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Resistência do carrapato bovino a carrapaticidas no Estado de São Paulo
Na região sudeste o carrapato está presente ao longo de todo ano com maior prevalência nos meses mais quentes e úmidos, de setembro a abril.
O uso de carrapaticidas é o principal meio de combate da praga há pelo menos 60 anos e, devido à insistente aplicação de drogas, foi inevitável o desenvolvimento de populações de carrapatos resistentes. Atualmente, das sete classes de carrapaticidas registrados no Brasil, cinco estão comprometidas parcial ou totalmente pela resistência, dependendo da fazenda ou região. Como agravante, a existência de populações resistentes, na maioria dos casos, leva a uma maior frequência de aplicações dos produtos, o que pode intensificar a resistência e provocar a presença de resíduos em níveis acima do tolerado em alimentos como a carne e o leite.
O Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico (IB-APTA), órgão ligado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, sob a coordenação da pesquisadora Dra. Márcia Cristina Mendes, em parceria com o Laboratório de Parasitologia Experimental e Aplicada do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, seis Pólos Regionais da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo e com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) realizou um levantamento inédito da resistência do carrapato do boi frente aos carrapaticidas usados nas regiões de São Paulo. O trabalho foi realizado nos anos de 2007 e 2008.
Foram acompanhadas pequenas fazendas de gado de leite no interior do estado. Inicialmente foi feito um questionário para verificar os métodos que o produtor usa para controlar o carrapato, como a escolha do carrapaticida, produtos usados, modo e freqüência da aplicação. Também foram coletadas amostras de carrapatos para verificar a resistência em ensaios de laboratório.
De acordo com o questionário aplicado, de forma geral, já foram utilizados todos os grupos químicos disponíveis para o controle do carrapato [organofosforados, formamidinas (amitraz), piretróides (cipermetrina e deltametrina), lactonas macrocíclicas (avermectinas) e os fenilpirazóis (fipronil)]. A maioria dos produtores não possui critérios para a escolha do carrapaticida, seguem a indicação de vendedores ou vizinhos e fazem o tratamento somente quando visualizam os carrapatos.
Para verificar a resistência foram realizados testes usando as larvas dos carrapatos, a fim de se obter o nível de resistência aos produtos mais utilizados para o seu controle.
Os resultados mostram que os casos positivos para carrapatos resistentes aos piretróides foi alta em todas as regiões analisadas, passando de 83,33% em 2007 para 100% em 2008 no caso da deltametrina e de 83,33% em 2007 para 84,21% em 2008 considerando a resistência a cipermetrina.
Para o organofosforado clorpirifós, os casos positivos foram de 50% em 2007 e 95% em 2008. Levando-se em consideração que a maioria das propriedades utilizou este produto durante o período do estudo, o aumento da prevalência da resistência já era esperado.
Para a ivermectina, a resistência ocorreu em 30% das fazendas analisadas no ano de 2007 e 56,25% em 2008. Possivelmente, o aumento da resistência a essa droga está ligado ao seu uso como alternativa aos demais carrapaticidas com resistência já desenvolvida. As lactonas macrocíclicas se caracterizam por apresentar um longo período de ação residual, chegando a 120 dias em alguns casos, fator que favorece a seleção de cepas resistentes.
Diante do estudo, os pesquisadores sugerem a realização anual do biocarrapaticidograma para verificar qual o produto mais indicado para o tratamento dos bovinos. Além disso, indicam que o tratamento seja feito somente nos animais mais sensíveis à infestação por carrapatos, quando os parasitos ainda se encontram na sua forma jovem (larvas e ninfas), lembrando de utilizar a dosagem correta do produto, aplicando-o por todo o animal, no caso da pulverização.
O Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico presta o serviço de realização de biocarrapaticidograma.
Comentários:
Cláudio Fellipe Rocha de Queiroz
Itapecuru Mirim - Maranhão - Consultoria/extensão
postado em 09/04/2009
O grande problema no controle do carrapato é a má utilização dos produtos para combate. Por exemplo, a maioria dos produtos para pulverização são recomendados 4 litros de banho por animal, e na prática o que a gente vê é uma pulverização com quantidade bem menor. Ja vi casos em que com uma bomba de 20L um criador pulverizou 30 animais.
Brasília - Distrito Federal - Produção de leite (de vaca)
postado em 09/04/2009
Realmente é muito preocupante , acho que 90% ou mais dos produtores não dão o banho com 4 a 5 litros por animal. E vai ficar cada vez mais complicado. Tenho usado alguma coisa de homeopático , mas o resultado tambem não é satisfatório. Precisamos urgente aprender a aplicar corretamente e na quantidade certa os produtos anticarrapatos.
Lima - Lima - Peru - Indústria de insumos para laticínios
postado em 11/04/2009
Dra. Marcia:
Quisieramos saber si encontaron resistencia al FIPRONIL, en mi region en trabajos de campo ya hemos visto resistencia a este producto (selva en la region de San Martin PERU)
São Gabriel do Oeste - Mato Grosso do Sul - Consultoria/extensão
postado em 26/04/2009
Olá, gostaria de saber se vocês tem dados sobre a Abamectina pour on? Eu tenho utilizado em vacas leiteiras, e o resultado a princípio tem sido bom.
Obrigado.
São Paulo - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 03/06/2009
Prezado Bordin e demais participantes do fórum,
Realmente nos assusta o fato de que a resistência à ivermectina tenha se disseminado de maneira muito rápida nos últimos anos. Provavelmente vinculado ao uso indiscriminado desta droga, inclusive para tratar animais leiteiros.
Os testes mencionados foram feitos com larvas, através da técnica de imersão (ver: Sabatini et al., 2001 - Vet. Parasitol., v.95(1) p.53-62; Klafke et al., 2006 - Vet. Parasitol. 142(3-4), p.386-390), utilizando a ivermectina grau técnico e comparando a resposta com a cepa referência susceptível da FAO, Mozo que é mantida no Instituto Biológico. Para cada população foram feitos três testes em triplicata. Vale lembrar que mantemos também uma cepa controle resistente isolada de uma população de campo, sob pressão de seleção com ivermectina que nos serviu para validar o teste em questão.
Acredito que seria interessante averiguar qual o nível de susceptibilidade das populações de carrapatos que são efetivamente controladas por 120 dias e se a eficácia da droga se mantém ao longo do ano.
Tem toda razão quando diz que os dados dos biocarrapaticidogramas devem vir acompanhados de uma orientação para interpretação dos resultados. Realmente eles somente indicam a eficácia do produto em uma condição in vitro. Entretanto nossos resultados demonstraram uma correlação positiva entre a falta de eficácia (entende-se por falta de eficácia um controle menor que 95%) e Fatores de Resistência significativos determinados pelo testes padrão da FAO, para as populações de campo em questão frente ao tratamento com o clorpirifós, deltametrina e cipermetrina. Até o momento, os testes com ivermectina para teleóginas não demonstraram resultados satisfatórios e confiáveis na determinação de eficácia in vitro. Somente os testes com larvas foram utilizados para o diagnóstico da resistência.
Espero ter ajudado,
Atenciosamente,
Guilherme Klafke.
Nova Odessa - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 03/06/2009
A situação limite, em que nada mais fará efeito contra o carrapato nos faz pensar nas alternativas, e, entre elas, está o animal resistente, a opção mais eficaz, econômica e ecológica que existe.
Entre os bovinos especializados para a produção de leite, destaco o girolando (mestiço Gir x Holandês), com grau de sangue de no máximo 3/4 Holandês, e o gado Jersey, que, em um rebanho pesquisado pelo Instituto de Zootecnia, mostrou ter um grau de resistência bastante razoável a este parasita.
Iguaraçu - Paraná - Consultoria/extensão
postado em 04/06/2009
Prezada Doutora Márcia Mendes.
Gostaria de me informar de como posso receber instruções para realização do
biocarrapaticidograma através Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico mesmo sendo da região do norte do Paraná.
São Paulo - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 04/06/2009
Prezado Marcos Caliani,
Atendemos todo o Brasil. Você pode entrar no site do Instituto Biológico no setor de triagem animal ou ligar no telefone (11) 50871707 assim orientaremos melhor sobre o teste.
Obrigada
Márcia
Luziânia - Goiás - zootecnista
postado em 15/09/2009
Lembrando que esse teste é feito gratuitamente pela embrapa gado de leite, em Juiz de fora - MG
Campos dos Goytacazes - Rio de Janeiro - vendedor
postado em 17/03/2010
Boa noite vcs tem algum trabalho com a utilização do fluasurom ( acatack ) por aqui na minha região é o unico que da resultado mais ja tem produtores reclamando que não da
o tempo satisfatorio entre uma aplicação e outra nesse caso o que vcs sugerem.
Parabens pelo trabalho realizado pelo site é suma importancia para os produtores rurais....
Cariacica - Espírito Santo - Produção de leite (de vaca)
postado em 01/05/2011
qual o procedimento p/ enviar os parasitas p/ o teste,as moscas tbm estão resistentes?,grato.
Juiz de Fora - Minas Gerais - Producao de leite
postado em 18/08/2011
Doutora
e o famoso produto em pó que tanto propagam na midia - difly s3, qual é realmente a sua efetividade para o controle dos carrapatos?
Jurema - Pernambuco - Zootecnista (consultor)
postado em 04/02/2012
Gostaria de saber o preço e como faço para enviar amostras aqui de Pernambuco.
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Bruno V. Nadruz
Ribeirão Preto - São Paulo - Consultoria/extensão
postado em 08/04/2009
Gostaria de saber se o teste do biocarrapaticidograma é cobrado pelo insituto biológico. Em caso positivo, qual o valor?
Resposta da autora:
Prezado Bruno Vicente Nadruz,
O Instituto Biológico faz o teste do biocarrapaticidograma e cobra R$ 20,00.
Obrigada
Márcia