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Teteiras: Você tem utilizado corretamente?

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 09/06/2021

6 MIN DE LEITURA

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O equipamento de ordenha não imita com perfeição a mamada do bezerro. Temos que aplicar forças diferentes a da natureza do teto. É um equilíbrio sensível para que uma ordenha seja gentil, rápida e completa, mas é plenamente possível.

Temos que aplicar um vácuo adequado para que o esfíncter abra o suficiente para a que ordenha tenha boa velocidade, mas sem agressões, buscando uma boa esgota, como visto anteriormente aqui.

O que é a compressão das teteiras? 

Segundo Reinemann e Mein el al. (2011), a Compressão da Teteira (sigla LC em Inglês) é a pressão compressiva média (expressa em Kpa acima da pressão atmosférica) aplicada aos tecidos internos da ponta do teto, pela teteira durante a fase-D da pulsação (fase de massagem). Um dos componentes da LC foi definido como Sobre-Pressão (sigla OP em Inglês) por Mein et al. (2003) como sendo a pressão compressiva média, acima daquela necessária para apenas iniciar ou parar o fluxo de leite do teto, a qual é aplica aos tecidos internos da ponta do teto por uma teteira durante a fase-D. 

TeteirasÉ importante separar as duas funções básicas da teteira. A primeira é a mais fácil, abrir e permitir que o vácuo promova a abertura do esfíncter e que o leite saia dali, com a colaboração da ocitocina. A segunda e mais sensível é o seu fechamento. Quando as teteiras vão se fechando, chega um momento em que os lados da teteira se tocam. Em seguida a teteira começa a exercer uma força de compressão sobre o teto. Esta compressão vai aumentando até vencer a pressão diastólica da corrente sanguínea, interrompe o fluxo de leite e começa a descongestionar o tecido do teto.

É neste momento de compressão que a teteira tem que desempenhar seu grande papel de descongestão dos tecidos do teto e com uma ação gentil que provoque menos hiperqueratose possível. São 0,2 a 0,24 segundos de fase-D, 60 vezes por minuto, por 5 minutos, 2 ordenhas por dia, por 400 dias de lactação e por 3 lactações. São 720.000 vezes que o teto recebeu esta ação sobre ele. Ou 2400 horas. 

Algumas teteiras exercem mais Sobre-Pressão sobre os tetos do que outras e assim promovem mais hiperqueratose do que outras.

Quando o tempo de teteira nas vacas é muito longo, devido aos fatores listados anteriormente, além de outro muito importante que é a sobre ordenha ou a ordenha cega, também teremos mais hiperqueratose.

O alto nível de vácuo pode aumentar a LC e assim a hiperqueratose. 

Temos que ter mais atenção em fazendas de 3 ordenhas pois podemos estar submetendo as vacas por mais tempo a uma situação promovedora de hiperqueratose.

Temos que ter atenção às rotinas de ordenha e ao nível de vácuo adequado, nem muito alto e nem muito baixo, para ter o máximo de esgota no menor tempo possível.

Aproveito aqui para ressaltar que uma teteira com sobre uso pode muitas vezes ter a sua força de colapso original (diferença de vácuo necessária para fazer os lados da teteira se tocarem), mas a compressão que a teteira consegue fazer sobre o teto para descongestiona-lo estará reduzida, porque perdeu o seu desenho original, perdeu tensão e ganhou o formato do teto. Ela fecha ao redor do teto com baixa capacidade de descongestão.

Se uma teteira se desgasta, imagine o tecido do teto. O teto tem a capacidade de se regenerar e é exatamente em uma regeneração tecidual exagerada que pode resultar a hiperqueratose, por estresse mecânico excessivo da ordenha.

Como medir e controlar a compressão das teteiras?

Existem diferentes métodos para se medir em vivo, em gabaritos mecânicos e também de se estimar por cálculos. Vou me limitar a descrever dois métodos em vivo apresentados por Reinemann e Mein em Melbourne, Austrália 2011.  

OP1 foi o método usado por Mein et al. (2003) em que parava a pulsação por remover o tubo curto de pulsação de um uma capa de teteira e conectando-o a uma pequena bomba de vácuo manual.  O Vácuo na Câmara de Pulsação (PCV na sigla em Inglês) era então aumentado lentamente até que o fluxo de leite fosse observado. O OP1 promove uma fase-D (massagem) de pulsação bastante longa, seguida de uma lenta remoção da LC pelo aumento da PCV. O método OP2 fornece uma pulsação contínua com incrementos graduais da LC. A OP2 tem valores equivalentes a 66% dos resultados do método OP1. Isto deve ser levado em consideração quando se referir a recomendações prévias para OP feitas pelo método OP1.

A Compressão da teteira é o resultado do seu formato, dimensões, material utilizado, a tensão dela na montagem na capa e o nível de vácuo de ordenha. A única maneira de controlá-la é escolher bem o modelo, que ele seja montado na capa para a qual foi projetada e manter a troca de acordo com as recomendações do fabricante.

Quais cuidados sanitários devem ser tomados com as teteiras e com o animal?

Os cuidados sanitários com as teteiras fazem parte dos cuidados sanitários da ordenha, ou seja, uma boa limpeza, higienização e a desinfecção ou sanitização antes da próxima sessão.

Na rotina de ordenha é crucial uma boa desinfecção dos tetos antes e depois da ordenha de cada animal. Durante o processo de ordenha é comum, mesmo que indesejável, que haja refluxo de leite na direção do teto pelo efeito de bombeamento reverso de leite quando a teteira se abre. Isso acontece com intensidades diferentes. Tetos pequenos em teteiras grandes tem mais refluxo de leite. Quedas, deslizamentos e mesmo simples chiados de teteiras causam refluxo de leite nas outras teteiras que estão ordenhando. Teteiras que abrem muito rápido causam mais refluxo e isso depende também da configuração da pulsação. Este banho de leite nos tetos resulta em tetos com uma película de leite onde um agente de mastite encontra condições suficiente de se proliferar entre ordenhas, criando uma colônia perigosa, um desafio eminente. A aplicação total do teto com um pós-dip com ação desinfetante comprovada é fundamental para substituir ao máximo esta película de cultura bacteriana, por uma película desinfetante. Um grande desafio é a desinfecção da ponta do teto quando esta encontra-se rugosa em função de altos graus de hiperqueratose.

TeteirasAntes da ordenha o foco principal é com os agentes de mastite ambientais que estão ao redor do teto. Mesmo em ambientes limpos, tetos chegam na ordenha com barro e esterco, principalmente naquela ponta de teto com a rugosidade da hiperqueratose que ancora mais sujeira. A aplicação de um pré-dip com ação desinfetante comprovada antes da ordenha, com uma ação de pelo menos 30 segundos e a remoção deste, juntamente com a sujeira, é também crucial como manejo de prevenção da mastite. Esta remoção e secagem, seja com papel toalha descartável ou com toalhas laváveis, deve ser feita com 3 rotações ao redor do teto, sem roçar a base do úbere, e a esfregação com pressão do polegar na ponta do teto para remover mecanicamente o máximo de agentes de mastite que estão na ponta do canal do teto prontos para entrar.   

Infelizmente nenhum pré ou pós dip tem 100% de ação germicida em condições de ordenha.

Voltando a questão de tetos banhados de leite... isso promove uma solução de leite carregada de agentes infecciosos de mastite contagiosos ou ambientais se movimentando para cima e para baixo enquanto a teteira se abre e se fecha. Este movimento quando normal acelera gotículas de leite em até 2 metros por segundo, o que não é suficiente para vencer o canal do teto, levar agentes para dentro e aumentar a taxa de novas infecção. Mas quanto uma teteira cai acontece um grande gradiente de preção negativo que faz com que as gotículas de leite carregas de agentes infecciosos sejam transferidas pelo canal do teto o que pode aumentar a taxa de novas infecções (G. Mien, D. Reinemann, N. Schuring, I. Ohnstad  Milking Machines And Mastitis Risk: A Storm In A Teatcup, NMC 2004). Quanto mais quedas de teteiras, mais casos de mastite.

Para saber sobre teteiras ou se está em dúvida sobre quais usar em seu rebanho clique aqui.

 

Este é um conteúdo de MilkRite InterPuls.

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