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A gestão de empresas rurais

RICARDO FERREIRA GODINHO

EM 23/06/2015

6 MIN DE LEITURA

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Um aspecto fundamental para a contextualização contemporânea do agronegócio está associado à maneira pela qual a gestão tem incorporado diversas práticas tradicionalmente relacionadas à organizações industriais, comerciais e prestadoras de serviços tipicamente urbanas. Com isso, o termo gestão a cada ano ganha mais importância em eventos, sites, revistas e diálogos, e nota-se que está se tornando um "jargão" colocar a gestão como a responsável por tudo que acontece nas empresas, e na pecuária leiteira não seria diferente. A importância do tema é indiscutível, mas alguns cuidados conceituais devem ser tomados para o correto entendimento e uso do termo, e consequentemente o amplo aproveitamento dos resultados que sua prática correta pode proporcionar.

Gestão empresarial pode ser conceituada como "a busca de um significado conceitual dos modelos e das técnicas, através das pessoas, via um conjunto de comportamentos e aplicações práticas, voltados e sustentados pela ação"1.

A prática da gestão simplificadamente é a reunião da racionalidade da administração com a intuição/pragmatismo da liderança, em outras palavras pode-se dizer que gestão = administração + liderança. A parte da administração trata das técnicas, dos recursos tangíveis, dos processos, das regras e do uso das tecnologias. A parte da liderança trata das atitudes, dos comportamentos, das intenções, da motivação, da criatividade, da comunicação. Por natureza, é uma atividade sofisticada em seu pragmatismo: ela busca resultados. O que interessa, prioritariamente, é a transformação de intenções em resultados, ao longo dos ciclos de vida das organizações, dos processos, dos produtos e das equipes.

Estes conceitos contribuem para evidenciar a importância da liderança em uma propriedade. Por liderança entende-se que é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. Na gestão de qualquer organização, a liderança é importante porque as atividades são fundamentalmente realizadas por pessoas, por mais automatizada que seja o sistema produtivo. Daí a afirmativa que o gestor gerencia e controla os recursos da empresa, as finanças, estoques, mas não pode gerenciar seres humanos, ou seja, gerencia coisas e lidera pessoas. Isso porque as coisas não têm capacidade e liberdade para escolher, só as pessoas as têm e o gestor pode influenciar nessas escolhas.

Para que o gerenciamento aconteça na prática, é necessário uma boa atuação da liderança e o uso adequado de ferramentas administrativas, e acima de tudo tomar decisões que propiciem o alcance dos resultados esperados pela empresa. Desta forma, a função do gestor é analisar riscos e tomar decisões, o que é um processo complexo que requer raciocínio, compromisso, e uso de informações, além de lidar com pessoas, princípios, conceitos, e metodologias (algumas delas abstratas), e o uso correto das informações e conhecimentos, podem reduzir o risco.

O tratamento de fazendas produtoras de leite como empresas, ainda não começou no Brasil. Existem alguns casos aqui e ali, mas a grande maioria das propriedades ainda não experimentou os prazeres de uma gestão empresarial As razões são muitas, mas destacam-se o fato de que a atividade ainda não despertou o interesse de grupos econômicos para o seu potencial de fazer dinheiro. Não sendo uma atividade economicamente sólida porque carece de ajustes básicos e fundamentais como, por exemplo, a aplicação total dos padrões de qualidade impostos para o leite pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, maior controle das importações predatórias, o uso ilegal do soro em substituição ao leite entre outros. Com a correção destes fatores, a atividade poderá se tornar atraente financeiramente e os conceitos de gestão de negócios passarão a ser prática comum nas fazendas produtoras de leite2. A aplicação da administração estratégica em fazendas é algo ainda pouco experimentado e a relação custo-benefício auxilia na identificação de áreas que podem ser melhoradas por meio de maior atenção e comunicação eficaz.

Segundo o Diagnóstico da Pecuária Leiteira em Minas Gerais, realizado em 2005, 67% das administrações de empresas rurais produtoras de leite são realizadas pelos proprietários, e 29,60% pelo proprietário e sua família. Neste sentido, a administração é tipicamente familiar e poucos são os casos em que a administração é realizada por um administrador contratado. O pequeno volume de produção da maioria dos produtores é a principal justificativa para estes não contratarem administradores.

Muito se tem falado em gestão/administração, mas poucas são as propriedades onde se pode perceber realmente, sua aplicação. Os benefícios da administração, as consequências da não administração ou a necessidade dela, são fatores importantes apontados por vários autores. Nota-se que apesar de importante considera-se baixo o uso da administração em fazendas. Segundo uma pesquisa realizada nacionalmente com diversos sistemas produtivos, e inclusive o do leite, existem vários fatores limitantes ao desenvolvimento da administração rural no Brasil, os quais se destacam:
a) Dificuldade de compreensão do quadro teórico e metodológico do processo de gestão rural no país, tanto por parte dos produtores como por parte dos profissionais que trabalham com assistência técnica e extensão rural.

b) Certa desconfiança, por parte dos produtores e até dos técnicos, quanto à necessidade e a eficácia de se usar um processo de gestão mais acurado, envolvendo, por exemplo, o planejamento formal para ações de longo prazo ou o controle individualizado do fluxo de caixa das atividades existentes. Essa atitude negativa pode estar relacionada a vários fatores não controláveis que afetam o resultado econômico das empresas rurais e dificulta o seu processo administrativo.

c) Maior custo dos serviços de uma assistência agropecuária mais abrangente (englobando técnicas de gestão) e carência no mercado de profissionais relativamente autônomos, sem vínculo com empresas que mantêm relações comerciais com os produtores rurais, e dispostos a assumir algumas funções de cunho administrativo junto às empresas rurais.

d) Alto custo para se implantar sistemas de registro contábil, principalmente pelo esforço necessário à coleta de dados precisos em condições a campo e, dificuldades para se gerar e interpretar as informações relevantes ao processo decisório nas empresas rurais.

Estes mesmos trabalhos concluíram ainda que há uma diferença significativa entre as percepções de técnicos e produtores de leite, quanto ao processo administrativo nas áreas de produção, finanças, comercialização e recursos humanos dos sistemas de produção de leite. Estas propriedades geralmente são administradas de forma empírica, sem a adoção de um planejamento formalizado e os controles, quando utilizados, são mais simples. Esta diferença de percepção, a começar pelos objetivos que os produtores vislumbram para seus sistemas de produção, podem levar à distorções na atuação dos técnicos nos sistemas assistidos por eles, e consequentemente o comprometimento dos resultados possíveis de serem alcançados.

Tem-se verificado ainda um baixo envolvimento qualitativo e quantitativo dos profissionais da assistência técnica e extensão rural (engenheiros agrônomos, médicos veterinários, zootecnistas, técnicos em agropecuária) em assuntos relacionados ao processo administrativo das empresas rurais. Entretanto, para os profissionais de ciências agrárias que tiverem uma abordagem mais proativa e focada em resultados, esta pode ser uma oportunidade de atuação.

O uso de ferramentas administrativas não garante o êxito de um sistema de gestão. É necessário influenciar as pessoas para que façam o que deve ser feito. Para que isso aconteça, os objetivos do produtor devem estar claros, a assistência técnica deve compreendê-los, e juntos buscarem as melhores alternativas para alcança-los, com um bom planejamento e fundamentado em dados e informações.

Vimos quanto ao desafio de colocar a gestão em prática nas empresas rurais, e um conceito comum é que não há como administrar sem medir, tema do nosso próximo artigo. Gostaríamos de saber sobre sua opinião e sugestões e por isso perguntamos: quais aspectos da gestão você tem dúvidas ou gostaria que fosse abordado nesta coluna? Utilize o espaço abaixo e nos envie suas sugestões.

Referências:

BRISOLA, Marlon Vinícius. Diagnóstico e intervenção estratégica em fazendas. Revista Acadêmica da FACECA – RAF, v. 1, n. 2, Jan./Jul. 2002. Disponível em

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RICARDO FERREIRA GODINHO

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RICARDO FERREIRA GODINHO

SÃO JOÃO BATISTA DO GLÓRIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/07/2015

Pessoal, novamente obrigado pelos comentários e sugestões de temas e de estruturas para os artigos. Estão todos anotados e nortearão os próximos artigos (após o terceiro que já estava pronto, sobre controle). Será um grande desafio! Alguns questionamentos deram ideia para temas de artigos.



Prezado Ricardo Peçanha, quanto a Faculdade de Administração Rural no Brasil, o curso mais conhecido que tenho informação era o que a Esal (Lavras) oferecia, mas que depois, tornou-se apenas Administração de Empresas, com diversas disciplinas eletivas que direcionam para a formação do aluno para o setor urbano,  rural e para cooperativas. Não tenho informações concretas a respeito de outros cursos de Administração Rural, mas acredito que existam, como por exemplo o citado em um post acima do João Arquimedes que aponta o curso da UERGS de Administração Rural e Agroindustrial. Existem outros cursos de graduação em Gestão do Agronegócio presenciais e a distância (Tecnólogo e Bacharelado), assim como pós graduações, e estes cursos já vi estruturas direcionadas para cafeicultura, produção leiteira, e de forma generalista.



Abraços, Ricardo
JAMES CISNANDES JR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/07/2015

Olá Ricardo, parabéns pelo artigo! Muito bom, informativo e consultivo...
RICARDO PEÇANHA PAEZ

TRÊS CORAÇÕES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2015

Prezada Kari. O grande desafio de gerir pessoas ou empresas

passa pelo crivo pessoal nosso. O caminhar da gestão inicia-se pela nossa autocrítica enquanto pessoas repletas de " egos " e " personalidades ". Ao entregarmos nossas questões pessoais e debruçarmos nossos olhares em modelos  contemporâneos de administração, o sucesso passa a ser  mais confiável e real. Grato. Ricardo.
RITA DE CÁSSIA RIBEIRO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/06/2015

Ricardo, a cada dia me apaixono ainda mais pelo tema. Sei que gestão se resume em ; administração + liderança. E esse perfil de liderança, poucos têm. Podem ter o conhecimento, mas liderar é ainda um perfil  que poucos possuem. E isso é o que falta no meio de qualquer empresa seja  rural ou não. Ainda estamos longe de um grupo mais avançado! Entender que para obter esse espírito prazeroso de gerir um negócio,  é necessário inicialmente, ser organizado, cauteloso e acima de tudo anotar todas as informações. A partir de ter tudo em mãos será fácil liderar um negócio, pois tem argumentos, dados suficientes para tal. E como conseguir se tornar um líder?  Simplesmente começando com anotações e observações da realidade. Assim atitudes serão tomadas com segurança, e o espírito liderança ganhará dimensão, a tal ponto que de repente estará acontecendo a gestão do seu negócio. Parabéns e obrigada pelo texto agradável  de se ler. Não sou da área, mas creio que ficou claro para mim o que disse. Gestão é a base do nosso sucesso, do sucesso do nosso negócio.!
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2015

Prezado João Arquimedes,



Pense no quanto seria melhor se o calculo do custo de produção fosse feito a parte, por um profissional desta área. O produtor e o técnico que o assiste receberiam os números prontos, assim teriam mais tempo para se preocuparem com as vacas.
JOAO ARQUIMEDES

PEJUÇARA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/06/2015

Boa Tarde,

  Fiquei muito feliz! Lendo o texto acima,  expondo a necessidade de mercado de profissionais sem vinculo com empresas fornecedoras de insumos com intuito de realmente se comprometer com o Produtor em resultados.

  Essa é uma preocupação de minha turma na Uergs de Administração Rural e Agroindustrial, aplicabilidade de nosso curso no mercado.  Gostaríamos de algumas sugestões de pessoas do meio da cadeia leiteria, como poderíamos oferecer nossos serviços e uma sugestão de valores de uma maneira justa e viável que poderia ser aplicado.
KARINA

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/06/2015

Oi Ricardo! Parabéns por compartilhar sua grande experiência com a gente!

Uma coisa que me chamou a atenção nesse pouco tempo de gestão em relação a motivação foi o feedback com a equipe em relação as suas funções buscando principalmente opiniões para melhorias e as pondo em prática. Outro fator importante é a relação patrão-empregado. A visão do empregado em relação ao patrão não deve ser de superioridade mas sim de respeito em ambas as partes. Estamos lidando com seres humanos, não nos esqueçamos que todos tem problemas vindo de casa, além das limitações de cada um que obviamente influenciam no trabalho, mas que podemos descobrir o perfil de cada um deles e assim encaixá-los na função que eles mais se adequarem. Muitas vezes seus problemas vem inclusive por falta de cultura ou informação, e nisso podemos ajudá-los com uma simples conversa. No meu ponto de vista, as coisas mais simples são as que mais motivam o ser humano e o que menos motiva é aumento de salário ou recompensas, pois isso traz uma motivação a curto prazo. A visão de autoridade os fazem sentir inferiores e isso realmente é inaceitável, porém sem perder a autoconfiança, o gestor deve mostrar a importância das boas práticas em suas determinadas funções para alcançarmos as metas; tentar ensinar o porquê das coisas mostrando motivos para fazê-los. Isso é motivação do meu ponto de vista. Hoje, o funcionário mais novo da fazenda tem 4 anos de casa, o mais velho 23 e nossas principais metas já foram alcançadas em 70%, principalmente no setor  reprodutivo em um ano de trabalho.

Ca entre nós, faculdade infelizmente não nos ensina liderar, por isso falta profissionais nessa área.

Sobre a pergunta, o que mais tenho dificuldade e gostaria de uma opinião sua é como lidar com as diferentes percepções entre o técnico e o produtor nos processos administrativos e finanças.

Um abraço!
THALLES VEIGA

PAVÃO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 24/06/2015

Olá,

ótimo artigo, sem dúvida nós faz refletir sobre o quanto o setor pode melhorar.

Gostaria que fosse abordado exemplos de atitudes do gestor visando sucesso da atividade leiteira no longo, médio e curto prazo se possível, levando em consideração fatores de dentro e fora da porteira.



Abraço!

  
RICARDO PEÇANHA PAEZ

TRÊS CORAÇÕES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2015

Prezado Ricardo: Diante tantos desafios e levando-se em consideração a importância da Gestão na propriedade leiteira, por que não publicar em Tópicos os conteudos relacionados a Gestão Rural. O capítulo relacionado a RH merece atenção redobrada.Existe alguma faculdade de ADM Rural no Brasil? Grato.
RICARDO FERREIRA GODINHO

SÃO JOÃO BATISTA DO GLÓRIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2015

Olá Pessoal,

Agradeço pelas sugestões, e concordo com os comentários realizados, destacando-se o desafio de lidar com pessoas e não esquecermos das vacas, assim como a atuação de técnicos no campo.

Cirio, não se desmotive! atuar como um bom extensionista é superar desafios e provocar mudanças. É uma missão que temos.

Antonio, já atuei no meio urbano e em diversas atividades rurais, e a realidade é a mesma! A fama quem leva é o rural pelo pré-conceito das pessoas, mas os problemas de gestão não são muito diferentes.

Sobre as referências que utilizei, não estão aparecendo todas no artigo, e caso alguém tenha interesse em aprofundar o tema, a seguir a relação das mesmas.

Obrigado a todos,

Ricardo





Referências:

BRISOLA, Marlon Vinícius. Diagnóstico e intervenção estratégica em fazendas. Revista Acadêmica da FACECA - RAF, v. 1, n. 2, Jan./Jul. 2002. Disponível em <http://www.faceca.br/raf/diagnostico.doc;, Acesso em 01/02/10.

CALLADO, Antonio André Cunha. Agronegócio. 1ª. Edição. São Paulo:Atlas; 2006.

CANZIANI, José Roberto Fernandes. Assessoria Administrativa a Produtores Rurais. 2001. 236f. Tese (Doutorado em Ciências) - Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz". Piracicaba, 2001.

1 CARVALHAL, E.; FERREIRA, G. Ciclo de Vida das Organizações. Rio de Janeiro. 4ª. Ed. Editora FGV, 2000.

FRANK, Gary G. Economic Analysis of the Dairy Farm: Recommendations. Dairy Updates/Business Management,N°. 203. The Babcock Institute/University of Wisconsin-Madison, 2001a.

GODINHO, R. F. Gestão Empresarial em Sistemas de Produção de Leite na microregião de São João Batista do Glória/MG.   Dissertação de Mestrado - UNICASTELO. Descalvado - SP : [sn.],  2010. 112p.;

GOMES, S.T. Diagnóstico da pecuária leiteira do Estado de Minas Gerais, 2005: relatório de pesquisa. - Belo Horizonte: FAEMG, 2006. 156 p.: il;

HALL, J.; WAPENAAR, W.  Opinions and practices of veterinarians and dairy farmers towards herd health management in the UK.  Veterinary Record, 2012; 170:441 doi:10.1136/vr.100318

HUNTER, James C.. O Monge e o Executivo - Uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

2MACHADO, P.F.; CASSOLI, L.D.. Gestão de Explorações Leiteiras. 1ª. Ed. Piracicaba:ESALQ-Clínica do Leite, 2006.
FERNANDO COUTO DE ARAÚJO

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/06/2015

Bom dia Ricardo Godinho!

Parabéns pelo excelente artigo.

Como se pede sugestões no final, gostaria de ver um artigo abordando sobre gestão de pessoas, ou mais especificamente, liderança das equipes de trabalho. Isto porque a atividade de produção de leite será sempre dependente da mão de obra humana diariamente, e comumente vemos a dificuldade de produtores em motivar e fidelizar a mão de obra existente em sua propriedade, sendo que, em alguns casos, o limitante para o aumento do volume de produção é justamente a falta ou a dificuldade de mão de obra contratada.

Desta forma, gostaria de saber sua opinião sobre os gargalos da mão de obra na atividade leiteira, uma vez que grande parte dos funcionários são bem remunerados, e como manter a equipe motivada trabalhando por vários anos na propriedade.

Abraço
ANTONIO BOVOLENTO JR.

ITU - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/06/2015

Caro Ricardo,



Antes de responder à sua pergunta, permita-me fazer alguns comentários. Começando pela oportuna definição de gestão como sendo a reunião da racionalidade da administração com a intuição/pragmatismo da liderança.



Um dado que você cita e que me causou surpresa foi o limitado desenvolvimento, segundo pesquisas, do uso de conceitos da administração em outros sistemas produtivos. Pensei que o leite fosse o único "aluno atrasado da turma".



Quanto ao baixo envolvimento dos profissionais de assistência técnica e extensão rural com a gestão, poderíamos juntar sua observação com o artigo recente do Marcelo Pereira de Carvalho - "Oportunidades para o profissional de assistência técnica no futuro".



Por último, sempre fui da opinião de que a evolução de nossa cadeia do leite tem de começar pela profissionalização do produtor. E profissionalização passa invariavelmente por gestão. De nada adianta implementar políticas públicas, programas de assistência, até mesmo marketing institucional, se não tivermos difundida entre os produtores a necessidade de profissionalização, principalmente no que diz respeito a gestão.



Agora, para responder à sua pergunta sobre quais aspectos eu gostaria de ver abordados em sua coluna, a lista seria bem extensa. A começar pela própria noção de liderança e empreendedorismo até o uso de ferramentas de gestão, passando por planejamento estratégico, gestão de processos, pessoas, rotinas, finanças, etc. etc.



Na verdade, essa coluna deveria ter, no mínimo, o mesmo espaço das colunas sobre assuntos técnicos! Artigos como os seus, assim como os publicados pelo pessoal da Clínica do Leite da ESALQ são de um valor inestimável para essa tão almejada profissionalização do leite no Brasil.



Forte abraço,



Antonio
CIRIO BEIERSDORF

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/06/2015

Pensando sobre tudo que acontece no dia a dia comigo e relacionando com o texto acima posso concordar com tudo mas, fico me indagando como conseguir motivar, fazer o produtor entender e que ele mude de atitude perante o seu empreendimento rural para que ele adote um gerenciamento rigoroso dos dados da propriedade. Então, este é o meu maior desafio que enfrento no dia a dia do meu trabalho como extensionista a campo, fico muitas vezes desmotivado com o que encontro nas propriedades é difícil fazer o produtor simplesmente guardar notas e anotar dados ou resultados.

Assim pergunto a todos; O que fazer ?
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/06/2015

Antes de tudo o gestor tem que ter um alto conhecimento sobre vacas, são elas que geram receita, tudo se transforma em nada se o centro das atenções não for para elas.
MARCOS ANDRÉ AVELINO DO NASCIMENTO

LIMOEIRO DE ANADIA - ALAGOAS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/06/2015

Ricardo concordo plenamente com você em relação ao envolvimento dos profissionais que atuam na área. Acredito que a falta de  percepção no tocante ao Profissionalismo que se faz necessário a atividade, tenha origem na formação  excessivamente técnica dos profissionais, negligenciando o lado humano do negocio. Antes de qualquer conhecimento técnico, se faz necessário o conhecimento da visão humana, levando em consideração vários  aspectos culturais enraizados ao longo de anos.