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A passos ainda lentos, preços ensaiam aumento

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E MARLIZI M. MORUZZI

PANORAMA DE MERCADO

EM 08/04/2009

8 MIN DE LEITURA

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O mercado lácteo, apesar do cenário ainda nebuloso, começa a mostrar sinais de recuperação nos preços ao produtor. De acordo com o Cepea-Esalq/USP, após três meses de valores médios praticamente estáveis, houve reajuste na média nacional de março, de 1,78% - no valor bruto - chegando a R$ 0,6087/litro. Se essa reação ainda não é generalizada, ao menos a sequência de baixas foi interrompida e, os mais pessimistas apontam estabilidade, sinal de que o fundo do poço já foi alcançado. Nesse momento, uma recuperação mais consistente dos preços é dependente de três fatores em especial: o volume da produção interna e as importações de leite em pó, do lado da oferta, e o comportamento da demanda.

Os primeiros sinais de reação dos preços foram dados pelo mercado internacional. Assim como no mercado interno, essa reação internacional dos preços é devida à queda do volume de produção, o que se deve, entre outros fatores, às dificuldades enfrentadas pelos produtores que, em função dos baixos preços recebidos pelo produto, reduziram a produção para este ano em vários países, colaborando para a equalização da oferta e demanda. Por outro lado, o final da safra nos países do hemisfério sul também é fator de queda da produção.

Nos dois últimos leilões online realizados pela Fonterra (03/03 e 01/04/09), houve alta dos preços para todos os períodos contratuais para o leite em pó integral, de 16,6% e 3,6%, respectivamente. Os preços de exportação no Oeste da Europa e na Oceania também mostram reação no último mês, mais observável nesta última quinzena. Nada muito significativo em termos absolutos, mas é um sinal relevante. Sobre os preços futuros do leite Classe III nos Estados Unidos, o que se vê é uma sequência de alta de preços, sendo que os valores para o próximo mês de maio encerraram a sessão de segunda-feira (06/04) a US$ 0,2491/kg de leite, alta de 5,15% em 30 dias.

Gráfico 1. Evolução dos preços de exportação de lácteos do Oeste da Europa, em dólares por tonelada.

Clique na imagem para ampliá-la.

O Rabobank, banco holandês especializado em agribusiness, estima que a oferta de leite em 2009 no mercado mundial será igual à de 2008. No grupo dos 8 principais países, também espera-se estabilidade, contra 1,6% de aumento em 2008. Esses dados foram apresentados no Interleite Sul 2009, realizado em Chapecó entre os dias 26 e 28 de março.

Em relação à produção para este ano, no início de março o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa de produção de leite dos Estados Unidos para 2009. No relatório sobre Estimativas de Oferta e Demanda Agrícolas Mundiais (World Agricultural Supply and Demand Estimates - WASDE), a produção para 2009 foi projetada em 85,5 bilhões de quilos, menos que os 85,77 bilhões de quilos projetados no mês de fevereiro. Os Estados Unidos foram, em 2008, o fiel da balança do mercado internacional, exportando grande quantidade de leite. Por isso, a menor produção é um aspecto importante.

Argentina e Uruguai - principais origens das importações brasileiras - também passam por dificuldades e devem ter oferta mais restrita de leite. Os dois países enfrentaram uma grave seca, que reduziu drasticamente a disponibilidade de alimento para o gado. O ano de 2009 será de pouco pasto no Uruguai, com o país entrando no inverno quase sem reservas. A produção este ano será, portanto, mais dependente do uso de concentrado. Embora tenha-se a produção de silos de grão úmido ou planta inteira de sorgo e milho, estes cultivos também têm sido afetados pela seca. Na Argentina, além da situação de seca, o último mês foi marcado por protestos dos produtores em frente às indústrias, reclamando pelos baixos preços recebidos pelo produto. A Argentina começa 2009 com produção levemente menor do que em 2008, quando o aumento passou dos 5% sobre 2007.

No mercado interno, a oferta de leite também está diminuindo, sendo esse o principal fator responsável pela recuperação de preços que começa a ser vista. De acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea, o volume captado em fevereiro foi 2,8% menor que o de janeiro, queda normal para o período (final de safra). Contudo, o recuo de 8,6% em comparação com fevereiro de 2008 pode ser preocupante, podendo sinalizar a desmotivação dos produtores. Ainda segundo o Cepea, as maiores reduções no volume recebido pelas empresas ocorreram em Minas Gerais e em Goiás. Desde setembro de 2008, o volume mensal captado é inferior em relação ao mesmo mês do ano anterior, sendo que essa redução, além de constante, tem aumentado.

Gráfico 2. Variação da captação em relação ao mesmo mês do ano anterior (%).

Clique na imagem para ampliá-la.

Considerando que há diferenças regionais - algumas regiões já sentem de forma mais expressiva a queda de produção - as políticas de preços pelas indústrias também sofrem variações. O mercado interno não sinaliza ainda uma forte recuperação, mas a queda de produção favorece o aumento dos preços ao produtor, sendo que a tendência de alta é maior em estados em que a produção caiu em níveis mais significativos, e onde há maior disputa pelo produto (ex: Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba). Apesar de não serem unânimes as perspectivas para elevação de preços para o pagamento de abril, a maioria das indústrias deve reajustar os valores em cerca de 3 a 5 centavos, segundo agentes do setor consultados pelo MilkPoint. Na última quinzena, sentindo os efeitos do menor volume de leite disponível, o mercado spot mostrou reajuste em torno de 5 centavos, chegando a R$ 0,70/litro no centro-oeste e sudeste.

No setor atacadista, o leite longa vida mostrou nova recuperação nos últimos quinze dias. Segundo fontes do setor, com exceção dos estados do Sul - nos quais o produto se mantém a preços estáveis - o litro do leite longa vida está sendo negociado entre R$ 1,40 e R$ 1,50, sendo que há indústrias falando em valores na casa de R$ 1,65. Nesse contexto, o que se pode observar é que algumas empresas paulistaspodem ter sido beneficiadas pelo efeito do pedido de recuperação judicial da Nilza. Afinal, o laticínio do nordeste de São Paulo tinha participação relevante no mercado de São Paulo, e a redução de sua produção abriu espaço para outros laticínios locais, haja visto que o leite de fora do estado é taxado.

Em pesquisa realizada pelo MilkPoint no varejo de Piracicaba-SP, nota-se o aumento de 4,6% no preço do longa vida na 2ª quinzena de março, quando comparado à 1ª quinzena. Na mesma comparação, o queijo tipo mussarela mostrou queda de 7,7% na segunda quinzena enquanto o preço do leite em pó integral permaneceu estável.

O leite em pó, embora com estoques mais baixos, permanece com preços ruins, porém estáveis. Novos contratos de exportação não foram fechados até então, mas há negociações sendo feitas com Venezuela e Argélia, a preços superiores aos do mercado internacional (por volta de US$ 3.000/tonelada, uma vez que o Brasil tem condições de oferecer produto fracionado, que é melhor cotado no mercado). O mercado de queijos, por sua vez, não está em um bom momento, sendo que no último mês os preços no atacado apresentaram queda de cerca de 1 real por quilo, segundo informaram agentes do setor, atingindo por volta de R$ 7,00/quilo.

Um fator a se notar, que pode estar retardando ou até evitando a recuperação dos preços, é o aumento das importações de leite em pó. Motivo de preocupação em janeiro - quando o volume comprado fora do país superou 10 mil toneladas -, as importações voltam a trazer insegurança com os resultados de março, divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior): foram importadas quase 12 mil toneladas de leite em pó (equivalente a 98,4 milhões de litros de leite), sendo 9,589 mil toneladas de leite em pó integral (cerca de 78,6 milhões de litros), ao preço médio de US$ 1.798/tonelada. Do volume de leite em pó integral - 9,589 mil toneladas - 69% são provenientes da Argentina (ao preço médio de US$ 1.856/t) e 31% foi comprado do Uruguai (em média, US$ 1.669/t). Ou seja, não entrou leite em pó integral de fora do Mercosul.

Quanto ao volume exportado de leite em pó, foram embarcadas apenas 1,725 mil toneladas (equivalente a 14 milhões de litros de leite), ao preço médio de US$ 3.754/t (todo o volume foi de leite em pó integral), sendo 1,3 mil toneladas destinadas à Venezuela.

Ficam, então, duas grandes questões: primeiro, até que ponto a queda de produção nacional, que certamente continuará nos próximos meses, será suprida com leite do Mercosul, considerando que a oferta nesses países não está boa; se faltar leite nos vizinhos, haverá aumento de preços internamente, pois o leite de fora do bloco pagará 27% de imposto. A segunda questão é até que ponto vai a alta de preços no atacado e no varejo. Por enquanto, só o longa vida ensaia elevação. Do outro lado, em algumas regiões o mercado de leite ao produtor e spot se aquece. Veremos uma situação como 2007, em que os produtos no atacado e varejo subiram significativamente, permitindo ganhos para toda a cadeia, ou como 2008, em que a elevação de preços ao produtor nessa época não encontrou uma contrapartida no elo seguinte, colocando as indústrias em dificuldade? Ainda estamos longe dessa situação: os preços de longa vida no atacado estão próximos aos verificados nessa época no ano passado, enquanto o leite ao produtor está cerca de 10 centavos mais baixos.

Embora ambas as opções possam acontecer, o fato é que, hoje, o cenário de curto prazo mais provável é de aumentos moderados ao produtor, sem espaço para grandes saltos. Apesar do mercado dar sinais de recuperação, esta ainda se dá de forma lenta e com certa insegurança. A queda no volume de captação, apesar de esperada para esta época do ano, é significativamente maior quando comparada ao ano passado, refletindo as dificuldades enfrentadas pelos produtores, que responderam com a redução da produção. Por outro lado, a questão das importações é de extrema relevância, já que pode afetar os preços nacionais, impedindo a recuperação.

Gráfico 3. Volume das exportações e importações de leite em pó.

Clique na imagem para ampliá-la.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

MARLIZI M. MORUZZI

Médica Veterinária pela FCAV/UNESP-Jaboticabal.

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JOSÉ MAURÍCIO GOMES

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/05/2009

Todos comentários apresentados acerca deste assunto merecem destaque na página inicial do Milkpoint. Espero que a classe se sensibilize, está na hora de irmos ao congresso para exigirmos a atenção necessária ao assunto. O nosso Ministro é uma fraude, finge que está preocupado mas nada fará contra, pois o leite barato que vem de fora interessa ao populismo exacerbado de qualquer governante brasileiro, especialmente ao Lula que quer eleger a Dilma como sucessora. O corte de empregos no setor lácteo não mexe com a politica populista do governo, já que o programa salário desemprego e bolsa familia tapam o sol com a peneira. Portanto meus amigos, não esperem nada deste governo, mas o choro é livre e quem não chora não mama.
JOSÉ DE JESUS SANTOS

SANTO ANASTÁCIO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/05/2009

Caros produtores, enquanto nos produtores nao começarmos a quebrar o pau, fazer como fazem em outros paises, vamos continuar nessa gangorra de sobe e desce e nos sempre pagando para trabalhar e sempre endividado.
MARCUS BASTOS TEIXEIRA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/04/2009

A necessidade de medidas antidumping é hialina, entretanto temos um presidente pouco afinado com aqueles que vivem do trabalho e da geração de empregos. Dinheiro para o FMI, fomentar um Mercosul inviável, tudo é possível para fazer pose na foto como grande líder mundial da hipocresia, enquanto isso, nós?
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/04/2009

Prezados Marcelo e Marlizi,
Quem, como eu, ao longo dos anos, acompanha a cadeia produtiva do leite, já está cansado com os acontecimentos anunciados pelo seu excelente artigo. Chega a época da entresafra, a produção interna cai, o preço do leite ao produtor aumenta (em tese) e os criadores de temporada - aqueles que só se aproveitam do momento de alta - surgem no mercado para aumentar o volume de leite. Resultado: o preço volta aos antigos patamares, o profissional sofre com esta concorrência desleal e, muitas das vezes, cerra suas portas. Depois desta derrocada, os produtores de momento desaparecem e o que sobra é sempre a sucata do mercado: sem tecnologia, sem poder econômico, sem força de vontade.

Não se olvide, ainda, das importações absurdas que os governos brasileiros têm, com sistemática insistência, ao longo de todos os tempos, despejado no mercado, com qualidade duvidosa, mas preço agradável. Quem paga por tudo isso? O produtor, que tem a atividade como profissão. Foi assim em 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e será em 2009, 2010, 2011, 2012... É mais ou menos como a política de reforma agrária: toma-se a terra improdutiva de seu proprietário e destina-se a um outro campesino. Aí, o Governo subsidia a sua produção, para que ele não sucumba, com crédito facilitado, sem atentar que se tivesse o mesmo incentivo, aquele proprietário original, desapropriado de sua terra, teria feito que ela se tornasse produtiva.

O que nos falta, portanto, é incentivo, política de preço mínimo consciente, crédito barato e possível de ser pago, menos demagogia e mais trabalho. Mas isto vem parecendo, cada vez mais, tão utópico quanto a ilha de Thomas Morus. Mas, "a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando"...até onde der e, se der.

Um grande abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
EDUARDO GRACIANO PEREIRA

CONCEIÇÃO DO RIO VERDE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/04/2009

A situação do momento é a seguinte: produtor fica no prejuizo e vai morrendo aos poucos. A CNA denuncia, mas nao consegue amparo (governo + produtores). O ministro da agricultura sabe da situaçao, fica indignado e nao faz nada. A parte do governo que manda, acha a situaçao boa. Quanto mais importar mais barato fica leite (populismo) e outros setores defendidos pelo presidente (automobilistico, etc) podem exportar mais para os ermanos sem provocar rombo na balança comercial.
RENATO CALIXTO SALIBA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/04/2009

Vejo que todos aqui que fizeram seus comentários são unanimes em dizer que o leite importado não veio do Mercosul, então todos sabemos que a triangulação é visível. Onde está o governo que não faz nada para impedir esse absurdo? A quem interessa massacrar o produtor de leite com uma concorrencia desleal dessas? Com a palavra as autoridades do MAPA e do MIDC. Uma maneira de tentar barrar essas importações seria divulgar o nome das empresas que estão importando esse leite subsidiado e pressiona-las a não importar mais leite da Europa através da Argentina e do Uruguai.
ANTONIO CARLOS GUIMARAES COSTA PINTO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/04/2009

Nós estamos indo para o mesmo caminho de 2007, ou seja, vai faltar leite e aí então os laticinios correrão desesperadamente atrás do produto. Por que as industrias não conseguem enxergar isso? Será que não tem gente qualificada para essa análise? Se o preço não tivesse caído tanto, a produção estaria estabilizada, o produtor em situação equilibrada, e não precisaria de aumentos no preço. Isto seria a tão falada "cadeia do leite" em que todos seriam beneficiados. Mas enquanto a industria tratar os produtores como suas "vacas de presépio" se perpetuará essa gangorra à mercê do mercado, uma hora grande oferta e preços baixos, outra, o contrário.
AMAURIK

PASSA TEMPO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/04/2009

Uma coisa é permitir o mercado se corrigir, através do preço, fazendo com que o produtor diminua sua produção quando seu faturamento cai, ou aumentando sua produção, quando a demanda aumenta, fazendo com que as indústrias aumentem o preço de seus derivados e repassem os aumentos para os produtores, este e o chamado ajuste de mercado.

O que não pode ocorrer é a destruição da cadeia produtora de leite do Brasil, para que o fornecedor europeu não sofra o ajuste de mercado. Pois lá existe o subsidio para poupados deste ajuste, e o excesso de produção é jogado no mercado internacional, este é o bolsa família europeu. Para proteger a cadeia de leite brasileira existe uma taxa de importação, que é burlada via triangulação do leite em pó pelo mercosul.

A pergunta que fica e no ar é: Porque as autoridades permitem isto, impedindo que a lei da oferta e procura estabilize o mercado, selecionando os mais eficientes e não os mais subsidiados?

JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/04/2009

As importações de leite da Argentina e Uruguai merecem atenção especial. A preocupação do ministro da agricultura tem fundamento, pois a produção daqueles paises tiveram um declínio grande em função de problemas climáticos. Segundo informações do próprio ministro o leite importado do Mercosul tem servido para atender os programas sociais dos estados e municípios. Ora, os processadores locais tem penetração política suficiente para coibir essa situação. As entidades de classe tem meios para induzir os programas sociais a utilizarem leite fluído.

Uma coisa que não sei é se as mesmas alíquotas que existem no Brasil (27% p/ importações de lácteo fora do Mercosul) existem p/ outros países do Mercosul.
De resto, os aumentos pequenos, mas consistentes são mais sadios que grandes saltos que podem produzir grandes baixas tbém. O mercado é firme, não existe leite, principalmente no estado de S.Paulo e as perspectivas são mais alentadoras.
BRUNO SOARES

POMPÉU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2009

As autoridades representantes da nossa cadeia precisam se preocupar um pouco com essa situação; sabemos que isso já vem sendo deixado de lado há muito tempo. O Brasil precisa parar de segurar a peteca dos vizinhos e reivindicar punições à essa sonegação. O que está ocorrendo é um crime e está atrapalhando o desenvolvimento da atividade aqui dentro.

Está faltando vontade de trabalhar no nosso ministro, que não sabe o que fazer diante dessa situação. Queremos mais inteligência e trabalho o mais rápido possível. O Brasil não pode ficar segurando a onda de vizinhos afundados em crise porque também estando sofrendo com ela. Se continuar nessa mansidão de relações, veremos a Argentina e o Uruguai sair da crise às nossas custas e a gente ficará aqui sofrendo com essa situação difícil.
MURYLLO COSTA

MATO GROSSO DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 08/04/2009

Vendo-se que a queda de leite em propriedades rurais é maior que o mesmo periodo de 2008, o que vai acontecer, vai chegar uma hora que essa queda vai começar a provocar uma grande procura no campo aumentando ainda mais os preços pago aos produtores, e será que as industrias vão suportar isso? Essa é a grande pergunta que fica no ar.

Muryllo Costa, Agente de Captação.
RICARDO DE OLIVEIRA FARIA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/04/2009

É preocupante para o setor o fato das importações estarem prejudicando a recuperação dos preços lácteos, visto que o setor leiteiro é responsável pela sobrevivência de boa parte dos pequenos produtores, além de gerador de empregos e renda nos pequenos municípios brasileiros.

Ricardo de Oliveira Faria, Médico Veterinário, produtor de leite, Secretário Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente de Bom Jardim de Goiás.
LAÉRCIO BARBOSA

PATROCÍNIO PAULISTA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 08/04/2009

O que está segurando o preço ao produtor hoje no Brasil é esse absurdo que está ocorrendo nas importações, desequilibrando o mercado nacional.

12 mil toneladas de leite em pó importadas em março!

Convertam os preços: leite em po da Argentina a US$ 1.798/kg (R$ 3,96/kg) e do Uruguai a US$ 1.669/kg (R$ 3,67/kg).

Esses preços significam leite ao produtor em torno de R$ 0,35 a R$ 0,39 por litro. Será que os produtores desses países estão recebendo somente isso?

Se fosse o contrário, ou seja, o Brasil vendendo leite nesse preço para a Argentina, tenho certeza que os argentinos deixariam as carretas paradas na fronteira, impedindo o produto de entrar no país.
JOSE RONALDO BORGES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2009

Há uma grande incoerencia na importação de leite. Retirei dois pontos relevantes do texto:

"Argentina e Uruguai - principais origens das importações brasileiras - também passam por dificuldades e devem ter oferta mais restrita de leite. Os dois países enfrentaram uma grave seca, que reduziu drasticamente a disponibilidade de alimento para o gado."

"Do volume de leite em pó integral - 9,589 mil toneladas - 69% são provenientes da Argentina (ao preço médio de US$ 1.856/t) e 31% foi comprado do Uruguai (em média, US$ 1.669/t). Ou seja, não entrou leite em pó integral de fora do Mercosul."

Seguramente a origem deste leite não é da Argentina e Uruguai conforme denuncia da CNA em Janeiro e possivelmente com subfaturamento para sonegar impostos.

Este é um caso que merece uma investigação maior pela Policia Federal com apoio da Receita Federal.
MilkPoint AgriPoint