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EUA: por que os produtores estão descartando leite?

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 16/04/2020

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Algumas semanas atrás, Jim e Katie DiGangi começaram a descartar até 75.000 litros de leite por dia. O casal administra a Darlington Ridge Farms, em Wisconsin, EUA. Eles nunca tiveram que fazer isso antes e a experiência foi "completamente devastadora", disse Katie. "É muito desafiador para a nossa família".

Recentemente, produtores como os DiGangis tiveram que recorrer ao descarte de leite devido a uma queda vertiginosa na demanda de escolas, restaurantes e outros serviços de alimentação, que foram obrigados a fechar suas portas para impedir a propagação da pandemia de coronavírus.

A súbita mudança na demanda significa que fazendas leiteiras em todo o país estão com excesso de leite. Podem ser descartados entre 10,2 milhões e 14 milhões de litros de leite nos EUA como resultado da crise, estimou o Dairy Farmers of America (DFA), uma importante cooperativa de lácteos. Mas os produtores não podem simplesmente parar de ordenhar suas vacas.

"O leite é uma atividade diária", disse Alan Bjerga, vice-presidente sênior de comunicações da Federação Nacional de Produtores de Leite. "Quando uma vaca leiteira é colocada em produção, você não liga e desliga simplesmente. Portanto, é muito difícil responder rapidamente a uma crise".

O descarte de leite não é apenas devastador para os produtores. A situação também é ruim para os cidadãos que não podem comprar comida ou leite suficiente, porque os supermercados estão fechados ou limitando as compras.


Um fazendeiro da Pensilvânia observa 20 mil de leite sendo escoados pelo ralo.

Derramar leite é um exemplo de como as interrupções na cadeia de suprimentos, causadas pela pandemia e pelos esforços para contê-la, estão impedindo que os alimentos cheguem aos devidos locais.

A pandemia deu um grande golpe em vários negócios, do setor aéreo ao varejo. Para a indústria do leite, o contratempo é particularmente doloroso.

Tanto os produtores de leite quanto à indústria já estavam "lutando", mesmo antes da pandemia. Uma interrupção tão grande só tornou as coisas mais difíceis. E a rígida cadeia de suprimentos significa que nem os agricultores nem os processadores podem "trocar de marcha" com rapidez suficiente para evitar o desperdício.

Ninguém quer despejar leite. Mas fazer isso agora — junto com outras medidas — pode ajudar as fazendas a se manterem no futuro e garantir que os americanos tenham leite, queijo, manteiga e sorvete.

Outro ano ruim

Antes da pandemia, as coisas finalmente estavam melhorando para os produtores de leite. Na segunda metade do ano passado, os preços começaram a subir, após quatro anos de preços baixos. O período entre 2015 e 2019 foi particularmente difícil, exacerbado pelas tarifas retaliatórias da China e do México em 2018. "Tivemos uma crise do preço do leite enquanto indústria", disse Jim DiGangi. "Havia uma luz em 2020. Esse seria o nosso ano de recuperação".

Apesar de um aumento nos preços, esses quatro anos afetaram muito a indústria do leite. Quando a pandemia de coronavírus estourou nos Estados Unidos, muitos produtores já estavam em situação financeira precária. "As pessoas queimaram muito do seu patrimônio para permanecer nos negócios", disse Dave Kyle, proprietário da Kylecrest Holsteins and Jerseys, em Wisconsin, e diretor de uma cooperativa de laticínios, a Foremost Farms USA.

Então, por que os produtores continuam ordenhando?

Quando Kyle, que viu a demanda começar a cair bruscamente em meados de março, pediu aos membros da cooperativa que reduzissem a produção, muitos se recusaram. "Eles disseram 'Nós não podemos. Nós não podemos sobreviver se reduzirmos'", disse ele.

Além dos temores financeiros, existem algumas razões práticas para manter a ordenha.

Os produtores poderiam reduzir a quantidade de leite produzida por cada animal ou abater algumas cabeças. Mas isso significaria menos leite em geral, o que poderia levar à escassez de leite no futuro. Além disso, com a demanda tão volátil nos estágios iniciais da crise, tem sido difícil para os produtores de leite ter uma noção do futuro.

"Precisamos manter as vacas no rebanho para que elas estejam aqui quando precisarmos delas, daqui a alguns meses, mas não podemos usar o leite – o que leva ao descarte", disse Marin Bozic, professora assistente do Departamento de economia aplicada da Universidade de Minnesota. "É uma imagem triste, mas é o melhor, desde que essa crise não permaneça por muito tempo".

O descarte de leite é o último recurso para as fazendas leiteiras, segundo Dennis Rodenbaugh, presidente de operações do conselho da Dairy Farmers of America. Mas "pode ser a opção de menor custo, pelo menos no curto prazo", explicou. Se não houver mercado final para o leite, transformá-lo em queijo ou manteiga e descartá-lo seria uma proposta mais cara para os processadores, que muitas vezes são propriedade das fazendas leiteiras ou cooperativas.

As informações são da CNN, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Leia também > EUA: que soluções a indústria de laticínios está propondo para contornar a crise?

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