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Vacas anovulares: etiologia, fatores de risco e manejo - Parte 2

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 16/11/2010

4 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte da palestra apresentada por José Eduardo Portela Santos, no XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2010.

Para ler a primeira parte do artigo, clique aqui.

Diagnóstico de Vacas Anovulares

O diagnóstico de vacas cíclicas se dá pela detecção de um corpo lúteo (CL) ativo em um dos ovários ou então pela mensuração de progesterona no sangue como indício de atividade lútea. Quando se faz uso de ultrassonografia, é verdade que nem todo CL visualizado pelo ultrassom reflete em concentrações luteais de progesterona (Bicalho et al., 2008). Obviamente, diferentes grupos de animais têm características ovarianas distintas, principalmente o tamanho do folículo ovulatório e o tamanho do CL. Para vacas de leite de alta produção, o diâmetro do CL que resultou em melhor sensibilidade e especificidade para detecção de progesterona no sangue > 1 ng/mL foi de 23 mm de diâmetro.

Outra possibilidade para o diagnóstico de vacas cíclicas é a coleta de sangue e análise da concentração sérica ou plasmática de progesterona. Obviamente, isso é um pouco mais difícil de ser realizado já que requer recursos laboratoriais para mensuração de progesterona. Geralmente, essa técnica é utilizada em estudos experimentais. Do ponto de vista prático, o uso da ultrassonografia é, provavelmente, a maneira mais rápida e eficaz para o diagnóstico da prevalência da atividade cíclica ovariana. A palpação transretal dos ovários é desencorajada já que a habilidade da detecção de um CL ativo é relativamente baixa, mesmo para os veterinários mais experientes. De maneira geral, a sensibilidade e especificidade da palpação transretal é inferior a 60%. Ou seja, de cada 10 vacas com um CL ativo, apenas 6 são diagnosticadas como cíclicas. Da mesma forma, de cada 10 vacas com ovários sem CL, 4 são diagnosticadas como tendo um CL.

Há períodos no ciclo estral que mesmo a vaca cíclica não terá um CL ativo. É por isso que é recomendado a realização de dois exames seguidos para o diagnóstico de vacas anovulares. O ideal é que esses exames sejam feitos com intervalo mínimo de 7 dias e máximo de 14 dias. Caso contrário, é possível que vá se subestimar a prevalência de vacas anovulatórias no rebanho. Uma alternativa prática é a realização de um único exame em momento estratégico. Em rebanhos que utilizam programas de sincronização de cio ou ovulação, o ideal é realizar o exame no dia do início do programa de sincronização. Em rebanhos onde se utiliza programas de pre-sincronização do ciclo estral com PGF2alfa seguidos de um protocolo de sincronização de ovulação, o dia do primeiro tratamento do protocolo de sincronização é o momento ideal para o diagnóstico de vacas anovulares (Tabela 1). Isso pode ser facilmente incorporado em programas reprodutivos quando se faz visitas semanais ou a cada duas semanas.

Tabela 1. Avaliação do teste para diagnóstico de ciclicidade em vacas leiteiras utilizando um único exame ultrassonográfico (Adaptado de Silva et al., 2007)


¹ Proporção das vacas anovulares corretamente detectadas via ultrassonografia.
² Proporção das vacas cíclicas corretamente detectadas via ultrassonografia.
³ Valor preditivo positivo = probabilidade de que a vaca seja anovular dado que o ultrassom indicou que ela é anovular
 Valor preditivo negativo = probabilidade de que a vaca não seja anovular dado que o ultrassom indicou que a vaca não é anovular.
 Proporção de vacas cuja atividade cíclica foi corretamente diagnosticada com o uso do ultrassom

Prevalência de Vacas Anovulares em Rebanhos Leiteiros e Fatores de Risco

A prevalência de vacas anovulares em rebanhos leiteiros depende de uma série de fatores, um deles sendo o intervalo pós-parto de quando se faz o diagnóstico. De maneira geral, quanto mais cedo em relação ao parto ele é feito, maior será a prevalência de vacas anovulares. Walsh e colaboradores (2007) avaliaram a prevalência de vacas anovulares em 18 rebanhos canadenses usando a concentração de progesterona no leite ao redor dos 60 dias pós-parto e observaram que entre rebanhos, a prevalência variou de 5 a 45% (Figura 1). Santos et al. (2009) avaliaram a prevalência de vacas anovulares aos 65 dias pós-parto em 4 rebanhos leiteiros e observaram que das 6.396 vacas amostradas, 24,1% foram classificada como anovulares, e entre os rebanhos, a prevalência variou de 18,6 até 41,2%.

Vários são os fatores de risco para vacas anovulares além de rebanho, podemos inclui-se o número de lactações, sendo que primíparas tem maior chance de apresentar atraso no retorno da atividade cíclica que multíparas, vacas com baixa condição corporal ao parto ou aos 65 dias pós-parto, vacas que perdem mais condição corporal, aquelas que parem no inverno, e as que produzem menos leite dentro de um mesmo rebanho (Tabela 2).

Figura 1. Prevalência de vacas anovulares em 18 rebanhos canadenses (Walsh et al. 2007)



Tabela 2. Fatores de risco para o retorno da atividade cíclica aos 65 dias pós-parto em vacas de alta produção (Santos et al., 2009)


¹ IC = interval de confiança.
² ECC = escore de condição corporal. Mudança do parto aos 65 dias pós-parto.
³ Produção de leite nos primeiros 90 d pós-parto classificada em quartilhos de acordo com a lactação. O valor médio para cada quartilho é indicado na tabela.

Em estudo recente foi avaliado a prevalência de vacas anovulares em dois rebanhos em sistema de pastejo que era composto de vacas das raças Holandesas (n=451), Jersey (n=183) e cruzadas de Holandês com Jersey (n=602) (Ribeiro et al., 2009). A prevalência foi maior (P < 0,001) em vacas da raça Holandesa (31,7%) que em vacas das raças Jersey (17,5%) e cruzadas (15,8%). É bem provável que em sistemas de pastejo, onde a disponibilidade de alimento é mais limitada que em sistemas de confinamento, os animais de maior porte e de maior exigência de manutenção e maior potencial de produção de leite terão retorno à atividade cíclica mais atrasada.

Walsh et al. (2007) demonstraram que vacas que apresentaram dificuldade de parto, partos gemelares, retenção de placenta, deslocamento de abomaso e foram diagnosticadas como mancas nos primeiros 66 dias pós-parto tiveram o risco de atraso no retorno a atividade ovariana cíclica. Isso indica que tudo aquilo que afeta a saúde da vaca e interfere com sua capacidade de ingestão de alimento pode atrasar a primeira ovulação pós-parto e, consequentemente comprometer o desempenho reprodutivo do rebanho.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/11/2010

Prezado Ronaldo, como vai?
A grande vantagem do Ultrassom é a possibilidade do diagnóstico precoce da vaca vazia, e se junto desse diagnóstico for tomada uma medida que permita que a vaca seja re-inseminada o mais rápido possível, isso tem valor para a fazenda leiteira, e os técnicos e produtores que entedem isso, acham o ultrassom indispensável.
Até mais,
Ricarda.
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 20/11/2010

Saudações Dr. Ricarda Maria dos Santos!

Interessante os dados apresentados no artigo.
Qual a sua opinião sobre a utilização do ultra-som
na assistência técnica para pequenos produtores de
leite. Uma vez, que o Médico Veterinário terá que
fazer um investimento alto inicialmente para fornecer
essa tecnologia. Será que esse mercado comporta?

Atenciosamente,

____________________________________________________________
(34) 9932-9140 - Ronaldo Mendonça dos Santos

Colaborador: www.embryosys.com.br bovine reproduction
MilkPoint AgriPoint