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A Salmonelose no rebanho

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/10/2006

3 MIN DE LEITURA

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A Salmonelose é uma doença infecciosa caracterizada pela ocorrência de febre, diarréia, desidratação e fraqueza; podendo ainda causar perdas reprodutivas (abortos no período final da gestação) e septicemia em bezerros recém-nascidos. Observa-se uma grande variabilidade nos sinais clínicos e na severidade da infecção de acordo com o estado de saúde e o nível de produção do rebanho.

A faixa etária acometida com maior freqüência são os bezerros entre 15 e 90 dias de vida, mas deve-se ter em mente que a Salmonelose também ocorre em animais adultos. As espécies mais encontradas em quadros clínicos severos são a Salmonella typhimurium, S. dublin e S. newport, e uma característica preocupante é a resistência antimicrobiana que, na maioria das vezes, complica a terapia desta infecção. Condições de baixa resistência imune, erros no manejo nutricional, estresse térmico e estresse causado pelo parto favorecem a ocorrência da doença.

A salmonela pode estar presente no rebanho de três diferentes formas. Primeira, nos animais clinicamente doentes. Segunda, nos animais chamados de portadores sãos, aqueles que adoecem com S. dublin, se curam, mas continuam eliminando a bactéria pelas fezes, contaminando a água e os alimentos por um período de até 10 semanas. A terceira, os chamados portadores latentes, que têm a bactéria nos linfonodos, mas não são eliminadas nas fezes, portanto, estes não contaminam o ambiente e os alimentos.

A salmonela contamina a água e os alimentos, e o tempo de sobrevivência das bactérias pode ser longo, dependendo da temperatura e da umidade. Após serem ingeridas as salmonelas multiplicam-se nos intestinos, principalmente no íleo e no ceco. Atravessam a mucosa intestinal, penetram na circulação sanguínea e por ela são levados ate os linfonodos mesentéricos.

Nesta fase, a bactéria pode se desenvolver e produzir a doença, dependendo do estado imunológico do hospedeiro e da capacidade de virulência do microorganismo. As bactérias podem também atingir os pulmões, articulações, fígado, vesícula biliar e outros.

Todos os rebanhos nos quais a Salmonelose é uma enfermidade ativa ou endêmica deve-se traçar um plano de ação para identificar, tratar e separar os casos suspeitos e confirmados de Salmolenose. Os protocolos de tratamento devem ser definidos de acordo com o manejo específico de cada propriedade leiteira.

Quando um animal está clinicamente afetado pela Salmonelose é importante lembrar que a doença é comumente disseminada pela via oral e fecal, e por isso o isolamento do animal acometido e a prevenção que os demais animais do rebanho não tenham contato com as fezes do animal enfermo são medidas de controle que devem ser implementadas imediatamente. O colostro e o leite de animais acometidos são também fontes de disseminação, sendo potenciais fontes de infecção da Salmonela para os bezerros.

Suspeita-se que uma ampla exposição à salmonela presente no ambiente e nas infecções entéricas subclínicas pode afetar a qualidade do leite do rebanho. Mas esta é uma área que ainda necessita muito estudo e muitas avaliações.

Em última análise, a Salmonelose é uma doença oportunista e pode estar sendo disseminada por animais saudáveis do rebanho. Recente pesquisa apontou que 5% a 10% de animais adultos normais e sadios podem estar disseminando o organismo pelas fezes. Prevenir a Salmonelose dando ênfase às medidas de biossegurança relativas ao manejo do esterco no rebanho é um bom começo para iniciar a batalha contra esta enfermidade.

Fonte:

McGuirk, S.; NOrdlund, K.; Peek, S. Veterinary Column - Discovered Salmonella. Hoard's Dairyman, 25 de agosto, 2006.

Hanson, M. The Salmonella Situation. Dairy Herd Management, outubro, 2004.

Marques, D. C. Salmonelose / Salmonella. In. Marques, D.C. Criação de bovinos. Belo Horizonte: Consultoria Veterinária e Publicações, 2003. p.421-423.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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