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Problemas causados por moscas em compost barn

POR FLAVIO ALVES DAMASCENO

E RAFAELLA ANDRADE

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/01/2021

6 MIN DE LEITURA

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O verão é uma época muito chuvosa e úmida, o que causa problemas no compost barn devido a umidade da cama também aumentar. Isso causa complicação com a proliferação de diversos parasitas, como a mosca.

O verão é a estação mais chuvosa do Brasil e o período em que a umidade ambiente se eleva, aumentando também a umidade da cama, odores e os problemas com a proliferação de diversos parasitas, como a mosca doméstica (Musca doméstica) e a mosca de estábulo (Stomoxys calcitrans), e tem sido motivo de grande preocupação no sistema Compost Barn (CB).

Essas moscas são incômodas aos animais e podem espalhar patógenos, repercutindo na redução da produção de leite, com consequentes perdas econômicas. É justamente por isso que as atenções ficam muito voltadas a sanidade dos animais.

Pensando nisto, o Prof. Flávio Damasceno, da Universidade Federal de Lavras, em conjunto com seus estudantes Rafaella Resende Andrade, Carlos Eduardo Alves de Oliveira e João Antônio Costa do Nascimento, iniciaram um estudo para avaliar os impactos causados pelas moscas em instalações CB.

Segundo o professor Flávio “Neste período de altas temperaturas do ar e umidade relativa, aumentam as queixas de produtores por problemas causados pelas moscas nas instalações Compost Barn. Temos observado que o crescimento das moscas no período de verão tem causado preocupação para os produtores, que buscam por soluções para controlar o problema”.

As moscas domésticas são sinantrópicas, ou seja, conseguem conviver com a espécie humana, se adaptando muito bem a diversos ambientes.  As moscas desenvolvem-se através do processo denominado metamorfose completa, compreendendo os seguintes estágios: ovo, larva, pupa e adulto.

A faixa de temperatura do ar na maioria das regiões brasileiras, durante o período de verão, varia entre 20 a 42°C e a faixa de temperatura para o desenvolvimento das moscas varia de 15° a 40°C, por isto ocorre o maior desenvolvimento no verão.

A mosca fêmea põe seus ovos numa grande variedade de substratos orgânicos em putrefação, decomposição ou fermentação, tanto de origem animal quanto vegetal, daí sua particular preferência por estercos e fezes normalmente presentes na superfície cama de instalações CB (Figura 1). Em algumas instalações CB que possuem lotes de pré-parto alojados, observa-se que restos de placentas podem também atrair a mosca doméstica, devendo neste caso, serem retiradas e depositada em local adequado.

Figura 1 - Ovos de moscas domésticas depositados (a) na cama de uma instalação Compost Barn, (b) microscópio digital e (c) imagem ampliada dos ovos das moscas.

As moscas podem auxiliar na degradação de matéria orgânica animal e vegetal presentes na cama, entretanto, podem também atuar na disseminação de agentes patogênicos como vírus, bactérias, fungos, parasitas, etc (Figura 2). Cabe ressaltar que uma das principais origens de microrganismos causadores de mastite são as bactérias presentes em moscas.

Figura 2 - Moscas domésticas podem ser vetores de diversas doenças nos bovinos leiteiros: a) contado com secreção dos olhos e b) ferimentos da pele dos animais.

Além disto, se o animal tiver alguma ferida na pele, pode ocorrer o aparecimento de Berne, que é uma pequena larva da mosca que enfraquece os animais, diminui a produção de leite, podendo estragar o couro (Figura 3). Caso o animal já esteja com Berne, deve-se limpar o local e passar pomadas ou pastas bernicidas para matá-los.

Alguns produtores acabam espremendo a pele para a retirada do berne. Neste caso, deve-se esterilizar as mãos e a pele com álcool. Logo após a retirada do Berne, deve ser realizado o tratamento no local, por exemplo, com uma pomada cicatrizante ou aplicar oxitetraciclina spray diretamente no local, garantindo que o antibiótico fique bem espalhado.

Figura 3 - Berne pode causar prejuízos ao produtor.

A infestação de moscas é um problema de manejo, o qual pode ser potencializado pelos diferentes tipos de instalações, características do material de cama (temperatura e umidade), práticas de limpeza do corredor de alimentação, manejo de cama, presença de resto de placenta na superfície da cama, proximidade da ordenha e esterqueira, bem como das próprias condições climáticas e sazonais da região (Figura 4).

Figura 4 - Principais causas para proliferação e atração das moscas domésticas: a) Dejeto na superfície da cama; b) cama com excesso de umidade; c) mau dimensionamento da esterqueira com seu transbordamento; d) proximidade da instalação com a esterqueira.

Para evitar a proliferação de moscas em instalações CB, medidas simples como limpeza periódica do corredor de alimentação e o manejo de revolvimento adequado da cama podem garantir um controle das larvas (Figura 5).

Figura 5 - Práticas que podem auxiliar na redução de moscas domésticas: a) limpeza do corredor de alimentação e b) revolvimento da cama.

Além disto, é muito comum que os produtores desliguem os ventiladores durante o período da noite. Neste caso, como a temperatura do ar e umidade relativa estão elevados, maior também será a formação de amônia durante a noite. Logo pela manhã, como a concentração de amônia está elevada, ocorre o maior aparecimento das moscas. Assim, uma medida eficiente para dissipação da amônia é deixar os ventiladores ligados por um período mais prolongado, auxiliando ainda mais na secagem da cama e repelindo assim as moscas (Figura 6).

Figura 6 - Deixar os ventiladores ligados durante à noite pode auxiliar na secagem da cama, dissipando a amônia e repelindo as moscas.

Em casos mais intensos de proliferação de moscas, pode-se utilizar aplicação de produtos naturais para repelir e não interferir na atividade microbiana da cama, como o óleo de citronela (Cymbopogon) e extrato de Nim (Azadiractha indica A. Juss).

Em casos extremos, pode-se aplicar no ambiente larvicida e instalar armadilhas próxima a instalação. Nos animais, pode-se aplicar mosquicida, conforme a recomendação de cada produto (Figura 7).

Figura 7 - Aplicação de larvicida no ambiente (a) e (b) mosquicida nos animais auxiliam na eliminação das moscas.

Estratégias de controle para reduzir a proliferação de moscas

  • O processo de revolvimento da cama introduz oxigênio nas camadas da cama, o que promove uma degradação microbiana aeróbica, e faz com que o calor resultante do processo ajude na secagem da superfície da cama, além de auxiliar na incorporação de nutrientes, na manutenção de valores de temperatura, que pode até mesmo inativar alguns patógenos e vírus, destruir sementes de ervas daninhas e larvas de moscas.
     
  •  A prática de limpeza diária do corredor de alimentação da instalação CB é essencial como medida de controle de moscas, além disso, é importante o destino correto dos resíduos;
     
  •  Além disso, é importante identificar o local que as moscas estão reproduzindo e fazer o controle dessa região. Locais comuns são o corredor de alimentação, próximo aos bebedouros, tubulação de dejetos e esterqueiras.
     
  •  Utilização de armadilhas com isca reutilizável como métodos de controle de moscas;
     
  •  Quando somente estes métodos não forem suficientes e se optar por utilizar larvicida ou mosquicida, é importante avaliar a eficácia dos diferentes princípios ativos antes de sua aplicação, bem como a dose correta de aplicação, com registro e origem conhecida;
     
  • Para o controle de larvas e mosca adulta alguns produtores têm optado pela aplicação de produto a base de Beta-Ciflutrina e Imidacloprido. Deve-se diluir a dose indicada pelo fabricante em água, agitar bem antes de usar e aplicar com pulverizador próximo a instalação e em regiões da cama, ou ainda, a aplicação de produto a base de Cyfluthrin (1%), utilizando a embalagem autodosadora e a dose indicada pelo fabricante;
     
  •  Solução aquosa a base de Piretrina 3% p/p, utilizando a dose indicada pelo fabricante misturada em água. Aplicar com bomba atomizadora e pulverizar uniformemente na área;

Cabe ressaltar que o uso frequente de inseticidas e larvicida e de forma inadequada podem causar diferentes graus de resistência na mosca. Portanto, seu uso deve ser feito de forma criteriosa e na dosagem indicada.

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FLAVIO ALVES DAMASCENO

D.Sc. em Engenharia Agrícola e Ambiental - UFV
Universidade Federal de Viçosa

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