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Recuo de preços no varejo e atacado deixa mercado de leite atento

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E ALINE BARROZO FERRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 22/08/2007

6 MIN DE LEITURA

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Os preços pagos pelo leite aos produtores já acumularam uma alta de cerca de 40% entre janeiro e julho deste ano, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Em agosto, em função da elevada demanda e disputa pela matéria-prima entre as indústrias, muitos produtores receberam entre R$ 0,80/l e R$ 0,90/l, chegando na casa de R$ 1,00/l em alguns casos.

Mesmo em período de entressafra, a valorização do leite ocorreu num momento em que a oferta no primeiro semestre do ano esteve 3,34% superior à do mesmo período do ano passado, de acordo com o índice de captação do Cepea. Portanto, a redução na captação ao longo do semestre teve seu papel, mas não foi o único fator responsável pela elevação dos preços.

Gráfico 1. Comparação entre a redução na captação entre janeiro e junho e o aumento de preços do leite, em porcentagem.


O mercado externo em alta em função da oferta mundial insuficiente para cobrir o crescimento da demanda, foi um fator que ajudou a elevar os preços internos. É importante lembrar que não necessariamente as exportações precisam ser incrementadas para que haja efeito nos preços internos. De fato, mesmo com preços mais altos, as vendas externas até julho foram cerca de 1% inferiores em volume se comparadas a 2006, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Nesse período de alta do leite e elevada procura, o segmento de leite longa vida foi o principal balizador do mercado doméstico, pois abrange cerca de 20% da produção total do Brasil. Este foi o produto que apresentou maior sensibilidade ao comportamento altista que ocorreu no campo, e passou de R$ 1,11/l no atacado paulista em janeiro, segundo dados do Cepea, para valores em torno de R$ 2,00/l em julho, de acordo com agentes do setor.

Porém, do jeito que subiu, o longa vida começa a dar sinais de perda de fôlego. Após sucessivas altas, o mercado de lácteos no atacado e varejo parece começar a desacelerar e entrar numa fase de estabilidade ou queda. O leite longa vida passou de cerca de R$ 2,10/l no mercado atacadista de São Paulo para R$ 1,95/l, segundo agentes de mercado, sendo que algumas marcas já chegaram a ser vendidas a R$ 1,60/l. No varejo, os preços também tiveram redução.

Isso, segundo agentes de mercado, pode ser explicado por alguns fatores. O primeiro deles se deve às férias escolares durante o mês de julho, que contribuiu para uma redução nas vendas. Isso pode ter favorecido um acúmulo dos estoques do varejo, que possibilitou uma diminuição de preços. Com a retenção das compras, o setor varejista comprou menos, ou a preços mais baixos, o que favoreceu um efeito "dominó", estendendo a queda de preços ao atacado.

Outra estratégia do setor varejista, segundo agentes, foi a venda do produto a preços mais baixos na tentativa de pressionar uma redução generalizada de preços. A medida do varejo provavelmente foi tomada em virtude de uma queda no consumo devido ao aumento de preços, que chegou com força ao mercado consumidor nos últimos 30 dias, a ponto de resultar em diversas matérias na mídia.

No Paraná, o Conseleite captou no início do mês um momento de estabilidade ou ligeira queda no mercado atacadista e projetou os preços pagos aos produtores para agosto já carregando esse efeito, de acordo com os cálculos.

Os indicadores da FGV mostram também desacelerações nos aumentos de preços de leite e derivados no atacado uma desaceleração de aumentos de preços no varejo em agosto, indicando um possível fim do comportamento altista dos preços.

No mercado spot (leite comercializado entre as empresas), a tendência é de estabilidade, mas, segundo agentes de mercado, a possibilidade de queda já é cogitada. Em Minas Gerais, o valor negociado ficou em torno de R$ 0,95/l com ICMS. Esse preço chegou a R$ 1,10/l em negociações anteriores e já houve oferta a R$ 0,90/l.

Em São Paulo, o leite spot está sendo negociado a valores em torno de R$ 1,00/l, mas chega a R$ 1,15/l. Fontes ligadas ao setor acreditam que não há mais espaço para alta de preços.

O mercado está bastante especulativo quanto a esse momento por que passa o setor, e agentes da cadeia afirmam que há indústrias que estão comprando menos ou deixando de comprar leite no mercado spot. O mecanismo é conhecido: as grandes compradoras começam a descartar o leite realmente spot, sem grandes consequências no relacionamento de longo prazo. Esse leite precisa encontrar novo destino e começa a movimentação.

Em função da elevação assustadora dos preços ao produtor - em alguns casos, de R$ 0,40/l desde janeiro - a tendência, caso se confirme um período de transição, é de alguma queda de preços. Porém, a expectativa é que os valores não se reduzam significativamente em função da disputa entre as indústrias pelo leite, visto que as indústrias não podem reduzir o volume adquirido.

A produção nacional também vem aumentando em diversas regiões, principalmente em função do maior estímulo com os melhores preços do leite, como é o caso do estado de Minas Gerais. Em outros casos, como no Rio Grande do Sul, o aumento se deu em função da maior quantidade de pastagens de inverno disponível para o gado.

As pesquisas do Cepea mostraram um acréscimo na captação de leite de 10,4% entre maio e junho no Rio Grande do Sul e de 7,3% no Paraná. No primeiro semestre do ano, o volume produzido no estado gaúcho representou um aumento de 12,6% em relação ao mesmo período de 2006.

A expectativa é de aumento da produção de leite, tendo em vista que nos próximos meses normalmente há maior produção de pastagens. Além disso, agentes do setor acreditam que o bom momento para o setor produtivo de leite está impulsionando muitos investimentos, e as empresas do ramo estão vendendo uma grande quantidade de equipamentos para a produção.

Outro indicador de estímulo para a produção é a falta de vacas para venda, o que valorizou o animal. Segundo dados da empresa Embral Leilões Rurais, no primeiro semestre foram vendidos mais animais do que no total de 2006 - 13 mil vacas contra 12,8 mil no ano passado. Além disso, uma vaca valia entre R$ 2,5 mil a R$ 3 mil em janeiro, hoje é comercializada entre R$ 3,5 mil a R$ 4 mil.

Dados do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal) previram ainda que a quantidade de rações destinada à bovinocultura leiteira aumentará neste ano 3,9% em relação ao ano passado.

Se, por um lado, há uma maior pressão do varejo para negociação do leite UHT (principal item direcionador do mercado neste momento) e uma tendência de aumento da produção leiteira, por outro, há uma saída: as exportações de leite em pó. Os preços externos continuam elevados e o dólar vem se valorizando frente ao real, o que favorece a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

No oeste da Europa e na Oceania, os preços do leite em pó continuam em patamares elevados, apesar de uma leve queda na primeira quinzena deste mês. Os valores do leite em pó integral exportado pelo Brasil ficaram, em média, a US$ 4,10/l em julho, frente aos US$ 1,98/l obtidos no mesmo mês de 2006.

Resta saber se a crise econômica internacional, que já afeta o preços das commodities, atingirá também os lácteos no mercado internacional. Essa é uma variável nova que deve ser acompanhada.

Por enquanto, o mercado externo firme deve favorecer uma sustentação de bons preços de exportação, viabilizando as negociações.

Alguns agentes afirmam que não há capacidade industrial por enquanto para aumentar a produção de leite em pó, além de não haver muitas empresas com condições de exportar.

No mercado internacional, não há sinais de queda de preço significativa, segundo previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). De acordo com o departamento, os fatores que promoveram a rápida escalada nos preços persistem e as ofertas para exportações não devem crescer significativamente na Oceania, União Européia e Estados Unidos.

Em resumo, é possível que tenhamos algum ajuste de preços para os próximos meses, mas nada indica que os patamares anteriores de preços retornarão.

Envie seu comentário sobre o mercado de leite através da seção de cartas do leitor.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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OSVALDO JOSE BERNARDES DE FARIA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/10/2007

A maioria dos comentários vem abordando o preço do leite, mas não poderíamos deixar de mencionar o enorme aumento de custos na produção de leite que vem ocorrendo nos últimos dias, o que vem anulando práticamente todos os ganhos que vinhamos obtendo via aumento de preços.

Os preços de alguns insumos para produção de rações, como milho, farelo de soja, caroço de algodão, polpa cítrica e outros mais, quando não estão faltando no mercado, estão ficando inviáveis. Poderia mencionar a título de exemplo o acréscimo de preços de alguns produtos: milho, há 90 dias atrás estava a R$ 18,00 a saca de 60 Kg, hoje o mercado está vendendo a R$ 32,00.

Farelo de Soja que estava há pouco tempo em torno de R$ 28,00 a saca de 50Kg, já está custando R$ 42,00. O caroço de algodão que no início da safra chegava a R$ 290,00/t, já está em torno de R$ 390,00/t. Além dos preços estarem aumentando assustadoramente, ainda estamos correndo o risco de faltar determinados insumos.

Temos, portanto, que conscientizar os compradores de leite que já estão falando em redução dos preços ao produtor, de que a rentabilidade do setor vem se reduzindo em função dos elevados aumentos nos custos de produção.

Osvaldo Faria
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/09/2007

Muito pertinente o comentário do conterrâneo Sérgio Savassi, a imprensa jamais noticiou os anos de sofrimento do produtor de leite, com preços baixos e custos exorbitantes, tampouco os benefícios do produto e sua importância na geração de emprego e renda, e agora somos os vilões da economia!

"A culpa pela alta da inflação é do setor lácteo", bradam os economistas! Já ouvi falar deste filme antes, quando o então Ministro Delfim Neto usou a célebre frase para explicar a alta da inflação no mês: "A culpa é do chuchu". Não somos culpados de nada, aliás, temos sido vítimas durante anos, o que está acontecendo no setor lácteo decorre da lógica que move os mercados, qual seja a "lei" da oferta e da procura.

Ademais, o que houve foi recomposição de preços que estavam bastante defasados. Grande abraço aos colegas deste fórum e aos "experts" Aline e Marcelo.

Eduardo Amorim
SÉRGIO MARCUS DE ANDRADE SAVASSI

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 12/09/2007

Parabéns pela matéria, mas não vi nenhum comentário, crítica ou sugestões, sobre a omisão das nossas entidades representativas com relação à divulgação do que estamos debatendo, junto ao grande público consumidor, com esclarecimentos decorrentes, para serem revertidas as opiniões a respeito do assunto.

Medidas simples, pragmáticas e baratas, fariam um efeito enorme, haja visto a consequência da divulgação de uma notícia contrária na mídia, por essa imprensa "altista", oportunista e inconsequente.

Abraços a todos,
Sérgio Savassi
AGENOR TEIXEIRA DE CARVALHO

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/09/2007

Parabéns pela matéria que resume tudo sobre o mercado atual, e dá dicas para o futuro tanto para o produtor, quanto para o industrial.

Eu acho que se o mercado interno começa congestionar e o externo continua com boas perspectivas, devemos correr atrás de meios para exportar mais.

Ainda tenho "medo" da interferência do Govermo, pois a inflação de agosto foi o dobro da prevista e estão culpando os alimentos, principalmente o leite.
ERTA MARIA DE SOUZA CARVALHO

MINEIROS - GOIÁS - EMPRESÁRIO

EM 09/09/2007

Sou produtora de leite há vinte anos ou mais, nunca na história do leite tivemos uma melhora em nossa região como agora, mas infelizmente os custos do leite já vêm subindo, assim como aconteceu com a soja.

Os custos sobem, depois o leite tem sua queda e os custos continuam em alta. Deveria haver mais fiscalização e proteção ao produtor que é quem sempre sofre as consequências do mercado, sem ter direito nenhum a apelar.
DELMINDO ARAUJO DE FREITS

SANTA VITÓRIA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/09/2007

Gostei muito deste artigo, polêmico.
LUCIANO DE PAULA TRIGO

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/09/2007

Após ler todos os comentários sobre a matéria, gostaria de acrescentar o seguinte:

As indústrias de latícinios já começam a pressionar os preços pago aos produtores para baixo, assinalando uma queda no valor do leite para este mês de setembro, alegando a redução do preço do leite longa vida UHT. Portanto, temos que observar que em janeiro o leite UHT era vendido pelas indústrias ao varejo a R$ 1,15, pagava-se ao produtor R$ 0,45 e R$ 0,60 era atribuido ao custo de embalagem e outras despesas da industria, ou seja, trabalhavam com uma margem de R$ 0,10 , por lito.

No mês passado, o mesmo UHT era vendido ao varejo a R$ 2,15 , pagaram ao produtor R$ 0,70 e o custo da embalagem e não houve acrescimo, porém vamos atribuir a este custo de embalagem e outras despesas R$ 0,70. Observa-se uma margem de R$ 0,75.

Portanto, quando se fala em recuperação de custos por parte do produtor, temos que avaliar que a recuperação da margem de comercialização dos latícinios foi muito maior que a do produtor. Sem falar dos preços do leite em pó que continua valorizado e não houve aumento da produção.

Porém, não há oferta de leite. Acho que não é a hora de se falar em queda de preço pago ao produtor. As indústrias de latícinios deveriam absorver este recuo nos preços, visto que suas margens de comercialização suportam esta movimentação de mercado. Porém, vejo que mais uma vez o produtor vai ser penalizado, ou seja vai pagar a conta.

Abraços.
ALEX M. M. SÁ ANDRADE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 07/09/2007

Cadê a organização dos produtores do leite de cada região? Cade a organização dos laticinios e cooperativas ?

É nessas horas que vimos que independente de qualquer imprevisto (dólar em alta, seca, mudança do gado de leite para gado de corte e outros tantos), o leite fica na mão de meia duzia de empresas que comanda o mercado de laticinio no Brasil.

Tenho 13 anos de experiencia que vejo a mesma coisa, a empresa X comprou leite para exportar, a empresa Y pagou mais pelo leite in natura, a empresa W que dita o preço do mercado e assim vai.

Então todos que reclamam tem suas razões, mas precisamos de mais "profissionalismo".

Abraços a todos e obrigado.
GUILHERME SOUZA AZEVEDO

CARMÓPOLIS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/09/2007

Gosatria de parabenizar o Sr. Roberto Jank Jr. pela sua carta, pois os fatos previstos por ele já estão acontecendo, com o spot caindo a R$ 0,70/l.

Os grandes compradores passando a recusar o leite dos produtores com a desculpa da qualidade e os preços caindo, isto ocorrendo na entressafra.

Como os produtores são muito ariscos, os planos de expansão como o manejo do gado serão afetados como um todo e pode ocorrer uma queda importante na produção atual e futura. Preparemo-nos todos. Esta criese vai ser um tsunami.
AROLDO AUGUSTO MARTINS

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/09/2007

A matematica é simples: preço razoável, produção boa, aumenta concentrado na dieta; com preço em baixa reduzimos concentrado na dieta e com isso cai a produção.

É fácil jogar a culpa no Governo, na mídia ou nos laticínios, mas quem tem a matéria-prima somos nós, os produtores. Vamos trabalhar com planilhas de custo quando for viável aumentar produtividade. Sabemos o que fazer, quando tivermos que diminuir também sabemos reduziremos custos com funcionarios, rações etc.

Quem sabe um dia eles valorizam qualidade. O ideal seria um contrato por um ano com preço e quantidade definidas por produtores e laticínio. Só assim saberíamos o que fazer e os laticinios poderiam fazer compromisso, com quantidade e qualidade para exportar.
MÁRCIO FONSECA DO AMARAL

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/09/2007

Pois é, está por começar nova choradeira. Os comentários são de que este mês o produtor já receberá menos R$ 0,05/l de leite. É a velha e conhecida gangorra na qual vive o produtor primário no Brasil (e não é só no leite que isto ocorre).

Preços razoáveis que passam a ser "gritados aos quatro ventos como se fossem o melhor negócio do mundo", um sinal de aumento de produção e os noticiários a baterem nos alimentos como vilões da inflação. Até parece que nada mais aumenta de preços no Brasil.

E ficam os produtores à mercê dos atravessadores. Quando é que aprenderemos a receber um preço justo sem sair alardeando como se descobrissem uma mina de ouro? Resta ao produtor melhorar a organização da cadeia e/ou rezar para não iniciarmos já um novo período de míseros preços.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 03/09/2007

Marcelo e Aline, quanta lenha rendeu este assunto!
Em primeiro lugar, quero agradecer a todos que leram meus comentários e teceram suas opiniões sobre o assunto e também aos que expressaram suas opiniões no sentido de dar um sacolejo nessa situação de inércia e cotemplação.

Interessante que até quem está muito bem na cena como o Roberto Jank Jr. e o meu amigão Marcelo Elder Sampaio, empresários de peso e respeito na área, estão a seu modo preocupados com a situação. Isso é salutar, pois coloca realmente toda a cadeia em alerta e o resultado, sem dúvida, será a busca por soluções mais duradouras e eficazes para o setor leiteiro.

Os colegas que combateram as embalagens do leite longa vida, também têm suas razões quando dizem que a embalagem tem um custo significativo e aparentemente não agrega valor ao nosso pobre leite.

Gostaria de lembrar aqui, que tanto as embalagens do famigerado longa vida do qual eu sou literalmente contra e já me expressei aqui várias vezes a respeito, assim como a grama "brachiaria" na pecuária de corte, são males criados por uma cultura de extrativismo sem uma visão voltada para a qualidade. O produtor extrativista de corte, solta (como dizem os peões) a manada na brachiaria e só vai lá quando precisa de uns trocadinhos minguados que ela lhes dá.

No leite longa vida, não é diferente, pois as indústrias não têm o que fazer com leites de baixa qualidade, a não ser esterilizá-lo e colocar nessas embalagens para enganar o infeliz, desinformado e acomodado consumidor, e nesse contexto, eu estou incluído por força das circunstâncias. 90% do leite produzido no Brasil tem qualidade muito baixa e não resiste a duas horas de redutase, (antigo método de avaliação de qualidade) em função de alta contagem bacteriana.

Trabalhando na área de qualidade do leite por alguns anos, consegui mudar muitas opiniões a esse respeito, já que melhorar a qualidade de qualquer leite, em qualquer propriedade, é coisa muito simples. A chamada UFC (Unidade Formadora de Colônias) nada mais é do que sujeira colocada no leite pelas mãos de operadores e por máquinas e outros utensílios mal lavados, mal desinfetados e também de marcas duvidosas, que não atendem á exigências míninas para produzirem com qualidade.

Cansei de mudar qualidade de leite de uma ordenha para outra, por exemplo, trazendo o leite de um dia com 2.000.000/ml de UFC para 300.000/400.00/ml, no dia seguinte (níveis que a meu modo de ver ainda são altos) apenas com a limpeza adequada do equipamento, com produtos de qualidade e procedimentos corretos de ordenha.

O mesmo já não ocorre com as CCS (Contagen de Cálulas Somáticas), que não estão muito atreladas a higiene em sí, mas sim com o manejo sanitário do rebanho, embora afetem sobre maneira a qualidade do leite na indústria de queijos e iogurtes. Por essas razões e pelo comodismo do consumidor é que existe essa coisa chamada de leite longa vida, e creiam, isso existe apenas no Brasil.

Abraços,
Clemente.
JOSÉ FRANCISCO N. DE MELLO

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/09/2007

O que me chateia nesta flutuação de mercado, é que quando se fala na retomada do preço para o produtor, somos envolvido com um esforço da mídia deste setor em... Agora vai! O leite voltou a dar retorno ao"bôlso" do produtor! Retorna à atividade o tradicional produtor de leite, e o que acontece... a rápida resposta com aumento da produção por nossa parte (produtores), comprovando ai o potencial que temos em mãos.

O custo de produção do leite é dificil baixar mais, pois não há posição por parte do governo em fiscalizar o custo de produtos de outros setores essenciais para nós produtores de leite, por exemplo, adubos, defensivos agriculas.

Somos, além de tudo, agricultores para produção do nosso volumoso... Aí a coisa enrosca de vez, quando falamos no descalabro do custo dos subprodutos que utilizamos como a polpa citrica, bagaço de cevada, caroço de algodão etc...

Sabe, neste nosso negócio Leite, muita gente ganha dinheiro e muito dinheiro em cima do suado dia de quem produz leite com seriedade, ética e compromisso.

Eu também gostaria de ver a mídia a nosso favor, em defesa do produtor de leite, e não tanto da nova marca de ordenha recem lançada, ou do equipamento X, Y ou Z, ou mesmo do produto ou medicamento milagroso.

Milagroso mesmo seria se o preço do leite fosse ditato por quem sabe o quanto custa produzi-lo, o dono das vacas!

Parabenizo o trabalho realizado pelo MilkPoint e pela oportunidade. Forte abraço a todos! E que Deus nos abençoe!

Zé Francisco.
HUMBERTO MARCOS SOUZA DIAS

ALFENAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 02/09/2007

Ao senhor Roberto Jank Jr.,

Colocação pertinente e esclarecedora para os atacadistas!

Parabéns.
Humberto
LEONARDO DIAS MACHADO

GUMARÂNIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/09/2007

Como o ditado diz, tudo que é bom dura pouco, passamos por um enorme período de prejuízo sem que nada fosse dito ou feito em socorro ao produtor. Basta um pequeno período de aumento de preços, que não recompõe as margens perdidas em vários anos de crise, e acompanhamos em massa um movimento de retalhação para a baixa dos mesmos.

Gostaria que da mesma força que a mídia apoia o consumidor divilgando os preços em alta, também apoie o produtor quando os estes não cobrirem se quer os custos de produção.
ANDRÉ GAMA RAMALHO

BATALHA - ALAGOAS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/09/2007

Infelizmente mais uma vez o "leite longa vida" de qualidade duvidosa e de embalagem cara põe em risco a situação do produtor.

De toda a cadeia produtiva, o produtor tem o maior capital investido (terra, forragem, genética, instalações e equipamentos), o maior custo por litro e a menor margem de lucro (quando tem), além da maior responsabilidade pela qualidade do produto.

É preciso reordenar a cadeia produtiva do leite. As indústrias precisam rever a viabilidade do leite longa vida. Muitas culpam o produto pela sua situação financeira, mas não se libertam dele.

André Gama Ramalho
Pres. do Sidileite - Alagoas
JURAMIR PIMENTEL BARBOZA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 01/09/2007

Vejo com muita satisfação essas opiniões referentes ao momento importante que o setor leiteiro está vivendo, será que as tantas associações que realmente falam pelo setor produtivo do leite poderiam lançar uma escalada profissional do setor, aproveitando essas margens mais realista para o produtor?

Vejo que para os preços não cairem do topo em queda livre, todos os produtores teriam que não apenas sair produzindo leite a qualquer custo para atender a demanda, e sim produzir leite de melhor qualidade. Assim poderiam justificar os preços mais justos para o setor, os quais devem estabilizar num patamar que todos possam rentabilizar o seu negócio.

Acho que o momento é oportuno e decisivo para os produtores de leite, e as indústrias de laticínios poderiam lançar mão de uma mídia pesada, esclarecedora para o consumidor final, que leite e seus derivados são alimentos muito saudáveis e imprescindíveis para crescimento humano e bem estar.

Apenas sugerindo, será que as associações não poderiamm viabilizar esta campanha em conjunto?

Sucesso a todos.
SEBASTIÃO MESSIAS DE MORAES

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 01/09/2007

Muito bom o artigo e os comentários recebidos. Parabéns a todos! Sou pequeno produtor de leite em Rio Bonito, teve época que chegamos a receber (pasmem!) R$ 0,28 por litro.
ILDEBRANDO DE MOURA MACHADO

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/08/2007

É isso mesmo, Sr. Divino, o brasileiro prefere pagar mais caro pela comodidade do leite na caixa da Tetra-Pack, do que comprar o leite em saquinho, diariamente, junto com o pão. Ninguém fala do preço do leite no saquinho, será que as campanhas não deveriam começar por aí?
AGENOR TEIXEIRA DE CARVALHO

ARAXÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/08/2007

Acho que nós produtores de leite somos desunidos e medrosos. As indústrias organizadas em "cartéis" geralmente no mês de agosto já começam pregar "baixa", aproveitando da situação dos produtores que nesta época do ano não tem como parar de produzir, já que estão estruturados para isto.

Será que um produto que 40% do seu custo está na embalagem (longa vida) irá desestabilizar o preço do leite? E o leite "fluido" não tem um imenso mercado?
Acredito que se é verdade que está faltando leite no "mundo", temos que ir em frente e não alimentar boatos, pois meia dúzia de supermercados não vão tabelar um produto tão "universal".

MilkPoint AgriPoint