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Manejo pré-ordenha e produção de leite

POR SUSANA NORI DE MACEDO

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 21/08/2012

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Susana Nori de Macedo * e Marcos Veiga dos Santos

O manejo pré-ordenha e o período entre a estimulação e a colocação do conjunto de teteiras influenciam tanto a quantidade quanto a qualidade do leite produzido. Antes do início da ordenha é necessária a limpeza e higienização dos tetos (desinfecção e secagem) e teste da caneca de fundo preto para diagnóstico da mastite clínica. Esses procedimentos são importantes para otimizar o tempo de ordenha e a manutenção da saúde do úbere das vacas.
A correta desinfecção dos tetos diminui a população bacteriana na pele do teto, o que reduz a incidência de infecções intramamárias de origem ambiental em cerca de 50%. Além disso, a contagem bacteriana total (CBT) é elevada quando o úbere e os tetos são ordenhados, sem que sejam desinfetados de forma adequada. O recomendável é que seja feita a limpeza apenas da região dos tetos que entra em contato com a teteira ou com as mãos do ordenhador, para que a água contaminada não escorra para os tetos e aumente o transporte de bactérias presentes na pele do úbere. Baixas contagens bacterianas podem ser obtidas com a limpeza dos tetos com um sanitizante (pre-dipping) e a secagem com papel toalha.
Fisiologicamente, a ordenha consiste em duas fases, a secreção e a ejeção do leite. Após a colocação do conjunto de teteiras, há o início da ordenha propriamente dita, com ejeção imediata da fração de leite presente nas cisternas da glândula e do teto (leite cisternal), que corresponde a cerca de 20% do volume total de leite contido no úbere. Os 80% restantes estão contidos nos alvéolos e não estão prontamente disponíveis antes da ativação do reflexo de ejeção do leite. Quando a vaca é estimulada pelo toque da mão do ordenhador ou da boca do bezerro no teto, ou pelo som do equipamento de ordenha, são desencadeados impulsos nervosos que estimulam a liberação de oxitocina, a qual é produzida na hipófise. Pela corrente sanguínea, esse hormônio chega às células mioepiteliais, que circundam os alvéolos. Sob a ação da oxitocina, essas células são contraídas, forçando a saída do leite para a cisterna da glândula mamária.
O tempo entre a primeira estimulação e a colocação do conjunto de teteiras deve ser cuidadosamente controlado. É necessário que seja desencadeada a liberação de oxitocina para que ocorra a ejeção do leite dos alvéolos para a cisterna do úbere. O tempo total da ordenha pode ser influenciado pela raça das vacas, pelo método e tempo de estimulação, estágio de lactação e pelo tempo entre a primeira estimulação e a colocação do conjunto de teteiras.
Diversos estudos realizados nos últimos trinta anos indicam que um período de 20 segundos de estimulação e até 60 segundos para a fixação do conjunto de teteiras reduz o tempo de ordenha, pois eleva a taxa de liberação do leite. Em um estudo realizado em 2005 por um grupo de pesquisadores alemães foi descoberto que é benéfica a diminuição do tempo de estimulação para vacas com alto grau de enchimento do úbere, e o aumento do tempo de estimulação para vacas com baixo grau de enchimento. O maior enchimento do úbere ocorre em vacas que são estimuladas mais facilmente (por exemplo, por estímulo visual ou auditivo), liberando o leite dos alvéolos para a cisterna do úbere mais rapidamente. A diminuição do tempo total de ordenha aumenta o número de vacas ordenhadas por unidade de tempo, o que resulta em aumento do retorno do investimento nas instalações de ordenha.
Recentemente, pesquisadores americanos utilizaram 786 vacas Holandesas de alta produção para avaliar o efeito da rotina pré-ordenha sobre a produção de leite, o tempo de ordenha e o fluxo de leite retirado da glândula mamária (kg de leite/minuto). As vacas foram divididas em dois grupos: a) vacas no início e meio de lactação (entre 17 e 167 dias em lactação) e b) vacas no final da lactação (entre 174 e 428 dias em lactação). Neste experimento foram analisadas duas formas de estimulação (pré-dipping + secagem dos tetos ou pré-dipping + teste da caneca de fundo preto + secagem dos tetos) e cinco tempos (0; 60; 90; 120 e 240 segundos) entre a estimulação do úbere e a colocação do conjunto de teteiras. Todos os resultados obtidos foram comparados com o manejo pré-ordenha padrão: pré-dipping + teste da caneca de fundo preto + secagem do tetos (período de 90 segundos entre a primeira estimulação e a colocação do conjunto de teteiras).
Os resultados indicaram que nas vacas em início de lactação, a produção de leite foi menor para os tempos de estimulação de 0 e 240 segundos. Já para as vacas em final de lactação, o tempo de estimulação não influenciou a produção de leite. Foi observado menor tempo total de ordenha nas vacas no final da lactação que foram submetidas ao manejo pré-ordenha padrão. No entanto, não houve diferença para tempos de estimulação de 120 e 240 segundos. Já para as vacas em início de lactação não houve diferença do período de estimulação sobre o tempo de ordenha.
De forma geral, vacas submetidas a um período maior de estimulação (pré-dipping + teste da caneca + secagem) apresentaram menor tempo de ordenha e maior fluxo de leite durante a ordenha. Períodos de estimulação pré-ordenha superiores a 60 segundos para vacas no final da lactação apresentaram efeito benéfico para a eficiência de ordenha, pois aumentaram o fluxo do leite e diminuíram o tempo total de ordenha.
Dessa forma, é importante que seja feito um adequado manejo pré-ordenha, o que inclui a higienização dos tetos (sanitização e secagem) e teste da caneca de fundo preto, para que ocorra boa estimulação da glândula mamária e maximização da produção de leite e aumento da eficiência da ordenha.


Fontes: Watters, et al. Journal of Dairy Science, v.95, n.3, p.1170-1176, 2012; Weiss, D.; Bruckmaier, R.M. Journal of Dairy Science, v.88, n.1, p.137-147, 2005.

*Susana Nori de Macedo é zootecnista e aluna de pós-graduação em Nutrição e Produção Animal da FMVZ-USP.


MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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LUISGONZAGA ALMEIDA

CONCHAS - SÃO PAULO

EM 11/09/2019

Bom dia, estou com problemas com o C B T ,sendo que é minha esposa que faz o pré dip e o pós dip, e diga de passagem com muita calma, mas desta vez dobrou o valor, trabalho com quinze vacas e faço duas ordenhas diárias as maquinas são lavadas com água a 70 graus,
e usamos Diprol e uma vez por semana o Diprol com ácido
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/05/2013

Prezado Marcos, em termos nutricionais (eficiência de uso da dieta) é preferível oferecer uma dieta completa, na qual o concentrado e o volumoso são oferecidos misturados. Deste ponto de vista, é melhor não oferecer ração durante a ordenha. Por outro lado, o uso de ração na ordenha para vacas mestiças pode facilitar o manejo e manter os animais mais calmos, principalmente se já forem acostumados.

Atenciosamente, Marcos Veiga
VALDEIR FERREIRA

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS

EM 10/07/2019

Legal a resposta, mas desde que separa o lote né vaca produzindo mais ganhará mais ração né o 3 por 1 né 3 l de leite e um quilo de ração.
MARCOS NUNES

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/05/2013

Prezados,
Gostaria de saber se realmente tem que colocar ração para as vacas quando esta fazendo a ordenha! Obrigado
monbrasa@hotmail.com
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/08/2012

Nivia, considerando a situação que você descreveu, o mais recomendado seria uma assistência técnica de um veterinário que possa acompanhar in loco os animais e verificar possívels medidas. Uma possível alternativa seria fazer um período de transição do sistema com fornecimento de ração na ordenha para o novo sistema sem ração.

Atenciosamente, Marcos Veiga
NIVIA CHACARA

IBIRAPUÃ - BAHIA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/08/2012

Professor,
Estou tendo dificuldades em minha propriedade por conta da mudança do manejo, antes tínhamos uma ordenha balde ao pé (canzil) fornecíamos ração durante a ordenha dai fizemos uma mudança para ordenha canalizada (fosso) e devido a questão de otimização do tempo, suspendemos o fornecimento de ração durante a ordenha, houve uma queda bastante significativa na produção do leite e alguns animais só passaram a produzir após a aplicação de oxitocina, o meu rebanho é jersey e alguns animais 3/4 holandês, para minha surpresa com os animais da raça jersey a complicação está sendo maior. Hoje estou com 25 dias com esta mudança, alguma sugestão para que eu possa melhorar ?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/08/2012

Prezado Moyses, as informações do artigo são referentes a ocitocina endógena. Na minha opinião o uso de ocitocina exógena tem outro enfoque e as informações não seriam as mesmas.

Atenciosamente, Marcos Veiga
MOYSES BOSSI LIMA

CARLOS CHAGAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2012

Caro Marcos Veiga e Susana Nori,

quando utilizamos ocitocina exógena para descida do leite, é possível fazer uma analogia
com o tempo de estimulação , o tempo de aplicação da droga e a colocaçaõ do conjunto de teteiras?
JOSE ANTONIO DE SOUSA

LAJINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2012

Bom dia professor, muito boa matéria com certeza nos ajudará bastante, mas eu gostaria
de lembrar , que a regulagem do equipamento de ordenha, e muito importante, no mínimo
de 4 em 4 meses , fazer uma revisão geral em toda as partes da maquina .
E não esquecer uma ferramenta ruim atrapalha toda serviço.
Um grande abraço!!!
REDIN, OSMAR

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 23/08/2012

Marcos e Susana, parabéns pela excelente didática na explicação da importância da fase de preparação da vaca para uma adequada e completa ordenha.
FELICIANO JOSE PONTES BARCELOS

SÃO FIDÉLIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2012

Boa matéria , Parabéns Marcos.
ALEXANDRE BENVINDO FERNANDES

RIO BRANCO - ACRE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/08/2012

Espetacular matéria. Muitos produtores e até mesmo técnicos não compreendem tal manejo e acabam descartando vacas que "não" são boas de leite, pois acabam não sabendo maneja-las.
Parabéns Marcos Veiga Santos.