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Como considerar a mão de obra familiar no custo de produção?

POR CARINA BARROS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/04/2014

7 MIN DE LEITURA

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A questão que intitula este artigo acaba surgindo em treinamentos e quando há oportunidade de produtores e técnicos da área se expressarem.

Já estamos conversando sobre custos, falando de definições, conceitos, algumas fórmulas e aplicações. Pensando em um tema para este mês, lembrei dessa pergunta. No entanto, para respondê-la há necessidade de remeter à cada situação posta.

Já vimos que temos diversas classificações de custos e uma das mais empregadas é custo fixo e variável. Então o primeiro ponto a considerar é: sendo a remuneração para a mão de obra familiar um valor mensal/anual fixo, ela será um custo fixo.

Bem, vamos aos casos que normalmente ocorrem na prática!

Quando a mão de obra refere-se ao desempenho das atividades de rotina da propriedade

Para facilitar a apresentação de situações diferentes, vou criar alguns pequenos casos que ilustram situações reais, e a partir deles, responderei a pergunta principal deste artigo.

Caso 1
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Imagine uma situação em que todas as atividades de uma propriedade produtora de leite são responsabilidade de uma família e não há nenhum funcionário. Dessa forma, temos a figura familiar de pais e filhos atuando como mão de obra para ordenha, manejo de bezerras, manejo nutricional e reprodutivo, sanidade, gestão... Todos desempenham as atividades e dessa forma têm potencial para gerar lucro. Todos contribuem e não realizam outra atividade remunerada.
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Perceba que nesse caso todos trabalham, portanto, precisa ser considerado um custo relativo à essa mão de obra. Se essa família não estivesse trabalhando na sua própria propriedade, não haveria produção de leite. Ou seja, ela é diretamente responsável pelo andamento da atividade.

Dessa forma, é necessário atribuir um valor para essa mão de obra. A referência mais indicada é aquela baseada no mercado local. Você deve verificar qual é a remuneração na região para um funcionário desempenhar as mesmas atividades que a família desempenha. Por exemplo, pode-se definir os papéis de cada um e verificar o quanto cada um poderia ganhar se estivesse trabalhando na mesma função na propriedade vizinha. Esse valor precisa ser computado para gerar o custo de produção de leite. Também é importante considerar as especificidades, pois caso tenha uma pessoa da família que trabalha apenas 4 horas, deve-se considerar sua remuneração referente às horas efetivamente trabalhadas.

Se tivermos um valor fixo de mão de obra, ou seja, um custo fixo, temos que pensar na diluição desse custo. Isso significa que quanto maior for a produção de leite, menor será o impacto de se atribuir um custo dessa mão de obra no litro do leite. Em outras palavras, se tivermos uma família grande numa propriedade com baixa produção, ao atribuir um custo para todos os envolvidos, o custo de produção do leite aumentará bastante. Caso contrário, se a família é pequena e a produção é boa, o impacto desse custo é menor. No entanto, independentemente do resultado final, é necessário considerar o custo da mão de obra para que se tenha um cálculo real, afinal, se a família não desempenhasse o papel, teria que contratar e remunerar ou então não produziria.

Vamos supor que a família do Caso 1 não considere na composição do seu custo de produção a mão de obra, pois entende que “ficará com o lucro” e por isso não precisa ser remunerada dessa forma. Em uma situação como essa, ocorre que a família subestima seu custo real. Ela vai “acreditar” que tem uma margem ou um lucro maior que a realidade ou que o próprio mercado. Se seu vizinho contrata funcionários e os remunera, certamente ele terá um custo de produção maior. Teoricamente, a família está em vantagem. Continuando nossa estória, vamos imaginar agora que uma pessoa da família deixa de se dedicar ao trabalho e é necessário contratar um funcionário para substitui-la. O que acontece? O custo de produção aumentará e a família começara a sentir diferença na sua margem de lucro, mas ainda assim pode ter uma margem maior que seu vizinho a depender da produção de leite (litros/funcionário). Percebe como o fato de não se considerar este custo com a mão de obra cria situações que não retratam a realidade da atividade? E isso pode fazer com que o mercado “enxergue” esse custo do leite de uma maneira diferente do que efetivamente ocorre ou do que efetivamente custa.

No entanto, há discussões que defendem a não inclusão da mão de obra familiar em casos nos quais não seria possível se realizar outra atividade, que não a atual desempenhada pelo membro da família. Por exemplo, vamos supor que neste mesmo Caso 1 tenhamos um filho que estuda no período da manhã e ao chegar em casa auxilia sua família por cerca de 3 horas. Na região esse “filho” não conseguiria um emprego de 3 horas diárias, fora da propriedade ele não seria capaz de gerar receita. Portanto, bem simplificadamente, como ele não teria um “valor no mercado” não seria necessário atribuir um valor referente ao seu serviço. Há reflexões nesse sentido. Mas, cabe pensarmos em alguns aspectos... Mesmo ele não tendo a possibilidade de atuar em outra situação que não aquela da sua família, ele não gera produtos? Essas 3 horas por dia contribuem para o aumento da produtividade? Ou com essas 3 horas, os demais membros da família conseguem reduzir sua jornada diária? Se encontrarmos alguns “SIMs” para essas respostas, então não seria justo atribuir um valor à essas horas? Por isso, para tomar a decisão devemos analisar sob todas óticas possíveis.


Quando a mão de obra refere-se à atividades de gestão

Caso 2

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Vamos supor que temos uma propriedade que produz leite e para as atividades operacionais conta apenas com funcionários diariamente. No entanto, o proprietário dedica dois dias da sua semana à atividade para fazer os registros dos dados, alimentar o software para controle das operações e análise econômica, faz reuniões com a equipe para ouvi-los e orienta-los, realiza compra de insumos e outras atividades administrativas.
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Nessa situação, os funcionários receberão salários, ou seja, esse valor será considerado no custo de produção. Mas, como fica a gestão do proprietário? Ele deve ser remunerado? As atividades que desempenha acarretam em custo para produção leiteira? Vamos analisar. As funções citadas são inerentes ao gerenciamento da propriedade e são importantes, já que fazem parte do planejamento, acompanhamento e avaliação. Se não tivéssemos esse proprietário fazendo essas atividades, ele poderia contratar alguém para isso e teria que desembolsar, ou seja, pagar pelo serviço. Portanto, há um custo atrelado à essa dedicação que precisa ser considerado. E como considerar? É importante fazer uma estimativa real das horas dispendidas na atividade, simulando o caso de outra pessoa ocupar o lugar para desempenhar a mesma função. Vejamos... Pode ser que esse proprietário permaneça por 2 dias na fazenda, mas ele poderia otimizar seu trabalho e fazer tudo em 6 horas. Não o faz porque acaba intercalando o lazer/prazer de estar na sua fazenda com as atividades de gestão em si. Sendo assim, nos cálculos deveríamos considerar apenas uma remuneração pelas 6 horas que são trabalho efetivo. E novamente, devemos olhar para o mercado para chegar em um valor para esse trabalho. Temos dois caminhos a seguir que podem ser traduzidos nas perguntas:

• Quanto ele pagaria para uma outra pessoa fazer o que ele faz?

• Quanto ele deixou de ganhar por não estar na sua outra atividade para estar na fazenda? Nesse caso, se ele tem outra atividade além da produção de leite, quanto ele ganharia se ficasse 6 horas dedicado à essa atividade?

Essas respostas podem nortear valores para serem atribuídos como custo na composição do custo de produção. Caso nenhum custo seja atribuído à esse serviço podemos estar subestimando o custo de produção de leite.

Finalizando

Com as situações discutidas ficou claro que o mercado norteia a atribuição de custo à mão de obra familiar e que considerar esse valor nos cálculos é importante para uma diagnóstico real da atividade? Esse foi o intuito. O objetivo não é esgotar o assunto ou trazer conceitos prontos sobre o tema e sim apresentar possibilidades para reflexão, uma sensibilização para a temática. Encontramos diferentes pontos de vista e é importante conhece-los para definir uma estrutura de custo adequada à sua realidade. Mas, não esqueça que temos que tratar a atividade sob a ótica empresarial para que as chances de sucesso sejam maiores! Portanto, informação e formação sempre contribuem!

Caro leitor que vem acompanhando a série de artigos sobre a temática de custo de produção, não deixe de visitar a página do Curso Online  Custos de Produção na Pecuária Leiteira de autoria da  Carina Barros, será uma ótima oportunidade para trabalhar com planilhas de custos e montar sua própria ferramenta de trabalho.

O curso terá início no dia 13/05 e você já pode se inscrever, clicando aqui!


 

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CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

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MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 27/10/2021

Olá pessoal,



Para quem tem interesse em aprender como calcular e analisar os custos de produção em propriedades leiteiras, começa hoje na programação do EducaPoint o novo curso online: "CUSTOS E ANÁLISE DE INDICADORES NA PECUÁRIA LEITEIRA".



Durante o curso, a instrutora Carina Barros ensinará como utilizar planilhas e ferramentas para analisar os custos da propriedade e realizar melhorias para aumentar a lucratividade.

Entre em contato: contato@educapoint.com.br / (19)3432-2199 / Whatsapp (19) 99817- 4082
CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/05/2014

Prezado ALENCAR JULIO FELDENS SCHNEIDER,

Ela pode compor os dois tipos de custos, lembrando que é fundamental nas nossas análises! O custo operacional efetivo representa o custo variável mais alguns custos fixos de curto prazo, como mão de obra e impostos. O custo operacional total contém o efetivo, então ela está presente nos dois.

Sucesso.
ALENCAR JULIO FELDENS SCHNEIDER

RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/05/2014

Olá Carina;



A discussão é excelente e num momento impar para a atividade, visto que a gestão de propriedades leiteiras tem se tornado fundamental para o sucesso da atividade.



A minha duvida é a seguinte: Essa mão de obra familiar deve ser considerada no Custo Operacional Efetivo? ou no Custo Operacional Total?


MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 16/05/2014

Para aqueles que tem interesse em cálculo do custo de produção, uma boa oportunidade é participar do Curso Online "Custos de Produção na Pecuária Leiteira".



No curso a instrutora e colunista do MilkPoint, Carina Barros, irá auxilia-lo a desenvolver uma planilha de custos com dados reais de sua propriedade além de, esclarecer as dúvidas que envolvem este assunto.



Para se inscrever, acesse: https://www.agripoint.com.br/curso/custos-producao/



Ou mande e-mail para: cursos@agripoint.com.br
CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/05/2014

Prezado Ronaldo Marciano Gontijo, é isso mesmo. Devemos sempre considerar a realidade da fazenda e cuidar para evitar as subestimativas de custo! Sucesso!
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/05/2014

Carina,



Para evitar subestimativas no custo não basta considerar apenas o valor de mercado do trabalhador, deve se considerar os encargos que seriam pagos também. No caso do produtor fazer uma retirada maior que a do salário de um trabalhador, a mesma é que deve ser considerada pois foi o que realmente saiu do caixa.   
CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/05/2014

Prezado MARCOS DOS SANTOS MARINHO,

Temos sim que remunerar a família e considerar no custo para evitar subestimativas.

Quanto aos ovinos e caprinos, recomendo que pesquise sobre o flushing, pois por meio da dieta podemos aumentar o número de crias. A nutrição é fundamental

Sucesso!
MARCOS DOS SANTOS MARINHO

PETROLINA - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 05/05/2014

MUITO BOM DRA. POIS NA MAIORIA DOS CASOS NÃO SE LEVA EM CONTA ESTA VERDADE, POR ISTO MUITOS JOVENS ESTÃO FUGINDO DA ZONA RURAL EU TENHO DEFENDIDO ISTO POR EXEMPLO: UM JOVEM TRABALHA NA PROPRIEDADE SÓ PORQUÊ ELE É FILHO NÃO TEM DIREITO A SALÁRIO OU UMA REMUNERAÇÃO O MESMO PERDE O ESTIMULO PARA CONTINUAR NO CAMPO.

APROVEITANDO A OPORTUNIDADE EXISTE ALGO QUE PODERIA AJUDAR AS OVELHAS E CABRAS A DAREM MAIS DE UMA CRIA POR PARTO ?

ABRAÇOS,

MARCOS
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