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Lesões nos cascos: por que esse problema ainda persiste nos rebanhos leiteiros?

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 26/04/2016

2 MIN DE LEITURA

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“Trata-se de um taco fixado apenas na região anterior do casco - uma alternativa para o tratamento de lesões de úlceras de sola em bovinos que tiveram anteriormente o dígito amputado, tentando melhorar a qualidade de vida dos animais". Foi essa a descrição do médico veterinário André Maciel, de Cascavel/PR, para as fotos abaixo destinadas ao Facebook do MilkPoint:

 
Fonte: André Maciel 

As fotos renderam vários comentários e compartilhamentos de outros produtores e profissionais que elogiaram o trabalho de André. Um dos comentários enviado frisava que esse tipo de “sapato” é muito utilizado na Nova Zelândia. Vale lembrar que as doenças relacionadas aos cascos e os problemas locomotores são bastante comuns nos sistemas de produção de leite, podendo gerar prejuízos e inclusive, a perda dos animais. 

No ano passado, em artigo publicado no MilkPoint sobre “Manqueiras em vacas – Prevalência e Lesões”, escrito por Paulo Marcos Ferreira, Antônio Último de Carvalho, Elias Jorge Facury Filho e Marina Guimarães Ferreira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os autores frisaram que as manqueiras são distúrbios frequentes nas vacas de leite e, na maioria das vezes, são manifestações clínicas das lesões de cascos. De acordo com eles, vale a pena destacar que a frequência destas afecções - sem manifestação de manqueira - é alta nas propriedades e, como não há sinais clínicos evidentes, passam despercebidas. Nesses casos, são consideradas como subclínicas, e devem ser diagnosticadas precocemente, evitando, assim, sua evolução. “É interessante destacar que os bovinos possuem uma natureza calma e, muitas vezes, escondem os sinais de dor, como uma estratégia de defesa contra predadores. Desta forma, a manifestação dolorosa causada por lesão nos pés não é evidente, até que os mecanismos compensadores sejam exauridos”, complementaram eles. 

Ainda segundo os autores, as lesões podais dos bovinos podem ser agrupadas em infecciosas e metabólicas. As infecciosas envolvem as partes moles dos pés (pele digital), apresentando uma incidência maior em animais criados em condições precárias de higiene, umidade excessiva e acúmulo de matéria orgânica. Frequentemente, podem estar envolvidos agentes infecciosos comumente encontrados no meio ambiente. Outras vezes, ocorrem a partir da introdução de animais novos no rebanho, que trazem novos agentes. Já as lesões de origem metabólica estão relacionadas aos processos de laminite, caracterizados pela formação de tecido córneo de baixa qualidade, a partir de alterações hemodinâmicas dentro do estojo córneo, em consequência de distúrbios circulatórios sistêmicos. Desta forma, atingem, principalmente, os tecidos queratinizados do casco, como a sola, linha branca, muralha e talão. 

As enfermidades mais comuns são a dermatite digital e interdigital, hiperplasia interdigital (gabarro), doença da linha branca, erosão do talão, pododermatite asséptica difusa (laminite) e pododermatite. Normalmente, todos esses problemas causam claudicação e lesões nos cascos e necessitam de tratamento.

Confira outras fotos enviadas por André Maciel para o MilkPoint: 






 

Sabendo da importância e da incidência desse problema nos rebanhos brasileiros, o MilkPoint está lançando essa enquete para saber o que os produtores de leite vêm fazendo para evitar o aparecimento de doenças nos cascos dos animais e os desafios diários no manejo do rebanho.

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CLAUDIO NADER

BOTUCATU - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/04/2016

Acredito eu que um dos grandes entraves á saúde podal seja á prostituição do mercado com profissionais poucos capacitados( cobram barato por um serviço mal feitos acostumando o produtor a Não reconhecer o serviço) e ao fato de haver um ineficiente "pós cura".

Na verdade é uma gama de fatores à serem citados, mas vejo, por anos de experiencias com podologia bovina, a necessidade mais expressivas desses 2 fatores citados á cima como grande causas.

Apenas fiz uma síntese, pois esse assuntos é prolonga e não caberia nesse espaço

Att

Cláudio Nader

Podologista bovino- Rural Casco
CLAUDIO NADER

BOTUCATU - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/04/2016

Problemas de Cascos são uma realidade muito séria á ser levada em conta nas propriedades que buscam produzir com qualidade. É um fator primordial para o sucesso da atividade!

Por isso á importância de profissionais capacitados e com muita experiência!
ADILSON DA MATTA ANDRADE

MURIAÉ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/04/2016

            Estou com 33 anos de formado sendo os ultimos 30 dedicados exclusivamente a pecuária bovina sendo mais de 70% bovinocultura leiteira, o grande volume de currais que atendemos com realidades diferentes, (sendo semiconfinamento e rotacionais) com visita no minimo mensal contínua,  da para termos uma visão muito boa sobre causas e tratamentos de problemas de casco.

               A ideia que tenho é que as causas sempre é a somatória do excesso de atrito com problema metabólicos, ou a exacerbação de um dos dois também pode ser causa unica, a umidade aumenta o índice, o certo é que quando tiramos o atrito e problemas metabólicos os índices são tão baixo a ponto de acharmos que é zero, pela lembrança ficar muito antiga.

                Posso afirmar com grande índice de acerto, pois tanto temos currais que os problemas de casco são praticamente zero (a 15, 20 anos), como outros que eram autos os índices e ficou zero, e outros com problemas de gestão da nutrição ou instalação antiga de difícil mudança  que os índices continuam autos.

               Infelizmente, os tratamentos assim como os tipos de problemas de cascos, exigiriam um texto bem maior o que impossibilita tratarmos disto aqui, o que tenho como experiencia, que ao contrario que se vê por ai, é que; deixar o animal preso em baias e enfaixamento das feridas a maioria das vezes atrasa o processo de cura, pois as baias com cama limpa e a troca diária de curativos, na pratica é difícil mobilizar a mão de obra para isto, saindo o tiro pela culatra.

              Para o amigo Fernando Melgaço informo que os micro-organismos sensíveis ao  Cloranfenicol ( conforme disse não se usa mais para animal de produção), estão sendo bem combatidos pelo similar Florfenicol que é facilmente encontrados nas lojas do ramo.
FERNANDO MELGAÇO

GOIÂNIA - GOIÁS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 26/04/2016

Caro colega André,

Sou Méd. Veterinário e Especialista em Microbiologia pela UFG.

No início de minha profissão atuei no campo. Fiz várias cirurgias de dermatite interdigital, sendo que em muitas delas tive que amputar um dos cascos. Obtive sucesso na maioria das vezes, usando para o pós-operatório sulfato de cobre, enfaixamento com ataduras de crepom,repouso e Pentabiótico injetável.

Acredito que as contaminações secundárias,isto é, após lesão mecânica - que quase sempre ocorrem

sejam causadas por bactérias anaeróbias Gram Negativas.

Numa experiência mais recente, feita na fazenda de meu irmão, usei o Tiofenicol - indicado para cães- porque não existe mais o Cloranfenicol para uso em bovinos. Usei também um anti -  inflamatório. O resultado foi excelente, ocorrendo a cura em poucos dias. Cumpre observar que as lesões estavam no início, causando uma ligeira claudicação.

Um dos melhores antibióticos para anaeróbios Gram negativos é o Cloranfenicol.

Atenciosamente,

Fernando Melgaço.
MilkPoint AgriPoint