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Considerações sobre descarte de vacas

POR ALEXANDRE DE CAMPOS GONÇALVES

E PAULO ARARIPE

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/09/2002

5 MIN DE LEITURA

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A elaboração de parâmetros para descarte de vacas é uma prática que deve ser bastante criteriosa, pois, muitas vezes, leva o administrador de fazendas leiteiras a cometer equívocos, descartando animais que ainda poderiam contribuir economicamente com a atividade. Os fatores utilizados nestas decisões têm grande influência no desempenho econômico do investimento e, geralmente, têm como base critérios subjetivos e não programados, alicerçados na intuição dos responsáveis pelo gerenciamento.

Apesar deste cenário, as informações disponíveis atualmente sobre administração de rebanhos leiteiros possibilitam o uso de modelos econômicos que fornecem apoio nas decisões para descartes. A informática tem papel importante neste quesito, pois possibilita a captação, organização e processamento de dados do rebanho, que originarão as melhores alternativas com relação ao descarte. Os americanos, por exemplo, utilizam uma ferramenta batizada de DSS (decision support system), na qual as ações a ser tomadas (tanto na agroindústria, quanto na agropecuária) são guiadas pelas informações geradas por este sistema. O descarte de vacas é uma das práticas apoiadas no DSS, que leva em conta vários fatores. Componentes financeiros, como lucro por vaca, fluxo monetário da atividade e risco são os principais fatores econômicos e gerenciais que afetam as decisões para descarte.

As estratégias de descarte deveriam ser também influenciadas por flutuações de curto prazo no número de vacas, como também pela expansão planejada do rebanho. Mudanças drásticas no tamanho do rebanho afetam o custo de oportunidade do descarte e da substituição das vacas e podem alterar a relevância dos fatores eleitos para otimização dos animais. Assim, toda vez que o rebanho tiver seu tamanho alterado, os cálculos que determinam os descartes (nível de produção, índices reprodutivos, perdas com mastite, lucro por vaca, etc.) devem ser revistos.

Outro fator que exige a mudança dos parâmetros de descarte de vacas é a melhoria nos próprios índices zootécnicos da propriedade. A pressão de seleção do plantel deve obrigatoriamente seguir o nível de qualidade dos animais, sendo alterada concomitantemente com a modificação na produtividade do rebanho. Estes fatores também têm grande influência na seleção de sistemas de apoio à tomada de decisão para descartes. Portanto, para desenvolver estratégias econômicas de descartes, os sistemas de apoio para tomada de decisão devem estar embasados em resultados das condições de campo da propriedade, normalmente em cima de índices zootécnicos. O que se percebe é que os parâmetros estabelecidos, às vezes, são traçados pelo dono da fazenda que, ou não conhece as vacas direito, ou leva em conta índices que não contribuem para a melhoria do plantel.

Por último, a decisão por descarte de vacas de leite necessita obrigatoriamente de custos associados para novilhas de substituição, pois estes respondem por uma fatia grande dos investimentos da fazenda. A comparação deve ser realizada entre o lucro que as vacas candidatas a descarte proporcionam e o lucro que a inserção de uma novilha no rebanho proporcionará. Observem que, neste cálculo, estamos nos referindo a lucro e não geração de receitas. Para viabilizar esta análise, parece óbvio que é essencial o conhecimento dos custos inerentes à criação das duas categorias.

Embora tenham sido feitos avanços significativos em administração de rebanhos de leite, através da utilização de registros computadorizados sobre a saúde (principalmente os gastos com mastite) e a produção das vacas, pouco progresso aconteceu na seleção de melhores decisões para realizar descartes. Estes sistemas de registro melhoraram a qualidade e a quantidade de dados que estão disponíveis, mas uma mudança mínima aconteceu no modo destes dados serem analisados para determinar quais vacas serão descartadas do rebanho.

Muitos produtores começam a decidir qual animal será descartado pela lista de vacas que produzem menos que uma quantia diária de leite especificada, estipulada sem embasamento algum ou mesmo em cima da análise de um período muito curto de tempo; quantia esta gerada a partir de informações obtidas nos controles leiteiros, de apenas um dia. Em contrapartida, este nível mínimo de produção, caso o parâmetro escolhido fosse produção de leite, deveria ser relacionado a um valor calculado para estabelecer o ponto de equilíbrio de produção de leite diária por vaca e o total da fazenda. Este valor seria aquele que fornece a melhor sustentabilidade econômica da atividade, permitindo que o rebanho seja renovado, sem prejuízo em sua lucratividade e produtividade.

Normalmente, a fase de lactação, o estado reprodutivo e a idade da vaca são os fatores examinados logo depois da produção. Vacas de baixa produção que estão prenhas e entrando em uma fase de gestação que proveria uma duração razoavelmente normal do período seco são retidas freqüentemente no rebanho. Em seguida é dada prioridade a alguma medida de valor genético ou de contribuição para o valor monetário do rebanho, como genealogia, porcentagem do rebanho adulto com mais de certa idade na produção equivalente e/ou um ranking particular listando a habilidade produtora de cada vaca. Adicionalmente são levados em conta, freqüentemente, atributos individuais das vacas, como tipo, sem que a produção ou lucro gerado por estes animais tenham sido analisados.

Analisando estes critérios percebemos que não há diferenças nos objetivos de curto e longo prazos da maioria dos produtores. Porém, as preocupações deveriam atentar para as variações que o descarte proporcionará nos meses posteriores, principalmente no número de vacas em lactação, vacas secas e novilhas prenhas. O estabelecimento de qualquer meta de longo prazo, objetivando a expansão ou retração do rebanho, também deveria ser levado em conta. Estes fatores, que respeitam o fluxo de caixa da atividade e a constância da produção de leite durante o ano, freqüentemente determinam o número atual de vacas para ser descartadas, almejando momentos mais oportunos para a propriedade.

O ideal seria que a preocupação com o lucro servisse como fundação para decisões de descarte. Mesmo assim, outros quesitos econômicos também devem ser observados, caracterizando um negócio próspero. É o caso do fluxo monetário da atividade e as avaliações de risco, determinantes para garantir a viabilidade do empreendimento, particularmente no curto prazo, e a habilidade de contrair dívidas. Muitas vezes, para manter o fluxo de caixa da atividade positivo, nos vemos quase que obrigados a antecipar um descarte e, neste contexto, a gerência deve estar atenta para verificar se o mercado absorverá o animal de descarte como um animal de corte ou como um animal que pode servir de reposição para outros produtores.

A análise dos fatores que levaram ao descarte de cada vaca deve ser realizada mesmo depois que o referido animal deixou a propriedade. Esta retrospectiva serve como uma guia útil para identificar corretamente áreas potenciais de problemas na administração de rebanho e/ou a necessidade de implantar programas de prevenção de doenças (mastite) e de treinamento de funcionários. Isto servirá para tomar decisões lucrativas sobre futuros descartes, voluntários ou involuntários. Assim, como regra geral, devemos considerar essencialmente todos descartes como uma decisão econômica.

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JOÃO PAULO MARIANO

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 01/05/2008

O artigo é muito bom, e me fez raciocinar além daqueles parâmetros clássicos, já conhecidos por todos os técnicos.
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