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Associação entre atraso na cura clínica de metrite e descarte em vacas leiteiras

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 07/07/2020

3 MIN DE LEITURA

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A metrite puerperal aguda é caracterizada por uma inflamação severa que envolve todas as camadas do útero (endométrio, submucosa, muscular e serosa) dentro dos primeiros dez dias após o parto, levando ao comprometimento sistêmico do animal. Dentre os sinais clínicos da metrite pode-se citar a ocorrência de febre alta (> 39,5°C), depressão, inapetência e a presença de descarga uterina aquosa e fétida de coloração marrom-avermelhada pela vulva, e, geralmente, está associada ao atraso na involução uterina. As vacas que apresentam, dentro dos primeiros 21 dias de pós-parto (DPP) o útero distendido com volume anormal acompanhado por descarga uterina purulenta exteriorizada pela vagina sem, no entanto, apresentar sinais sistêmicos de doença e na ausência de febre são consideradas com metrite clínica.

A ocorrência de retenção de placenta é um fator predisponente para a metrite. Resultados de pesquisas relatam que, em geral, cerca de 25 a 50% das vacas com retenção desenvolvem metrite no período pós-parto. Outros fatores tais como a ocorrência de partos distócicos e/ou gemelares, bezerros natimortos, aborto e prolapso uterino são considerados desencadeadores da metrite.

Os principais impactos das doenças uterinas sobre a lucratividade da atividade leiteira estão relacionados ao prolongamento do intervalo do parto até a ocorrência da gestação subsequente e ao descarte prematuro de vacas por estas não se tornarem gestantes durante a lactação. Entre outros prejuízos associados à ocorrência de doenças uterinas, destaca-se a redução na ingestão de alimentos pelas vacas doentes que, consequentemente, leva à perda de escore de condição corporal (ECC) que resulta em uma considerável diminuição na produção de leite. Esses prejuízos podem ser ainda maiores em fazendas leiteiras onde há alta incidência de infecções uterinas, considerando o aumento dos custos com medicamentos utilizados no tratamento das infecções, além do fato de que as doenças uterinas comprometem a saúde, o bem-estar e a produtividade das vacas acometidas.

Os objetivos desse estudo foram avaliar o risco e o tempo de descarte associados ao atraso da cura clínica da metrite em vacas leiteiras. Foram compilados dados de 4 experimentos realizados entre 2012 e 2018 em 6 rebanhos da Flórida.

O dispositivo metricheck foi utilizado para avaliar a descarga vaginal (DV) até 21 DPP. A DV foi classificada como: 1 = muco claro; 2 = muco com poucas manchas de pus; 3 = muco com < 50% de pus; 4 = muco com ≥ 50% de pus; 5 = secreção aquosa, fétida, avermelhada-marrom. Vacas com DV = 5 foram consideradas como casos positivos de metrite. As vacas diagnosticadas com metrite (d 0) foram tratadas com ampicilina ou 2 formulações de ceftiofur e seus dados foram pareados com as vacas contemporâneas sem metrite (SemMet; n = 2.906) com base na data de parto e ordem de lactação.

As vacas previamente diagnosticadas com metrite que apresentavam DV < 5 onze dias após o tratamento foram classificadas como curadas (MetCur; n = 1.136) e aquelas com DV = 5 foram classificadas como não curadas (MetNCur; n = 279).

O risco de descarte até 300 dias em lactação (DEL) foi analisado por regressão logística. O risco de descarte entre 60 e 300 DEL foi avaliado pelos modelos de risco proporcional (Cox's proportional hazard). O método Tukey foi usado para comparação múltipla.

O risco de descarte em 300 DEL foi maior (P < 0,02) para o grupo MetNCur (22,4%) em comparação com SemMet (14,3%) ou MetCur (15,6%). O risco de descarte até 60 DEL também foi maior (P ≤ 0,001) para vacas do grupo MetNCur em comparação com MetCur ou SemMet, enquanto não houve diferença (P = 0,30) entre os grupos MetCur e SemMet. Para as vacas descartadas até 60 DEL, os intervalos médios para descarte foram de 54,1 ± 0,6 dias para o grupo MetNCur, 58,7 ± 0,2 dias para MetCur e 58,7 ± 01 dias para SemMet. Já para as vacas descartadas até 300 DEL, os dias médios para o descarte foram de 249,3 ± 5,7 dias para o grupo MetNCur, 271,5 ± 2,1 dias para MetCur e 274,8 ± 1,3 para SemMet.

O atraso na cura clínica da metrite aumenta as chances de descarte da vaca na fase inicial (até 60 DEL) e tardia da lactação (até 300 DEL) em comparação com as vacas que apresentaram a cura clínica da metrite dentro de 10 dias após o tratamento. Estes resultados mostram a necessidade de mais estudos para determinar os fatores relacionados com as falhas na cura da metrite e desenvolvimento de protocolos de tratamento mais eficientes.

Esses dados foram apresentados na Reunião Virtual da Sociedade Americana de Vacas de leite em 2020 (ADSA Virtual Annual Meeting 2020), pelo Caio Cesar Figueiredo, aluno de doutorado da Universidade da Flórida (Resumo 275).

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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