladas de manteiga em estoques privados.

Em relação aos preços, o mercado internacional não tem reagido da forma esperada, apesar de se manter firme no último mês. No último leilão da Fonterra (12/05), o preço médio alcançado para todos os produtos e períodos contratuais para o leite em pó foi US$ 2.144/t, posto na Nova Zelândia (antes do embarque) - valor 4,07% inferior ao do leilão do mês anterior. Já os preços futuros do leite Classe III nos Estados Unidos chegaram a cair em abril, mas já mostram uma recuperação nas últimas duas semanas. E assim como no Brasil, não há indícios de altas expressivas nos preços. No Oeste da Europa e na Oceania, o cenário é mais positivo. Os preços de exportação de lácteos têm mostrado recuperação há duas quinzenas consecutivas. Nesta última quinzena (1º a 14 de maio), o preço médio da tonelada do leite em pó integral atingiu o valor de US$ 2.537,5 no Oeste da Europa, alta de 6,8% em relação à quinzena anterior.

Gráfico 2. Preços médios de exportação no Oeste da Europa (US$/tonelada).

Clique na imagem para ampliá-la.

Um outro ponto extremamente relevante para o saldo da balança comercial brasileira de lácteos - e consequentemente para os preços internos - é a variação do câmbio. Na última semana houve nova valorização da moeda brasileira (assim como dos demais países emergentes) frente ao dólar, e já há agentes do mercado que apostam no dólar com valores anteriores à crise, em patamares em torno de R$ 1,80. Nesta hipótese do real valorizado - e os preços internacionais na casa dos US$ 2.200/t - as exportações brasileiras ficam em posição ainda mais difícil. Ao contrário, a viabilidade para trazer produtos de fora, aumenta.

Em relação aos preços, o cenário é mais propício para valores não muito acima dos atualmente praticados, variando entre as regiões e sempre considerando as diversas variáveis que compõem essa equação. Além da oferta, do câmbio, dos preços externos, dos efeitos da crise e das medidas visando a limitação das importações argentinas, a elevação dos preços do leite UHT traz mais uma variável: até que ponto essa alta de preços no varejo será sustentável, com manutenção das vendas?

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

MARLIZI M. MORUZZI

Médica Veterinária pela FCAV/UNESP-Jaboticabal.

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RODRIGO ZAMBON

TEUTÔNIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/06/2009

Aqui no RS o preço do linga vida em alguns supermercados superam os R$ 2,40 até dependendo da marca.
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/06/2009

Não sei não, este último leilão da Fonterra foi um balde de água fria. Não dá para apostar se as incertas recomposições nos preços pagos ao produtor cobrirão os elevados custos de produção. Vamos acompanhar o efeito Nestlé no mercado de leite fluido com as marcas Ninho e Molico, que pode criar competição nas grandes bacias leiteiras.

Em Minas há alguns sinais de entusiasmo nos leilões de maio que não traduzem a realidade vivenciada porteira adentro. Vi recentemente animais serem vendidos por até R$ 11.000,00, em minha região e já vimos este filme antes, mais precisamente em 2007/2008, quando uma melhora nos preços atraiu muita gente para produção de leite, que por sua vez aumentou muito e como resultado da lei da oferta e da procura, causou uma queda acentuada dos preços pagos ao produtor.

Torço por dias melhores. Parabéns ao Dr. Marcelo e a Dra. Marlizi pela matéria.
RÔMULO DE MEDEIROS PALMEIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/05/2009

Marcelo, Marlizi e leitores,

Trabalho fazendo estudos setoriais, com análises de riscos, ameaças, oportunidades, tendências etc, e gostaria de ajuda para esclarecer algumas dúvidas que surgiram após ler este artigo. Tenho informações de que o comércio exterior (exportações e importações) do mercado de leite é pouco expressivo em relação à produção do setor. Se isso for verdade, como as exportações e importações impactam de forma significativa o comportamento e a formação dos preços para o pecuarista leiteiro e a indústria de laticínios e derivados?

Abraços,

Rômulo Palmeira
Brasília-DF

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Rômulo,

De fato, em relação à produção total as exportações e importações não representam muito, cerca de 2-3%. Porém, o efeito ocorre por algumas razões:

1) Se os preços externos estão mais altos do que os internos, as empresas exportadoras puxam o mercado para cima e, às vezes, as demais empresas que atuam na mesma região precisam seguir o movimento. De forma oposta, se os preços lá fora estão mais baixos, haverá importação de leite.

O mercado de leite cresce a uma taxa de 3% ao ano. Nos primeiros meses do ano, importamos cerca de 80 milhões de litros/ano, o que dá quase 1 bilhão de litros/ano, o que dá quase 4% de nossa produção. É uma quantia significativa ao considerarmos que o mercado é relativamente maduro e cresce a taxas relativamente baixas. Em outras palavras, 1 ou 2% de excesso ou falta de produto são suficientes para mexer com o mercado.

2) É possível haver alguma amplificação desses efeitos em função das imperfeições de mercado, em que algumas empresas utilizam seu maior poder de barganha para reduzir preços ante a ameaça de aumento nas importações. Mas, de qualquer forma, existe o efeito acima, colocado no item 1.

Não sei se fui claro.

Abs,

Marcelo
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/05/2009

Bom dia Marcelo e Marlizi;

Parabéns mais uma vez pela eficiência da análise.

Acho que como sempre estamos caindo mais uma vez na falsa ideia que a especulação do longa-vida representa uma realidade de mercado. Existe realmente uma boa tendência de alta de todos os produtos do setor que vem se confirmando com o passar dos dias, mas como nos últimos anos as indústrias de longa-vida operam o preço com altas frequentes acima das médias, um especulando sobre a oferta do outro. O efeito disso é uma alta real por curto espaço de tempo já que a qualquer alteração no mercado internacional, ou como foi dito alta de volume na safra do sul, a especulação se inverte. Os supermercados, ao sentirem fragilidade, reduzem os preços vertiginosamente, prejudicando os demais produtos.

No ano passado as reduções se iniciaram nos meses de junho e julho de forma excessivamente prematura por conta das altas especulatórias, no ano retrasado a siuação foi ainda mais brusca entre as variações de mercado.

Para nós, laticínios e produtores, a valorização do produto é importante mas seria bem melhor que se sustentasse por períodos maiores. Como sempre tem pessoas que vão com muita sede ao pote querendo recuperar tudo de uma só vez e atrapalham todos da cadeia produtiva.

Um abraço a todos;

Sávio Santiago
SANMARQUES IND DE LATICÌNIOS
Resende RJ
ANTONIO PATRUS DE SOUSA FILHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/05/2009

Marcelo e Marlizi,
Parabens pela brilhante exposição do mercado de leite no momento e perspectivas.

Porem, acho extremamente importante que o produtor de leite tenha uma central que defenda seus interesses, defina estrategias de curto, medio e longo prazos, que negocie com a cadeia produtiva de maneira incisiva e firme, estipulando um preco de venda do leite acima do ICP (indice do custo de producao), que defenda o fim de importações indiscriminadas, que regule a produção através de cotas, que represente o produtor na camara e senado, dentre outras funções. Ao meu ver, é inconcebivel os laticinios continuarem impondo preço ao produtor. Nós produtores nao precisamos esperar por secas, chuvas em excessos, etc, para regular precos. Atraves da central podemos regular oferta e demanda. Utopia? Nao!

Basta a central coordenar cooperativas, associações de leite e produtor, divulgar todo mes um preço acima do ICP para o produtor seguir e se orientar. Pela CNPP -
Central Nacional dos Produtores de Leite - já!.
Abraços, Patrus.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/05/2009

Prezados Marcelo e Marlizi: pelo que pude notar, em análise do mercado regional da Zona da Mata de Minas Gerais, onde se localiza minha propriedade, o aumento da produção leiteira se deu, em algumas fazendas, pela utilização - profícua - dos protocolos de inseminação artificial a tempo fixo (IATF), o que fez com que os animais parissem em bloco, bem no início do período de estiagem (maio), aliado ao aquecimento do mercado de animais, que motivou a aquisição de novas reses e, via e consequência, de mais leite a produzir.

Esta evolução vem sendo anunciada, a cada ano, há pelo menos cinco anos atrás, quando a presença de animais de elite na região já se tornava uma realidade (os concursos leiteiros passaram a ser mais disputados e as grande lactações - acima de oitenta litros - já podem ser encontradas neles com frequência). O gado também melhorou e, como em tempos de antanho, o holandês toma conta, novamente, do cenário regional, além da já notada inclusão das vacas jersey nos rebanhos, com vistas à elevação da taxa de sólidos do leite, fatores que vão ressucitar a grande bacia leiteira da Zona da Mata de Minas Gerais.

Já no cenário nacional, espero pela chegada dos produtores de momento, aqueles mesmos que, entra ano, sai ano, se aproveitam da alta do produto para auferir lucros, atrapalhando o produtor profissional, que tem o valor de seu leite estagnado ou mesmo, diminuido, pelo aumento consistente da produção e pelo excesso da mesma no mercado. Além disso tudo, virão as importações - famigeradas importações, politiqueiras importações, absurdas importações - de leite da Argentina (que não é produzido por ela, posto que seu mercado produtor também está em crise, mas comprado da Europa), numa política de "boa vizinhança" burra e inconsequente, que inflam o mercado, fazendo o preço do produto baixar, inviabilizando, uma vez mais, a produção nacional. E não nos esqueçamos da valorização do real frente ao dólar que, ano passado, quase levou à falência o agronegócio brasileiro no geral (pecuária, suinocultura, criação de aves, agricultura), já que nosso produto ficou caro e o dos outros países, barato. Será que nenhum membro do Governo Federal viu isto?

É lamentável que tais cenários sejam, novamente, os fantasmas a assombrar a vida dos produtores nacionais, não como o Gasparzinho, citado pelo Sebastião Poubel, mas como o "Jason", de "Sexta Feira Treze", que todo ano tentamos e pensamos matar, mas ele revive para decepar nossas cabeças. Quebremos a serra elétrica do Governo ou não sobrará nenhum retalho para contar a história. Parabéns pelo artigo.

Um abraço,

GUILHEME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
SEBASTIÃO POUBEL

RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/05/2009

Boa noite Marcelo e Marlizi.
O artigo acima é um dos melhores e mais completos que já li sobre o mercado atual do leite.

Sabemos o quanto este mercado é complexo, porem o conteúdo do artigo me esclareceu muitas dúvidas que tinha. Quando a produção do Sul foi mencionada, com uma queda de 20%, e sendo a única região onde houve um recuo de preços, por menor que seja, pareceu-me uma daquelas importações fantasmas, é aquela estória do Gasparzinho atravessando paredes. Mesmo com as chuvas, sabemos que os estoques de comida foram usados antes da hora e fazer mais custa tempo, pelo menos 60 dias para pasto de inverno e 4 meses para silagem. Como segundo produtores nacionais, acho difícil segurarem a produção.

Devido a vários fatores mencionados no artigo, ou seja, entressafras, secas, excesso de chuvas, política de contenção das importações, etc, se o governo conseguir segurar a importação e as triangulações, teremos um ano bem razoável para o nosso setor.

Saudações,
Sebastião Poubel
SILVIO SARAIVA SAMPAIO

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2009

Fica dificil para o produtor de leite e industria planejarem alguma coisa; o futuro proximo do leite é muito incerto. Se esta migração do leite em pó para o UHT for positiva e as industrias continuarem aumentando o preco no varejo com tanta intensidade, fica perigoso. Tem que achar o ponto de equilibrio, preço justo para o consumidor, para o produtor, margem para industria e varejo, sem fome de lucro e abusos para qualquer parte, para tudo ser sustentavel e durar por bom tempo.
MilkPoint AgriPoint