A Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sebrae, está implantando no Tocantins o Qualileite. Trata-se de um programa de ação contínua para atacar os principais gargalos da cadeia produtiva do leite que, hoje, tem na informalidade o seu maior problema. Estima-se que entre 50% a 60% do leite produzido no Tocantins é distribuído in natura no mercado informal. Além da evasão fiscal, o produto oferece risco de sanidade, já que o consumidor desconhece como é manipulado.
O superintendente estadual do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), José Roberto Fernandes, diz que o programa nasceu de uma demanda dos laticínios, que operam com ociosidade por falta de matéria-prima e produzem praticamente dois itens: leite pasteurizado tipo C e queijo mussarela. Os representantes do setor alegam que a qualidade do leite que recebem não possibilita a diversificação.
A partir de um pedido do sindicato que representa o segmento, o Sindileite, a Fieto buscou parcerias para o desenvolvimento de um programa de melhoria dos elos desta cadeia. Nasceu assim o Qualileite. Os custos operacionais, nesta fase, estão estimados em R$ 70 mil, sendo que 40% serão custeados pela CNI/Fieto, 40% pelo Sebrae e 20% pela empresa beneficiada, que poderá pagar sua contraparte ao longo da implantação desta fase do programa, prevista para se encerrar em novembro.
O número de adesões ainda está sendo fechado, mas Fernandes estima que ficará entre 15 e 18 indústrias, com prioridade para as que conseguiram incorporar algum nível de tecnologia em seu negócio e que sejam credenciadas pelo sistema de inspeção estadual e federal.
O convênio prevê que o trabalho será realizado em cinco etapas. A primeira foi o levantamento preliminar do setor. Em seguida foi realizada uma palestra, em um esforço para sensibilizar as empresas e comprometê-las com o programa. Atualmente os técnicos realizam um diagnóstico executivo, que, segundo Fernandes, é um aprofundamento das informações.
Nesta fase, serão feitas investigações sobre a qualidade do leite, a partir de amostras representativas colhidas aleatoriamente, e o tratamento dispensado à questão ambiental, pois se sabe que a maioria dos efluentes dos laticínios é despejada em mananciais sem nenhum tratamento. Pretende-se também conhecer a qualidade dos produtos a partir de enquetes com o consumidor e vistorias técnicas junto aos produtores, transportadores e processadores. "Teremos uma radiografia completa do setor", afirma Fernandes.
Estratégia
De posse desses dados, as instituições e os laticínios vão elaborar um plano de ação para definir qual a intervenção recomendada para a melhoria dos produtos e processos. Em seguida será contratado um consultor da Universidade Federal de Goiás, que vai atuar em cada empresa fazendo recomendações técnicas visando à implantação da qualidade desejada. Ao final da consultoria, cada laticínio vai receber um documento individual e confidencial sobre seus pontos fortes e fracos e as medidas que precisa adotar para ter qualidade e competitividade.
Ao longo do programa serão realizados treinamentos técnico e gerencial para toda a cadeia do leite. A última etapa do Qualileite prevê a realização de um workshop que vai gerar em um documento síntese com as conclusões dessa primeira etapa.
A indústria de laticínios processa 200 mil litros de leite/dia no Estado. De acordo com o veterinário Cláudio Lobato Sayão, a maior concentração de indústrias está nas regiões Central e Norte. O Sul do Estado possui uma indústria de grande porte, em Gurupi. Estudos do Mercoeste, plano estratégico regional do Senai, apontam que o mercado consumidor potencial do leite no Tocantins pode chegar a R$ 70 milhões/ano. Em 2000 o Estado produziu 130 milhões de litros de leite, dos quais estima-se que 66 milhões tenham selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
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MilkPoint
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