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Como vai a criação de bezerras e novilhas na sua fazenda?

POR LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2013

7 MIN DE LEITURA

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Estes tão frágeis e indefesos animais, por incrível que pareça, morrem em percentuais acentuados na maioria das fazendas de leite. O que se percebe é que, por representarem gastos com retorno demorado e de difícil mensuração, os produtores acabam por deixar este setor aos cuidados do funcionário menos preparado, mal treinado ou inexperiente para tal atividade, advindo então os inúmeros e recorrentes fracassos na cria de fêmeas leiteiras.

Dizemos, ao nos referir sobre melhoramento e seleção genética, que se bem orientada, a geração subsequente deverá ser superior a que a antecedeu. Ou seja, quando logramos uma boa diretriz na seleção, a filha será mais produtiva que a mãe. Pelo menos é o que se busca, acasalando com touros superiores, selecionado as mais produtivas vacas do plantel, sem perder logicamente o foco no fenótipo, principalmente naquelas características que estão ligadas a reprodução, saúde, longevidade e produção.

Diante do exposto, como as bezerras e novilhas não representam encaixe financeiro imediato, são vistas como se não fizessem parte do sistema produtivo e que este importante setor da fazenda pode ficar longe dos mais intensivos cuidados diários e resignado a investimentos reduzidíssimos.

Grande engano, caro produtor! A falta de atenção a estes tenros seres vivos pode representar o sucesso ou o fracasso de sua empresa rural ou seu empreendimento neste setor.

A pesquisa e a prática vivida pelos técnicos que labutam no setor leiteiro determinam claramente que as instalações adequadas, o tratador e a sanidade são fatores que possuem enorme peso no sucesso da cria de bezerras e novilhas.

Citando um exemplo, vários trabalhos de pesquisa e observações práticas de campo nos mostram que bezerras que não sofreram infecções respiratórias ou pneumonia possuem 2 vezes mais chances emprenhar aos 15/16 meses e chegarem ao parto primeiro parto sem complicações.

Dentre outros fatores, ainda temos outros fatores que são causas de redução importante de produção ao primeiro parto:

- Baixa ingestão de matéria seca ao desmame;
- Animais que são acometidos de muitas doenças na cria e recria;
- Baixo peso ao parto;

Acompanhem-me em algumas considerações sobre:

PRODUTIVIDADE

Comparemos 2 fazendas:
 
Fazenda 1 – Cria corretamente suas bezerras/novilhas, emprenhando-as aos 15/16 meses de idade e possui genética para produzir 20 litros nesta primeira lactação.

Fazenda 2 – Possui animais de igual genética, mas que NÃO receberam uma criação adequada e que vão emprenhar aos 20 meses (acho que estou sendo generoso, projetando esta média no Brasil, mas prossigamos).

Vejamos a produtividade por animal que diferencia cada fazenda ao longo se sua vida produtiva.

** Valor recebido pelo litro de leite (média Goiás) out/2013 – R$ 1,15

Simples conclusões:

1 - As novilhas da Fazenda 1, emprenhando aos 15 meses, vão parir aos 24 meses e iniciar sua vida produtiva 5 meses antes das suas contemporâneas da Fazenda 2;

2 – Procedendo assim, a Fazenda 1 retira com 5 meses de antecedência as suas novilhas do estoque de recria, passando-as ao estoque em lactação.

3 – Teremos, com as primíparas da Fazenda 1, antecipação de renda em relação a Fazenda 2, conforme o seguinte cálculo : - 5 meses X 20 litros X R$ 1,15 = R$ 3.450,00.

4 - Se mantivermos estes animais por 4 lactações, cada animal da fazenda 1 terá produzido 12.000 litros ou R$ 13.800,00 a mais se comparada com as fêmeas da fazenda 2.

5 - Suponha esta fazenda 1 com 100 novilhas e chegaremos a interessante cifra de R$ 1.380.000,00. Ou seja a fazenda 1 em 4 lactações de suas 100 vacas, haverá obtido de ingressos o valor acima a mais do que a fazenda 2.

Estes são exercícios matemáticos diários e necessários que fazem com que as fazendas, através de seus gestores, técnicos, assessores e colaboradores, tornem-se diferenciadas no cenário da eficiência produtiva e profissional.

MANEJO

Reflitamos um pouco agora sobre as mal tratadas bezerras recém-nascidas até que cheguem à primeira cobertura ou puberdade.

Sabe-se que a manifestação do primeiro cio fértil (com ovulação) em bovinos está intimamente ligado ao peso desta fêmea. Um crescimento adequado tem seus princípios nutricionais baseados em inúmeros trabalhos científicos demonstrativos e na prática vivenciada pelos profissionais que se dedicam ao tema no dia-a-dia das eficientes fazendas produtoras de leite, nos mais diversos rincões do nosso Brasil e no mundo.

Os ganhos diários esperados para que estas fêmeas leiteiras cheguem ao primeiro serviço, gestação e parto, devem acompanhar uma curva crescente e harmônica em todas as fases de crescimento.

Animais criados corretamente apresentam-se mais produtivos desde o primeiro parto. Esta tarefa, ou o setor de cria e recria da fazenda, necessita que seja incorporada verdadeiramente dentro do sistema produtivo, afim de obtermos novilhas que apresentem um desejável desenvolvimento a cada fase de sua vida.

Não é objetivo deste artigo discorrer sobre as mais diversas formas de como alimentar corretamente as suas bezerras e novilhas, mas sim de despertar a atenção do produtor no sentido de orientá-lo a dedicar muito esforço a estas fases, promovendo uma correta alimentação, possuindo instalações higiênicas e confortáveis, adotando um manejo sanitário rígido, e buscando funcionários bem treinados e dedicados ao bem criar destas jovens fêmeas.

O custo de criação em modelos corretos e adequados nos é dito como limitante ou que o mesmo incide sobremaneira no custo total da fazenda. Entretanto, ao observarmos a tabela já comentada acima, vemos que este custo (que na realidade é um investimento) é significativamente inferior ao potencial produtivo que estará sendo incrementado através do encurtamento do período de recria e pelo aumento do percentual de animais em lactação na fazenda, com novilhas entrando em produção vários meses antes do que aquelas que foram criadas deficientemente.

Aproveitando a “deixa” sobre estoque de animais, aquela fazenda que mantém baixas taxas de reprodução e baixa performance de ganhos diários na cria e recria, terá invariavelmente um alto percentual de animais improdutivos, inviabilizando ou onerando em demasia o custo total. Não esqueçam: - Quem paga a conta na fazenda são as vacas que estão em lactação. Portanto estas devem ser o maior lote possível na fazenda. Se algo estiver diferente na sua, acenda a luz amarela.

Se sua recria for deficiente, se a mortalidade de suas bezerras for alta, se emprenharem acima de 15/16 meses de idade, se a idade ao primeiro parto estiver acima de 24/25 meses, se as vacas estiverem com DEL alto e vazias, retenções placentárias importantes e hipocalcemias frequentes, você está na iminência de ter luz vermelha na fazenda. Pense nisso!

Há que considerar que os vários sistemas de criação, também possuem suas nuances financeiras e que as formas e regras de criação não são fixas ou imutáveis. Muitas vezes devemos acompanhar o bom senso e adaptarmo-nos a cada situação. Mas, por outro lado, o que nunca deve ser deixado no esquecimento é que o tempo de criação (idade ao primeiro serviço ou primeira prenhez) apresenta um enorme impacto no custos e produtividade individual e da fazenda.

Medir, pesar, avaliar, corrigir falhas. Como o seu assessor técnico gostaria de ter estes verbos sendo conjugados diariamente na sua e nas outras fazendas por ele assistidas... Acredite!

Como orientação para o acompanhamento do correto desenvolvimento ponderal de fêmeas leiteiras, valemo-nos de estudos e da vivência profissional para estabelecer alguns parâmetros médios que devem ser alcançados ou nortear os objetivos da cria e recria.
 


Traduzindo em números e para facilitar o cálculo dos pesos-meta para cobertura das novilhas, proceda assim:

1- Determine o peso médio das suas vacas adultas;
2- Calcule 50% deste peso médio, como objetivo de peso para as novilhas estarem aptas ao primeiro serviço aos 450 dias (15 meses);
3- Deste peso obtido, diminua o peso ao nascer da novilha;
4- O resultado obtido deve ser dividido por 450.
5- A resposta será os gramas médios diários que suas bezerras e novilhas deverão aumentar desde o nascimento até o dia de sua primeira inseminação ou cobertura;



Enquanto vamos preenchendo singelas planilhas nas propriedades mais vocacionadas, permitam-me deixar constante uma regra básica para aqueles que desejam evoluir em qualquer ramo de atividade: - Tudo o que você não mede, nunca terá como avaliar resultados e compará-los, tornando-se impossível corrigir rumos e erros. Mantenha este pensamento vivo na sua fazenda, sendo ela grande ou pequena, como um auxílio eficiente para o crescimento econômico da mesma e de seus colaboradores.

Por fim, ainda devemos considerar um item de extrema importância: - O simples fato de estarmos no topo da cadeia alimentar, de possuirmos inteligência e discernimento sobre nossas boas e más ações, estas mesmas vantagens nos impelem a um comprometimento máximo com os seres que nos servem e produzem alimentos para nossa sobrevivência. Assim, sobretudo, esquecendo a face monetária da atividade, devemos encarar o mistério de criar animais como um ato responsável, pois recebemos a vida de um ser sob nossos cuidados e, somente por este simples fato, devemos nos dedicar ao máximo para permitir a estes animais cativos que tenham uma vida digna e saudável.

Até uma próxima!

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Med. Vet. , Esp. em Gado Leiteiro - UFLA

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MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/02/2014

Abertas as inscrições para a segunda turma no curso online Agripoint sobre Compost Barn, com o instrutor Adriano Seddon.

O curso inicia-se dia 10/03.

Para mais informações acesse: https://www.agripoint.com.br/curso/compostagem/
CAROLINE OLIVEIRA

GOIÂNIA - GOIÁS

EM 18/12/2013

Olá!



Entrarei em contato assim que puder.

Muito obrigada pela atenção!



Até logo!



Carol
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/12/2013

Prezado Luiz Einar Suñe da Silva: Aproveito o ensejo para desejar, a você e a toda a sua família, um Feliz Natal e um Ano Novo branco como leite, onde possamos, sempre, ter altas produções, excelentes rebanhos, menos exploração por parte dos Laticínios, muito lucro na atividade (não custa nada sonhar - rsrsrs) e realizar grandes negócios.

Um grande abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

https://www.fazendasesmaria.com

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/12/2013

Boa Tarde Fernando

A comparação é entre 2 fazendas.

Se a primeira seguir criando sempre erroneamente suas bezerras, ao final de quatro gerações ou parições, a segunda terá alcançado este diferencial em relação a primeira fazenda. Haverão 20 meses produzidos a mais pela segunda fazenda com suas novilhas, pois elas sairam do estoque ( prateleira ) e foram para a produção.

Acho que agora ficou mais claro.

Fico ao dispor.

Sds
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/12/2013

Oi Caroline

Boa Tarde

Seu posicionamento é louvável.

Convide seu namorado para nos visitar aqui em Goiânia.

Busque meus contatos com o pessoal do Milkpoint.

Tenho várias fazendas para vcs. visitarem e trocarmos informações.

Duas sugestões apenas:

- Não gaste seu dinheiro com vacas andando no pasto;

- Só trabalhe com vacas produtivas;

É receita infalível para ter sucesso no seu empreendimento.

Sds
CAROLINE OLIVEIRA

GOIÂNIA - GOIÁS

EM 09/12/2013

Olá! Boa tarde!



Sou arquiteta e meu namorado trabalha com gado leiteiro (é peão mesmo! hehehe) e depois de um tempo decidi que quero viver o resto dos meus dias com ele! Além deste fato importante, me apaixonei pela vida no campo e pela criação de gado leiteiro. O meu conhecimento sobre a vida no campo é apenas o que adquiri nas fazendas de tios e pais de amigos desde a infância.

Por isso comecei a pesquisar tudo sobre a criação de gado leiteiro e felizmente encontrei este site! Mas agora, lendo o seu artigo, vejo que tenho um árduo caminho a percorrer e confesso que bateu um desespero quando li o depoimento do Sr. Guilherme Alves de Mello Franco, pois a família do meu namorado é exatamente como o vizinho dele!!! Eles também "tiram um leitinho!" de vacas "oriundas de nada com nada" e "em contato direto com a natureza"!!!! Não quero essa vida p/ minha futura família! Sei que meu namorado é totalmente contra esse "método", já fez vários cursos especializados na área e por isso acredito que o nosso futuro será diferente. Mas e eu? Como posso ajudar? Quais cursos posso fazer para agregar o conhecimento científico adequado ao conhecimento prático e experiência de vida do meu amado?!

Espero que vocês possam me orientar!

Muito obrigada! E me desculpem se desabafei d+! rsrsrs

Abraços!



Carol
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/12/2013

Prezado Luis Einar Suñe da Silva: O grande problema é que esta "fatia" é a maior de todo o bolo produtivo do Brasil, onde a grande maioria pratica uma pecuária de "coitadinhos" ao invés de uma de profissionais.

E a culpa,  neste aspecto, em grande parte, é dos nossos técnicos, sim, porque pretendem melhorar este estado de coisas passando cinquenta para duzentos litros/dia, ao invés de evoluir para mais de 2000.

Uns dizem que, se produzirmos muito, o preço vai ser muito baixo (veja só)... por isso precisamos manter nossas vacas de cinco litros/dia (rsrsrs).

Se isso fosse verdade, que grande desastre seria a produção dos Estados Unidos da América, não é mesmo?

Outros, que o pobrezinho do pecuarista familiar merece ser apoiado (claro, em troca de seu voto), ensinado a aumentar sua produção sem melhorar sua genética; melhorar a qualidade do leite que produz, mas não a quantidade, porque ele, coitadinho, não tem dinheiro para nada (e, assim, neste caminhar, vai continuar a não ter).

Quanto às minhas "vacas de 46,0" você vai se decepcionar, porque são fruto, apenas e tão somente, de uma seleção rígida, de genética apurada. Comuns, bem alimentadas, bem geridas. Excepcionais seriam se produzissem oitenta litros/dia, com o vemos muitas Holandesas por aí (rsrsrs).

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

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FERNANDO ANTONIO DE AZEVEDO REIS

ITAJUBÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/12/2013

Prezado Luis Einar



Fiquei sem entender como voce chegou em 12.000 litros no item 4, no meu entendimento o ganho de 3.000 litros seria apenas na antecipação da primeira lactação em 150 dias de 20 litros, e não 3.000 litros em cada uma das quatro lactações.

O resultado seria apenas 150 dias a mais (3000 litros) mesmo com 1, 2,3 ,4 ou n lactações.



Desculpe se estou interpretando ou entendendo errado, me esclareça por favor.

atenciosamente



Fernando
REGIS NUNES FERREIRA LEITE

LAGOINHA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/12/2013

Sou pediatra,convivo com ser humano que depende de nós,sou pecuarista,crio as bezerras com um carinho ,junto com minha esposa,vemos que elas precisam de nós e seu arigo é um primor. Há 3 anos estou optando p/ um futuro genético melhor,mas sem atenção primaria as bezerras não conseguiremos . Parabens
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/12/2013

Bom Dia Dr. Guilerme

O Sr. lembra daquele artigo que escrevi no ano passado? A CULPA É DO LEITEIRO, segundando o um artigo de sua autoria, foram os mais debatidos neste espaço que o Marcelo, através do MilkPoint nos concede.

Naquele momento, quando falei desta figura, que gosta de barro, vacas magras, carrapatentas, oriundas da cruza de "nada com nada", que extermina bezerros, que não busca informação, que fala mal de uma atividade que ele sequer está inserido, que convive com moscas e mau cheiro, acredite ou não, houveram muitos leitores que os defenderam como se fossem vítimas de opressão, como se o governo ou a sociedade impedísse-os de se tornarem produtivos.

O exemplo que o Sr. cita é clássico e representativo desta fatia que insiste em ser retrógrado e sentir-se um pobre coitado.

Essas suas vacas de 46,0 ainda vão fazer eu espichar um final de semana nestas Minas Gerais.

Grande abraço

Obrigado pela atenção.
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/12/2013

Prezado Dr. Paulo

Agradeço sua participação e elogios.

Estamos na mesma luta por uma pecuária leiteira eficiente e lucrativa.

Grande abraço
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/12/2013

Prezado Luiz Einar Suñe da Silva: O maior problema da pecuária leiteira não é falta de assistência técnica competente. É a falta de interesse dos próprios produtores em tê-la a seu lado.

Exemplo disso somos eu e meu vizinho - enquanto me esforço à procura da expertise em produção de leite, ele, como você diz, "tira um leitinho".

Enquanto minhas vacas são assistidas por um Médico Veterinário competente, as do vizinho nunca viram um.

Enquanto minha sala de ordenha é um ambiente hígido, controlado, estéril, a dele é no barro mesmo, debaixo da árvore, "em contato direto com a natureza" (rsrsrs).

Enquanto minhas vacas são fruto de cruzamentos genéticos voltados para a maior produção individual, com registro genealógico e controle leiteiro semanal, com inseminação artificial, fertilização "in vitro", transferências de embriões importados, as dele nem sei de que raça são, de tão mestiças, filhas de um touro magro, orelhudo, cupinzeiro, que teima em estar vivo.

Enquanto minhas vacas têm dieta balanceada, nutricionista, comem silagem de alta qualidade, as dele respiram fundo e colhem o pasto seco na maior esganação.

Enquanto minhas vacas têm média de 46,5 quilogramas de leite/dia, as dele não alcançam nem a 6,00.

Mas, o que me preocupa, realmente, é que meu vizinho é que é um típico produtor de leite brasileiro, não eu...

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

https://www.fazendasesmaria.com

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Roberto e Vicente

Agradeço pela intervenção.

Concordo com vc., faltam profissionais no setor ( produtores e técnicos ), mas principalmente gestores rurais.

A rentabilidade do setor leiteiro apresenta-se muito boa. Então como justificar a falta de crescimento justamente numa época de preços interessantes ao produtores?

Simples, a palavra é Gestão, e por ela, passam produtividade individual, custos alimentares, investimentos equivocados, fazendas mal localizadas, proprietários despreparados, etc..

Permitam-me alguns comentários simbólicos, para evitar dar "nome aos bois".

Como lhe pagam o litro de leite, por volume ok! Produzir com qualidade e higiene é obrigação de todos, pois se vc. produzir pouco ou muito deve ser ótimo produto. Concordam?

Muito bem, se vc. desejar diluir custos fixos, como faria? Produzindo muito ou muitas unidades ( , se fosse numa fábrica ).

Qual máquina vc. comparia para sua fábrica ? Uma que produz 10 unidades ( entenda-se litros)  e que em 12 meses ficasse 4 ou 5 parados ) ou uma que produz 10 meses e se vc. não secar, chega aos 12 meses trabalhando?

Vamos para outra hipótese: - Vc. quer ganhar uma prova de hipismo ( corrida de cavalos ), são 400 metros. Vc. compra um cavalo quarto de milha ou um jumento?



Agora vamos para uma fazenda leiteira. Vc. já viu quantas raças são criadas como leiteiras?

Há como ajudar um sujeiro que pensa como o dono da fábrica que compra uma máquina que produz 10 unidades ou o sujeito que aposta no jumento?

Então amigos, persistindo estes conceitos em nosso meio, com vacas andando 2 km em estrada de cascalho para depois ser ordenhada, sem contar o que ela andou para encontrar uma braquiarinha dura, fibrosa, desnutrida e ainda ter que produzir 4 litros para o sujeito que é o grande ator do cenário - O LEITEIRO, aquele famoso "gigolô de vaca" e exterminador de bezerras. Impossível mudar o conceito do setor leiteiro com gente assim que fala mal de uma atividade por fazer tudo errado.

Acreditemos que futuras gerações mudem este "status" de coisas.

No dia em que nossas vacas, estas máquinas de produzir alimentos, comam o que necessitam, tenham a melhor genética incorporada, disponham do melhor conforto possível, possam descansar seus pesados corpos num ambiente adequado e tirar um bom cochilo á sombra. Estaremos começando a nos portarmos como empresários ou profissionais do setor leiteiro.

Abraço
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Caro Dr. Guilherme

Boa Tarde

Sei que o conteúdo de meu artigo é quase "chover no molhado" no dia-a-dia de sua bem gerida fazenda.

Oxalá, pudéssemos multiplicar a todos os rincões deste país, este e outros conceitos de criação animal.

Como bem salienta em seus sempre inteligentes comentários, seríamos outro país agropecuário.

Enfim, façamos a nossa parte, e busquemos a participação de nossos assistidos e parceiros do campo, para que "ao tranco" como dizemos lá no meu RS, tenhamos cada dia mais profissionais chegando e realizando bem esta arte que é a de criar animais.

Grande abraço
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Caro Afonso

Boa Tarde

Vc. realmente tem razão, onde escrevi litros deveria constar R$.

De qualquer forma, como bem vc. salienta é muita grana para deixar sair da porteira.

Obrigado pela participação.

Abs
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Alexandre , Dalva, Sinira e Ciro

Boa Tarde

Rodando por este Brasilzão, é impossível deixar de sentir a força de trabalho de nossa gente ( indústria, transporte, comércio, etc.) , porém a nossa agropecuária, e falemos aqui da leiteira, não está acompanhando o tanto que necessitamos crescer. Engantinhamos em todos os sentidos.

Enquanto temos que a base americana para as vacas de leite, oscilam em 10.400 Kg numa lactação de 305 dias, as tupiniquins produzem pífios 1300 ou 1400, isso é vergonhoso, pois dá uma média de 4 kgs/vaca/dia. Mal alcança para criar um gato.

Cruzamos excepcionais produtoras holandesas com reprodutores de raças cujos dados para produção leiteira não são expressivos, derrubando assim a capacidade genética para produção das gerações seguintes. E por aí vai.....

Vejam bem, pesquisa e técnicos capacitados existem e podemos multiplicá-los aos montes, se houver mercado.

A grande trava é o sujeito que diz "tirar um leiteinho" e vai morrer tirando o tal leitinho.

Nosso grande obstáculo é fazer ver aos gestores públicos que devemos abrir linhas de créditos para os profissionais da área ( produtores ou técnicos ).

Muitos de nós que trabalham no setor ou prestam assistência para um sujeito que teve a sorte do pai deixar um pedaço de terra com o qual não sabe o que fazer ou não quer, deveriam ter a oportunidade de receber uma chance de desenvolver uma atividade própria, pois está capacitado á produzir.

Teríamos assim um salto enorme em produtividade no Brasil.

Tentem obter um crédito para comprar uma fazendinha, entretanto para carros, apartamentos, motos, iates sobram linhas.

Isto não lhes parece uma enorme falta de visão para o futuro do Brasil.

Por enquanto vamos assim, criemos e ensinemos como salvar as bezerrinhas, um dia as coisas devem mudar.

Obrigado pela participação

Grande abraço
PAULO R. F. MÜHLBACH

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Muito bom! Artigo cinco estrelas, gostei demais do último parágrafo.
VICENTE ORCY TORRE

CRUZEIRO DO OESTE - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Parabens Luiz pelas suas colocações, principalmente quando voce coloca uma frase de suma importancia na gestão de uma propriedade leiteira.

Quem não mede nem afere, não sabe os resultados a serem alcançados.

A nivel de região e país quanta propriedade está estagnada e pobre nesta atividade. Falta assistencia técnica e extensão rural, e mais profissionais .
ROBERTO SULZBACH

ESTRELA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 05/12/2013

parabéns pela matéria, excelente.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2013

Prezado Luís Einar Suñe da Silva: Muito bom artigo.

Precisamos fazer com que o produtor nacional acredite que as bezerras têm e devem ser bem cuidadas para o bem do futuro de um rebanho.

Economizar na quantidade de leite e de ração que se destina a elas não é a saída para a redução dos gastos, já que, assim agindo, eles irão aumentar com a necessidade do uso constante de medicamentos e a baixa produção apresentada à primeira parição.

Além do mais, o descuido sanitário com as bezerras vai gerar uma taxa de mortalidade muito grande, o que, em muitos aspectos, pode inviabilizar todo o sistema.

Outro aspecto crucial é a acurácia genética, visando, sempre, a criação de animais cada vez mais especializados na produção de leite, com aspectos morfológicos perfeitos, que vão confirmar a sua excelência como futura vaca diferenciada.

Nós, da ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA temos tido, há oito anos, extremo cuidado com este primordial estágio de nossa criação, atuando com a utilização da Medicina Veterinária preventiva, o que nos levou a um índice desprezível de mortes (em cinco anos, uma única bezerra foi vítima de problemas sanitários no nosso rebanho e duas outras pereceram pela ação de animais peçonhentos), já que temos mais de quatorze nascimentos de fêmeas por ano.

Não é desnecessário informar que fornecemos, do nascimento ao desaleitamento (que se dá aos sessenta dias), cerca de doze litros de leite integral ao dia  para cada bezerra, divididos em três refeições diárias, nunca substituindo o leite por sucedâneos, e ração peletizada de alta qualidade proteica.

Nosso índice de prenhês gira em torno dos quinze meses de vida, não raro tendo parições aos vinte e dois, vinte e três e vinte e quatro meses de idade.

Nossa média de produção, na primeira parição, gira em torno de trinta litros/animal/dia.

Nossos animais são separados entre produção e pista.

Esperamos que, sinceramente, todos os nossos colegas de pecuária leiteira atinjam, o quanto antes, resultados melhores que os nossos, pois só assim o Brasil será autossuficiente em genética e em produtividade, saindo do desconforto das lactações médias abaixo de seis litros/animal/dia.

Artigos como este são um bom motivo para esta mudança.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

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