Aproveitamento de machos de origem leiteira para produção de carne: Por que o Brasil não usa essa tecnologia com eficiência?
No Brasil os bezerros machos de origem leiteira são considerados como um problema e, na grande maioria das propriedades, são descartados ou sacrificados após o nascimento. Essa situação de descartar os machos leiteiros recém-nascidos contrasta com a realidade mundial que busca nesses animais uma saída para produção de carne de qualidade. Por Jose Neuman Miranda Neiva e João Restle.
Prof. PhD João Restle – Universidade Federal do Tocantins (Professor Visitante Nacional Sênior – CAPES)
No Brasil os bezerros machos de origem leiteira são considerados como um problema e, na grande maioria das propriedades, são descartados ou sacrificados após o nascimento. Essa situação de descartar os machos leiteiros recém-nascidos contrasta com a realidade mundial que busca nesses animais uma saída para produção de carne de qualidade (OVA, 2003). Embora no Brasil algumas tentativas de produção de vitelos já tenham sido feitas, é certo que foram feitas em épocas com realidades de mercado totalmente diferentes da atual. É importante que essa opção de produção de carne seja repensada e nos últimos anos um grupo de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical-PGCAT da Universidade Federal do Tocantins tem se debruçado no estudo de alternativas para melhor aproveitamento dos machos de origem leiteira. No caso do PGCAT a proposta é se trabalhar com a produção do que denominamos vitelo modificado, que seria um animal abatido com no mínimo 10@ de carcaça com idade entre 9 e 10 meses, dependendo do plano nutricional adotado. A seguir relataremos os motivos pelos quais o grupo enxerga no aproveitamento dos machos de origem leiteira como importante opção de geração de renda para a pecuária brasileira.
1- O número de vacas da raça Holandês e seus cruzamentos vêm crescendo no Brasil nos últimos anos. Segundo a EMBRAPA (2012) no ano de 2011 foram ordenhadas 23,5 milhões de vacas no Brasil. Considerando-se que 50% das crias dessas vacas são machos, com taxa de sobrevivência de 90%, estima-se que aproximadamente 10 milhões de bezerros de origem leiteira estariam disponíveis para a produção de carne durante o ano.
2- Assumindo que esses 10 milhões de bezerros poderiam ser abatidos aos 10 meses de idade com 10 @ estima-se que poderia se produzir anualmente 100 milhões de @ a partir de um programa de aproveitamento de machos de origem leiteira. Considerando o preço da @ de R$ 100,00, o volume de capital gerado chegaria a 10 bilhões de reais anualmente.
3- Com o aproveitamento dos bezerros de origem leiteira a abertura de novas áreas para produção de carne bovina poderia ser diminuída. Como a produtividade da pecuária de corte no Brasil é de 3,5 @ por hectare ano, se forem aproveitados todos os machos de origem leiteira teríamos a produção de carne equivalente ao que se produz em 28,5 milhões de hectares (100 milhões de @/ 3,5@).
4- Com o aproveitamento dos machos de origem leiteira haveria grande efeito mitigador na emissão de metano. O primeiro ponto a ser ressaltado é que com o aproveitamento dos machos de origem leiteira haverá menor demanda de vacas de corte para produção de bezerros. Estima-se que para a geração de 10 milhões de bezerros seriam necessárias em torno de 15 milhões de vacas de corte. Assumindo que cada vaca produz 57kg de metano por ano (IPCC, 2007), a redução na emissão desse gás de efeito estufa seria de 855 mil toneladas de metano por ano (15 milhões de vacas x 57kg de metano/ano), o que representa a emissão de aproximadamente 21 bilhões de toneladas de equivalente CO2.
5- Como para a produção de vitelos modificados utiliza-se dietas com alta porcentagem de grãos ou mesmo dietas exclusivas de grãos a emissão de metano será reduzida pelo efeito da dieta e pela redução na idade de abate dos animais. Animais abatidos precocemente passarão menos tempo emitindo metano para o meio ambiente.
6- Como a pecuária leiteira demanda vacas parindo ao longo do ano, o problema de freqüência na oferta de animais será resolvido pois não haverá estacionalidade de produção significativa. Essa freqüência de oferta é o grande gargalo para realização de alianças mercadológicas para produção de animais precoce pois na pecuária de corte se trabalha com estação de monta nas fêmeas e com isso não há distribuição uniforme na parição das mesmas.
No entanto o maior custo de produção de carne via aproveitamento de machos de origem leiteira com base em dietas de grãos apresenta-se como um fator limitante para sua expansão e consolidação como tecnologia de aplicação prática imediata. Desta forma há que se avaliar, além dos aspectos ambientais, os aspectos bioeconômicos para a produção de carne a partir de machos de origem leiteira.
Em países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Holanda, Alemanha, França e Itália praticamente 100% dos machos leiteiros são criados para a produção de carne, destacando-se a produção de vitelos. No Brasil, os machos de origem leiteira ainda não são criados para a produção de carne.
Dessa forma, é importante que se estude formas para melhor aproveitamento desses animais. Dentre as opções destaca-se a produção de “vitelo modificado”. O Brasil não tem tradição na produção de carne de vitelo; inclusive, sendo o termo “vitelo” pouco claro e entendido tanto para produtores quanto consumidores e é usado de forma generalista para descrever diversos tipos de animais abatidos jovens. Mesmo no Sistema Nacional de Tipificação de Carcaças Bovinas (Portaria 193/84), o vitelo é apenas descrito como o bovino (macho ou fêmea) abatido com até 12 meses.
De acordo com relato de Almeida Júnior et al. (2008) na Europa, países como Holanda, França, Itália e Alemanha têm muita tradição na produção e no consumo do vitelo tradicional e, segundo Ribeiro et al. (2001), os sistemas normalmente utilizados incluem o vitelo de carne branca, animal criado com dieta líquida e abatido com 3 a 5 meses de idade pesando de 120 a 210 kg, e o vitelo de carne rosa, animal desaleitado precocemente criado com dieta sólida com elevada proporção de grãos e abatido aos 5-6 meses com 225 a 250 kg de peso vivo-PV. No Canadá, os vitelos (veals) são classificados basicamente como milk-fedveal, animal com carne branca alimentado com dieta líquida à base de derivados lácteos até atingir o peso vivo ao abate de 205-225 kg, ou grainfedveal, animal alimentado com dieta líquida até 6 a 8 semanas de vida, quando passa a ser alimentado com dieta rica em grãos até o abate aos 295-320 kg PV; apresenta carne mais avermelhada que a do milk-fedveal (OVA, 2003).
No Brasil, a maioria das pesquisas voltadas para a produção de vitelos foi desenvolvida numa época onde as dietas de bovinos em confinamento apresentavam baixa proporção de grãos (< 50% da matéria seca) e quando se comparava o custo das dietas utilizadas para a produção de vitelos com aquelas usadas convencionalmente, a sensação era de que tais dietas apresentavam custo muito elevado. Atualmente nos confinamentos brasileiros tem predominado dietas com elevada proporção de grãos e variadas formas de processamento. Com isso a possibilidade de aproveitamento de machos leiteiros utilizando dietas de alto grão surge como opção para alavancar a produção de carne para os próximos anos.
Diversos fatores, incluindo a maior densidade energética, facilidade de transporte, estocagem e misturas de grãos têm conduzido à adoção de dietas de alto concentrado em oposição às dietas de menor densidade energética advindas das forragens, uma vez que, o valor nutricional dos grãos é menos variável do que em forragens, o que permite a terminação de bovinos de maneira uniforme e com logística facilitada (Silva, 2009).
De todas as substâncias contidas na dieta, o amido é a que fornece a maior proporção de energia digestível consumida por bovinos confinados. A maior densidade energética das dietas é obtida com a inclusão de grãos de cereais como o milho, rico em amido, que são grandes fornecedores de nutrientes, especialmente energia para os animais.
O uso de alimentos não processados pode ser vantajoso para a eficiência econômica do sistema de produção, desde que não prejudique o desempenho dos animais. Nesse sentido, em revisão de literatura Owens et al. (1997) concluíram que o potencial do grão inteiro de milho para o ganho de peso é equivalente ao de milho moído seco ou úmido, ainda mais elevado do que a silagem de grão úmido com boas eficiências de conversão. Do ponto de vista nutricional, o uso de grão de milho inteiro baseia-se na hipótese de que este seria incentivo suficiente para ruminação e função ruminal em dietas ricas em grãos para o gado em confinamento, o que elimina a necessidade de fibra longa de forragem (Pordomingo et al., 2002).
Outro aspecto relevante e decisivo para a implantação da técnica de criação de bezerros é a viabilidade econômica e aceitação do mercado consumidor. Por isso é imperativo que essas duas questões sejam esclarecidas para que a técnica possa ser melhor difundida entre os produtores rurais.
Para a avaliação bio-econômica da produção de vitelos modificados a busca de dietas menos onerosas surge como a principal opção para viabilizar a os preços alinhando-os à disponibilidade de pagamento do consumidor brasileiro.
Nos próximos artigos apresentaremos os resultados bioeconômicos das pesquisas já realizadas pelo grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins.
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Material escrito por:
Jose Neuman Miranda Neiva
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CONCEIÇÃO DO RIO VERDE - MINAS GERAIS
EM 23/02/2020

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/01/2020
Aguardo e obrigado

CONCEIÇÃO DO RIO VERDE - MINAS GERAIS
EM 05/01/2020
EM 07/07/2018
Primeiro falar sobre algo muito bom sendo feito na minha região com estes machos da atividade leiteira. As vacas sao inseminadas com sêmen de ABERDIM ANGUS estes sao terneiros muito melhores porem enquanto os holandês sao dados de graça estes tem um custo de 150 reais recém nascido. É com estes que eu trabalho.
Minha duvida é a alimentação. Quanto mais faço conta maus triste fico.. Tenho gasto com a compra até o desmame com 3 meses 540 reais... Dos 3 até os 12 meses mais 500 reais... Pouco provável eu ter lucro.. Mas vamos ao que e estou alimentando e oque poso melhorar
Leite direto nas vacas... Uso jersey vacas medianas 10 litro por dia.. Cada vaca amamenta 3 terneiros (o custo de alimentação da vaca ta enbutido no custo de desmame do terneiro) a vaca come pasto e 10kg por dia de resido de milho ...milho quebrado com uns 20%de sabugo.
E oque tenho maior duvida este milho para os terneiros!! Eles maman voltam para a cabana deles onde mantenho um cocho sempre abastecido de milho.
Oque quero saber é se este milho é bom para eles.. Sei que aparelho digestivo deles não é como o adulto.. Outra questão pasto
Apartir de que idade piso oferecer pasto e milho a eles qual proporção? Eu li muitos artigos que falam em oferecer feno e não pasto verde porém feno aqui não viável então como devo usar oque tenho... Pasto verde milho e tenho também trigo e soja porém estes não tenho dado ao gado... Mas tenho os 3 ao mesmo custo 0,18 centavos o quilo. Por favor com a melhor forma para mim usar os recursos que tenho? A melhor dieta?
GOIÂNIA - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/05/2017
Tenho uma propriedade leiteira no município de Araguatins (TO), parte da bacia leiteira do Bico do Papagaio, e gostaria de aprofundar no assunto, pois tenho em mente trabalhar a engorda dos machos gerados na fazenda, e inicialmente pensei em confinamento dos mesmos para venda como carne comum, para os frigoríficos de Araguaína (TO). Gostaria de sua ajuda e me coloco a disposição para abrir a minha propriedade para pesquisa e desenvolvimento.

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 24/04/2017
Ainda acho que o grande limitante para a difusão da técnica é a falta de organização dos produtores para se agrupar e negociar a venda em sistemas de alianças mercadológicas com os frigoríficos. Acho que vender uma carne tão nobre como carne comum é prejuizo. Mas os frigoríficos não lançam esse tipo de carne por não ter garantia de oferta contínua. Esse ano o milho e sorgo prometem atingir preços compatíveis com o confinamento desses animais e acho que a hora de começar seria agora... Acho que sua ideia é interessante. Vamos relatar as nossas experiências aqui..

PARANAVAÍ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/04/2017

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 20/04/2017

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 20/04/2017
Com relação à sua área não vejo como limitante pois esses animais são produzidos de forma intensiva e se utiliza pouco volumoso. Nós testamos como voce pode ver nos artigos do Milkpoint dietas exclusivas de grãos. Assim não haveria limitação de área. No entanto entendemos que voce poderia evoluir e utilizar um misto de pastagem com alto nível de suplementação. Para isso te sugiro que levante o preço de grãos na sua região e principalmente deveria ver se há algum subproduto com preço em conta. Após isso pode entrar em contato comigo aqui, ou no meu e-mail araguaia2007@gmail.com . Seria interessante voce buscar um apoio técnico na sua região pois sempre surgirão dúvidas que devem ser suprimidas com certa agilidade.

BLUMENAU - SANTA CATARINA
EM 19/04/2017

BLUMENAU - SANTA CATARINA
EM 19/04/2017

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/04/2017
Tenho uma propriedade em Oliveira - M.Gerais e passo pelos mesmos problemas que a a maioria dos produtores leiteiros passam,que como aproveitar os bezerros machos (holandeses) oriundos da produção leiteira?
Existe um curso com vídeo aula + material impresso que é disponibilizado pela universidade federal de Viçosa MG,que trata deste assunto,eu comprei este material, achei a mesmo muito bom, e vou tentar por em prática na minha propriedade,acho que o grande entrave para a viabilidade, é a mão de obra que hoje é escassa,mas não me sinto bem em descartar este bezerros,ainda mais quando se sabe que os mesmos serão sacrificados.

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/01/2017
Abraços,

CURITIBA - PARANÁ - ESTUDANTE
EM 07/08/2016
meu email é gerso.kuhn@yahoo.com.br
obrigado

SURUBIM - PERNAMBUCO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/05/2016
Atenciosamente,
Jose Joseli

MORRINHOS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/03/2016

TRÊS LAGOAS - MATO GROSSO DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 02/03/2016
Caso alguém possa me informar. Meu telefone, é 67 99 112085

MINEIROS - GOIÁS - ESTUDANTE
EM 08/02/2014

SEARA - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 24/01/2014
Acredito ser uma excelente ideia, moro no oeste catarinense, somos um estado com grande quantidade de leite produzida, e com muitos bezerros machos sem destino, estou com idéias, mas preciso de mais números pra poder dar o ponta pé inicial.
Pode me passar seu e mail de contato, ou um oi pro e mail grasigaluppo@hotmail.com pra eu poder dizer melhor qual linha quero seguir.
Aguardo.

XAXIM - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 02/01/2014