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As recomendações do NRC 2001 para bezerras parecem adequadas

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/04/2002

4 MIN DE LEITURA

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Já faz um ano que a última versão do National Research Council foi publicada (NRC - Conselho Nacional de Pesquisa americano, que publica as recomendações para formulação de dietas de diversas categorias animais). Após algum tempo de uso, alguns pesquisadores e nutricionistas começam a apresentar suas impressões sobre as alterações nas recomendações. Abaixo apresentaremos os comentários do Dr. Al Kertz, nutricionista independente, especialista em bezerros e novilhas.

Em primeiro lugar o Dr. Kertz diz que a nova seção do NRC especialmente dedicada aos bezerros jovens (20 páginas) é a melhor adição à publicação, já que até a última versão (1989) esta seção inexistia. Até 1989 não eram especificados os requerimentos de bezerras entre a desmama, aos 75 kg, até que atingissem 100 kg, seja para raças de grande ou pequeno porte.

Outros ajustes também foram feitos: os requerimentos energéticos ditados em 1989 eram respectivamente 67 e 84% superiores para animais de raças grandes e pequenas comparados à edição de 2001.

A tabela 1, compilada da tabela 10-2 do NRC 2001, é para bezerros alimentados com leite ou sucedâneo e concentrado. É importante notar que a ingestão de matéria seca é aquela que seria necessária para atender os requerimentos energéticos dos animais, baseada nos teores médios de energia no leite ou sucedâneos (assumida como 4,75 Mcal de EM/kg de MS) e de um concentrado padrão, com 3,28 Mcal de EM/kg de MS, e assumindo que o leite representa 40% da matéria seca da dieta, compondo uma média de 4,51 Mcal de EM/kg de MS. Portanto, estes valores de ingestão não têm a intenção de estabelecer uma estimativa de consumo.



O consultor chama a atenção para o fato de que, à medida que o ganho em peso aumenta com o crescente peso vivo dos animais, as ingestões de matéria seca (IMS) e de energia aumentam a uma taxa mais acelerada em função do maior requerimento para manutenção com maior peso vivo. Em outras palavras, quanto mais jovem o bezerro, mas eficientemente ele converte a energia e os demais nutrientes em peso vivo. Ele afirma que este princípio precisa ser mantido em mente por se traduzir em menor custo por unidade de aumento em peso vivo, em animais mais jovens, muito embora os alimentos possam custar mais por quilo ou tonelada.

Em uma comparação feita destas recomendações com dados reais originados em três anos de pesquisas com animais jovens em uma estação experimental, o nutricionista afirma que, considerando o peso vivo, a ingestão de matéria seca e os ganhos diários em peso para cada semana antes da desmama, as ingestões de energia metabolizável calculadas foram bem semelhantes aos requerimentos demonstrados nas tabelas, o que confirmaria, na prática, a precisão das recomendações.

O NRC 2001 apresenta ainda outra tabela específica para bezerras desmamadas, com pesos variando de 50 a 100 kg, o que atende tanto animais de raças pequenas quanto as grandes, em sistemas de desmama precoce ou retardada. O nutricionista considera que os requerimentos ditados para a primeira metade do mês após a desmama (precoce) são muito elevados e para a segunda metade são muito baixos. Ele alerta, no entanto, que os dados que dispõe para comparação são de animais desmamados com 1 mês de idade, o que não é comum, e pode interferir na comparação.

Outra vantagem atribuída a este novo capítulo do NRC 2001 é uma tabela que resume os efeitos do ambiente nos requerimentos energéticos das bezerras; equações para calcular níveis de energia do leite, seus sucedâneos e subprodutos, e a composição típica de alguns sucedâneos, um concentrado inicial e outro para crescimento de bezerras.

De forma similar à energia, os requerimentos de proteína bruta (PB) aumentam progressivamente com o peso vivo e o ganho em peso. Não é surpresa a recomendação de teores menores que 20% de PB nas dietas de bezerros em aleitamento. Estes valores diminuem ainda mais com pesos vivos menores e mais drasticamente para baixos ganhos em peso.

Após a desmama, a porcentagem de PB na matéria seca da dieta só ultrapassa 18% numa única situação. É bom lembrar que estes valores são na matéria seca, o que corresponderia à cerca de 16% na matéria original, como as formulações de concentrados são comercializadas. As recomendações do NRC são baseadas em pesquisas e desde a publicação anterior do NRC em 1989 não existe qualquer nova evidência de que as bezerras precisem mais que este teor de proteína na dieta. O trabalho mais recente que estudou este assunto concluiu que estes valores são perfeitamente adequados, mesmo que a desmama ocorra com um mês de vida.

O consultor conclui que as novas recomendações do NRC 2001 para bezerras jovens são uma excelente adição à publicação e parecem estar de acordo com a realidade.

Comentário do autor: bastante interessante a observação do consultor em relação à maior eficiência de conversão dos alimentos em animais mais jovens. É comum (e eu tenho feito isto com freqüência nesta seção) pregarmos a desmama precoce na expectativa de reduzir o custo de criação, já que o leite, embora barato para venda ao laticínio, parece bastante caro quando se calcula o custo da dieta de bezerros. Esta questão precisa ser melhor avaliada.

Fonte: Kertz, A., 2001. 2001 NRC recommendations for dairy calves appear to be in line. Feedstuffs, November 12. Pág. 9-10.

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