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Monitore a febre do leite

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/08/2002

4 MIN DE LEITURA

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A febre do leite, também conhecida como hipocalcemia e paresia puerperal, é uma manifestação clínica resultante de baixos níveis de cálcio no sistema sanguíneo. Juntamente com a cetose, a retenção de placenta, o deslocamento de abomaso e o edema de úbere, a febre do leite compõe o grupo das doenças metabólicas do periparto. Na realidade, todas estas doenças estão associadas, ou seja, basta que uma delas ocorra para que uma alavanca seja acionada, podendo desencadear a ocorrência das demais. E o resultado final é o mesmo: perda na produção de leite, queda dos índices reprodutivos, custos com tratamento e até mesmo a perda do animal.

Em linhas gerais, uma pesquisadora do Estado de Nova York, EUA, julga que a cascata de eventos metabólicos associados à febre do leite ocorra da seguinte forma: as vacas afetadas com a febre do leite liberam mais cortisol, que, por sua vez, deprime o sistema imune predispondo à ocorrência de enfermidades tais como mastite, retenção de placenta e metrite. Paralelamente, os baixos níveis de cálcio na circulação deprimem a função muscular, inclusive do músculo na extremidade do teto (esfíncter), fato este que expõe o interior da glândula mamária a um maior número de patôgenos. Além disso, a depressão da função muscular no pós-parto pode favorecer a ocorrência do deslocamento do abomaso. E, finalmente, os animais afetados com a febre do leite apresentam uma maior redução da ingestão de matéria seca, predispondo à ocorrência de cetose.

A hipocalcemia é resultante da queda da concentração de cálcio no sangu. Na maioria das vezes, esta queda ocorre na ocasião do parto devido à alta demanda de cálcio para a produção do colostro. Animais que apresentam a forma clínica da hipocalcemia possuem níveis abaixo de 6,0 mg de cálcio / 100 ml de sangue. Quando a concentração de cálcio no sangue encontra-se entre 6,5 a 8,0 mg / 100 ml ocorre a hipocalcemia subclínica. Este distúrbio é facilmente tratado com aplicações intravenosas de cálcio (borogluconato de cálcio a 23%) . É importante tratar o animal o mais breve possível para minimizar o tempo em decúbito.

A incidência média esperada da febre do leite é de 5 a 6%; contudo estima-se que cerca de 50% das vacas apresentem a hipocalcemia subclínica no dia do parto. A hipocalcemia subclínica não apresenta os sintomas conhecidos do distúrbio, incoordenação motora, redução da temperatura nas extremidades e decúbito, mas é tão danosa quanto à manifestação clínica, pois reduz a ingestão de matéria seca e também predispõe aos demais distúrbios metabólicos comentados nos parágrafos anteriores. Dados de pesquisa apontaram uma herdabilidade de 20,4% para a febre do leite. Geralmente, as vacas adultas são mais acometidas com o distúrbio que as primíparas, que produzem uma menor quantidade de colostro. Dentre as raças leiterias, merece destaque a raça Jersey, que produz um colostro com maior concentração de cálcio e, com isso, possui maior predisposição à febre do leite.

Medir a ocorrência das doenças metabólicas do periparto é um passo essencial para a resolução destes problemas no rebanho. Muitas vezes a ocorrência das doenças é baseada em números estimados e que não correspondem à realidade do rebanho, e, desta forma, não funcionam como um fator que contribui para a resolução do problema e sim, como um fator que mascara e atrapalha a evolução do rebanho. Deve-se avaliar a ocorrência do problema por várias razões:

- Determinar se o problema ocorre em níveis economicamente significantes que justifiquem a intervenção e mudanças no manejo;
- Determinar se o problema responde ao tratamento;
- Determinar se o problema está associado a outros fatores no rebanho (fatores estes que devem ser controlados).

A avaliação do pH da urina é um método bastante utilizado para monitorar o pH sanguíneo e, desta forma, pode ser utilizado como um indicativo para controlar a febre do leite. O pH pode ser monitorado com o uso de fitas de papel específicas para a avaliação de pH que podem ser encontradas em lojas de artigos médicos. Para minimizar a probabilidade de hipocalcemia, o pH da urina de vacas no pré-parto deve estar entre 6 e 6,5. Se a média do pH da urina estiver abaixo de 5,5 é sinal que o pH sanguíneo está muito ácido e que a ingestão de matéria seca será reduzida. Para checar o pH da urina deve-se colher amostras de, no mínimo, 8 animais.

Em última análise, a realização da simples anotação do número de animais acometidos clinicamente com a doença e posterior avaliação deste número em relação às mudanças de manejo na fazenda e à ocorrência de outras doenças, já oferece uma ferramenta de trabalho na prevenção do problema. Mas, a identificação dos animais com hipocalcemia subclínica e o levantamento destes dados trará um grande avanço no monitoramento e, sem dúvida, facilitará a implementação e o ajuste das medidas de controle para este distúrbio.

Fonte:

Shearer, J.K.; Van Horn, H.H., Metabolic diseases of dairy cattle. In: Large Dairy Herd Management, Edited by H.H. Van Horn and C.J. Wilcox, American Dairy Science Association. 1992. 826p.

Ondarza, M. B. Cow Metabolic Problems. Technical Services Nutritionist F.A.R.M.E. Institute, Homer, NY, 2000.

Goff, J.P. To understand milk fever is to prevent it. Hoard's Dairyman, October 25, p.722,1996.

Goff, J.P. Steps you can take to avoid milk fever. Hoard's Dairyman. January 10, p.12, 1997.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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