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Taxa de descarte: monitore este índice com atenção!

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/06/2006

4 MIN DE LEITURA

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Longevidade, taxa de descarte e os critérios analisados para descartar animais são temas integrados, de elevada importância, e que representam um grande impacto sobre a lucratividade do rebanho.

A vida de uma vaca (do nascimento até a morte) pode ser dividida em um período de crescimento e um período de vida adulta, que por sua vez, consiste em uma série de partos e lactações. Considerando estas divisões, pode-se observar que o risco de descarte não é uma linha reta que avança com a idade, mas sim, uma curva que flutua. Esta curva se eleva no início de cada lactação e reduz quando o animal inicia uma nova gestação.

Dados de pesquisa apontam que um terço das vacas descartadas deixa o rebanho nos primeiros 100 dias da lactação, e que outro terço deixa o rebanho com mais de 300 dias em lactação. Os descartes ocorridos nos primeiros 100 dias possuem um maior impacto, pois há o prejuízo com o leite que seria produzido durante a lactação. Além disso, tais animais são descartados, geralmente, devido a problemas metabólicos, mastite, distocias, enfermidades que ocasionaram custos com tratamento. Os descartes ocorridos com mais de 300 dias de lactação estão, geralmente, associados à infertilidade e baixa produção de leite.

Fatores externos e internos, controláveis e incontroláveis podem influenciar o descarte. Um exemplo de fator que não se pode controlar é o aumento do risco de descarte com o avanço da idade do animal. Um exemplo de fator externo que pode influenciar o descarte é o preço da arroba. Exemplos de fatores internos são: a incidência de enfermidades, nível de produção de leite, desempenho reprodutivo, cuidados no período de transição, ou seja, fatores associados ao manejo e sanidade do rebanho.

Três questões devem ser avaliadas com prudência, quando consideramos o descarte de animais: a) qual a freqüência em que o evento ocorre?; b) quando o evento ocorre?; c) porque o evento ocorre? O gerenciamento que possui estas respostas, certamente, poderá identificar as melhores ações para controlar ou administrar o descarte de animais.

Ao manejar a taxa de descarte, deve-se considerar que há um momento na vida produtiva do animal que o descarte é necessário. Este momento deve agregar características associadas à produção de leite, reprodução e ao estado sanitário. Um descarte precoce irá limitar a lucratividade, já que afeta a recuperação das despesas com o investimento feito no animal. Na maioria das vezes, a vaca leiteira começa a dar retorno positivo para a fazenda, apenas no meio da segunda lactação. Por outro lado, um descarte tardio também irá limitar a lucratividade, pois impede uma receita que poderia ser obtida com um animal em uma fase produtiva mais rentável e com uma genética mais moderna.

O descarte em fazendas leiteiras foi, e continua sendo, alvo de muitos estudos. Um estudo recente avaliou o efeito da taxa de descarte sobre a taxa de crescimento do rebanho. A taxa de crescimento do rebanho é um fator dinâmico e é influenciada por muitos fatores, dentre eles: percentagem de nascimento de fêmeas, taxa de descarte e taxa de mortalidade de bezerras fêmeas, volume inicial de animais de reposição, idade ao primeiro parto, intervalo entre partos, média de idade das vacas em lactação, tamanho inicial do rebanho, taxa de descarte e taxa de mortalidade das vacas adultas.

Considerando um rebanho de 100 vacas e uma taxa de descarte de 25%, foi observado que o número de animais do rebanho subiu para 111, 137, 186, 229, 386 e 648 vacas em 3, 5, 8, 10, 15 e 20 anos respectivamente. Observe também na tabela 1, a diferença do tamanho de um rebanho inicial de 100 vacas, em um período fixo de 10 anos, com a variação da taxa de descarte.

Tabela 1- Efeito da taxa de descarte sobre o tamanho do rebanho
(rebanho inicial de 100 vacas; período fixo de 10 anos)


Uma outra pesquisa avaliou os efeitos nas diferentes lactações, das seguintes ocorrências: descarte devido à enfermidades; mortalidade e descarte devido à baixa produção de leite. A tabela 2 apresenta os resultados, observe que o descarte decorrente de doenças variou de 11,9% na primeira lactação, para 39,1 na décima lactação. A mortalidade, como esperado, subiu com o avanço das lactações de 1,8% para 6,4%.

Tabela 2- Impacto das lactações sobre o descarte decorrente de enfermidades, baixa produção e mortalidade.


Após observar os tópicos abordados neste artigo, nota-se quantas características importantes podem ser avaliadas com o monitoramento da taxa de descarte e da longevidade do rebanho. O tema parece simples, bem como o levantamento dos dados no rebanho. Mas infelizmente, as informações obtidas são pouco utilizadas nas decisões gerenciais.

Monitorar e usar as informações referentes ao descarte, ao crescimento do rebanho, às características / volume dos animais de reposição, e, principalmente, entender a dinâmica do que está realmente acontecendo com o rebanho com o passar dos anos, é essencial para o bom andamento da atividade.

Referência bibliográfica:

Cady, R. The impact of timing of the culling event on profitability in dairy herds. J. Anim. Sci., v.83 / J. Dairy Sci., v.88, p.122-125, 2005. (Joint Meeting Abstracts). Supplementum 1.

Fetrow, J. Nordlund, K.V., Norman, H. D. Culling: nomenclature, definitions, and recommendations. J. Dairy Sci., v.89, p.1896 -1905, 2006.

Skidmore, A. The effect of animal removal on herd internal growth rate. J. Anim. Sci., v.83 / J. Dairy Sci., v.88, p.122 -125, 2005. (Joint Meeting Abstracts). Supplementum 1.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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