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Tudo o que você precisa saber sobre boas práticas de laboratório

POR MICHELE FANGMEIER

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/10/2016

5 MIN DE LEITURA

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Boas Práticas de Laboratório (BPL) é um sistema da qualidade relativo ao processo organizacional e às condições sob as quais as análises são planejadas, realizadas, monitoradas, registradas, arquivadas e relatadas. O conceito de que a qualidade e a segurança dos produtos são obrigação e principalmente um patrimônio das indústrias está consolidado em muitas empresas, mas deveria ser realidade em todas.

Para que as BPL realmente funcionem é necessário ter descrito tudo o que se faz na rotina, e fazer exatamente o que está descrito, seguindo rigorosamente os Procedimentos Operacionais Padrão (POP’s). Para evidenciar esse programa é preciso também registrar tudo o que se faz de forma clara, verídica e objetiva, sendo de conhecimento e entendimento de todos os analistas os resultados obtidos nas análises.

Para auxiliar você na rotina do laboratório, seguem algumas dicas importantíssimas:

- Não suponha nada dentro do laboratório! Em caso de dúvidas sobre qualquer procedimento, material ou equipamento, é necessário perguntar! Ler os manuais com frequência é uma alternativa para obter ainda mais conhecimento.

- Em caso de erro é necessário avisar imediatamente a supervisão.

- Trabalhe com atenção, pois nenhum trabalho é tão importante e/ou urgente que não possa ser planejado e executado com segurança.

- Organize o seu espaço de trabalho para facilitar o bom andamento das análises e evitar possíveis acidentes.

- Evite interromper análises ou procedimentos, e caso necessário recomece tudo novamente, pois muitas análises podem sofrer alteração com o tempo.

- Esteja sempre atento e concentrado no seu trabalho, evitando brincadeiras desnecessárias.

- Utilize todos os equipamentos de proteção necessários para as análises, pois lembre-se: existe alguém esperando por você no final de sua jornada de trabalho!

- É procedimento obrigatório lavar as mãos antes e depois do trabalho em laboratório, pois podem estar contaminadas com algum produto químico.

- Os registros devem ser preenchidos com clareza, sem rasuras.

- É proibido comer ou beber no laboratório, bem como fumar.

- Importante identificar todos os materiais, soluções, reagentes, gavetas, portas, pois isso facilita o trabalho e evita falhas.

- Deve-se manter conservados os rótulos dos produtos químicos, e caso estes estejam danificados, confeccionar nova identificação, com os seguintes itens: nome, concentração, fator de correção, pH, data de fabricação/ preparação, data de validade, risco (inflamável, tóxico, corrosivo...), observações (como: temperatura e cuidados de armazenamento).

Você é o bem mais precioso do laboratório, por isso proteja-se!

- Uso de jaleco: longo, de algodão, de preferência sem bolsos e cintos (pois podem facilitar um acidente), punhos ajustados e abertura fácil (botão de pressão ou velcro).

- Calças compridas e sapatos fechados.

- Óculos de proteção é essencial e deve ser utilizado durante a execução das análises, sendo resistente e confortável.

- Quando a análise exigir, necessário utilizar máscara de proteção fácil.

- Luvas devem ser utilizadas conforme a atividade a ser executada: manuseio de químicos, contato com calor.

- Proibido uso de adornos, e indicado uso de touca de proteção para os cabelos.

- Avental de PVC é um EPI interessante, pois além de proteger o analista, sua limpeza é prática e auxilia na conservação do jaleco.
vestimentas - laboratório
Algumas análises de leite demandam cuidados específicos, que se não atentados podem ocasionar erros no resultado final. É importante que os analistas de laboratório tenham conhecimento dos pontos críticos das análises, para que possam desenvolvê-las com qualidade e segurança. A seguir alguns cuidados necessários:

Análises que envolvem pipetagem:

- As vidrarias utilizadas devem ser limpas e secas, bem como íntegras para que não contribuam com desvios.

- Sempre dê preferência a vidrarias volumétricas (volume exato).

- A ambientação/rinsagem da pipeta com a amostra é fundamental, para evitar qualquer tipo de contaminação.

- O escoamento do líquido, na pipeta, deve ser lento, para dar o tempo de toda amostra escorrer da vidraria.

- Deve-se atentar para evitar a formação de bolhas de ar na pipeta, pois ocupam espaço da amostra, produzindo um volume incerto.

- Deve-se utilizar pipetadores/peras para dispersar o líquido, jamais utilizar a boca para “soprar” a pipeta.

- O acerto do menisco deve ser realizado na altura dos olhos. Veja na imagem abaixo onde A representa a forma correta de visualização, já B e C representam a forma errada de acerto do menisco.

pipetagem - laboratório
Análise de gordura em butirômetro de Gerber:

- Esta análise é uma das mais perigosas realizada em laboratório de lácteos e por isso o analista deve se cercar de cuidados como: uniforme, máscara protetora, luvas de nitrílicas, avental de PVC. Também recomenda-se envolver a vidraria em um pano, com firmeza, para fazer a agitação, evitando assim a projeção de produto químico aquecido caso a vidraria quebre. A agitação deve ser realizada na direção de uma parede, nunca na direção de um colega.

- É imprescindível o uso de pipeta volumétrica nesta análise.

- Os tempos e temperaturas da análise devem ser seguidos rigorosamente.

- Após conclusão da centrifugação, o butirômetro vai para o banho-maria, a fim conduzir todas as gotículas de gordura para o bulbo da vidraria. Portanto, após remover a vidraria do banho-maria, não deve-se mais proceder ajustes na rolha, para evitar que a gordura se prenda à vidraria e não seja lida.

- A leitura da % de gordura deve ser realizada na altura dos olhos, para não causar erro de leitura de menisco.
boas práticas de laboratório (bpl)
Análise de densidade:

- A ambientação/rinsagem da proveta com a amostra a ser analisada é muito importante.

- Deve-se largar vagarosamente o termolactodensímetro no leite, e se necessário proceder um leve giro na vidraria para quebra da tensão superficial do leite.

- O ideal é que a amostra transborde sobre a proveta.

- A leitura deve ser realizada na altura dos olhos, conforme ilustração.

leitura proveta - laboratório
Análise de alizarol:

- É importante que o analista tenha claro para si o que ele procura na análise de alizarol, e para que a mesma serve. Esta análise tem por objetivo verificar a estabilidade da proteína do leite por meio da prova do álcool, bem como ter uma ideia da acidez do leite através da alizarina. Sendo assim, deve-se observar a formação de grumos na vidraria utilizada.

- A reação do leite com o álcool é rápida, por isso a análise deve ser realizada individualmente para cada amostra.

- Normalmente os laboratórios utilizam tubos de ensaio para esta análise, entretanto caso a análise gere dúvidas, recomenda-se o uso de uma placa de petri em um fundo escuro para facilitar a visualização do resultado, conforme imagem abaixo:
teste de alizarol - leite - laboratório

Análise de acidez por titulação:

- A titulação da amostra deve ser lenta e gradual.

- Deve-se observar a bureta ou acidímetro antes de iniciar a análise, atentando para possíveis bolhas e vazamentos que causarão desvio na análise.

- O acerto do volume da bureta/acidímetro deve ser realizado antes de iniciar a análise.

- A adição do indicador deve ocorrer imediatamente antes do início da titulação.

- Indica-se o uso de um padrão de cor durante a titulação, para facilitar a visualização do ponto de viragem.

- Durante a titulação, o analista deve olhar para amostra, no intuito de observar o momento exato da viragem de cor. Não se deve ficar observando a escala da vidraria.

- Novamente, a leitura do menisco deve ocorrer na altura dos olhos.

acidez titulação - laboratório
Lembre-se:

- Outras pessoas dependem dos seus resultados!
- A pressa é inimiga da perfeição!
- Organização e limpeza devem ser palavras de ordem!


Devemos ter em mente:

Não somos fazedores de análises... somos analistas!


MICHELE FANGMEIER

Técnica em Gestão Ambiental pelo Colégio Teutônia. Graduada em Química Industrial pela Univates. Mestranda CAPES em Biotecnologia na Produção Industrial de Alimentos. Atua como Supervisora de Laboratório de Controle de Qualidade de Laticínios.

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