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Descarte orientado

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/09/2012

3 MIN DE LEITURA

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A lucratividade do sistema de produção está intimamente relacionada, entre outros fatores, a eficiência reprodutiva do rebanho, resultando na maior disponibilidade de seus produtos no mercado à um menor custo. Independentemente dos objetivos do sistema de criação, o acompanhamento da performance reprodutiva por meio de um bom gerenciamento zootécnico é indispensável. Será possível, então, identificar animais improdutivos ou menos produtivos. O descarte destes animais, com consequente, seleção dos mais produtivos resultará em inúmeras vantagens, marcando expressivos ganhos.

O descarte orientado é uma prática de manejo que consiste na identificação e remoção dos animais improdutivos ou menos produtivos do rebanho. Esses indivíduos são aqueles que, por uma razão ou outra, não estão produzindo o mínimo esperado, influenciando negativamente a performance da produção, principalmente pela competição por espaço, alimentos, cuidados, mão-de-obra e medicamentos, com os animais verdadeiramente produtivos do rebanho. Em geral, são indivíduos velhos, defeituosos, portadores de defeitos genéticos, doenças crônicas, inadequada eficiência reprodutiva e de baixa produção.

Vários critérios técnicos auxiliam na orientação do descarte. Podem estar relacionados a características genéticas, corporais, comportamentais, de sanidade, nutricionais e reprodutivas; todas com impacto sobre a eficiência produtiva do indivíduo. Entre eles, alguns critérios técnicos indicados para o descarte serão citados:

- Animais idosos que apresentem, por exemplo, problemas na apreensão de alimentos (dentes e lábios);

- Portadores de defeitos genéticos, como: agnatismo, prognatismo, criptorquidismo, hérnia escrotal e umbilical;

- Intersexos, como: hermafrodita e freemartinismo;

- Portadores de pododermatite crônica;

- Reincidentes de linfadenite caseosa;

- Animais com baixa condição corporal e/ou baixa capacidade de ganho de peso;

- Machos caprinos mochos de nascimento, por sua maior probabilidade em produzir crias hermafroditas;

- Reprodutores portadores de saco escrotal excessivamente penduloso ou testículos pequenos e endurecidos;

- Reprodutores com baixa libido e/ou baixa taxa de fecundação;

- Matrizes portadoras de mastite crônica e/ou com glândulas mamárias perdidas, excessivamente grandes e dilatadas ou com duplo esfíncter;

- Fêmeas que produzem leite em quantidade inferior à média do rebanho;

- Matrizes que não desmamarem, pelo menos, uma cria por cada ciclo de produção;

- Fêmeas jovens que aos 9 meses não atingiram, pelo menos, 50% do peso vivo médio das matrizes adultas do rebanho;

- Fêmeas com dificuldade de emprenhar, apresentando elevada taxa de serviço;

- Matrizes que frequentemente estão em anestro patológico;

- Reprodutoras com puerpério prolongado e elevado intervalo entre parto;

- Fêmeas que demonstraram abortamentos recorrentes, sem causa diagnosticada ou tratada;

- Mães com baixa habilidade materna, gerando elevados índices de mortalidade neonatal ou crias de baixo peso ao desmame;

A eliminação destes animais, considerados de baixa produção ou improdutivos, repercutirá em relevantes vantagens, tanto no aspecto técnico como econômico. Em termos gerais, reduzirão os gastos de manutenção do rebanho, disponibilizar-se-á maior quantidade de alimentos (p.ex. forragem) para os animais verdadeiramente produtivos, e acentuar-se-á a produtividade do rebanho. Em outras palavras, a relação custo:benéfico do sistema de produção será beneficiada, resultando em ganhos ao produtor.

Por fim, vale ressaltar que o descarte orientado é uma prática de manejo de fácil execução e custo inexpressivo. Recomenda-se que o descarte não ultrapasse 30% dos animais, de uma só vez. Pela própria natureza desta prática de manejo, seu uso deverá preceder o emprego de outras práticas ou processos tecnológicos a serem impostos no manejo dos animais, sendo indicado ser efetuada ao final de cada ciclo produtivo.

Literatura consultada:

- ALVES, J. U. Descarte orientado para uso nos rebanhos caprinos e ovinos. EMBRAPA: CNPC, Sobral, Comunicado Técnico, 3p., 1999.

- PEREIRA, G. F.; GRACINDO, A. P. A. C. Escrituração Zootécnica. In: LIMA, G. F. C.; HOLANDA JUNIOR, E. V.; MACIEL, F. C.; BARROS, N. N.; AMORIM, M. V.; CONFESSOR JUNIOR, A. A. Criação familiar de Caprinos e Ovinos no Rio Grande do Norte - Orientações para viabilização do negócio rural. EMATER-RN/EMPARN/Embrapa Caprinos, p.257-268, 2006.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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ANA MARIA BEZERRA OLIVEIRA LOBO

SOBRAL - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 19/02/2016

André, em caprinos, normalmente as progênies intersexo são geradas de pais mochos.
ANDRÉ AMORIM DE MOURA

SUZANÁPOLIS - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 05/06/2013

Que característica fenotípica pode ser utilizada como parâmetro para evitar o aparecimento de intersexo no rebanho de caprino?
ROBERTO VELAZCO GUTIERREZ

BOTUCATU - SÃO PAULO - ZOOTECNISTA

EM 03/09/2012





Maria Emilia

Agradeço a resposta.

Claro que prevalece o senso critico para realizar o descarte.

Considero que independente do sistema de produção a relação custo beneficio é o que prevalece.

Levar em conta a reposição dos animais descartados por outros mais produtivos...considerando que está "iniciando" esta atividade.Ou  mesmo estando o rebanho estabelecido.

Se a oferta de produtos é comprometida?  Considerar o mencionado por vc...Em geral, são indivíduos velhos, defeituosos, portadores de defeitos genéticos, doenças crônicas, inadequada eficiência reprodutiva e de baixa produção.

Numa criação deve-se evitar os individuos, etc...desde um inicio para evitar chegar nessa situação.

O progreso genético é rapido neste tipo de criação



Atenciosamente



Roberto





MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

JABOTICABAL - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/09/2012

Prezado Roberto,

Inicialmente agradeço pelo questionamento, pois possibilita a oportunidade de explicar melhor.

O descarte orientado dos animais, principalmente quando se refere aos improdutivos, pode ser o quanto necessário. Entretanto, é importante considerar que não deve ser fundamentado apenas do rigor dos critérios, mas das condições do sistema de criação, sobrepondo-se o bom senso de quem o realiza.

O percentual de 30% é uma recomendação usual, principalmente quando se relaciona os animais menos produtivos, para não comprometer o número de animais do rebanho. Está baseada então, na reposição frequente e seriada de animais visando seu melhoramento, sem comprometimento da oferta de produtos no mercado.

Contudo, as condições do sistema de criação  irão definir e orientar como o descarte deve ser conduzido.

Continuo a disposição para continuarmos nossa discussão.

Grata, Maria Emilia
ROBERTO VELAZCO GUTIERREZ

BOTUCATU - SÃO PAULO - ZOOTECNISTA

EM 03/09/2012

Essa recomendação de descarte de no máximo 30% é devido aque?

Que parametros foram considerados?

Se são animais pouco produtivos ou denominados improdutivos, por que não descartar em sua totaidade, mesmo que este indice seja superior aos 30%.

Considerando que se leva escrituração zootecnica e consequentemente  dados a melhorar?
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