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Bem-estar na produção de bezerras leiteiras - Parte I

POR FERNANDA VIEIRA

E SARA SHIELDS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

5 MIN DE LEITURA

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Em todo o mundo, a preocupação da sociedade está impulsionando mudanças importantes no bem-estar dos animais, especialmente as condições sob as quais eles são manejados e alojados. Por exemplo, os produtores de suínos estão começando a transferir suas produções para o sistema de alojamento em grupo para matrizes, evitando o confinamento intensivo em gaiolas de gestação que foram padrão por décadas. As empresas brasileiras de suínos BRF e JBS estão reagindo à pressão do mercado e adotando políticas que substituem o uso das controversas gaiolas de gestação por sistemas de alojamento em grupo.

A Arcos Dorados (maior franqueada do McDonald's na América Latina), a rede de hotéis Marriott International e a Nestlé também se comprometeram a eliminar o uso de gaiolas de gestação em suas cadeias de suprimentos no Brasil. No setor de ovos, vários estados do Canadá, Austrália e Estados Unidos, e toda a União Europeia e a Nova Zelândia, já proibiram o uso de gaiolas convencionais para galinhas poedeiras. Grandes marcas de varejo estão demandando ovos e carne suína produzidos sem o uso de gaiolas em suas políticas de compra. O anúncio mais recente foi do McDonald's, que se comprometeu a comprar apenas ovos livres-de-gaiolas a partir de 2026 nos Estados Unidos e Canadá. Mais de 60 outras empresas também já anunciaram compromissos semelhantes.

A questão do confinamento intensivo, que foi iniciada com esforços para acabar com o uso de gaiolas de vitelo para bezerros, tem sido a marca registrada do trabalho de grupos de proteção animal. A forma de alojar os animais e outras questões de bem-estar animal estão cada vez mais sendo discutidas entre cientistas, políticos, comerciantes, indústrias agrícolas e ONGs de proteção animal.

O que a indústria de laticínios no Brasil pode esperar, como ela pode se preparar e até mesmo liderar essas demandas de bem-estar animal do mercado?

Abrigos individuais para bezerras

Uma das questões que mais chama a atenção na indústria de laticínios é o alojamento de bezerras recém-nascidas. Para controlar a transmissão de doenças, monitorar a ingestão de leite e facilitar o manejo, a prática convencional é amarrar as bezerras em abrigos individuais ou em pequenas casas. O recente interesse em questões de confinamento animal, entretanto, aponta que esse é o momento para que a indústria de laticínios tenha um olhar crítico sobre essa prática.

As bezerras são animais enérgicos e brincalhões com comportamento social e de formação de grupo complexo. Na criação de bovinos soltos em pasto (usualmente na produção de carne), os comportamentos de interação, toque, grooming (aliciar / lamber), brincadeiras com os companheiros e alimentação e descanso sincronizados desenvolvem-se rapidamente e são componentes importantes da etologia da espécie. A natureza é sábia, como diz o ditado, e a mortalidade de bezerros em sistemas de produção de carne bovina é geralmente muito menor do que nas condições de criação mais artificiais do setor leiteiro.

Na maioria das produções leiteiras, o alojamento individual impede todos os comportamentos naturais das bezerras, com exceção de levantar-se, deitar-se e dar mais que poucos passos. Enquanto os produtores de leite têm suas razões para limitar o contato entre as bezerras, os consumidores esperam que as fazendas não só mantenham as bezerras saudáveis, mas também proporcionem um ambiente físico e social confortável.

Um crescente número de pesquisas está começando a oferecer várias alternativas e opções mais humanitárias de alojamento. Uma opção é alojar as bezerras em pares. Um estudo de 2014 descobriu que nessa situação as bezerras não possuíam níveis superiores dos cinco patógenos mais comuns nas fezes, ou anticorpos séricos contra os três patógenos respiratórios mais comuns.

As bezerras também podem ser criadas em pequenos grupos. Esses grupos devem ser estáveis (oposto ao alojamento dinâmico, manejo em que são introduzidos novos indivíduos e retirados os que já estavam estabelecidos), com não mais do que sete ou oito bezerras com idades semelhantes. Os grupos maiores são mais propensos a doenças. Ou seja: limitar o tamanho do grupo é importante. A utilização de um alimentador automático de leite, onde as bezerras são alimentadas com um maior volume de leite por meio de tetas artificiais, em vez de alimentação por balde, pode ajudar a reduzir o comportamento anormal de sucção cruzada.

Alojamentos coletivos feitos de madeira ou materiais sintéticos podem fornecer área coberta para abrigar as bezerras (10 m2) e um espaço ao ar livre (10-15m2). Esses são utilizados para alojar de 2 a 6 bezerras. O manejo desse tipo de alojamento assegura um ambiente limpo, boa qualidade do colostro e observação frequente para tornar esses sistemas bem sucedidos. Com habilidade e atenção suficientes, sistemas de pares e de pequenos grupos de alojamento são opções viáveis.

Essas opções têm numerosos benefícios:

• Bezerras alojadas em grupo têm menos medo e tendem a reagir menos em resposta ao manejo. A presença de uma bezerra conhecida parece ter uma influência tranquilizadora em situações estressantes, um efeito social que pode aliviar o nervosismo durante os procedimentos rotineiros de manejo;

• O uso do alojamento em grupo, que fornece oportunidades sociais na fase jovem, melhora as habilidades sociais e a capacidade de enfrentar outras situações mais tarde na vida, e prepara melhor as bezerras para a convivência em grupo;

• A interação social é importante para o desenvolvimento cognitivo de animais jovens, e melhora a habilidade de aprendizagem. 1 2

Vários estudos também vêm observando que o uso do alojamento em grupo pode melhorar o ganho de peso, resultante da maior ingestão de ração, e o fato de que bezerras com uma companheira por perto começam a comer o concentrado mais cedo. A facilitação social, em que o comportamento de um animal influencia o outro, pode explicar o maior consumo de ração nessas pesquisas. No entanto, o efeito não é observado em todos os estudos, e pode depender, pelo menos em parte, da quantidade de alimentação. 3 4 5 6

O que podemos concluir é que uma vasta quantidade de evidências científicas demonstra que os animais de produção intensivamente confinados podem ser frustrados e estressados. Assim, as questões de bem-estar animal estão sendo cada vez mais discutidas entre os vários atores da sociedade, incluindo os consumidores. O alojamento de bezerras, no entanto, não é o único problema, há outras questões de bem-estar animal além do confinamento intensivo que serão abordadas nos próximos artigos do ‘Radar Bem-estar e Comportamento Animal’. Seguramente, tomando decisões com base científica, os produtores poderão considerar não apenas o bem-estar animal, mas também um sistema que é melhor para seus negócios.
 

SARA SHIELDS

Especialista em comportamento e bem-estar de animais de produção da Humane Society International (HSI)

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RENATO CUNHA RODRIGUES

EM 11/11/2017

Fica a dúvida, pois vi uma reportagem sobre a Fazenda Colorado, situada nas proximidades de Araras, à 180 km de São Paulo, onde a criação das bezerras é feita em Gailas apropriadas após a bezerra receber o colostro nos dois primeiros dias. Nas gaiolas as bezerras recebem 7 litros de leite por dia + a ração concentrada. A desmama acontece aos 82 dias e nas últimas semanas o volume de leite vai sendo reduzido enquanto o volume de concentrado vai sendo aumentado até 1,5 kg por dia por bezerra. A partir de 82 dias as bezerras são conduzidas para o semi-confinamento.

De todos os métodos adotados até agora que vi, esse foi o que mais gostei e acho que pode resultar me bons resultados. Achei bastante interessante a utilização de uma Gaiola elevada onde as fezes e urinas não ficam em contato com as bezerras.

Abraços
PEDRO LUIZ NUNES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/12/2015

Não há dúvidas que evoluiremos para ter as lactantes criadas coletivamente.

Acabo de montar um galpão nos moldes de Compost Barn, onde criarei as bezerras em grupos de 8 a 10, a partir no nascimento, com acesso a solários para pegarem carrapatos.

Creio que darei conforto e as protegerei das intempérias climáticas.



Darei notícias

Abraços
DOUGLAS SOARES E SOUZA

IBIÁ/ MG - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2015

Parabéns, este tipo de artigo sera cada vez mais abordado, se tratando de animais destinados a produção. A iniciativa do artigo foi muito boa e vamos produzir o que o mercado quer sim ! Do contrario, estaremos fora.  



Abraço
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2015

Pessoal,

Vocês estão interpretando de forma errada este artigo, criação em grupos não é simplesmente soltar as bezerras juntas. Feito de forma errada os malefícios são muito maiores que os benefícios, isso já foi comprovado cientificamente.

O mais importante ninguém está observando, esse sistema de criação em grupos não tem como ser feito por pequenos produtores, as regras do bem estar não são para todos, nós pequenos estamos na linha de fogo das ONGs e instituições de defesa dos animais. Infelizmente nas próximas décadas nós pequenos seremos exterminados. Nós não somos bandidos, não maltratamos nossos animais, somos profissionais que geram renda e empregos para nosso país, mais não temos como mostrar isto para a sociedade.



Que Deus tenha pena de nós.



Um abraço a todos.
ROBERTO MAGALHAES SÁ

SÃO MIGUEL DAS MATAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2015

O bem estar animal quando criado em grupo é outra coisa,vc ver os animais saltitantes o que normalmente ñ acontece quando estão na casinha,quando solta parece que ficam bastante contentes,pois pulam e se divertem
CLEVERSON FLAUZINO GOMES

PITANGA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2015

interessante o artigo trabalho com acompanhamento em algumas propriedades na região  central do pr  qdo nasce fornecemo 8 litros d colostro no 1 dia e 6 litros no segundo dia logo após colocamos em casinha indidual com bebedor individual adotei sistema de chupeta para fornecer agua consegui 10 kg a mais com 60 dias p colocar elas n primeiro pastoreio um detalhe qdo nasce faco uma dose de vermífugo d acordo com peso aos 8 meses tenho novilhas com 250 kg d peso mineral adequado e racao 2kg ate 6 meses  já inseminamos novilhas ao 13 meses com 350 kg de media com lotes de ate 10 animais
PEDRO AURELIO VILLANI

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2015

discordo que a criação de bezerras em casinhas é pior do que a criação solta, eliminei praticamente os casos de doenças e mortes em bezerras com as casinhas, se der leite e o concentrado o ganho de peso segue os padrões indicados da raça. Todas as novilhas criadas nesse sistema entram na primeira lactação acima de 6000 kg, claro que um dos fatores fundamentais é a genética. Sem genética é dar murro em ponta de faca.
FRANCISCO VALDERY ALVES DE MAGALHÃES

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2015

Até hoje relutei em criar bezerras acorrentadas em uma casinha quente com um balde de água de qualidade duvidosa e outros procedimentos técnicos que tentam generalizar técnicas copiadas.

Aqui no Semi-árido Nordestino costumo encaminhar minhas bezerras após o Quinto dia de vida para acompanhar as mais adultas em pastejo na fazenda.

Não comem nada inda, mas se acostumam com o sol forte e com a topografia de seu futuro habitat e adquirem resistência e cascos fortalecidos para sua sobrevivência quando adultas.  
FLAVIO FERREIRA LACERDA

DOURADOS - MATO GROSSO DO SUL

EM 03/12/2015

Muito bom, parabéns!!!! isso tudo com base científica, é isso.
DOUGLASY CASTRO RATHKE

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 03/12/2015

Parabéns as autoras do artigo pela abordagem.

Concordo com as observações, me preocupa como proceder com os problemas que o agrupamento de animais jovens principalmente em fase de aleitamento sempre traz tais como : Mamadas cruzadas e o controle no consumo de concentrado.

Fico no aguardo dos próximos.
ROBERTO MAGALHAES SÁ

SÃO MIGUEL DAS MATAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2015

Normalmente crio em grupos de todas as idades,na hora da alimentação ,separo por idade de cada grupo
SUSANNE LUEHRSEN

ELDORADO DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Estou observando o contrario Ronaldo Marciano Gontijo. Como somos pequenos produtores nunca temos muitas terneiras exatamente da mesma idade. Criamos todas juntas nos 3 meses que mamam no no balde de amamentar (com teta artificial) e eu estou observando que as mais jovens copiam as mais velhas, que as vezes ate fazem o papel de mae, e comecam bem cedo a comer racao e a pastar. Infelizmente aconteceu tambem ja que  uma terneira ficou todos os tres meses sozinha. A diferenca de desenvolvimento esta imensa.
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2015

Desde que a fazenda tenha um grande número de animais para adotar a criação em grupos, até que se tem algum benefício. Do contrario, alojar uma bezerra recém nascida junto com uma que já tenha duas semanas de vida, vai ser um desastre para a mais jovem.  
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