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Mérito genético para fertilidade influencia puberdade em novilhas

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 18/05/2021

6 MIN DE LEITURA

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Tanto o desempenho reprodutivo fenotípico quanto o mérito genético para as características de fertilidade de vacas leiteiras lactantes estavam em declínio antes dos anos 2000 (Berry et al., 2014; Pryce et al., 2014).

Esse declínio levou muitas organizações de genéticas leiteiras a alterar objetivos dos cruzamentos para incluir as características de fertilidade (Miglior, 2002; Miglior et al., 2005; Harris et al., 2006; Egger-Danner et al., 2015).

Como resultado, o mérito genético das características de fertilidade vem melhorando, com ganhos anuais modestos estimados em <0,2 pontos porcento (Pryce et al., 2014).

Sob avaliação genética tradicional baseada em pedigree, a taxa de ganho genético na fertilidade pode ser acelerada pelo aumento da acurácia e volume de dados fenotípicos, bem pelo encontro de novas características genéticas e que possam ser avaliadas mais cedo na progênie dos touros.

Oportunidades como aumento da acurácia para características existentes podem ser implementadas rapidamente, mas prometem apenas ganhos modestos. Enquanto, a incorporação de novas características de fertilidade que possam ser avaliados precocemente ou que tenham uma herdabilidade maior podem produzir ganhos maiores (Berry et al., 2014; Carthy et al., 2014; Bowley et al., 2015; Jenkins et al., 2016).

Por estas razões, o interesse na avaliação de novas características de fertilidade como a retomada da ciclicidade pós-parto, comportamento de estros e a perda de gestação está aumentando (Petersson et al., 2007; Bamber et al., 2009; Berry et al., 2014; Fleming et al., 2015; Lucy, 2019).

Essas novas medidas podem ser a próxima geração de características genéticas que vão aumentar o ganho na fertilidade, levando a melhorias no desempenho reprodutivo das vacas.

Uma característica que seria uma forte candidata para ser incluída na seleção para aumentar a taxa de ganho genético da fertilidade, deveria ser determinada mais cedo e ter herdabilidade maior do que as usadas atualmente, e ser positivamente correlacionado com as principais características que estão sendo selecionados, como a taxa de prenhez.

Características de interesse podem incluir a idade na puberdade e taxa de prenhez das novilhas. Essas características são medidas mais cedo do que características relacionadas ao parto e tem maior herdabilidade do que características reprodutivas tradicionais avaliadas após o parto (Morris et al., 2000, 2011).

Adicionalmente correlações fenotípicas e genéticas entre características da novilha e a fertilidade subsequente sugerem que as novilhas que parem mais cedo têm melhor fertilidade quanto vacas (Pryce et al., 2007; Tiezzi et al., 2012), indicando que a seleção para características de fertilidade da novilha poderia resultar em melhor fertilidade da vaca. Porém os dados ainda são controversos.

Wathes et al. (2014) identificaram uma relação positiva entre o desempenho reprodutivo da novilha (por exemplo, idade ao primeiro parto) e subsequente intervalo de parto. No entanto, outros estudos relataram fraca ou nenhuma associação genética ou fenotípica entre a fertilidade novilhas e vacas (Raheja et al., 1989; Mion et al., 2019).

Baseado nesses dados, este estudo investigou a hipótese de que as novilhas leiterias com mérito genético divergentes para as características de fertilidade diferem na idade a puberdade e no desempenho reprodutivo.

O estudo foi desenvolvido na Nova Zelândia, e a medida de fertilidade utilizada foi o FertBV, que é a proporção de filhas de um touro que parem nos primeiros 42 dias do período de parto sazonal.

Foi utilizado o banco de dados dos rebanhos leiteiros da Nova Zelândia para identificar e selecionar fêmeas Holandesas com FertBV positivo (POS, +5 FertBV, n = 1.334) ou FertBV negativo (NEG, −5% FertBV, n = 1.662) para serem inseminadas com sêmen de touros POS ou NEG para FertBV, respectivamente.

O resultado esperado era a produção de novilhas POS ou NEG com uma diferença na média FertBV de 10%.

Entraram no estudo 640 bezerras (POS, n = 324; e NEG, n = 316) com 9 ± 5,4 dias de para bezerras POS e 8 ± 4,4 dias para as bezerras NEG.

Destas, 275 novilhas POS e 248 NEG tiveram verificação de DNA para confirmar a filiação e foram retidas para estudos futuros. A média FertBV foi de +5,0% (SD = 0,74) e −5,1% (SD = 1,36) para grupos POS e NEG, respectivamente.

As novilhas foram criadas inicialmente em bezerreiro até aproximadamente 13 semanas de vida e depois sob pastejo, das 13 até as 22 semanas de vida.

Todas as novilhas usavam colar com sensor de atividade para monitorar os eventos de estros a partir de 8 meses de idade, e amostras de sangue semanais eram coletadas quando a novilha atingia 190 kg de peso corpo.ral para dosagem das concentrações plasmáticas de progesterona.

A puberdade foi caracterizada pela concentração plasmática de progesterona >1 ng/mL em pelo menos 2 de 3 semanas consecutivas. A data da puberdade foi definida quando a primeira dessas amostras foi >1 ng/mL.

Novilhas foram submetidas a estação de monta sazonal de 98 dias, com aproximadamente aos 14 meses de idade. Exame de ultrassom transretal foi usado para confirmar a gestação e combinado com dados de atividade de cio para estimar data da cobertura e da concepção.

O peso corporal foi avaliado a cada 2 semanas, e condição corporal e estatura com 6, 9, 12, e 15 meses de idade. Foi detectada significativa interação FertBV para peso corporal ao longo do tempo, novilhas NEG tinham cada vez maior peso com o aumento da idade. Essa diferença foi reflexo da interação de FertBV com mês para ganho de peso diário médio, com as novilhas NEG tendo um maior ganho diário médio entre 9 e 18 meses de idade.

Não foi detectada diferença na estatura entre as novilhas POS e NEG. As novilhas POS eram mais jovens e mais leve na puberdade, e estavam com um peso corporal menos maduro, comparado com as novilhas NEG.

Como resultado, 94 ± 1,6% das POS e 82 ± 3,2% das novilhas NEG atingiram a puberdade no início da estação reprodutiva reprodução.

As novilhas POS eram 20% e 11% mais propensas a estarem gestantes depois 21 e 42 dias da estação de monta, do que as novilhas NEG (risco relativo = 1,20, intervalo de confiança de 95% de 1,03-1,34; risco relativo = 1,11, intervalo de confiança de 95% de 1,01-1,16).

No presente estudo, foi demonstrado que a seleção genética para o extremo positivo (+5) de fertilidade com base na característica FertBV do rebanho Holandês da Nova Zelândia irá produzir novilhas que atingem a puberdade mais cedo, e com maiores taxas de prenhez durante sua primeira estação de monta. Esse efeito é independente das taxas de crescimento da novilha.

Esses resultados indicam que a puberdade da novilha e a taxa de prenhez são potenciais características preditoras mais precoces do que as características de fertilidade da vaca usadas atualmente.

Além disso, entender como seleção para mérito genético para características de fertilidade alterou os mecanismos fisiológicos e genéticos que controlam a puberdade pode fornecer adicionais indicadores precoces para a subsequente fertilidade de vaca.

Estimativas de sobrevivência do risco proporcional de Cox para o modelo de idade (P < 0,001) estimada (%) na puberdade (P < 0,001) de novilhas com mérito genético positivo (linha sólida) e negativo (linha tracejada) para a característica de fertilidade FertBV. As linhas pontilhadas representam a IC 95%.

Estimativas de sobrevivência do modelo de risco proporcional COX de tempo para concepção (P = 0,001) de novilhas com mérito genético positivo (linha sólida) e negativo (linha tracejada) para a característica de fertilidade FertBV. As linhas pontilhadas representam a IC 95%.

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Este texto é parte do artigo: Heifers with positive genetic merit for fertility traits reach puberty earlier and have a greater pregnancy rate than heifers with negative genetic merit for fertility traits. Meier, et al., J. Dairy Sci. 104 https://doi.org/10.3168/jds.2020-19155

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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