A crise na indústria de lácteos da China deverá custar bilhões de dólares, prejudicar milhões de empregos e poderá levar um ano até que a confiança dos consumidores nas companhias de lácteos sejam recuperadas, disseram especialistas.
Oficiais chineses estão ansiosos para colocar um limite no escândalo que matou quatro bebês e deixou mais de 53 mil pessoas doentes após a contaminação de leite com melamina, substância química usada na fabricação de plástico.
A mídia estatal proclamou no fim de semana que amostras de 31 marcas de fórmulas infantis não tinham mais traços de melamina. Similarmente, amostras de centenas de lotes de leite fluido e em pó também estavam livres da substância.
Em Xangai, a companhia Guangming Bright Dairy - uma das mais de 20 companhias envolvidas na contaminação do leite com melamina - usou uma vaca inflável gigante ao som de hip hop para tentar resgatar os consumidores de leite. No sul de Shenzhen, as companhias Mengniu e Yili ofereceram promoções de caixas de leite do tipo "compre uma e leve outra grátis".
No entanto, os consumidores chineses deverão continuar cautelosos e uma série de países proibiu ou restringiu as importações de produtos lácteos chineses.
"O que se vê na China com a crise agora é que está amplamente disseminado que existe claramente uma lacuna no sistema de controle de qualidade", disse o líder de um projeto que ajuda a melhorar a qualidade do leite chinês da Universidade Wageningen, na Holanda, Bram Wouters. "Com certeza essa lacuna será fechada, mas não é garantia de que a confiança dos consumidores retornará rapidamente".
Especialistas concordam que poderá levar um ano para reparar os problemas de confiança. Neste meio-tempo, os custos econômicos vão se acumulando.
Nenhuma estimativa oficial foi divulgada sobre o quanto a crise custou à indústria de lácteos da China. As companhias cujos produtos foram contaminados tiveram queda nas vendas de 60% a 70% no último mês com relação ao ano anterior, disse o analista da Mental Marketing Dairy Consulting, de Xangai, Lao Bing.
As vendas de lácteos no ano todo deverão ser 20% menores do que os 160 bilhões de yuan (US$ 23,12 bilhões) registrados no ano anterior, disse ele. "A indústria vinha crescendo a um ritmo de mais de 20% nos últimos anos, mas neste ano, deverá permanecer parada".
Cerca de três milhões de trabalhadores, principalmente os relacionados aos pequenos produtores de lácteos, que são responsáveis por 80% da produção de leite da China, foram afetados, disse o analista da Orient Agribusiness Consultant, de Pequim, Chen Lianfang.
Em partes do norte da China, os produtores tiveram que descartar leite no pico da crise porque ninguém queria comprar o produto. Foi nestas áreas que os especialistas acreditam que a melamina foi adicionada propositalmente ao leite adulterado com água para torná-lo mais rico em proteínas. Na Província de Hebei, no norte do país, um dos centros da crise, autoridades concordaram em pagar 200 yuan (US$ 28,91) para cada vaca como subsídio para manter os produtores na atividade.
No entanto, para recuperar a confiança, autoridades terão que trabalhar com os pequenos produtores para continuar melhorando a higiene, educá-los e incentivá-los para priorizarem a qualidade e não a quantidade, disse Wouters. Ele disse que os consumidores precisam saber que o controle de qualidade está sendo feito em todos os estágios da cadeia, não somente nas plantas de lácteos ou nos supermercados, mas também, nas fazendas.
A reportagem é da Agence France-Presse (AFP), resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.
Crise na indústria de lácteos da China custará bilhões
A crise na indústria de lácteos da China deverá custar bilhões de dólares, prejudicar milhões de empregos e poderá levar um ano até que a confiança dos consumidores nas companhias de lácteos sejam recuperadas, disseram especialistas.
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CLEYTON CRUVINEL DOS SANTOS
RIO VERDE - GOIÁS - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 08/10/2008
Boa noite. Esta reportagem, o que vai ajuda pra nos aqui no Brasil?