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Transfusão de sangue em bovinos: como e quando fazer?

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/06/2005

6 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 29/12/2020

A transfusão de sangue em bovinos é uma prática utilizada com pouca frequência na rotina de um rebanho, todavia a transfusão é um importante método para salvar animais com anemia severa. É essencial que um funcionário esteja treinado para executar a transfusão, já que como uma medida de emergência não há tempo suficiente para aguardar um veterinário ou para comprar o material.

 

Quando realizar a transfusão de sangue?

A transfusão é necessária quando há uma hemorragia ou uma destruição de eritrócitos que desencadeiam os sinais clínicos decorrentes da redução do aporte de oxigênio no organismo e de anemia. A perda de aproximadamente um terço do volume sanguíneo pode resultar em choque e morte do animal. A transfusão do plasma é necessária em casos severos de hipoproteínemia ou em neonatos para auxiliar na transferência de imunidade passiva.

O parâmetro utilizado para indicar a necessidade ou não da transfusão sanguínea é o hematócrito, mas também podem ser utilizadas as concentrações de hemoglobina, concentração de proteína no plasma e sinais clínicos tais como a taquicardia, dispnéia, letargia, etc. Um outro importante parâmetro que não deve ser esquecido na avaliação do animal é a coloração das mucosas.

A transfusão deverá ser realizada em animais que apresentem um hematócrito de 15% ou inferior a este valor, sobretudo nos casos em que a queda do hematócrito é aguda (ocorre em poucas horas). Contudo, deve-se ter em mente que o exame clínico é essencial para confirmar a necessidade da transfusão. Ou seja, o hematócrito é uma ferramenta que auxilia o veterinário na decisão, mas os sinais clínicos do animal em questão são o que realmente irão ditar as regras do procedimento. Existem, por exemplo, casos em que o animal apresenta um hematócrito baixo, mas apresenta-se relativamente bem, sendo necessário aguardar um ajuste do quadro para realizar ou não a transfusão.

 

Quanto de sangue?

O volume total de sangue no organismo é cerca de 8% do peso vivo. Os choques hipovolêmicos ocorrem quando cerca de 30 a 40% do volume do total de sangue é perdido. Para se calcular a quantidade necessária de sangue para uma transfusão deve-se lembrar que 10 ml/Kg aumenta o hematócrito em cerca de 3 a 4%. A transfusão de 20 ml/Kg resulta em resultados melhores, mas exige uma transfusão demorada e muitas vezes pouco viável na prática. Resumindo, deve-se oferecer de 10 a 20 ml de sangue/Kg de peso vivo.

 

Como escolher o doador


A escolha do doador é um importante fator, obviamente os animais selecionados devem ser saudáveis e não devem estar recebendo medicação. Além disso, o ideal seria poder escolher animais livres de Leucose, Tuberculose, Brucelose, BVD, Salmonelose, Anaplasmose e Doença de Johne's. Quando o animal acometido encontra-se em feiras e exposições, procure, pelo menos, que o doador seja do mesmo rebanho. Esta medida irá reduzir as chances da introdução de novos patógenos no rebanho.

Sabe-se que existem 11 diferentes grandes grupos de tipos sanguíneos entre os bovinos. Os testes de compatibilidade sanguínea não são muito usados e por isso, são elevadas as chances de ocorrência de reações durante a transfusão, principalmente em animais jovens e vacas durante a gestação.
 

Contraindicações e reações adversas à transfusão

Antes porém, de realizar uma transfusão, muitos fatores devem ser considerados. Animais com histórico de choque anafilático possuem uma importante contra-indicação para a transfusão sanguínea. Animais que já receberam transfusão não devem receber uma segunda depois de transcorridos cinco dias da primeira transfusão. Nos casos em que se avalia a possibilidade de uma terceira transfusão, deve-se considerar o fato de que 50% dos animais apresentam reação nestes casos.

Os sintomas de que um animal está iniciando uma reação à transfusão são principalmente: inquietação, tremores, salivação, lacrimejamento, dificuldade respiratória, micções e defecações. Quando estes sintomas ocorrem durante a transfusão ela deverá ser interrompida, o quadro pode ser revertido com a administração de adrenalina (solução 1:1000) 0,02 a 0,03 mg/Kg de peso vivo, via intravenosa. Ao realizar uma transfusão sanguínea tenha sempre em mãos adrenalina e tenha em mente a dose a ser aplicada.

Caso o animal apresente febre durante a transfusão, a velocidade de administração deve ser reduzida e podem ser administrados antipiréticos. Contudo, deve-se estar ciente de que vacas gestantes podem abortar após uma transfusão.

Após a transfusão de quantidades adequadas de sangue espera-se que o animal apresente uma rápida melhora dos sinais clínicos, entretanto esta melhora não é duradoura. Após quatro dias, estima-se que apenas 25% dos eritrócitos advindos da transfusão estejam presentes na circulação, os demais são destruídos no pulmão e baço. Em uma segunda transfusão, este período é ainda mais reduzido.

As reações adversas que ocorrem em uma transfusão sanguínea geralmente estão associadas à resposta antigênica, incompatibilidade dos grupos sanguíneos ou devido a uma sobrecarga cardíaca. As reações causam liberação de histamina e choques anafiláticos.

A administração do sangue deve ser lenta. Quando o sangue não é administrado lentamente pode ocorrer uma sobrecarga do sistema cardiovascular; fato este que pode desencadear as reações descritas acima, especialmente tosse, dispnéia e inquietação, devido principalmente à hipertensão pulmonar.

 

Coleta do sangue

A coleta do sangue para transfusão é realizada em frascos ou bolsas contendo o anticoagulante ACD (ácido citrato dextrose), na proporção de 4 partes de sangue para 1 de ACD. A coleta é simplificada quando é utilizado um cateter na jugular. Desta forma, fica mais fácil não perder a veia puncionada, ficando mais prática a troca de bolsas coletoras. Nas bolsas coletoras não há vácuo, sendo necessário contar com o auxílio da gravidade para melhorar o fluxo de sangue. É importante ressaltar que o doador de sangue pode doar até 10ml/kg de peso vivo.

O ideal é aplicar o sangue logo após a coleta, mas se isto não for possível, o sangue deve ser refrigerado. Para o armazenamento do sangue coletado, deve-se ter a cautela de mantê-lo apenas refrigerado, jamais congelado. Além disso, é importante manter uma temperatura estável durante a refrigeração (próximo de 5?C). Flutuações de temperatura maior que dois graus podem danificar os eritrócitos. Dados de pesquisa comprovaram que após 14 dias de armazenagem houve perda considerável da viabilidade do sangue, e após 21 dias de armazenagem houve uma progressiva hemólise do sangue.

No momento da administração o sangue não deve estar com a temperatura de armazenagem, por isso, o sangue deve ser levemente aquecido. Para este aquecimento, as bolsas contendo o sangue podem ser colocados em bacias com água à 40ºC.

Jamais faça a transfusão se o plasma apresentar-se escuro, marrom ou negro. Nestes casos, geralmente houve o crescimento de bactérias. Procure usar sangue fresco ou sangue armazenado adequadamente.

Após a transfusão, os sintomas de melhora são evidentes, mas os resultados podem ser mais bem avaliados com a realização de um hemograma 24 horas após a transfusão.

 

Plasma sanguíneo

Um produto advindo do sangue e que também pode ser veiculado via intravenosa é o plasma. A administração do plasma sanguíneo é indicada nos casos de hipoproteínemia, falha na transferência de anticorpos passivos e endotoxemia. O plasma sanguíneo tem a capacidade de expandir o volume sanguíneo, restaurar a pressão oncoótica do sangue e promover uma imediata fonte de imunoglobulinas.

A administração do plasma pode ser feita por um cateter na jugular, na velocidade de 5ml/kg/hora. Transfusões rápidas, assim como no sangue, podem causar reações indesejáveis.

A armazenagem do plasma é bem mais simples que o do sangue, já que o plasma pode ser congelado por até dois anos. Além disso, as chances de reação à transfusão são menores quando se administra somente o plasma. Todavia, a separação do plasma é um processo que envolve a necessidade de um laboratório e pessoas treinadas, por isso a melhor opção é comprá-lo pronto.

Fonte:

Hunt, E.; Wood, B. Use of blood and blood products. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, v.15, n.3, 1999.

Blood, D. C.; Radostits, O.M. Clínica Veterinária. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1991. p.290.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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HONEY SILVA

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 19/07/2010

Li o artigo e gostei muito, pois estava pesquisando sobre o assunto para dar suporte a uma transfusao sanguinea de um touro acometido com tristeza parasitaria, vou realmente analisar o caso de transfusao
muito obrigado !!!!!!!!!
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