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Como encontrar a quantidade de massa de forragem disponível nos piquetes

POR MURILO SARAIVA GUIMARÃES

E DIEGO AUGUSTO RIBEIRO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/08/2013

4 MIN DE LEITURA

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Como continuação das dicas para o manejo correto de piquetes de módulos rotacionado escrevemos o texto a seguir que poderá auxiliar na busca da capacidade de suporte dos piquetes. Aqui iremos descrever alternativas possíveis para auxiliar o produtor a determinar a massa de forragem de piquetes manejados sobre estratégia de pastejo rotacionado, de forma a ser aplicada no campo com poucos instrumentos na tentativa de encontrar valores aproximados, que mesmo sem a precisão de métodos laboratoriais mais detalhados, irão ser de grande serventia para as tomadas de decisões dos produtores.

É muito importante entendermos que o planejamento da alimentação na produção animal é essencial, pois os alimentos se configuram como insumo de maior demanda e com maior participação na formação dos custos, refletindo diretamente no sucesso da atividade (Pedreira et al., 2005). As pastagens no Brasil são as principais fontes de alimento utilizadas na pecuária, e são caracterizadas por baixos custos e grande aptidão produtiva. O baixo custo das pastagens, a baixa capacidade de previsão da produção e o limitado controle da produtividade e dos estoques de forragem (Euclides et al., 2000 apud Pedreira et al., 2005), talvez sejam os principais motivos pelos quais os sistemas de produção animal sejam tão pouco planejados até os dias atuais. O primeiro passo a ser dado para um adequado planejamento é a quantificação da produção de matéria seca nas pastagens. O objetivo desse primeiro passo é adequar a demanda dos animais à oferta de forragem das pastagens.

Existem vários métodos para a amostragem das áreas de pastagem para a quantificação da massa de forragem. O método do quadrado (amostragem direta) talvez seja o mais utilizado para amostragem de forragem. Esse método consiste na utilização de uma moldura quadrada, de área conhecida, que é utilizada para delimitar a área correspondente à forragem que será cortada, sendo cortada toda a forragem que estiver dentro da moldura. A área da moldura irá depender da heterogeneidade espacial da vegetação, sendo que as amostras devem ser representativas também da estrutura (densidade e variações pontuais da massa de forragem) (Pedreira et al., 2005). Em uma área de pastagem de Tifton-85 deve-se utilizar uma moldura de área menor (em caso de moldura quadrada pode ter 50 cm por lado, e no caso de ser circular podem ter diâmetro de 50 cm) em relação a uma pastagem de capim elefante (o recomendado seria molduras com pelo menos 1 m de lado ou diâmetro), por exemplo.

Para encontrar de forma aproximada a quantidade de forragem disponível é necessário fazer o corte da forragem que estiver acima da altura que pretende deixar como altura de resíduo (por exemplo, 10 cm acima do nível do solo para o Tifton 85), depois pesar cada amostra e calcular o peso médio de forragem por metro quadrado (PM) (para molduras menores do que 1m², como por exemplo, com 50 cm de lado é preciso multiplicar pesos das amostras cortadas por 4 para se chegar ao PM/m²).

Exemplo 1:

-Usando molduras de 50x50 cm;
-Peso total da forragem cortada acima da altura de resíduo: 90 g.

Após a pesagem, a forragem deverá ser seca, podendo ser naturalmente ao sol por 3 dias (produção de feno), neste caso deve ser considerado que mesmo assim a forragem ficou com cerca 12-13% de umidade, que deverá ser descontado da matéria seca encontrada. Após a secagem a amostra deve ser pesada novamente para a obtenção da massa seca e então, para calcular o teor de matéria seca da forragem, utiliza-se a seguinte fórmula:

%MS = (Massa Seca g/Massa Verde g) x 100

Exemplo 2:


-Massa verde da amostra= 90 g;
-Massa seca da amostra= 38 g (seca ao sol);
-% MS= 38 g/ 90 g= 43%;
-Correção por ter sido secado ao sol:

43% - 13%= 30% MS

Outra forma de determinar a MS é utilizar o forno de micro-ondas. A partir daí, para se estimar a produção de MS por ha, deve-se realizar o seguinte cálculo: MS ha-¹= PM.m-² x %MS x 10.000 m², sendo o resultado dado em kg de MS por ha. Esse resultado servirá de base para o calculo de variáveis que irão determinar a capacidade de suporte do sistema e servirá também para a definição das estratégias de manejo mais adequadas (EMBRAPA, 2006).

Exemplo 3:

-Área da moldura é de 0,25 m²;
-PM.m-²= 90 g x (1m²/0,25 m²) = 90 x 4= 360 g m²;

Transformar em kg para os próximos cálculos:

-360 g m²/1000 g= 0,360 kg m-²
-MS ha-¹= PM.m-² x %MS x 10.000 m-²

MS ha-¹ = 0,360 kg m-² x 30 % x 10000 m² = 1080 kg MS ha-¹

No próximo artigo iremos mostrar como usar este resultado para determinar a capacidade de suporte do piquete.

Referências bibliográficas


PEDREIRA, C. G. S.; PEDREIRA, B. C.; TONATO, F. Quantificação da massa e da produção de forragem. In: Teoria e prática da produção animal em pastagens – Anais do 22° Simpósio sobre Manejo da Pastagem. Piracicaba: FEALQ, 2005. p. 195-216.

EMBRAPA. Método do quadrado para estimar a capacidade de suporte de pastagens. Disponível em: https://www.cpafro.embrapa.br/media/arquivos/publicacoes/folder_metododoquadrado_pastagens_.pdf. Acesso em 27 jul. 2013.

SANTOS et al. Determinação de teor de matéria seca na fazenda método utilizando forno de micro-ondas doméstico. Disponível em https://www.beefpoint.com.br/radares-tecnicos/pastagens/determinacao-de-teor-de-materia-seca-na-fazenda-metodo-utilizando-forno-de-microondas-domestico-21294. Acesso em 07 ago. 2013.

 

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MURILO SARAIVA GUIMARÃES

Consultor da Campo - S/A
Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ - USP
Mestre em Ciência Animal e Pastagem pela ESALQ- USP

DIEGO AUGUSTO RIBEIRO

Consultor da Campo S/A, Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ - USP, Pós-Graduado em Administração de Empresas pela IBE - FGV

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EDINALDO PEREIRA DOS SANTOS

TRAIRÃO - PARÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 10/12/2020

Excelente texto.
BENJAMN GUIDO ZON

COLATINA - ESPÍRITO SANTO

EM 29/06/2020

Bem esplicado!
IVANI BRITO

EM 03/12/2018

Cálculo de forragem
ROBERTO DOUGLAS DIAS ROLIM

IPAUMIRIM - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/07/2015

Nobre Murilo, parabéns pelo relevante trabalho que esta fazendo em seus artigos juntamente com o Diego.



Sou do ceara e o nosso pequeno criador, digo, tanto o pequeno como o médio, não tem esse habito de fazer esses simples ajustes em seus criatório. Ainda que seja uma criação de "subsistência", o animal precisa de uma manutenção alimentar próxima da adequada.



Gostaria de saber se esses cálculos podem servir como base para pastagens nativas, ou onde a área tenha forragens misturadas. Pois eu visitei uma área que existe mais de 1 (uma) variedade de capim. Como proceder os cálculos?



Forte abraço.
MURILO SARAIVA GUIMARÃES

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/05/2015

Gean, bom dia.



O valor de 1080 foi encontrado para o exemplo acima. Ele se refere a amostragem que no exemplo deu um resultado de 90 g de forragem com matéria seca, após correção, de 30% aproximadamente. Vc deve fazer mensalmente a amostragem em seu piquete para encontrar a produção de forragem daquele ciclo. É importante ressaltar que a produção de forragem apresentam variação de acordo com fatores como época do ano, volume de chuvas, temperatura, espécie da planta forrageira, tipo de solo, etc.



O valor de 55% de eficiência de pastejo não é universal, mas vc pode tentar melhorar essa eficiência com técnicas de manejo como uso de piquetes pequenos, aumento da taxa de lotação, uso de período de descanso adequado, não deixar o capim passar da altura de entrada. O valor de referência de 55% pode sim ser uma eficiência legal para se conseguir no início e com o passar do tempo e vcs estarem acostumados com o uso deste sistema, poderá buscar aumentar essa eficiência sempre acompanhando o desenvolvimento dos animais, para que não sejam prejudicados. Lembrem que 100% é impossível.   
GEAN RAFAEL

MOSSORÓ - RIO GRANDE DO NORTE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/05/2015

o valor 55% de eficiencia de pastejo, tambem é padrão pra qualquer forrageira
GEAN RAFAEL

MOSSORÓ - RIO GRANDE DO NORTE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/05/2015

esse valor de 1080 kg MS ha, pode ser considerada como padrão para qualquer forrageira...
CLÁUDIO FAUSTO SILVA

EM 31/10/2014

gostaria de saber se o cruzamento do santa ines com dorpe é correto. tenho 1 ha de tifton quantos piquetes poderia formar e quantos animais poderia cria e recriar.
MURILO SARAIVA GUIMARÃES

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/10/2013

Camila e Fábio obrigado, espero que estes artigos tenham ajudado na rotina de manejo de pastagem dos seus sistemas de produção.
FÁBIO FERREIRA DE MORAES

SOBRAL - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 30/09/2013

Gostei do artigo, parabéns !!
CAMILA MAKI YAMASHITA

SÃO GOTARDO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 19/08/2013

Mais uma vez, um ótimo artigo Murilo. Parabéns.
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