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O frágil equilíbrio do sistema respiratório dos bezerros

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/04/2008

3 MIN DE LEITURA

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As afecções do sistema respiratório são, juntamente com a diarréia e a tristeza parasitária, as maiores causadoras de morbidade e mortalidade em bezerros. As perdas econômicas associadas aos distúrbios do sistema respiratório são expressivas e causadas pela redução do ganho de peso e comprometimento do desenvolvimento, óbito do bezerro, tempo gasto pelos funcionários para tratamento, custo dos medicamentos e consultas do veterinário para tratamento e controle da doença.

Entende-se por pneumonia, qualquer condição inflamatória dos pulmões, na qual uma parte ou a totalidade dos alvéolos encontra-se preenchida por líquido e células provenientes do sangue. Existem diferentes tipos de pneumonia, dentre elas, destacam-se a Pneumonia Intersticial, Pneumonia Metastática, Pneumonia Verminótica, Pneumonia enzoótica, Pasteurelose pneumônica. A Pneumonia Intersticial é causada pelas infecções virais (vírus parainfluenza 3 (PI-3), rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) e sincicial respiratório bovino (VSRB). A Pneumonia Metastática é causada pela presença de focos sépticos em outras partes do organismo, como infecções umbilicais e abscessos hepáticos.

A cura do umbigo, apesar de muito simples, é um problema freqüente nos rebanhos e predispõe ao desenvolvimento de embolização séptica dos pulmões, que está associada à presença de focos sépticos no organismo, que por sua vez, são causados por agentes infecciosos bacterianos que penetram no organismo pelos vasos umbilicais. A Pneumonia Verminótica é causada pela ingestão de larvas do Dictyocaulus viviparus, parasito que acomete traquéia, brônquios e bronquíolos causando tosse freqüente. A Pneumonia enzoótica e a Pasteurelose pneumônica ocorrem nas situações de mudanças de manejo e estresse elevado, fatores que somados, podem desencadear falhas nos mecanismos de defesa dos bezerros. A Pasteurelose pneumônica ou Mannheimiose pneumônica ocorre na forma de surtos e constitui uma das formas mais graves das afecções do sistema respiratório.

Uma combinação muito freqüente no quadro das doenças respiratórias é a ação dos micoplasmas ou dos vírus (PI-3, IBR, VRSB) no organismo de animais estressados, criando condições para que as bactérias que fazem parte da flora residente nas vias respiratórias se multipliquem, desenvolvendo os quadros de pneumonia. Os vírus têm a capacidade de debilitar a resposta imune local e reduzir a capacidade do trato respiratório de eliminar os patógenos.

Perante estes quadros, pode-se afirmar que a prevenção é indiscutivelmente a forma mais eficiente de diminuir a incidência e a gravidade dos problemas respiratórios. E a prevenção está diretamente associada ao controle dos fatores de risco. Abaixo, estão listados os principais fatores de risco que merecem atenção para o manejo preventivo das afecções do sistema respiratório.

Fatores de Risco:

• erros na administração do colostro ao recém-nascido (transferência da imunidade passiva);
• erros de manejo na desinfecção do umbigo;
• problemas na dieta levando à deficiências nutricionais;
• falhas de manejo no processo da desmama;
• mudanças súbitas na dieta;
• descorna;
• transporte acompanhado de fome, desidratação e exaustão;
• mistura de animais de diferentes origens e faixas etárias em espaços restritos (como feiras e leilões);
• alta carga parasitária;
• instalações com ventilação inadequada, presença de umidade, altas temperaturas e gases advindos dos dejetos;
• instalações e piquetes próximos a áreas com muita poeira;
• instalações com excesso de lama;
• ocorrência de doenças concorrentes, tais como a diarréia e a tristeza parasitária.

A incidência das afecções do sistema respiratório em bezerros aumenta entre duas semanas e quatro meses de idade, fase na qual a proteção oferecida pelos anticorpos colostrais estão diminuindo. A ventilação é uma peça chave na prevenção de problemas no sistema respiratório, entende-se por ventilação a movimentação do ar em um ambiente para a substituição do ar impuro por ar fresco e redução do excesso de umidade. As instalações devem ser mantidas limpas, secas e ventiladas. Nos casos de surtos de doença respiratória em bezerros a infecção por aerossol e contato direto são as formas de transmissão, sendo ainda mais acentuadas em instalações com alta lotação e mal-ventiladas.

A saúde do sistema respiratório depende do equilíbrio entre o sistema imune e a carga de patógenos. E o equilíbrio do sistema imune, por sua vez, está associado à qualidade do manejo e ao controle dos fatores de risco listados acima. Todas as vezes que as condições ambientais estiverem desfavoráveis e as práticas de manejo inadequadas, elas irão simultaneamente desencadear falhas no mecanismo de defesa dos bezerros e possibilitar a sobrecarga dos pulmões com agentes infecciosos virulentos, comprometendo o frágil equilíbrio do sistema respiratório dos bezerros.

Fonte:

Coutinho, A. S. Complexo das doenças respiratórias de bezerros. Simpósio Mineiro de Buiatria, n.2, Belo Horizonte, 2005.

Golcalves, R.C., et al. Aspectos clínicos e epidemiológicos da broncopneumonia dos bezerros em Botucatu-SP. Rev. Bras. Cienc. Vet., v. 7, n. 3, p.144-147, 2000.

Wikse, S.E. Feedlot cattle pneumonia. Vet. Clin. North Am. Food Anim. Pract., v.1,
p.288-310,1985.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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