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Oferta interna e preços externos determinarão comportamento do mercado no primeiro quadrimestre

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 14/01/2011

5 MIN DE LEITURA

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Os últimos meses de 2010 trouxeram um novo ânimo ao mercado, que sofreu com o comportamento atípico dos preços no ano que passou. A oferta, em excesso no 1º semestre, se ajustou a demanda em contínua expansão, em razão da queda dos preços na entressafra e, principalmente, atraso na safra do sudeste e centro-oeste.

Os preços ao produtor (Gráfico 1), segundo o Cepea-Esalq/USP, apresentaram consecutivas altas desde agosto e terminaram o ano, na média nacional, em R$ 0,7207/litro, cerca de 20% acima do valor de dezembro de 2009 (R$ 0,6024/litro). A média de 2010, foi de R$ 0,7055/litro, 5,8% acima da de 2009. Os preços no atacado e varejo também apresentaram seguidas altas desde agosto.

O mercado entrou em 2011 relativamente equilibrado e as expectativas em curto prazo são boas, segundo a opinião da maioria dos agentes de mercado consultados pelo MilkPoint. A produção nacional e os preços externos são os principais fatores a serem observados e determinarão o comportamento do mercado no primeiro quadrimestre do ano.

Gráfico 1. Preços ao produtor, média nacional do Cepea-Esalq/USP (em R$/litro).

Clique na imagem para ampliá-la.

As festividades de fim de ano aliadas ao período de férias escolares resultaram em um enfraquecimento das vendas, pelo menos até a 1ª quinzena do ano, e redução dos preços no atacado, como ocorre historicamente nessa época do ano. Entretanto, segundo um dos agentes, "o mercado está calmo e deve retomar seu patamar anterior, sem dificuldade".

Em termos de oferta, a safra no centro-oeste e sudeste, que sofreu um atraso, encontrou um cenário mais favorável: os preços ao produtor encontravam-se sob níveis maiores e com expectativa de melhoras; o desenvolvimento do pasto foi favorecido por maiores temperaturas; e o mercado estava mais firme e com preços em alta. A produção nessas duas regiões, e em especial Goiás e Minas Gerais, vem em uma crescente desde que iniciaram as chuvas.

Ironicamente, tem sido a chuva, nessa época do ano em excesso, responsável por prejudicar a captação, destruindo estradas e encharcando os pastos. Mesmo assim, há expectativa de bom volume de leite a nível nacional em janeiro e, em algumas regiões, também em fevereiro.

Aliado a oferta e demanda relativamente ajustadas no mercado doméstico, o mercado internacional tem sinalizado expressivas altas e com expectativa de maiores níveis de preços para os próximos meses (trataremos do panorama externo mais adiante). O cenário em curto prazo é, portanto, favorável.

Os preços ao produtor devem sofrer novo reajuste positivo em janeiro, sinalizado pela elevação do preço do leite spot em algumas regiões já nessa 1ª quinzena, e explicados pela restrição da oferta em algumas regiões e uma possível estratégia da indústria de se abastecer de leite nesse período, diante de uma maior redução na entressafra e preços externos favoráveis. Se esse cenário se confirmar, a preocupação da quase totalidade dos agentes de mercado consultados pelo MilkPoint é de que teremos outro 2010.

Em um cenário pessimista, os preços ao produtor teriam nova escalada no início do ano estimulando um crescimento da oferta. A demanda, com aumento dos juros, restrição de créditos, e menor crescimento da economia que em 2010, poderia desacelerar o crescimento do consumo.

O real continuaria se valorizando frente ao dólar, e a moeda americana a perder valor frente às moedas locais, favorecendo as importações de lácteos e dificultando as exportações. Mesmo com os preços externos em alta (na faixa dos US$ 3.775/tonelada de leite em pó integral), o câmbio próximo a 1,7 R$/US$, e o preço ao produtor acima de 70 centavos por litro, praticamente inviabiliza essa operação (Tabela 1).

Em outras palavras, teríamos uma continuidade do crescimento da oferta de leite no mercado interno sem a possibilidade de retirar o excedente, como no ano passado (veja matéria relacionada sobre a balança comercial em 2010).

O resultado seria: (novamente) queda dos preços na entressafra, até um novo equilíbrio entre oferta e demanda - no ano de 2010 ocorreu entre setembro e outubro.

Tabela 1. Simulação preço máximo para exportação.



Em um cenário positivo, os preços ao produtor teriam nova escalada no início do ano. A oferta teria um menor crescimento inicial, limitado pela contínua alta dos insumos, e entraria em declínio em fevereiro, resultando em um mercado mais ajustado. A demanda, com a manutenção dos programas de governo, aumento de renda da população e movimento de ascensão das classes sociais, elevaria o crescimento do consumo.

Os preços externos em alta e um possível ajuste na taxa de câmbio fariam com que as exportações fossem retomadas. Com as importações limitadas, teríamos uma balança comercial mais favorável do que foi no ano anterior.

De fato, os preços no mercado externo estão sob níveis historicamente altos (Gráfico 2). No primeiro leilão da Fonterra do ano, o preço médio do leite em pó integral (WMP) teve alta de 3,8% e alcançou o valor mais alto desde junho de 2009, fechando em US$ 3.750 a tonelada. O contrato para o 3º período, de julho a setembro, apresentou significativa alta de 10,3%. Mesmo patamar dos preços de exportação de leite em pó da Oceania e Oeste da Europa, divulgados recentemente pelo USDA, que ficaram em US$ 3.737,5/t e US$ 3.837,5/t, respectivamente.

As expressivas altas nos preços internacionais têm ocorrido em razão de adversidades climáticas em importantes exportadores, principalmente, a Nova Zelândia, e crescente demanda por produtos lácteos pela Rússia e China. O gigante asiático enfrenta problemas de desenvolver seu mercado doméstico, em razão do caso da melamina, e deve continuar como uma importante importadora de produtos lácteos por um bom tempo.

Gráfico 2. Preços de exportação de leite em pó integral.

Clique na imagem para ampliá-la.

O resultado seria: um comportamento historicamente normal da curva de preços, com um crescimento no preço médio correspondente à inflação, e uma amenização na volatilidade, seguindo tendência dos últimos três anos.

É ainda muito cedo para fazer alguma previsão, 2011 está só começando. Os dados, que serão divulgados na próxima Pesquisa Trimestral do Leite (IBGE), irão nos mostrar qual foi a produção total leite (formal) em 2010 e, principalmente, a produção no último trimestre do ano. Esses dados serão importantes para entendermos como estará a oferta nesse início desse ano.

Em suma, o início de ano segue o comportamento do fim de 2010. Para os próximos meses, a produção e a retomada da demanda com a volta às aulas devem ditar o ritmo do mercado. Os preços externos nesses elevados patamares podem sinalizar a retomada das exportações, seria mais uma maneira de tornarmos o mercado mais equilibrado em 2011. Nesse sentido, a variação da taxa de cambio e os preços no mercado doméstico terão um papel importante.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"-USP, e Analista de Mercado do MilkPoint.

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RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 07/02/2011

Prezados Divino e Ronan, obrigado pelos comentários.
RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 07/02/2011

Caro Roberto, obrigado pelo comentário.

A escalada dos grãos é um fator de grande influência e deve exercer influência no preço ao produtor aumentando os custos de produção e "freiando" a oferta. E pelo que observamos no mercado de grãos e futuros, a perspectiva é de que as altas permaneçam.

RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 07/02/2011

Prezados Wilson e Odécio, muito obrigado pelos comentários.

A chamada "guerra cambial" dificulta as previsões, por ter também grande impacto no setor.
RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 07/02/2011

Prezado Marcello, obrigado pelo seu comentário e pelo acerto até o momento de suas previsões.

O mercado tem sinalizado altas a nível internacional e nacional nesse primeiro quadrimestre. É difícil fazer previsões para diante desse período, mas no momento, o viés é de alta.
RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 07/02/2011

Prezado Guilherme, obrigado pelo comentário.

A valorização do real frente ao dólar realmente tem esse efeito negativo na nossa balança comercial, dificultando a saída de produtos e facilitando sua entrada. Para 2011, se esses preços internacionais se mantiverem nesses patamares passa a ser mais atrativo para Argentina e Uruguai (os dois países que mais importamos leite) vender seu produto em outros mercados, aliviando um pouco nossa balança, e quem sabe possibilitando que retomemos nossas exportações.
RONAN CAETANO MATTOS

BURITIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2011

Infelismente quem produz alimentos, no nosso pais, ainda nao tem o merecido respeito, os governos nacionais e internacionais, usam, a titulo de popularidade de artificios para achatar os preços de alimentos, sufocando assim produtores de alimentos em geral. Concordo plenamente com o caro produtor, DIVINO LUCIO G DE CARVALHO, de goiania, mendigar da mais lucro que produzir leite.
ODECIO ANTONIO LARA

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/02/2011

Gostei muito da analise de voces.
Na instabilidade das moedas do mundo, não se pode
dizer muita coisa.
O plobrema no meu ver é o dolar instavel.
DIVINO LUCIO GARCIA DE CARVALHO

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/01/2011

o que me preocupa é a margem de lucro...se eu ganho 15 centavos por litro de leite, e vendo 10.000 litros por mes, o meu lucro será R$1.500,00...é bom, para quem tem o patrimônio para tirar 10.000 litros por mês???... se eu pedir esmola no semáforo de uma rua qualquer de qualquer cidade, e ganhar 10 centavos a cada fechamento do semáforo, considerando que o semáfor abre e fecha a cada 30 segundos, eu ganharia 20 centavos a cada minuto, 12 reais por hora...96 reais por um dia de mendigância de 8 horas... e R$ 2.112,00 por 22 dias de mendigância...então, o cara que pede esmola ganha como se tivesse tirando 330 litros de leite por dia sem ter nenhum patrimônio...ganha mais né?? pois, são só 22 dias, e eu tiro leite 30 dias por mês...alguma coisa tá errado num tá???... acho que estou tirando pouco leite...
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/01/2011

Acredito que 2011 seja promissor e estável. A recuperação do preço do leite veio acompanhada de aumento nos insumos, principalemnte rações, que só encontra paralelo em 2003 (com cambio de 3,80) e no primeiro semestre de 2008 (com a bolha das commodities). Certamente este aspecto vai frear o ímpeto de crescimento da produção primária, ao menos neste primeiro semestre.
Já a oferta do semestre certamente será prejudicada pela seca do RS e a tragédia de chuvas no sudeste.
WILSON MENDES RUAS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 17/01/2011

Em síntese, enquanto a taxa de câmbio for desfavorável às exportações brasileiras, não haverá bons ventos para a pecuária leiteira do Brasil, até porque ela carece maior sustentabilidade de mercado.
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/01/2011

Prezados Marcelo e Rodolfo

Parabens pelo artigo, bem oportuno.

Penso que o comportamento dos preços ao produtor nacional dependerá fundamentalmente da continuidade do crescimento da economia interna, particularmente do crescimento do poder aquisitivo da classe C, que aumenta a demanda por leite e lácteos ( o consumo per capita cresceu de 140 para algo entre 150 e 160 litros/hab/ano ) e da ação do governo com relação à valorização do real frente ao dolar, no sentido de evitar uma escalada das importações que provocariam o efeito de excesso de oferta da produção nacional ( que não é real, visto que somos tradicionais importadores de leite e lácteos ).

A contenção da valorização do real pode ajudar um pouco a exportarmos leite e lácteos, e não há dúvida que isso ajuda o equilíbrio dop mercado, mas em 2011 isso será pouco expressivo, pois temos muito a fazer no médio prazo para nos tornarmos efetivamente exportadores signigicativos. A necessidade urgente de conter a valorização do real com relação ao dolar é evitar o efeito de leite produzido no País sem mercado decorrente de uma avalanche de importação, que será desastroso para a pecuária nacional e produzirá efeitos negativos por muito tempo ( muita vaca de leite irá para o gancho ).

A evolução da economia mundial continuará alimentar a demanda crescentede leite e lácteos nos emergentes, aumentando a procura e os preços internacionais?

Os desajustes climáticos também também poderão ter influência no preço ao produtor, mas em que direção e intensidade só Deus sabe.

Pensando nos vários fatores, creio que no primeiro quadrimestre os ventos continuarão soprando na direção do aumento do preço ao produtor nacional, mas é preciso esperar até março para se poder avaliar melhor o quadro de 2011.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho




GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2011

Prezados Marcelo e Rodolfo: O que preocupa é a escalada de baixa do dólar em relação ao real, o que, ante uma ineficiente política de contenção da importação de lácteos, como a fomentada pelo Governo Federal (certamente a ser copiada pela Dilma, já que um clone de Lula), onde inexistem quaisquer reservas de mercado, ficará muito mais atrativo importar leite de péssima qualidade do Mercosul do que prestigiar ao produtor doméstico. Mas, ainda assim, acredito que a antiga balança de preços foi e permanecerá sepultada, como teve lugar em 2010, já que alguns indícios de qualidade do leite já podem ser vislumbrados na produção pátria, incentivando, ainda que de forma tímida, a aquisição interna do produto. Lado outro, a catástrofe promovida pelas enchentes no Sudeste, maior produtor de leite do Brasil, de forma indene de dúvidas, promoverá uma acentuada queda na produção nacional e a batalha pelos volumes maiores de leite fará o mercado aquecer-se. Não creio que o litro do produto desça a menos de R$ 0,70 (setenta centavos), pelo menos para aqueles cuja qualidade e quantidade andam de mãos dadas, em 2011, como era corriqueiro em anos de antanho. Parabéns pela qualidade das informações prestadas, tão necessárias aos dias atuais.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
MilkPoint AgriPoint