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Qual o melhor sistema de criação de bezerros? Análise Comparativa de Diferentes Sistemas

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/01/2001

5 MIN DE LEITURA

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José Roberto Peres e João Paulo V. Alves dos Santos

A preocupação com a melhor forma de conduzir a criação dos bezerros é freqüente entre os pecuaristas. Práticas modernas de manejo de ordenha, restrições no consumo de leite e estímulo do consumo de ração pelos bezerros, levaram à separação dos bezerros recém-nascidos de suas mães.

É freqüente, no Brasil, a adoção de sistemas de criação "importados" com bezerreiros (BZ) de baias fixas dentro de um galpão ou estábulo. Mais recentemente, os criadores têm optado por casinhas individuais (CZ) móveis. Outra alternativa mais simples é o sistema a céu aberto (CA), com abrigos destinados a proteger apenas os alimentos, ficando o animal isolado, porém ao relento. E, finalmente, também é encontrada a criação de bezerros totalmente a pasto (PA).

Um estudo realizado na Universidade Federal de Lavras comparou estes diferentes tipos de alojamento durante o período de aleitamento, no inverno e no verão, e seu efeito sobre o desenvolvimento desses animais até 150 dias de idade. Foram utilizados 64 bezerros (32 no inverno de 1996 e 32 no verão de 1997). Os bezerros receberam 4 litros de leite em pó (varredura da Nestlé, diluída na proporção de 100 g/litro de água) em duas refeições diárias até os 30 dias de vida; 2 litros em uma única refeição dos 31 aos 42 dias de vida, quando foram desmamados, permanecendo nos respectivos abrigos até os 60 dias. Dos 60 aos 150 dias foram agrupados e criados em pasto coletivo. Todos animais tinham ainda água à disposição. O feno de gramínea foi oferecido a partir dos 30 dias de vida, além de concentrado comercial peletizado à vontade até os 60 dias e concentrado farelado produzido na universidade numa quantia fixa de 2 kg/animal/dia a partir dos 60 dias.

Os resultados parciais, apresentados na tabela 1, permitem a observação de vários fatores importantes para o sucesso da criação de bezerros.

Tabela 1: Resultados parciais da comparação de diferentes métodos de alojamento de bezerros no inverno e no verão

Tabela 1


É fácil constatar na tabela acima que o desempenho dos animais no verão foi inferior àquele obtido no inverno em todos os tratamentos. Isto já pode ser constatado em seu peso inicial, que reflete a influência do ambiente ainda durante o desenvolvimento do feto. Animais paridos no inverno (gerados no verão - clima desfavorável) apresentaram menor peso ao nascer e vice-versa. Segundo os autores, o verão chuvoso por longo período de tempo, afetou negativamente o desenvolvimento dos animais. Isto pode ser comprovado pelo grande número de bezerros que não completaram o experimento (mortos): sete no inverno, todos na segunda fase do experimento; e dezessete no verão, sendo 5 na fase de aleitamento e 12 entre 60 e 150 dias de vida.

A experimentação com bezerros normalmente é bastante difícil por utilizar bezerros machos oriundos de fazendas diferentes e que, com freqüência, não receberam colostro suficiente já que não há interesse das fazendas nestes animais. Isto prejudica sua imunização inicial e muitas vezes compromete os resultados do experimento.

Outro dado interessante do trabalho, que reflete a influência do conforto ambiental no desenvolvimento de animais jovens é a constatação de que, no inverno, os melhores resultados foram obtidos nos animais criados a pasto, sem qualquer proteção. Nesta época, as condições climáticas mais favoráveis (temperatura mais baixa e ausência de umidade), além da menor incidência de ectoparasitas, podem fazer do pasto o ambiente perfeito para a criação de bezerros, desde que não existam correntes de ar. Isto foi constatado neste experimento, sendo que o tratamento a pasto, no período de inverno, apresentou tendência de melhores resultados em relação aos demais. Durante esta fase o pior resultado foi obtido no estábulo convencional, onde a aglomeração de animais, muitas vezes na presença de correntes de ar, umidade e higienização dificultada, com freqüência culminam em maior incidência de diarréias e problemas pulmonares. Tanto o conforto quanto a saúde dos animais nos diferentes tratamentos também são refletidos na quantidade de alimentos consumida. Os animais a pasto consumiram mais concentrado (P<0,01) que os demais, o que permite maior ganho de peso.

De forma inversa, no período de verão, os melhores resultados foram obtidos nos animais confinados no estábulo convencional, que estavam abrigados da radiação solar intensa e da umidade das chuvas, enquanto aqueles a pasto (com abrigos ou não) apresentaram o menor ritmo de crescimento. Os autores argumentam que o calor intenso associado às chuvas excessivas no período promoveu o acúmulo de barro e umidade próximo dos animais alojados externamente ao bezerreiro. Isto levou à maior incidência de casos de diarréia e pneumonias. Segundo eles, o espaço disponível para disposição dos abrigos móveis era limitado e na realidade não permitia sua movimentação periódica, o que levou à ocorrência de tais condições. Observe que da mesma forma que no período de inverno, o consumo de concentrado foi maior nos animais em maior conforto ambiente (estábulo), seguidos daqueles abrigados parcialmente e com grande diferença dos que se encontravam totalmente a pasto (que adicionalmente foram desafiados por ecto e endoparasitas).

Na segunda fase do experimento (60 aos 150 dias) não houve diferença significativa entre os tratamentos dentro de um mesmo período, porém ainda assim os resultados do período de inverno (média de ganho de 0,6 kg/dia) foram superiores aos do verão (média de ganho de 0,4 kg/dia).

Comentário MilkPoint: o experimento acima mostra que não existe um sistema de criação que possa servir como modelo ideal. Os princípios de higiene, conforto térmico, ausência de umidade e lotações adequadas é que devem nortear qualquer sistema. A adequada implementação de diferentes tecnologias é essencial para obtenção de resultados positivos. Um bom exemplo disso é a necessidade de movimentação dos abrigos individuais (casinhas móveis) em períodos em que ocorra excesso de umidade. Este tipo de manejo deve ser previsto quando se pretende adotar determinada tecnologia (no caso é necessário que se destine uma área suficientemente grande aos abrigos, que permita tal movimentação). Toda tecnologia tem suas vantagens e desvantagens, que podem ser potencializadas em função da maneira como se faz uso dela.

Referência bibliográfica

SOUZA, P. de; GONÇALVEZ, T.M.; SILVA, A.R.P. da; CARDOSO, R.M.; SOUZA, M. de; MATOS, L.L. de. 1998. Desempenho de Bezerros Holandeses até 150 Dias de Idade Criados em Diferentes Instalações, no Inverno e no Verão. Anais da XXXV Reunião da SBZ. Botucatu - S.P.

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fonte: MilkPoint

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UBIRATAN TAVARES

UNAÍ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/08/2010

O trabalho mostrou alguns problemas comuns que vemos nas fazendas o não manejo das casinhas, isso é muito grave com relação a doenças.
JOSE NETO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 24/03/2009

Gostaria de receber mais informações de criação de bezerros em casinha individuais.

Att
Netto
VERLAINI TADEU GUIOTTI CINTRA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/02/2009

Achei muito interessante a matéria, pois ela não se vinculou a "vender" idéias pre-concebidas de outros países, principalmente no que diz respeito a "casinhas móveis" para bezerros.
Cada produtor deve avaliar seu métodos e vejo com muito bons olhos a criação destes animais no sistema (PA) principalmente no iverno.
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