ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Como Escolher um Substituto de Leite Para Bezerros - Parte I

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/06/2000

5 MIN DE LEITURA

1
1
José Roberto Peres

No período de inverno historicamente o leite tem melhor remuneração. Já considerando isto, muitos produtores concentram os partos nesta época visando maior produção. Este procedimento, apesar de permitir o aumento da produção também determina um maior desvio de leite para a criação das bezerras, o que contraria o objetivo inicial. Uma boa maneira de se contornar este problema é a utilização de substitutos de leite.

Atualmente existem bons produtos no mercado, que permitem um desenvolvimento semelhante ao leite da vaca, com algumas vantagens adicionais:

- Menor custo: economia direta.

- Formação de maior cota (onde este sistema prevalece): melhor remuneração no verão.

- Alimentação padronizada e saudável: um bom substituto possui composição constante e balanceada.

- Desmama precoce: o menor teor de gordura (respeitado o mínimo), quando comparado ao leite de vaca, estimula o consumo de concentrado e consequentemente o desenvolvimento do rúmen viabilizando a desmama precoce.

- Controle de doenças transmissíveis pelo leite: quando o produto é pasteurizado.

- Eficiência de mão-de-obra: o trato das bezerras pode ser feito no horário mais conveniente.

No entanto, o ponto chave para se beneficiar de tais vantagens é saber diferenciar produtos bons dos ruins, evitando perdas preciosas no rebanho. A prática mostra que os produtores normalmente utilizam o preço como parâmetro básico de escolha, sem considerar a qualidade, o que muitas vezes leva a sérios prejuízos por problemas que vão desde uma diarréia até a eventual morte da bezerra.

Logicamente o preço do produto é importante. Um substituto de leite não pode custar mais que o próprio leite da vaca. Todavia, certamente é mais econômico utilizar um produto que proporcione um menor diferencial de preço, mas que atenda as exigências dos animais, sem prejuízo a sua saúde ou desenvolvimento, evitando enormes gastos com medicamentos (melhor custo/ benefício).

A seguir são fornecidos parâmetros práticos para a escolha e aquisição de um substituto de leite. Inicialmente deve-se observar as características de sua composição. No rótulo do produto encontramos informações valiosas para avaliação de um substituto de leite:

- Ingredientes: Normalmente não são uma boa fonte de informação pois muitas vezes ingredientes são ocultados e principalmente não se sabe sua proporção na fórmula (somente os que participam em mais de 50% na fórmula tem seu teor revelado). O que se espera neste item é que os principais ingredientes tenham origem láctea como o soro de leite, o soro delactosado ou ainda a proteína concentrada de soro. A proteína de células vermelhas do sangue também é uma fonte de qualidade. Algumas fontes de proteína vegetal como a proteína isolada de trigo ou de soja podem substituir parte da proteína. Estes produtos são processados de tal forma que praticamente toda a fibra, o amido e os fatores anti-nutricionais são extraídos, resultando num produto que se constitui quase que exclusivamente de proteína. Dessa forma eles não causam danos ao intestino. Portanto, a questão da proteína vegetal está ligada a outras frações e fatores antinutricionais existentes nos vegetais, e não à qualidade da proteína propriamente dita. Por outro lado, produtos vegetais usuais como o farelo de soja e o fubá de milho são ingredientes que não devem constar da lista pois sua digestibilidade é baixíssima nesta fase e os problemas de diarréia seriam certos.

- Teor de fibra bruta: Talvez o ponto mais importante a observar. O teor de fibra é uma medida indireta do teor e qualidade da proteína vegetal utilizada. Quanto mais fibra, maior a quantidade e pior a qualidade da proteína vegetal utilizada. Valores até 0,5% são ideais, entre 0,5 e 1% aceitáveis em algumas situações e produtos com mais de 1% de fibra bruta devem ser desconsiderados.

- Teor de proteína bruta: Um mínimo de 20% é recomendado. O teor ideal, no entanto, parece ser 22%. Esta é uma fase em que o bezerro está depositando grande quantidade de massa muscular e o teor de proteína é importante para garantir máximo desempenho. Além disso, este valor deve ser maior quanto maior a inclusão de proteína vegetal, para compensar a menor digestibilidade. Todavia valores muito elevados oriundos de fontes vegetais podem causar irritação no intestino e diarréias (associe ao teor de fibra anteriormente mencionado).

- Teor de gordura: Em condições tropicais, o teor de 15% é o recomendado, devendo chegar a 20% em condições de clima mais frio. Valores menores não fornecem energia suficiente. Valores superiores podem deprimir o consumo de concentrado, atrasando o desenvolvimento do rúmen. Na realidade, o teor de gordura pura e simplesmente não tem grande significado. As diversas fontes de gordura possuem diferentes valores de digestibilidade, e portanto o ideal seria conhecer a mistura de gorduras utilizadas na formulação. O óleo de coco é superior à banha, que por sua vez é superior ao sebo, que se iguala ao óleo de palma em digestibilidade. Os óleos vegetais altamente insaturados como o óleo de milho, soja e girassol não são recomendados. Só um correto balanceamento das fontes de gordura atende as exigências dos animais em termos de ácidos graxos.

- Teor de lactose: nem sempre consta do rótulo dos produtos mas se constitui num indicador indireto do teor de ingredientes lácteos. A lactose é um carboidrato só encontrado no leite que o bezerro está adaptado a digerir e portanto um mínimo de 40% (e um máximo de 50%) de lactose na formulação indicam a utilização de grande proporção de ingredientes lácteos na fórmula do produto.

- Teor de umidade: a umidade deve ser a mais baixa possível (< 5%) por dois motivos: não se deseja comprar água a preço de leite em pó; e a umidade favorece a deterioração do produto, o que não é desejável. A comparação do preço de dois produtos deve ser feita com base no teor de matéria seca pois alguns produtos mais baratos possuem altos teores de umidade.

No próximo artigo serão feitas outras considerações sobre a escolha de um substituto de leite.

Comentário do autor: os substitutos de leite podem proporcionar economia na fazenda. No entanto, para que se tenha sucesso é necessário que o produto utilizado permita o correto desenvolvimento das bezerras. Isto pode ser conseguido através da escolha e utilização cuidadosa do produto.

********


fonte: MilkPoint

1

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

JOSÉ PAIVA SOARES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 14/05/2017

Muito bom seu artigo. Tenho tido dificuldade para encontrar um bom substituto para o leite na amamentação de cordeiros, já tentei várias marcas a maioria é farinha pura só encontrei duas marcas que teve boa aceitação mas alguns parâmetros são bem diferente dos que você mencionou. Gostaria de saber se pode me indicar algumas marcas que tem parâmetros próximos do que mencionou no seu artigo.

Obrigado.

Paiva.
MilkPoint AgriPoint