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Com produção menor e UHT em alta, produtor recebe mais pelo leite

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E MARLIZI M. MORUZZI

PANORAMA DE MERCADO

EM 17/06/2009

7 MIN DE LEITURA

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No último mês, a retomada dos preços já foi sentida com maior intensidade na maioria das regiões do país. Apesar de atrasado em relação ao atacado e varejo, o aumento de preços ao produtor melhorou o ânimo geral do setor, podendo trazer expectativas para uma retomada da produção, caso esse cenário se mantenha. Oferta, consumo interno e o comportamento do mercado do leite longa vida continuam sendo fatores decisivos para definição dos valores praticados nos próximos meses.

Em maio, de acordo com o Cepea-Esalq/USP, o preço médio pago ao produtor teve alta de 5,9%, alcançando R$ 0,6625/litro, sendo que as principais justificativas para esse aumento são a redução do volume captado pelas indústrias e a elevação dos preços do UHT - em abril, a queda no volume captado, em relação ao mesmo mês de 2008, foi de 6,2%. A prolongada estiagem na região Sul do país, principalmente durante os meses de março e abril - período do ano preferencial para a instalação das áreas de pastagens de inverno -, prejudicou severamente a atividade, gerando um atraso de cerca de 30 dias para o início do período de maior produção de leite da região. Normalmente, a região Sul já tem uma retomada da produção em meados de junho, o que ainda não ocorreu esse ano, e deve começar a ser visto no final do mês ou mesmo início de julho.

Nos últimos meses, a variação entre a receita e os custos de produção tem se tornado mais positiva para o produtor. O índice RMCR - Receita Menos Custo de Ração - elaborado pelo MilkPoint (gráfico 1), estima a rentabilidade de uma vaca hipotética com produção diária de 20Kg de leite, quando fornecida ração à base de milho, farelo de soja e sal mineral. No mês de maio, esse índice foi semelhante ao de setembro de 2008, já corrigido pela inflação. É necessário aqui observarmos qual a tendência para os preços dos insumos, ao menos o que se pode esperar até o momento.

O último relatório mensal divulgado pelo Rabobank, prevê um aumento nos preços do milho até o 1º trimestre de 2010, alcançando os patamares de preços do 1º trimestre de 2008, mas abaixo dos picos de preços observados no 2º trimestre do mesmo ano - o preço médio do grão negociado na Bolsa de Chicago no 1º trimestre/09 foi de US$ 140/tonelada, e o pico previsto para 1º trimestre/10 é de US$ 184/ton). Essa tendência deve-se à previsão de aumento da demanda mundial, às questões climáticas que prejudicaram a produção de importantes países exportadores, como Brasil e Argentina, e também devido à insegurança dos EUA frente a novas políticas econômicas adotadas pelo país.

Para a soja, o que se prevê, no mesmo relatório, é uma alavancagem dos preços até o 3º trimestre deste ano, que posteriormente voltam a cair, regressando aos patamares do início deste ano, no 2º trimestre de 2010 - a cotação média no 1º trimestre/09 para a soja, negociada na Bolsa de Chicago, foi de US$ 345/tonelada, e o pico de preços previsto para o 3º trimestre, deverá alcançar US$ 422,5/tonelada. A revisão de forte baixa para a produção Argentina, aliada à contínua e crescente demanda da China, são os fatores responsáveis pela alta de preços, nesse momento.

Gráfico 1. Receita menos custo de ração.

Clique na imagem para ampliá-la.

Analisando o consumo interno, já se observa uma retomada da economia, estimulada principalmente pelo aumento, no primeiro trimestre de 2009, de 5,2% na massa salarial real, e de 22,1% no saldo de operações de crédito não direcionadas para as pessoas físicas. Os programas de assistência governamental também servem de forte amortecedor aos efeitos da crise - atualmente, 11 milhões de famílias estão cadastradas no Bolsa-Família. As classes D e E, que representam 42% da população e 34% dos consumidores, são as que menos sentiram os efeitos da crise. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o consumo das famílias cresceu 0,7% no 1º trimestre de 2009 na comparação com o último trimestre de 2008; na comparação com o 1º trimestre de 2008, o consumo das famílias de janeiro a março de 2009 cresceu 1,3%, registrando o 22º trimestre consecutivo (a partir de 2003) de expansão nesse critério.

Isso vem ressaltar, mais uma vez, que apesar das dificuldades econômicas e da renda mais comprometida, a demanda é um fator de peso menor nessa questão de mercado, uma vez que os gastos com alimentação não sofreram uma queda acentuada, até as análises feitas neste período. Contudo, temos que levar em consideração, no momento atual, a questão do aumento do preço do leite longa vida, que já se torna preocupante, devido a substituição do produto que começa a ser vista em algumas redes varejistas.

Desde os últimos dois meses, o longa vida vinha ganhando margem, no atacado e no varejo, consequência da oferta de leite reduzida e, particularmente no estado de SP, em função das questões fiscais e das dificuldades da Leite Nilza, que reduziu a oferta de produto no mercado paulista. No mês de maio, no entanto, os valores mostraram uma elevação ainda maior, chegando a níveis superiores aos registrados em 2007 - período também de forte alta no preço do produto. A forte competição pelas indústrias, aliada a uma demanda firme e ausência de estoques, resultou nessa alta de preços, refletindo, agora, nos preços ao produtor. Em pesquisa realizada pelo MilkPoint no varejo de Piracicaba-SP, o preço médio do litro do UHT na 1ª quinzena de maio (R$ 2,05), comparado à 2ª quinzena de abril, teve alta de 5,2%. Essa variação foi ainda mais alta entre as duas quinzenas de maio, sendo que na 2ª quinzena o valor (R$ 2,21) era 7,7% superior em relação à primeira. O valor médio do litro do produto em maio (R$ 2,13), ficou 12,06% acima do preço médio de abril (R$ 1,90). As informações de que não há grande quantidade de leite longa vida disponível pode ser comprovada, neste período, pelo tempo médio de prateleira (data de fabricação - data da pesquisa), que foi de 26 dias em abril e 18 dias em maio (gráfico 2).

Gráfico 2. Médias mensais de preços do leite longa vida integral e dias de prateleira, no varejo de Piracicaba-SP.

Clique na imagem para ampliá-la.

Essa alta de preços do longa vida, apesar de ter contribuído para uma melhora dos preços ao produtor, traz a preocupação em relação ao consumo: até que ponto os aumentos de preços serão absorvidos pelos consumidores? Nos últimos dias, algumas grandes redes de supermercados do estado de SP já notaram a substituição do leite longa vida por leite pasteurizado, por leite em pó ou por bebidas à base de soja, e para esse último caso, o alerta deve ser ainda maior. Fontes do setor consultadas pela Equipe MilkPoint também informaram uma retração do consumo nos últimos dias. Os preços, no entanto, se mantêm elevados, mas já não sobem mais.

Para o próximo mês, a tendência é ainda de nova alta no preço pago aos produtores, de acordo com as fontes consultadas pelo MilkPoint. No pagamento de julho (referente ao leite entregue em junho), o aumento deve ser de 5 a 7 centavos, alcançando valores médios de R$ 0,70 - R$ 0,80/litro no Sudeste e Centro-Oeste, e de R$ 0,65 - R$ 0,75/litro no Sul. O mercado de queijos também mostrou recuperação nesse último mês - devido à queda da produção de leite e ao aumento da procura por parte das empresas de longa vida, gerando maior competição - sendo que o quilo da mussarela, no atacado, está sendo comercializado hoje entre R$ 9,00 e R$ 11,00.

No mercado internacional, o panorama é preocupante: as cotações não mostram reação. No último leilão da Fonterra (02/06), o preço médio alcançado para todos os produtos e períodos contratuais para o leite em pó (WMP) foi US$ 1.886/ tonelada, posto na Nova Zelândia, valor 12% inferior ao do leilão anterior. Como reflexo do leilão, os preços de exportação dos lácteos na Oceania recuaram, sendo de 6,8% a queda no preço médio do leite em pó integral (US$ 2.050/t). No Oeste da Europa, os preços mantiveram-se estáveis em relação à quinzena anterior (após três quinzenas consecutivas de altas), ficando o preço médio da tonelada do leite em pó integral em US$ 2.625.

No caso do Brasil, o comércio internacional encontra-se praticamente estagnado, tanto nas exportações (preços externos ruins e câmbio desfavorável), quanto nas importações. A barreira às importações de lácteos da Argentina, através do licenciamento não automático, já mostra resultados: no mês de maio, foram importadas 3,03 mil toneladas de leite em pó (equivalente a 24,8 milhões de litros de leite), sendo 2,31 mil toneladas (76%) provenientes da Argentina (ao preço médio de US$ 2.1878/t) e 725 toneladas provenientes do Uruguai (preço médio de US$ 2.008/t). Vale lembrar que, no acordo estabelecido no final de abril com a Argentina, em relação às importações, estabeleceu-se como preço mínimo para a tonelada do leite em pó o valor vendido pela Nova Zelândia, e volume máximo de 3 mil toneladas por mês. Mas talvez esse acordo não seja suficiente para brecar as importações. Considerando a apreciação do real, as baixas cotações no mercado externo e o preço do leite em alta no mercado interno (especialmente em dólar), não será surpresa se vier leite de outras origens, como Nova Zelândia, Austrália e até União Europeia, mesmo pagando TEC de 27% e tarifas anti-dumping.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

MARLIZI M. MORUZZI

Médica Veterinária pela FCAV/UNESP-Jaboticabal.

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RENATA COELHO

GOIOERÊ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/07/2009

A realidade que ocorre nas propriedades é bem diferente das gôndolas dos supermercados e padarias... porque se elevou tanto o preço do leite industrializado? O preço pago ao produtor nem sequer chegou aos pés de tamanho aumento. Fica minha indignação e a pergunta: Quem será que está lucrando mais neste espaço entre produtor e consumidor? E ainda mais, a mídia televisiva parece q é contra os produtores, dizendo q o grande vilão da inflação é o leite, devido ao aumento do custo de produção nas leiterias, devido falta de pastagens e aumento do uso de raçao o produtor aumentou os preços... quem dera fossem os produtores q colocassem preço no leite. Quem dera um dia tenham realmente um preço justo por seu produto de alta qualidade.
SIRLAINE MARTINS CARDOSO NUNES

MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2009

Como já dizia meu avô Sr. Alonso Cardoso: "A vida do produtor de leite é como quando colocam a cabeça de alguém dentro de um balde d´agua, deixam por algum tempo, e quando já não está se aguentando mais, retiram a cabeça de dentro do balde. E aí se respira aliviado: não me afoguei!" É assim a vida de nós produtores que passamos por várias crises e quando o leite começa a melhorar um pouco, respiramos aliviados, pensando que a crise passou, e não voltará mais. Devemos viver na cautela, porque na mesma hora que o litro de leite sobe 0,03 a 0,04 centavos ele cai 0,05 ou até mais. Pra subir é devagar mas pra descer é bem mais rápido.
Abraços.
Sirlaine Martins Cardoso Nunes (Araújos-MG)
JOSÉ RICARDO VILKAS

ANGATUBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/06/2009

Muito oportuno os comentários dos amigos. Nasci quase embaixo de uma vaca, sou neto e filho de produtor de leite, e há 21 anos produzo leite. Posso dizer que nosso cerebro é ótimo, pois com esses preços de leite já tratou de colocar uma pedra em lembranças ruins e temos agora sensação de alegria e euforia. Porem em algum lugar fica a impressão de que já vi isto, mas assim mesmo desta vez vai ser diferente. E espero que seja mesmo, que desta vez as moscas não venham até ao açucar (gostei desta frase de nosso amigo), que a produção nacional não aumente, que nossos preços não caiam já em agosto, que os insumos não subam muito, enfim, que continue esta bonanza por vários meses. E as lembranças ruins? Deixemos chegar a hora para ver e conferir! Abraços.
DAVID CHIARAPA

PROMISSÃO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/06/2009

Prezados Sr. Marcelo e Dra. Marlizi: Excepcional artigo! Ainda continuo afirmando que se no Brasil tivéssemos um investimento por parte do governo federal, na área da mídia, principalmente a televisiva, em relação ao leite, certamente não estaríamos pensando em quando este oba oba vai parar, principalmente pela indústria do UHT, que deita e rola na cabeça dos consumidores, e principalmente na dos produtores, com ofertas mirabolantes, pois este filme é muito antigo; todos sabemos com experiência a campo que na seca, eles matam os nossos queridos produtores, abandonando-os, com muitas desculpas, em particular o preço. Penso que o governo também poderia incentivar mais as exportações, o que traria para a indústria em geral boas perspectivas, para os nossos produtores, pessoas batalhadoras que merecem todo nosso apoio. Quem sabe um dia essa história muda!

David Chiarapa
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2009

Marcelo e Marlizi,

Engraçado, em minha região (Patos de Minas) a DPA/Nestlé ainda não reajustou o preço do leite nos moldes que estamos vendo em outras bacias leiteiras e sob o argumento de que o leite em pó está com preços internacionais baixos e de que ela sempre pagou bons preços em épocas de vacas magras, basta conversar com seu gerente regional com o discurso pronto e imutável da Multinacional. Não dá para crer nesta conversa, pois é sabido que é muito conveniente este parâmetro para Nestlé cujos produtos tem alto valor agregado (chocolates, achocolatados, biscoitos, produtos para dietas especiais, sorvetes dentre outros), que não tem relação alguma com o leite em pó que escolheram para justificar a resistência em acompanhar a evolução dos preços do leite que outras empresas tem pago ao produtor.

Espero que esta mentalidade mude, aliás eu acreditava nisto quando vi na capa da Dinheiro Rural de maio o Presidente da Nestlé Ivan Zurita tomando literalmente um banho de leite Ninho/Molico UHT e afirmando que a pecuária de leite não será a mesma depois da entrada da Nestle no mercado de leite fluido. Vamos esperar para ver qual será a política de preços da empresa nos próximos meses. Do jeito que está hoje vão perder clientes para Embaré, Itambé, Perdigão e até para alguns laticínios locais, o que é lamentável para uma empresa que exige um elevado padrão qualidade de seus produtores.

Att.
Eduardo
JOSE CARLOS MACIEIRA BORGES

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/06/2009

Eu gostei muito do artigo, porém o preço pago no leite ao produtor no centro-oeste está muito equivocado. O preço do leite cru resfriado a granel no centro-sul do MS pago ao produtor ainda não alcançou R$ 0.55 e não há expectativa de alta por parte dos laticinios.
CLAUDIO MANOEL LIVRAMENTO

TOMAZINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/06/2009

Artigo muito oportuno.
A tendência de alta dos preços para os próximos meses parece inevitável. Mas não devemos nos entusiasmar demais, pois a história mostra que tudo o que agora ocorre é sazonal. Não podemos pensar em recuperar o que foi perdido nos últimos meses (como menciona o Sr. Caio Andrade), mas sim, aproveitar ao máximo este período para investir na racionalização do manejo geral da unidade produtiva: "Não podemos recuperar o leite derramado! Devemos é reforçar os pés da mesa, para que o tarro de leite não caia novamente ao chão."

Melhorar a sistemática de descartes e reposições, melhorar a nutrição das vacas mais produtivas, tornar mais eficiente o setor de recria das futuras vacas do rebanho, secar animais de produção insuficiente (focando o manejo nas melhores), adquirir parte dos insumos para aumentar a produção de forrageiras no período das águas (fertilizantes e corretivos costumam ter preços mais vantajosos nesta época) e direcionar parte da nova receita para a manutenção dos equipamentos que garantem a qualidade do Leite produzido (principalmente das ordenhadeiras e resfriadores), são exemplos do que se deve pensar nesse "tempo de vacas gordas".

Assim, aumentamos a eficiência da capacidade produtiva do rebanho, preparando-o para o incerto futuro, para sua sustentabilidade no futuro. Claro que a melhoria da qualidade de vida da família (como diz o Sr. Luciano Dias), também deve ser lembrada. Afinal, ter uma vida digna no campo é um dos grandes objetivos de todos os que trabalhamos no meio rural.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/06/2009

Prezados Marcelo e Marlizi: toda vez que lemos artigos como o de vocês, achamos que estamos tendo notícias do passado, que já vimos este filme, que a história se repete. Sabemos nós que a elevação dos preços a nível de produtor, como o açúcar às moscas, atrai toda a sorte de aventureiros para a linha de produção, com resultados desastrosos pra o setor profissional, pois aumenta o volume do leite captado e, via de consequência, despenca o valor pago pelo produto na fazenda. Destarte, nós, os profissionais do setor, que vínhamos aguardando ansiosos por esta época, na esperança de, em mantendo nossas produções em nível normal, sem quedas, através de artifícios como IATF (inseminação artificial a tempo fixo), que fez todas as nossas vacas parirem na seca, termos a recuperação do tempo e do dinheiro perdidos nos meses anteriores, vemos nossas expectativas frustradas e nossos bolsos vazios.

Lado outro, o preço da produção se eleva muito antes do praticado para o produto, o que restringe o lucro a uma diferença extremamete pequena, tão diferente do preço praticado ao consumidor final que, temos notado, vem alcançando píncaros antes não sonhados. Alguém vem ganhando muito no caminho que leva o leite da fazenda à gôndola do supermercado, pois a diferença é elevadíssima e inexplicável (de R$ 0,70 para R$ 1,80 - utilizando-se como exemplo os preços fornecidos pelo companheiro José Humberto - são mais de cem por cento de distância). Mas, não se vê nenhuma providência do Governo Federal no sentido de coibir o atravessador e, este, nada de braçada no mercado. Por isso, Caio e Luciano, infelizmente, não há o que festejar. Não podemos nos esquecer, ainda, que, ao contrário do leite UHT, o longa vida pode ser armazenado por, mais ou menos, seis meses e que, por isso, este leite que nos chega à prateleira do comércio não é o de agora, mas o que estava estocado na safra. Assim, temos que ter a teimosia extrema para continuar a produzir e a bancar aos programas sociais do Governo Federal com nosso próprio dinheiro, pagando, sempre, para nos mantermos vivos.

Parabéns pelo artigo e pela sempre preciosa lição.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
= A GENÉTICA DO LEITE =
CINQUENTA ANOS PRODUZINDO QUALIDADE
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 19/06/2009

Boa tarde Marcelo, Marlizi e participantes;

Contra todas as previsões de cautela de início de ano, o leite UHT puxou mais uma vez uma alta considerável que alavancou o mercado. Como tive oportunidade de comentar no início do ano neste fórum, sempre acreditei nessa situação de alta para esse ano, mais em virtude do desestímulo de produção por parte dos produtores, principalmente do sul do país, do que por uma conjuntura internacional de mercado.

Essa alta traz uma esperança a mais, tanto para produtores como para indústrias, de recuperarem gradativamente os prejuízos de dois anos de mercado frio e recessivo. Porém acho que devemos agir com transparência com o mercado (consumidores), sem especulações que tem acontecido principalmente motivada pelos produtores de UHT.

Temos que ter consciência que o consumo interno é demasiadamente fraco para suportar altas irreais de preço como tem ocorrido em determinadas empresas que especulam preço de longa vida sucessivamente, muitas vezes sem sequer realizar as vendas no preço especulado. Vão com muita sede ao pote e prejudicam o consumo, fato que pode trazer novamente as formações de estoques, mesmo com baixa produção, em resumo: baixas de preços prematuras (como nos anos de 2007 e 2008).

Tenho receio que essa alta de preços meteórica seja como ocorreu em 2007, extremamamente elevada por um curto período, sucedida de uma baixa acentuada e abrupta. Repito: todos temos que aproveitar um momento de valorização do nosso produto para recuperar perdas e, se possível, realizar lucro revitalizando nossa atividade, porém deixando que uma valorização natural, gradativa, que possibilite uma recomposição de perdas de anos anteriores, aconteça como deve acontecer.

Essa minha visão pode levar a crer que tenho interesse de explorar um produto que não se valorizou como o longa vida (queijos ou determinados subprodutos). Porém, na realidade, concentro minha atividade no leite pasteurizado que segue índices muito próximos de valorização ao longa vida, já que é o produto imediato substituto do UHT. Vamos agir com cautela no momento de valorização para que esse momento deixe definitivamente de ser um "momento".

Em tempo, gostaria de evidenciar minha concordância com os pontos de vista do Sr Luciano di Carlo e com o Sr Guilherme Bustamante. Temos que ser competitivos, aliviar nossos orçamentos e fidelizar mercados.

Um abraço a todos,
Sávio Santiago
GUILHERME MARQUES BUSTAMANTE

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/06/2009

Brilhante análise!

O momento é bastante crítico e parece que a cadeia de varejo cometerá os mesmos erros do passado. O mercado internacional está desfavorável e o mercado interno deve ser priorizado.

Devemos aproveitar o momento para fidelizar os clientes no médio prazo, através da prática de preços compativeis sem ganância.

Cordialmente, GMB
LUCIANO DI CARLO BOTELHO DIAS

OURO PRETO DO OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/06/2009

É muito bom receber noticias boas nesse momento que estamos enfrentando crise, o produtor de leite estava precisando de boas noticias. Em relação ao aumento do preço do leite ao produtor, os custos de produção estão altos, mas se tiver uma estabilidade de preços dá para manter a atividade em crescimento. Os produtores de leite brasileiros gostam do que fazem, com crise ou sem crise estamos enfrentando as dificuldades, mas chegou na hora de uma folga no orçamento; nós precisamos de investimentos para melhorar a produção, investir em melhoria de vida familiar, para melhorar a qualidade de vida no campo.

Eu acredito que o Brasil tem um futuro promissor no meio rural, o mundo precisa de leite e nós temos o ambiente ideal para isso, so não ve quem é cego. Para isso, os empresarios do setor têm que valorizar o produtor, uma parceria honesta fará com que os dois tenham susseso no negocio "leite". Assim o produtor investe mais, aumenta a produção, e a industria trabalha tranquila com estabilidade da materia prima.
JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/06/2009

Só como subsídio, o leite aqui na região de Botucatu:
UHT (menor preço) - R$ 2,52
UHT Nestle - R$ 3,60 (chega e acaba)
Leite Pasteurizado - R$ 1,80 (chega e acaba)
Supermercados com cheque pré datado para 30 dias.
Padarias, preços de 30 a 40% mais caros do que as grandes redes (JaúServ e Pão de Açucar). Data da informação: 17/06/09.
THAISSA ANDRADE

NOVA SERRANA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/06/2009

Artigo muito bem elaborado, que vem nos mostrar um caminho menos arduo para o produtor no momento e no futuro proximo, mas não dará para o produtor recuperar as sua perdas dos ultimos meses não. Tomara que eu esteja errado.
MilkPoint AgriPoint