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Plataforma digital: base de programa de pesquisa e extensão em rede

POR DUARTE VILELA

E ELIZABETH NOGUEIRA FERNANDES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/03/2021

6 MIN DE LEITURA

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Um programa de pesquisa, inovação e extensão rural está sendo estruturado em Rede virtual e poderá nortear as futuras ações de pesquisa e transferência de tecnologia de uma determinada cultura, seja esta anual ou perene.

A troca de informações entre os potenciais usuários da Rede, não só no Brasil, mas em toda América Latina, criará uma base de conhecimento de fundamental importância para os futuros trabalhos de pesquisa e extensão rural com determinada cultura.

Evita-se, assim, a duplicidade de ações, com economia de tempo e dinheiro, bem como a divulgação de informações seguras, de fácil acesso e de forma gratuita.

Recentemente foi criada a Rede de Pesquisa, Inovação e Extensão de Alfafa (REPIE-Alfafa), que já conta com 170 colaboradores pesquisadores, professores de ciências agrárias, extensionistas, produtores rurais e especialistas da iniciativa privada ligados à cultura da alfafa de todas as regiões do Brasil, assim como convidados de instituições públicas e privadas da Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela.

Todos participantes, ativos no processo de desenvolvimento da Rede, têm acesso, como usuários, às informações disponíveis, o que traz benefícios e favorece a troca de conhecimentos. Não há limites de participantes e sua adesão é franqueada àqueles que têm interesse diretos ou indiretos na cultura da alfafa.

O objetivo da REPIE-Alfafa é ter essa cultura como base de uma Plataforma Tecnológica Virtual, direcionando futuras ações de pesquisa e extensão em Rede, gerando conhecimento para promover desenvolvimento sustentável ao setor pecuário e à agroindústria transformadora, por meio da pesquisa, inovação e extensão.

Além da construção e gestão da base de conhecimento sobre a cultura, a Rede está articulando com o Instituto Pecege, que tem experiência em Educação a Distância (EaD), Embrapa, Universidades e EMATER-RS a formatação de um curso de capacitação de técnicos de assistência técnica e extensão rural (Ater) privada ou pública para atuação junto aos produtores rurais.

Esta capacitação de multiplicadores se fará por meio do Programa Ater Digital, um programa de governo, recém lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que também é parceira da Rede, com o objetivo de fortalecer e ampliar o sistema brasileiro de Ater.

Trata-se de um modelo inovador de governança, que busca promover a ampla utilização de tecnologias da informação e comunicação (TICs) nas ações desenvolvidas pelas empresas de Ater e do agro brasileiro, ampliando o acesso dos agricultores a serviços modernos, ágeis e eficientes, aumentando, assim, a sua competitividade.

Este é um modelo piloto que prevê beneficiar produtores rurais, sendo assistidos por serviço de extensão rural pública e privada de forma ágil e gratuita; com acesso rápido aos conhecimentos tecnológicos e inovadores disponíveis sobre a produção agrícola de determinada cultura – neste caso específico, a alfafa; apoio à integração entre as ações de pesquisa com a extensão rural e assistência técnica; assim como incentivo a ganhos de produtividade e competitividade.

Já está disponível o livro “Alfafa: do cultivo aos múltiplos usos”, lançado recentemente em parceria com o MAPA e editado de forma eletrônica (clique aqui para ter acesso), que será utilizado como roteiro nas capacitações.

Para atender demanda específica, o MAPA pretende lançar em forma impressa mil exemplares desse livro. Além do mais, uma versão eletrônica em espanhol será também brevemente lançada pelo MAPA.

A base do curso, envolvendo desde o cultivo à utilização da alfafa nas diferentes formas e para diferentes espécies animais, contará com 14 módulos, subdivididos em três tópicos:

  • Aspectos agronômicos,
  • Econômicos;
  • Uso na alimentação animal.

A parte econômica abordará a viabilidade econômica da produção, utilização e comercialização da alfafa nas suas diferentes formas. Será ministrado por pesquisadores/professores nacionais e internacionais com grande expertise na cultura da alfafa.

Técnicos da ATER, profissionais de assistência técnica pública e privada ligados a indústrias e cooperativas, especialistas ou com grande interesse no cultivo de alfafa, poderão participar online gratuitamente. O curso será avaliado pelos alunos, buscando assim sua melhoria técnica e didática. Ao final, o participante obterá um certificado do nível de conhecimento que alcançou, dependendo do conjunto de conhecimentos adquiridos. Haverá processos de legendagem e tradução (inglês e espanhol), quando necessário, através do sistema de Skylar https://skylar.ai/, uma Startup do Pecege https://pecege.com, que cuidará da legendagem do conteúdo. As inscrições serão abertas em breve, possivelmente no segundo semestre de 2021.

Internamente, a Rede tem promovido, desde 2020, seminários técnicos entre seus membros, visando a troca de experiência e o conhecimento das inovações que estão sendo desenvolvidas nas instituições nacionais e internacionais. O palestrante apresenta os avanços em pesquisa e extensão nas respectivas áreas de conhecimento, aspecto relevante para evitar o retrabalho ou mesmo permitir ajustes para as condições brasileiras.

Como projetos prioritários, discutiu-se em seminário específico, os desafios à cultura da alfafa, destacando-se: melhoramento genético; produção de sementes; manejo da irrigação, controle de plantas daninhas e doenças; rotação de culturas e benefícios de intercalar culturas, métodos de secagem da planta, equipamentos de fenação e ensilagem, utilização na dieta de animais de alto potencial genético (gado de leite, gado de corte, equinos, ovinos e caprinos).

Não há dúvidas de que o fomento a esta cultura forrageira vem ao encontro das diretrizes do MAPA, assim como de parceiros da iniciativa privada, tendo em vista estimular a cultura e proporcionar mais uma alternativa que apresenta alta capacidade de produção por área, com ampla agregação de valor, ampliando a pauta de exportação de produtos nacionais, além de disponibilizar ao mercado doméstico fonte proteica de alta qualidade, diminuindo o custo de alimentação animal e melhorando, consequentemente, a renda do produtor.

A demanda mundial de feno de alfafa em 2019 foi de 8,5 milhões de toneladas de feno/ano, gerando US$2,5 bilhões. Os principais países importadores são Arábia Saudita, China, Japão e Coréia e, os exportadores são Estados Unidos, Austrália e Espanha. A Argentina cultiva próximo a quatro milhões de hectares sendo que 850 mil hectares são destinados à produção de feno.

Outro ponto fundamental para estimular a difusão e a expansão da cultura no Brasil, é a redução do custo de produção e a diversificação da renda de pequenos agricultores do nordeste brasileiro. Em recente trabalho de pesquisa constatou-se a viabilidade econômica de se produzir sementes de alfafa no semiárido, podendo eliminar, assim, a dependência do Brasil em importar sementes.

Na Paraíba, a Universidade Federal de Campina Grande em parceria com a Embrapa, alcançou a produção de 1.280 kg de sementes/ha em experimentos exploratórios. Para se ter ideia, o Brasil importa sementes de alfafa da Califórnia-EUA, onde a produção não ultrapassa uma tonelada por hectare.

Conclusão: A Rede de Pesquisa, Inovação e Extensão de Alfafa (REPIE-Alfafa), utilizando a ferramenta ATER Digital, será a oportunidade que ainda faltava para inserir definitivamente a cultura da alfafa como opção forrageira no Brasil de forma sistêmica e acessível a pequenos e médios produtores, assim como orientar os grandes produtores de feno, pré-secado e pellets de alfafa a serem competitivos no mercado internacional.

Pelo potencial de multiuso da alfafa, da pecuária à agroindústria transformadora (farmacêutica, cosmética e culinária) e sua capacidade de ser cultivada de Norte ao Sul do País, não há dúvidas de que o Projeto Piloto será implantado com sucesso e a REPIE-Alfafa consolidada como referência para toda a América Latina.

Se tiverem interesse na cultura da alfafa e quiserem participar, com direito a assistir gratuitamente um seminário técnico por mês, relacionado à cultura da alfafa, basta se manifestarem por e-mail com os gestores da Rede:
duarte.vilela@embrapa.br;
mbrandoli@emater.tche.br;
reinaldo.ferreira@embrapa.br;
elizabeth.fernandes@embrapa.br;
silvia.onoyama@agricultura.gov.br;
soares@utfpr.edu.br;
mariapizani@pecege.com;
basigalup.daniel@inta.gob.ar 

A plataforma digital utilizada até o momento é o WhatsApp.

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DHONATHA RIGO

EM 22/03/2021

Muito bom. Que essa estratégia possa colaborar nas diversas frentes de ação da rede e que promova a reapresentação dessa cultura aos agricultores e investidores do campo. A alfafa pode se tornar uma possibilidade real para diversificação produtiva e agregação de renda para campo brasileiro...
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