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Vacinação: uma estratégia essencial

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/02/2003

6 MIN DE LEITURA

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Todos os rebanhos que obtêm sucesso no manejo dispensam grande atenção para o status de saúde de seus animais. Obviamente, um animal produtivo é um animal saudável. O caminho para a obtenção de um rebanho saudável passa pela erradicação de doenças e pelo controle e monitoramento de todos os novos animais introduzidos no rebanho.

Um importante fundamento para um manejo de sucesso é a realização de um efetivo programa de vacinação. A prática da vacinação contra doenças infecciosas vem sendo efetuada a mais de 200 anos e tem contribuído para redução das infecções virais e bacterianas e das despesas econômicas advindas destas doenças, mais do que qualquer outra intervenção profilática e terapêutica. Todavia, mesmo com este proeminente auxílio no controle, as enfermidades continuam a representar uma grande fonte de despesas econômicas em todas as partes do mundo. E estas perdas econômicas não estão restritas apenas à queda na produtividade, elas envolvem também a perda de animais, custos com tratamento, restrições no manejo e os cuidados dispensados para evitar a transmissão da doença através de indivíduos e até mesmo dos produtos. Recentemente, o caso da Inglaterra com a febre aftosa foi um importante exemplo de que a doença não afeta somente os fatos relativos ao rebanho, mas também as exportações, o turismo, etc.

O princípio básico de um programa de vacinação é expor o animal a um antígeno de uma determinada doença, no intuito que ele desenvolva uma resposta imune a este tipo de antígeno, para que quando ele seja novamente desafiado pela mesma doença, o organismo seja capaz de responder rapidamente ao agente invasor, impedindo a ocorrência da enfermidade. Em outras palavras, a vacina prepara o sistema imune a desenvolver uma rápida resposta para o próximo encontro com um determinado patógeno.

Para imunizar devidamente os animais vários pontos devem ser atentamente monitorados, estando a garantia de bons resultados na execução cautelosa de cada item. Um importante ponto a ser abordado é a via de administração da vacina. Com o objetivo de reduzir as reações no local da aplicação muitas vacinas têm sido aplicadas via subcutânea. Mas isso não é uma regra, sendo sempre importante seguir a via de administração indicada na bula da vacina. O intervalo de tempo para que ocorra a revacinação (booster) é um outro tema que sempre merece atenção. A dose de reforço, quando necessária e prescrita pelo fabricante, não deve ser realizada menos de 2 semanas e mais de 8 semanas após a dose inicial. Em geral, o "booster" deve ser administrado 3 a 4 semanas após a dose inicial para se obter a resposta esperada, ou seja, um aumento maciço da resposta de anticorpos após a primovacinação. Anote sempre a marca e número do lote da vacina aplicada, para consulta em caso de problemas futuros. É sabido que o estresse diminui a eficácia da resposta imune, por isso o desmame, transportes, a descorna, etc., devem ser evitados na época da vacinação

Na realização de um efetivo programa de vacinação é importante considerar a faixa etária dos animais, já que existem diferentes tipos de doença que afetam determinadas idades. Observe abaixo um exemplo de como um programa de vacinação é complexo e deve considerar vários fatores relativos ao animal e ao patógeno. Por exemplo, as diarréias geralmente afetam as bezerras nas primeiras semanas de vida. Este fato gera um grande desafio para o veterinário, que deverá encontrar a melhor maneira de desenvolver uma resposta imune no neonato antes que ele seja exposto ao patógeno. Além disso, deve-se considerar ainda, que as enterites não são causadas apenas por um patógeno. A diarréia em bezerros pode ser causada pela Escherichia coli, pelo rotavírus, coronavírus, e vários outros vírus, bactérias e até parasitas (Criptosporidiose). Se uma imunização eficaz demora, pelo menos duas a três semanas, o animal poderá sofrer a infecção antes mesmo que a vacinação seja efetiva. Outro empecilho para realizar a proteção desses neonatos, é o fato destas infecções ocorrerem no trato gastrintestinal, área onde o sistema imune desempenha uma frágil proteção, sendo importante o auxílio de uma proteção local. Daí o advento das vacinas realizadas na superfície da mucosa, como por exemplo, na mucosa nasal. Contudo, a presença da imunidade passiva adquirida via ingestão do colostro, nas primeiras horas de vida, irá interferir com a imunização local. A solução para este problema é a realização da vacinação das vacas no pré-parto, desta forma, os anticorpos do colostro serão suficientes para conferir um bom nível de proteção durante a fase crítica do bezerro (2 a 3 semanas de vida).

Atualmente, as vacinas mais utilizadas em bovinos são de dois tipos: a vacina inativada e a vacina viva atenuada. A vacina inativada é aquela na qual os patógenos de interesse são multiplicados em grande quantidade sendo inativados por métodos que impeçam a sua replicação, mas sem alterar as propriedades antigênicas. Este tipo de vacina é menos imunogênica do que a vacina viva atenuada, e, por isso, precisam ser combinadas com bons adjuvantes para potencializar sua eficácia. O adjuvante é o veículo que apresenta o antígeno ao organismo e atua como um estimulante da resposta imune. Vacina viva atenuada é aquela na qual são realizadas culturas in vitro do agente para selecionar mutantes com reduzida capacidade de provocar doenças, mas que mantenham a replicação em baixos níveis no organismo do animal. Esta vacina produz uma resposta imune mais equilibrada e duradoura do que a vacina inativada, mas requer cautela para ser manuseada, devendo-se ainda, considerar o risco de aborto em animais prenhes.

Em suma, ambos os tipos apresentam vantagens e desvantagens e, por isso, novas alternativas mais eficazes e seguras têm sido continuamente procurada pelas pesquisas. Estas novas opções incluem: vacinas de subunidade; vacinas vivas geneticamente modificadas e vacinas de polinucleotídeos (DNA).

As vacinas de subunidade são definidas como vacinas que contêm um ou mais antígenos puros ou semipuros. As potenciais vantagens destas vacinas são: segurança, menor competição entre o antígeno e outros componentes da vacina e a possibilidade de direcionar a vacina para os sítios onde a imunidade é mais necessária (nas mucosas, por exemplo). Uma informação que deve ser considerada é o fato de cerca de 95% dos patógenos entrarem no organismo pelas mucosas e daí seguirem para o restante do organismo. Além destes fatores, com as vacinas de subunidade será possível diferenciar os animais vacinados dos animais infectados. Atualmente, animais vacinados contra a BHV-1 (IBR) enfrentam este problema, sendo difícil diferenciar os títulos provenientes da exposição ao vírus vacinal, daqueles oriundos da exposição natural ao vírus de campo.

As vacinas vivas geneticamente modificadas são oriundas de mutações que atenuam a virulência do patôgeno. A vantagem é que esta vacina é mais segura que as vacinas vivas comercializadas atualmente.

A imunização com polinucleotídeos irá utilizar o próprio animal como um bio-reator, a partir da introdução de um plasmídeo com o gene do patógeno de interesse. A vantagem é a possibilidade de imunizar contra várias doenças simultaneamente, sem o risco de interferência entre os antígenos. Até a imunização de neonatos poderá ser feita mesmo na presença de anticorpos maternos.

O advento da biotecnologia e da engenharia genética combinada aos estudos sobre patogenicidade e resposta imune oferece uma oportunidade sem precedentes para desenvolver, de forma mais efetiva, vacinas contra os vários patógenos que afetam os bovinos. Tais mudanças ainda requerem muitas pesquisas de campo para serem liberadas e comercializadas, mas, num futuro, estarão sendo uma ferramenta ainda mais importante no controle das enfermidades.


Fonte:

BABIUK, L.A. Immunization of cattle: current and future prospects. In: WORLD BUIATRICS CONGRESS, 22, Hannover, 2002. Proceedings p.76-83.

STRAUB, O.C. Advantages and disadvantages of common vaccination programmes
for cattle. In: WORLD BUIATRICS CONGRESS, 22, Hannover, 2002. Proceedings p.86-96.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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LUCAS CAON

CONCÓRDIA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2014

Ótimas observações.

obrigado por tirar as dúvidas sempre de maneira de fácil entendimento.



Tenho uma dúvida em relação a vacinação de animais contra a IBR, BVD e Leptospirose. Geralmente as próprias bulas das vacinas não falam sobre isso. Até alguns colegas comentaram que se não tem na bula é porque não tem contraindicação, mas sei que não é bem assim.



A minha dúvida é em relação a vacinação para IBR, BVD e Leptospirose, de vacas prenhes, existe o risco de aborto com a vacina inativada?
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