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Comportamento Sexual - Machos e Fêmeas

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/07/2009

8 MIN DE LEITURA

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Atualmente a preocupação com bem estar animal tem exigido alterações no processo de produção. Por isso, é essencial conhecer o comportamento da espécie explorada, suas necessidades ambientais e fisiológicas, para fornecê-la o mínimo de conforto e bem estar. O principal desafio é introduzir uma visão integrada nos sistemas de produção visando conciliar as práticas de manejo aos padrões de comportamento animal.

A eficiência reprodutiva influencia significativamente a produtividade do rebanho. Contudo, apesar desta correlação, ainda existem características relacionadas à aptidão reprodutiva de machos e fêmeas que pouco são consideradas. O comportamento sexual é uma interação sócio-sexual influenciada por fatores genéticos, ambientais, nutricionais, hormonais, freqüência de acasalamentos, receptividade do heterossexo, acuidade sensorial, idade, experiência prévia do indivíduo e ordem de dominância social.

O entendimento do comportamento sexual dos animais tem contribuído à Zootecnia, pois fornece subsídios e parâmetros de grande relevância para as avaliações da libido e da capacidade de serviço dos machos e ainda, as avaliações da manifestação do estro e da fertilidade das fêmeas, determinando a eficiência das técnicas de acasalamento. Para entendimento do comportamento sexual, iremos abordar na sequência suas principais características.

Em rebanhos que são reintroduzidos a vida livre, se observa que os machos e as fêmeas unicamente estão juntos no período de reprodução. Este fato é visto em regiões onde os ovinos e caprinos demonstram estacionalidade. No período fora da estação de acasalamento os machos formam grupos separados do resto do rebanho (fêmeas e animais jovens). Poucas semanas antes das fêmeas voltarem a ciclar, os machos rapidamente se incorporam ao grupo. Em condições de produção doméstica, o homem tem muita influencia sobre a conduta sexual dos seus animais, e desta maneira é capaz de manipular o comportamento dos mesmos pelos tratamentos naturais, como o efeito macho, ou hormonais para induzir ou suprimir a atividade sexual, tanto em machos como em fêmeas. Sobremaneira estas condutas visam o aumento da eficiência reprodutiva, entretanto os comportamentos sexuais não devem ser desconsiderados, visando otimizar o manejo reprodutivo e evitar estresses que possam comprometer a eficiência dos animais.

Vários padrões de cortejos e atitudes são direcionados no sentido de aproximar os gametas, masculino e feminino, a fim de assegurar a fecundação, gestação e propagação das espécies. O comportamento sexual pode ser dividido em duas fases:

Fase preparatória ou de cortejo: O encontro dos parceiros sexuais é o primeiro passo do comportamento reprodutivo. No macho, os atos de fungar e lamber a fêmea são os padrões mais frequentes, sugerindo uma importante função do olfato. O macho cheira a urina da fêmea e então levanta a cabeça, com os lábios torcidos, no ritual "reação de Flehmen" (Figura 1). O estímulo táctil da fêmea é feito pelo ato de fossar e lamber a região perineal. As fêmeas apresentam uma tendência de urinar frequentemente na presença do macho e sua atividade motora é aumentada, ficando impaciente durante o período de estro. As cabras procuram montar ou são montadas por outras fêmeas, porém esta atitude é excepcional em ovelhas. Na presença de um macho, a fêmea cheira seu períneo ou a região escrotal. O ato mútuo de fungar leva ambos os parceiros a movimentos circulares em uma posição paralela inversa. Quando as fêmeas são estimuladas pelo macho e se encontram no período de receptividade do estro, assumem uma postura de acasalamento. Isto acarreta imobolização, frequentemente acompanhada pelo desvio da cauda e por características motoras menores como o ato de virar a cabeça para trás, observado em ovelhas e cabras. Em presença de uma fêmea na fase de proestro (fase não receptiva), o macho faz várias tentativas de monta; o pênis fica parcialmente ereto e se projeta do prepúcio, entretanto estas montas não se completam; durante esta atividade, o macho excreta "respingos". Todavia, quando a fêmea está receptiva, a cópula pode ocorrer rapidamente.

Figura 1. Reação de "Flehmen".



Fase consumatória ou de cópula: Na monta, o macho repousa o queixo sobre a fêmea, que responde imobilizando-se. O macho monta, "fixa" seus membros dianteiros ao redor da fêmea, agarra-se firmemente e executa arremetidas pélvicas rítmicas. Depois da ejaculação, o macho desmonta e o pênis é logo retraído para dentro do prepúcio. A maioria dos machos não demonstra atividade sexual imediatamente após a cópula. A duração do período refratário é extremamente variável e aumenta gradativamente quando várias coberturas são praticadas sucessivamente com a mesma fêmea. A figura 2 apresenta um esquema do comportamento sexual.

Figura 2. Esquema do comportamento sexual nas fases de cortejo e cópula.



A frequência de coberturas varia de acordo com a espécie, raça, proporção de machos e fêmeas presentes, espaço disponível, período de descanso sexual, clima e natureza dos estímulos sexuais. O número médio de ejaculações sucessivas para atingir a exaustão é de 10 e 7 para ovinos e caprinos, respectivamente, podendo atingir o número máximo de 30-40 e 14 para as respectivas espécies.

O entendimento das características do comportamento sexual dos animais deve ser considerado na avaliação do desempenho reprodutivo dos machos e fêmeas. A avaliação da libido nada mais é do que a interpretação do comportamento sexual do macho e pode fornecer importantes informações em relação ao número de fêmeas que podem ser acasaladas pelo reprodutor ou mesmo se um reprodutor deve ser mantido no grupo. A avaliação do comportamento sexual do macho é de fundamental importância, visto que o macho deve estar habilitado a detectar as fêmeas em estro e realizar a cópula completa, demonstrando capacidade de serviço. O interesse sexual pode ser identificado pelos seguintes quesitos: identificação de fêmeas em estro; cheiradas; cabeçadas; lambidas; reação de Flehmen; movimentos pélvicos e pingados de sêmen ou plasma seminal. Este teste é realizado contabilizando quantas vezes um reprodutor se acasalou durante determinado período. As informações necessárias para realização do teste da libido estão apresentadas no artigo "Exame andrológico e avaliação da libido", publicado anteriormente nesta seção.

Outras características comportamentais são observadas quando os animais se encontram em grupo.

Em um lote de fêmeas em estro pode ser observado maior atração do macho por uma determinada fêmea do que outras. Estas fêmeas menos atrativas apresentam menor probabilidade de serem cobertas, indicando-se a realização da monta controlada com posterior retirada das fêmeas cobertas do lote a fim de evitar prejuízos pela reduzida taxa de prenhez.

Quando forma-se um grupo de fêmeas adultas e borregas púberes, observa-se que as fêmeas adultas em estro, geralmente formam grupos ao redor dos machos, impedindo que as borregas sejam cobertas. Por isso, os lotes de fêmeas devem preferencialmente serem formados separando fêmeas adultas de borregas; outra possibilidade seria aumentar a relação macho X fêmea ou ainda, realizar monta controlada com separação das fêmeas cobertas.

O reprodutor geralmente apresenta preferência por fêmea da mesma raça, indicando-se utilizar rufiões da mesma raça quando for realizar monta contralada ou inseminação artificial. A separação das fêmeas em lotes de acordo com a raça seria uma possibilidade para evitar preferências por determinadas fêmeas em detrimento de outras.

Com relação aos machos, observa-se formação de uma escala de dominância sexual quando estes são mantidos em grupos. Os machos submissos são em geral impedidos de cobrir as fêmeas pelos machos dominantes. Do mesmo modo, é freqüente observar em grupos de machos, disputas (brigas) por dominância, comprometendo a saúde e bem estar dos indivíduos e ainda, a eficiência na identificação de fêmeas em estro e sua capacidade de serviço. Nestes casos, é importante a formação de grupos de fêmeas menores, evitando a necessidade de se utilizar mais de dois machos por grupo. Quando houver a necessidade de formar grupos de machos para reprodução estes devem ser reunidos um tempo antes do início dos serviços, devendo-se realizar observações do comportamento social e sexual destes animais frequentemente.

Condutas sexuais anormais como homossexualidade, hipersexualidade, hiposexualidade e o comportamento auto-erótico não são comuns. Estas síndromes podem ser devido a fatores genéticos, desequilíbrios hormonais ou falhas de manejo. A homossexualidade refere-se à conduta sexual entre machos e é observada particularmente na puberdade e quando os machos são alojados juntos. O comportamento homossexual é um marcador da dominância sexual entre os machos. A hipersexualidade consiste na crescente excitação sexual (ninfomania) frequentemente ocasionada por desequilíbrios hormonais. A hiposexualidade é caracterizada por diminuição da atividade sexual; sua ocorrência pode ser aumentada em manejos impróprios, com por exemplo nos machos, práticas de colheitas de sêmen inadequadas, ou ocorrências de traumas durante o ato sexual. O comportamento auto-erótico refere-se a respostas sexuais próprias sendo pouco comum em ovinos e caprinos. Nas fêmeas as principais alterações de comportamento sexual observadas são referentes ao intervalo irregular dos estros e são decorrentes a fatores ambientais, nutricionais e hormonais.

Para garantir a eficiência reprodutiva do rebanho cuidados devem ser tomados baseando-se no comportamento sexual dos animais. Na formação dos grupos de fêmeas para reprodução é importante definir lotes por categoria, evitando comprometer o acasalamento das borregas pela interferência de fêmeas adultas. Se houver diferentes raças deve-se evitar misturá-las. Os machos devem ser selecionados pela libido; quando houver necessidade de formação dos lotes de reprodutores estes devem ser reunidos com antecedência, seguindo por acompanhamento frequente. Por fim, todas as práticas do processo de produção, em destaque no período de acasalamento, devem ser realizadas por técnicos bem treinados, devendo-se respeitar o bem estar animal. Assim, todas as biotecnologias da reprodução alcançarão resultados eficientes.

Referências consultadas:

BASCUÑAN, D. S. R.; JORGE, A. M.; ROCHA, G. P.; WESCHLER, F. S.; ANDRIGHETTO, C. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, n.2, p.254-260, 2008.

COSTA E SILVA, E. V. Comportamento e eficiência reprodutiva. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v.31, n.2, p.177-182, abr/jun, 2007.

COSTA, M. J. R. P.; COSTA E SILVA, E. V. Aspectos básicos do comportamento social de bovinos. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v.31, p.172-176, abr/jun, 2007.

HAFEZ, E. S. E. Reprodução Animal. 6ª edição, Editora Manole ltda, 582p., 1995.

VIU, M. A. O.; OLIVEIRA FILHO, B. D.; LOPES, D. T.; VIU, A. F. M.; SANTOS, K. J. G. Fisiologia e manejo reprodutivo de ovinos: Revisão. Disponível em: www.fmb.edu.br/.../Fisiololgia_da_Reproducao_de_Ovinos.pdf. Acessado em: 16/06/2009.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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MANUEL INAQUE

ESTUDANTE

EM 29/07/2019

vamos aproveitar o precioso conhecimento Gostei
RUBEN DOS SANTOS

EM 26/05/2015

hy good morning and how about now.

please sen't  animals dicionary for me ok thans bybae....
ANDRIELLE GOMES ROMEIRO

CORRENTE - PIAUÍ

EM 16/02/2013

mto bom....
NANIIZINHA

RECIFE - PERNAMBUCO - ESTUDANTE

EM 01/10/2012

muito bomm
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