Você está em: Radar Técnico > Pastagens
Pastagens em sistemas silvipastoris
Quando se trata de espécies forrageiras, é necessário conhecer sua tolerância e capacidade produtiva em ambientes sombreados (Andrade et al. 2003). Além disso, o conhecimento das características morfofisiológicas e estruturais das plantas é de suma importância para que sejam escolhidas e manejadas adequadamente a fim de garantir a longevidade do sistema.
A produção de forragem é afetada pela diminuição da radiação luminosa disponível para as plantas no sub-bosque e o fator luz só deixa de ser o mais importante, quando existem outras limitações mais fortes, como, por exemplo, limitação nutricional, fator que deve sempre ser corrigido. Outros fatores são água, temperatura e comprimento do dia reduzido, os quais comprometem a planta em qualquer sistema. Esses aspectos não inviabilizam, tampouco desencorajam o sistema silvipastoril, mas precisam ser entendidos.
Nos dias atuais, em função de pressões econômicas e ambientais, qualquer atividade precisa ser economicamente viável e ambientalmente correta. Dessa forma, em locais onde a pressão econômica é mais forte e as questões ambientais não são um entrave, os sistemas ainda tendem a ser exclusivos. Nesses casos a silvicultura ou a pecuária são conduzidos separadamente. No entanto, a verticalização (intensificação) da produção está cada vez mais em evidência, e com isso sistemas integrados de produção, normalmente iniciados em menor escala, são o primeiro passo para a diversificação das atividades na propriedade. Outro aspecto referesse ao alto custo da terra em algumas regiões do país que faz com que se busquem alternativas de melhor aproveitamento do solo (não deixando áreas em pousio), obtendo maior retorno no sistema como um todo e melhorando o fluxo de caixa do projeto.
Além disso, quando se propõe um sistema silvipastoril, é preciso ter conhecimento adequado para planejá-lo e gerenciá-lo. Nesse caso é preciso mensurar a quantidade de árvores versus perdas na produção de forragem, incluindo nesse processo o conhecimento de fisiologia de plantas forrageiras para que o manejo do pastejo seja feito de forma a garantir a perenidade da pastagem e, conseqüentemente, a economicidade do projeto.
Neste ambiente está evidente que o efeito da sombra muda toda a dinâmica da planta forrageira, proporcionando aumentos na área foliar específica, na quantidade de lignina, no alongamento de colmos e na diminuição das reservas. Dessa forma, ao implantar um sistema silvipastoril, mais do que nunca, o respeito aos limites fisiológicos das plantas forrageiras, ao período de descanso e ao estande de plantas na área tornam-se aspectos ainda mais relevantes, que se negligenciados podem comprometer o sistema rapidamente. Nesse sentido, a quantidade e o formato de distribuição das árvores tornam-se fatores cruciais no processo.
Algumas espécies de gramíneas de clima tropical foram submetidas a três níveis de sombreamento (0, 30 e 60%). De maneira geral, houve redução na produção em função da redução na quantidade de luz disponível. Brachiaria brizantha cv. Marandu; B. decumbens e Andropogon gayanus cv. Planatina apresentaram redução na produção, e no maior nível de sombra a produção caiu em 27%, 45% e 49%, respectivamente, decorrente da redução da radiação luminosa em ambiente sombreado. Melinis minutiflora e Setaria anceps cv. Kazungula não tiveram suas produções alteradas pelo sombreamento (Castro et al.,1999).
Ainda nesse estudo, uma resposta interessante foi relatada com relação ao Panicum maximum cv. Vencedor, que a pleno sol e com 30% de sombra apresentou produção semelhante, demonstrando o potencial dessa planta em sistemas silvipastoris. No entanto, quando submetido a 60% de sombra, sua produção reduziu em 28%. Por isso, a definição do espaçamento dos renques é de suma importância, para que se tenha ganho com a produção de madeira (árvores), conforto térmico para os animais, sem maiores perdas em produção de forragem.
ANDRADE, C.M.S.; GARCIA, R.; COUTO, L. PEREIRA, O. G.; SOUZA, A.L. Desempenho de Seis Gramíneas Solteiras ou Consorciadas com o Stylosanthes guianensis cv. Mineirão e Eucalipto em Sistema Silvipastoril. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32, n.6, p.1845-1850, 2003 (supl. 2).
CASTRO, C.R.T.; GARCIA, R.; CARVALHO, M.M. et al. Produção forrageira de gramíneas cultivadas sob luminosidade reduzida. Revista Brasileira de Zootecnia, v.28, n.5, p.919-927, 1999.
Comentários:
Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 24/01/2012
Prezado Pavão, como colega do Bruno vou me intrometer na conversa um pouquinho. Sou pesquisador da Embrapa Gado de Leite e temos trabalhado em áreas montanhosas da Zona da Mata e Campo das Vertentes. A nossa experiência tem nos mostrado que esp-açamentos mais abertos (20-24 metros) com duas a três fileiras de plantas proporciona boa luminosidade para o pasto. Pode-se trabalhar também com espaçamentos menores entre fileiras (15 metros), entretanto deve-se utilizar apenas uma linha com as plantas mais espaçadas (3-4 metros entre plantas).
Müller - Embrapa Gado de Leite.
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 24/01/2012
Prezado conterrâneo Marcelo Dias Müller: Este tipo de manejo não é o que foi criado pelo Engenheiro Agrônomo e Pesquisador José Carlos Lira Fleury (também conhecido como "Caio Capim", por ser um dos maiores conhecedores de capim no mundo) - formado na ESALQ - e que o desenvolve, com raro sucesso, na Fazenda Fundão, em Ipameri - GO (leia-se Dirk Herman Mitteldorf - Casas Pernambucanas), tendo sido divulgado, há anos atrás, pela Revista Globo Rural ? O interesse é que, quando residi em Goiás, nos anos de 1990, pude ter o privilégio de tornar-me seu amigo pessoal e ver, de perto, a excelência de seu manejo. Impressionava-se chegar à Fazenda e ver aquela mata fechada. Parecia tudo abandonado, mas, quando se descia a serra, uma maravilha: mais de mil e quinhentas cabeças de Gado Nelore e, outras tantas de Búfalos, criadas em plena mata. O sistema residia em retirar da floresta as espécies corriqueiras, promovendo um espaçamento necessário para que o sol chegasse ao solo, deixando as madeiras nobres , sem que o desmatamento, por tão pequeno, intereferisse no ecossistema. A propriedade tinha certificação do IBAMA como preservação cem por cento. Não havia roçagem de pasto, porque ele me dizia que "Deus fez o casco do boi como se fosse composto de duas foices que, pelo pisoteio constante, fazia o trabalho de deixar o pasto sempre pronto para o próximo manejo".
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
Descalvado - São Paulo - Estudante
postado em 24/01/2012
o que envolve alimentação posso disser que nos estamos no caminho certo,a prova disto esta no desempenho de cada um de nós procurarmos em fazer nossa parte,parabéns a todos que estão empenhado em produzir com melhoria para nos mesmo.
Belo Horizonte - Minas Gerais - Estudante
postado em 24/01/2012
Muito bom o artigo. Queria saber se o sombreamento, acarreta em diminuição da drenagem e evaporação de água do solo, e medidas para serem tomadas em épocas de chuva.
Sinop - Mato Grosso - Pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril
postado em 25/01/2012
Prezado Thalles, obrigado pelo comentário.
Você pode encontrar mais informações em: http://www.cnpf.embrapa.br/pesquisa/safs/
Aqui em Sinop -MT, onde o relevo é completamente plano, temos duas experiências sendo instaladas nesse verão:
1) Gado de leite: a) linhas triplas, espaçadas de 15 metros; b) linhas duplas somente na borda dos piquete e c) sem sombra.
2) Gado de corte: a) linhas triplas (3,5 x 3,0) espaçadas a cada 30 metros e b) sem sombra.
Em alguns tempo, um a dois anos, teremos alguns resultados para divulgar.
Bruno
Sinop - Mato Grosso - Pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril
postado em 25/01/2012
Prezado Müller,
Obrigado pelas informações. Fique a vontade, contribuições são sempre válidas.
Bruno
Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 25/01/2012
Claro.
Respondendo ao Guilherme,
São coisas diferentes. O sistema de que falei trata-se de quando estamos pegando uma pastagem já degradada, sem floresta, e introduzimos árvores.
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 26/01/2012
Prezado Marcelo Dias Müller: Obrigado pelos esclarecimentos.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 31/01/2012
Bom artigo. Pergunto se experimentara outros Panicums, como Mombaça, ou se foi somente o Vencedor?
Obrigado
Últimas Atualizações
» Aumento da oferta de leite mundial reflete no preço do leite em pó
» Fonterra abre novo centro de inovação em Xangai
» Brasil apresenta política de sanidade animal em Paris
» Financiamento ao médio produtor rural bate recorde
» JBS publica edital de permuta de ações com a Vigor
» RS: Conseleite aponta tendência de leve baixa no preço pago ao produtor












Thalles Veiga
Pavão - Minas Gerais
postado em 24/01/2012
Muito bom!
Gostaria de saber se existe restrições desse sistema para áreas com alta inclinação?E onde poderia me informar mais sobre a utilização desse sistema nessas áreas ?