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Vale a pena ler de novo: Práticas de manejo para animais recém adquiridos

POR MARIA ANGELA FERNANDES

E CARINA BARROS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/08/2013

3 MIN DE LEITURA

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Todos os animais recém adquiridos de outras propriedades ou regiões (compra ou empréstimo) e que retornarem de feiras, leilões deverão ser mantidos em observação por um período de 30 a 60 dias, em uma instalação isolada aos demais animais da propriedade (quarentenário), antes de serem introduzidos no rebanho. Essa instalação utilizada como quarentenário pode ser um piquete, uma baia ou um aprisco.

A quarentena é uma medida preventiva que tem como principal objetivo conhecer o estado sanitário dos animais que estão sendo introduzidos na propriedade e certificar-se de que os mesmos são ou não portadores de doenças. Além disso, a quarentena também serve para adaptação gradativa dos animais ao novo ambiente, alimentação e ao manejo da propriedade.

Após a chegada na propriedade, encaminhe os animais para o quarentenário; forneça alimento e água limpa e fresca. O transporte de uma propriedade para outra é cansativo e pode causar bastante estresse nos animais. Por isso, deixe-os descansar antes de realizar a primeira inspeção. Por exemplo, se os animais chegaram de manhã na propriedade, deixe para examiná-los de tarde, e caso tenham chegado de tarde, examine-os na manhã do dia seguinte. Lembre-se de que os animais não estão acostumados à dieta da propriedade e a adaptação deve ser gradativa, principalmente para os alimentos concentrados.

A primeira avaliação dos animais deverá ser realizada por meio de uma inspeção visual geral do animal ou lote em quarentena. Observe se algum animal apresenta alteração de comportamento: isolamento, dificuldade de locomoção, coceira (piolho, sarna), alteração de postura, entre outros.

É importante salientarmos que a pessoa que irá realizar essa inspeção no lote jamais conseguirá identificar um animal doente se não conhecer um animal sadio!

O próximo passo é avaliar cada animal individualmente. O ideal é que essa inspeção individual dos animais seja acompanhada por um médico veterinário que realmente conheça a espécie. Cada animal deve ser contido individualmente e avaliado quanto aos principais parâmetros relacionados com o estado de saúde dos animais:

Condição corporal


Palpação da região lombar com as duas mãos

Boca e dentes


Avaliação dos dentes

Cascos


Avaliação dos cascos (crescimento, lesões, foot rot) e casqueamento quando necessário

Úbere


Avaliação do úbere e dos tetos: consistência, volume, presença de nódulos, abscesso e lesões

Aspecto da lã/pêlo (devem ser sedosos e brilhantes)

Testículos (consistência, tamanho, simetria)

Linfonodos (abscessos, aumento de volume)

Presença de secreção ocular e nasal


Cabra com secreção nasal

Mucosas (icterícia, anemia ou hiperemia)


Avaliação da mucosa ocular


Avaliação da mucosa: (A) ictérica e (B) anêmica.

Aspecto das fezes (consistência); entre outros


Cabrito com diarreia.

Durante o transporte os animais podem sofrer lesões, traumas e fraturas, por isso, é muito importante realizar uma boa avaliação da cabeça, dos membros e de todo o corpo do animal. Atenção para lesões, arranhões, esfolamentos e cortes que podem ser portas abertas para entrada de bactérias e desenvolvimento de miíase! Os animais também devem estar livres de ectoparasitas: pediculose (piolho), sarna ou miíase (bicheira).


Sarna: (a) caprino da raça Boer, (b) com prurido intenso; (c, e) lesões crostosas, com eritema e espessamento da pele; (d) acometimento da face ventral do abdômen e membros.

Sempre que possível, adquira animais de criatórios idôneos, de elevado estado de saúde e acompanhados de atestados de vacinas e certificados negativos baseados em exames laboratoriais de algumas enfermidades como Brucelose, Leptospirose e Artrite Encefalite dos Caprinos (CAE).

A maioria das enfermidades que acometem os caprinos e ovinos apresenta um período de incubação curto o suficiente para que sejam diagnosticadas, tratadas ou prevenidas durante a quarentena, porém algumas delas podem se manifestar somente alguns meses ou até anos após a introdução do animal infectado.

Recomendamos a realização de exames de fezes para avaliação da carga parasitária e desverminação dos animais - quando necessário - antes da introdução no rebanho. É importante que todos os animais recém-adquiridos sejam imunizados com as vacinas que são utilizadas na propriedade.

Lembre-se que a quarentena é uma ferramenta muito importante que deve ser utilizada pelo produtor para minimizar os riscos de introdução no rebanho de novas doenças, formas diferentes da mesma doença ou cepas resistentes.

MARIA ANGELA FERNANDES

Médica Veterinária pela UFPR
Doutoranda do Programa de Ciências Veterinárias da UFPR
Integrante do LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

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MATEUS OLIMPIO

EM 29/05/2018

Amei! Fiz meu? primeiro seminário sobre o tema ultilizando as informações do site. No final, coloquei a referência do endereço. Gostei muito dá explicação oferecida pelo MilkPoint.
RENATO AUGUSTO BENEVIDES MACHADO

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ESPÍRITO SANTO

EM 25/10/2013

sao individuos que agem de ma fe que trazem animais em pessimas condiçoes assim que eu adquiri  um macho e dez femes 1\2 santa ines xdorper que estavam pessimas , magerrimas , cascos podres , bicheira nas orelhas no local do brinco , sarna , anemicas para poder trata-las com ajuda  da veterinaria e sua orientação e no fim um ano depois numa visita posterior ele me perguntou se eu tinha dado fermento para elas porem todas ficaram inferteis
ADÃO RAIMUNDO DA CUNHA

EM 02/09/2013

Muito bom. è sempre bom ver indicações de manejo.
CARLOS ALBERTO BRASILINO DA SILVA

ARACAJU - SERGIPE - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 16/11/2011

Quem sabe bastante(tudo é impossível) é muito bom que passe as experiências para os outros. Só temos a agradecer tanta colaboração.
FRANCISCO BARROSO

RIO BRANCO - ACRE

EM 30/08/2011

ola , como fasso para conseguir  essa tabela (famacha)?
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 11/05/2011

É bom lembrar que junto com o animal vem o verme, que pode ser resistente ao vermífugo normalmente utilizado na propriedade. Então, é importante que o produtor pegunte a quem está vendendo os animais sobre o histórico do controle da verminose: se utiliza o método Famacha; se o vermífugo que utiliza é eficaz, e qual é o vermífugo  que tem utilizado na propriedade de origem.

De preferência, os animais devem ser vermifugados antes de viajarem, porque a viagem, por menor que seja, é muito estressante, e aumenta muito a postura de ovos de vermes nas fezes (há aumento do OPG).

Como muito bem dito pela Carina, os animais não devem ser "mexidos" logo que chegam à propriedade, mas durante o período da quarentena, devem ser avaliados quanto ao número de ovos de vermes nas fezes (exame de OPG), e vermifugados, E ESSA VERMIFUGAÇÃO DEVE SER CHECADA, isto é, deve-se verificar se o vermífugo diminuiu, de fato, o número de ovos nas fezes (atenção ao problema da resistência!).

Por otutro lado, se o produtor tem em seu rebanho uma cepa de verme multirresistente (resistente a tudo quanto é vermífugo), e comprou um animal proveniente de uma propriedade que não utiliza muito vermífugo (usa o método Famacha, por exemplo), pode optar em não vermifugar esse(s) animais para que eles espalhem esse(s) verme(s) que poderá(ão) ser ainda suscetível a algum vermífugo.

Parabéns pelo artigo! Muitos produtores começam mal uma criação por que compram animais com problemas sanitários, e o artigo foi muito esclarecedor.

As doenças mais comuns adquiridas em animais comprados em ovinos são o footrot (podridão dos cascos) e a mastite.



Cecília José Veríssimo

Pesquisadora do IZ, Nova Odessa, SP
CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/05/2011

Prezados, ficamos muito contentes em contribuir com o negócio de vocês e saber que os produtores vem pesquisando e estudando cada vez mais, isso é ótimo. Não deixem de ler também os artigos de gereciamento. Carina Barros
VALDEMAR SILVA

ÁGUAS MORNAS - SANTA CATARINA

EM 06/05/2011

Tenho um sitio e quero criar ovelhas.

Estou pesquisando e sua materia foi muito esclarecedora.

obrigado
VALDEMAR SILVA

ÁGUAS MORNAS - SANTA CATARINA

EM 06/05/2011

Muitoobrigado.

Voce me ajuda a tomar decisoes mportantes.
REJANE PEREIRA CASTRO

ARARUAMA - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/05/2011

Estes pequenos artigos ajudam bastante para pequeno criadores como eu. Conteúdo pequeno, simples e objetivo.

Está de parabéns doutora Carina Barros.



Abraços.
JULIO PEREIRA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 03/05/2011



Estas informações são muito importante para os criadores, porem os pequenos criadores estão totalmente desprotegido , pois não tem uma assistência veterinária adequada para orientar os mesmos para  que tenha um criatorio adequado.