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Raiva bovina: uma ameaça para todos os tipos de rebanho (Parte 1/2)

Por Renata de Oliveira Souza Dias
postado em 24/05/2002

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Estamos no mês de maio, época em que vale a pena gastarmos algum tempo e voltar nossa atenção para uma doença viral já muito conhecida, mas que, infelizmente, ainda causa muitas mortes nos rebanhos bovinos do País. Rotineiramente, pode-se escutar relatos de perdas surpreendentes advindas da raiva, e realmente, uma das piores características desta doença é o fator surpresa: quando começamos a desconfiar, na maioria das vezes, ela já causou grandes prejuízos e, geralmente, não temos mais como controlar o avanço do surto ou recuperar os animais já afetados.

A raiva é uma encefalite aguda viral transmitida através da mordedura de animais doentes e portadores, e que se caracteriza por um quadro neurológico fatal. Também conhecida como hidrofobia, a raiva é uma zoonose e o profissional responsável pelo seu controle é o médico veterinário.

Estima-se que a raiva seja responsável pela morte de cerca de 50.000 bovinos por ano no Brasil.

A raiva bovina é geralmente transmitida pela mordedura de morcegos hematófagos, que atuam como portadores, reservatórios e transmissores do vírus da raiva. No Brasil, a espécie mais importante é a Desmodus rotundus. O vírus encontra-se na saliva do animal e, obviamente, é necessário que a saliva tenha contato com a ferida, pois o vírus não atravessa a pele íntegra. Existem também relatos da transmissão por via aérea que ocorre em cavernas (muito importante entre os morcegos) e locais fechados que abrigam animais doentes. Pode-se ainda, ocorrer a transmissão acidental através da utilização de vacinas vivas e durante a necropsia de animais afetados pela doença.

Após a transmissão, o vírus desloca-se para o sistema nervoso e o curso da doença leva em média 10 dias. O período de incubação da enfermidade varia de 3 a15 semanas.

Nos bovinos a forma clínica mais comum é a raiva paralítica, entretanto, podem ocorrer casos de raiva furiosa. O animal afetado apresenta uma hipersensibilidade a todos os fatores externos. Ocorre uma nítida mudança de hábito, os sintomas evoluem para perda da consciência, mugido rouco, aumento do volume e presença de espuma na saliva, midríase, fezes secas e escuras, andar cambaleante, paralisia dos membros posteriores, e evolução para a paralisia dos anteriores. A morte ocorre 4 a 8 dias após o início dos sintomas.

Nos casos de suspeita clínica de raiva, não se deve matar o animal! Aguardar a evolução natural do quadro e colher material após a morte. Como a maioria das doenças que causam encefalite provocam sintomas semelhantes aos da raiva (tais como: plantas tóxicas, doença de Aujesky, clostridioses,... ) somente o exame laboratorial pode definir o diagnóstico. Atenção especial deve ser dada à necropsia, que deverá ser feita por um profissional, considerando-se o risco de contaminação e a grande importância da forma de coleta e envio da amostra para a eficiência do diagnóstico. Enviar, sob refrigeração, o cérebro, cerebelo e o hipocampo (sempre bilateral) e enviar juntamente as informações do histórico do caso. Nos casos em que o tempo entre a morte do animal e a chegada do material ao laboratório for superior a 48 horas, deve -se enviar o material em solução fisiológica estéril com 50% de glicerina. O exame mais utilizado é a imunofluorescência.

Nas regiões endêmicas, o controle da raiva é feito com a vacinação sistemática de 100% dos animais susceptíveis e o controle dos morcegos hematófagos. O controle dos morcegos hematófagos é realizado através da captura e utilização de uma pasta anticoagulante no dorso dos animais capturados, que são libertados e voltam à toca de origem. Quando os demais morcegos da colônia lambem o anticoagulante morrem de hemorragia generalizada.

Para que a vacinação proteja contra a doença é necessário que o animal seja vacinado e consiga produzir anticorpos antes da inoculação do vírus da raiva, por isso, quando consideramos a vacinação, deve-se ter em mente que a vacina precisa de 21 dias para oferecer proteção aos animais. Quando a vacina viva for utilizada, vacinar somente os animais maiores de 4 meses de idade. A aplicação deve ser intramuscular profunda, e deve-se dedicar uma atenção especial com a conservação: não utilizar frascos com mais de 20 doses, não utilizar nenhum tipo de desinfetante (o vírus da raiva é muito suscetível à ação de desinfetantes comuns, tais como soluções à base de hipoclorito, formol, iodo e compostos quaternários de amônio). Nos próximos anos, utilizar vacinas inativadas. Mesmo que não haja focos de raiva é necessário vacinar os animais nas áreas endêmicas, uma vez que, existindo o morcego hematófago, pode surgir a qualquer momento um novo foco.

No próximo artigo, a raiva bovina será novamente enfocada, sendo abordado um trabalho de pesquisa que avaliou o uso da terra como um fator determinante para a distribuição da enfermidade, auxiliando a caracterizar as áreas de risco.

Onde saber mais: Silva J.A., et al. Arq. Bras. Vet. Zootec. 53(3):263-283, 2001.

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