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Oferta em declínio x vendas em março devem indicar reajuste ao produtor

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 21/03/2011

2 MIN DE LEITURA

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A safra nacional de leite entrou em declínio, rumando para os meses de historicamente menor produção do ano. O recuo frente a fevereiro tem variado de 5 a até 15% dependendo da região, segundo agentes de mercado consultados pelo MilkPoint. Para abril, essas variações devem acentuar-se.

Os produtores têm observado uma escalada dos custos de produção, liderados pelas altas da soja e milho. Os principais componentes utilizados para ração valorizaram 13,2% e 53,4%, respectivamente, no período de um ano, considerando a média mensal no atacado de fevereiro da SEAB-PR (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná).

Contudo, os preços pago aos produtores no período, segundo média nacional do Cepea-Esalq/USP, valorizaram quase 20%, chegando a R$ 0,7371/litro. Indicando que a alta nos custos tem sido relativamente compensada pela receita, conforme pode-se observar em nosso cálculo de Receita Menos Custo da Ração.

Gráfico 1. Receita menos custo da ração - últimos 12 meses (R$/vaca.dia, corrigidos pelo efeito da inflação)



Para a indústria, os dois primeiros meses do ano apresentaram vendas aquém da expectativa, o que respondeu pela manutenção ou leve valorização do preço ao produtor nesses meses. Em março, com o fim do carnaval e início (efetivo) do período escolar, as vendas começaram a acontecer e alguns agentes se mostram positivos para o restante do mês.

O preço do leite em pó reagiu, sendo encontrados por valores entre R$ 8,20 a 8,70/kg no atacado. O mercado de queijos, que teve um início de ano ruim, está se recuperando e os preços no atacado estão a R$ 8,00-8,50/kg. Em São Paulo, já existem negócios a R$ 9,50/kg de mussarela.

O leite longa vida (UHT) tem sinalizado melhora de preços, principalmente, nos últimos 15 dias e os valores no atacado têm variado de R$ 1,45 a 1,65/litro dependendo da região. Mesmo assim, segundo quase totalidade dos agentes de mercado consultados pelo MilkPoint, está sendo difícil emplacar maiores preços e/ou volume de vendas no varejo e algum estoque começa a se formar.

No panorama externo, após consecutivas altas e uma expressiva queda - conforme anunciamos em nosso twitter (@MilkPointBR), o preço médio do leite em pó integral no último leilão da Fonterra recuou 11,4%, para US$ 4.105/ton - o cenário é de instabilidade, principalmente do lado da demanda.

A tragédia no Japão - que ainda não se sabe o efeito na oferta, estoques e demanda -, a crise no Norte da África e em países do Oriente Médio, os últimos importantes importadores de lácteos, torna a previsão de um ponto de equilíbrio entre oferta e demanda, e por consequência, uma faixa de preço, praticamente impossível.

O efeito disso para o Brasil é que mesmo com os preços sob patamares históricos, a cotação baixista do dólar tem praticamente impossibilitado as exportações. Pelo contrário, as importações nos primeiros dois meses do ano é que foram favorecidas.

Tabela 1. Volume e valor comercializado em janeiro e fevereiro de 2011 e variação sobre mesmo período em 2010.



Leite spot

Retornando ao mercado nacional e com um indicativo favorável ao produtor: o mercado de leite spot (comercializado entre indústrias), cotado entre 85 e 87 centavos/litro, está sinalizando valorização de 2-3 centavos, algumas indústrias tentando até 5 centavos.

Este é um importante sinalizador de que teremos uma valorização de preços em março. A amplitude dependerá, contudo, das vendas nessa segunda quinzena do mês.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"-USP, e Analista de Mercado do MilkPoint.

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VARLON SANTOS PORTO

CARIACICA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/04/2011

É ISSO AÍ,COMO SEMPRE FICAMOS REFÉM DOS PREÇOS QUE O MERCADO QUER PAGAR NÃO IMPORTA QUANTO GASTAMOS P/PRODUZIR CONTUDO ALMEJAR PREÇOS ALTOS TMBEM PODE SER RUIM POIS É FÁCIL P/ O CONSUMIDOR DEIXAR O LEITE O QUEIJO NAS GONDOLAS DO SUPERMERCADO E ASSIM FORMAR GRANDE ESTOQUE O QUE DERRUBARIA OS PREÇOS BRUSCAMENTE, INFELISMENTE NÃO PODEMOS ASSIM COMO FAZEM OS AGRICULTORES SOBRETUDO DE CICLO CURTO COMO MILHO, SOJA ETC...QUE SUBSTITUEM A PRODUÇÃO DESTE OU DAQUELE QUE ESTIVER COM BAIXO PREÇO P/ REDUZIR ESTOQUE E EQUILIBRAR A RECEITA,AFINAL TRABALHAMOS AFINCO P/ FORMAR PLANTEL EQUIPAMENTOS ESPECIFICOS,MAS CREIO QUE SE TODA A CADEIA REDUZISSE O CONCENTRADO QUANDO OS PREÇOS ESTIVESSEM AQUEM DO NECESSÁRIO,EQUILIBRARIA A DEMANDA X CONSUMO.
GILSON SANTANA FILHO

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/03/2011

Ser produtor de leite hoje no Brasil é muito dificil, pois a nossa lucratividade é minima e muitas vezes até ficamos no vermelho. Não sabemos o quanto vamos receber no proximo pagamento, vendemos o leite com prazo de 55 dias. Nossas compras de insumos, raçoes, etc são mensais.o
O custo de produção hoje esta em torno de 0,80 centavos, e se colocarmos o capital mobilizado e imobilizado ai ninguem vai querer produzir leite. Com a IN 51 se as industrias não remunerarem justamente os produtores a captacão tende a diminuir e muito pois a cada ano que passa os sofredores otimistas produtores de leite diminuem.



Gilson
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2011

Parabens, Marcelo e Rodolfo

Todo produtor gosta de ser bem remunerado,a entresafra do leite é bom para quem produz no inverno,que é o meu caso.

Extremidades de preço é consumidor que ditará se aceita e esta disposto a pagar.
Espero que o folego do nosso consumidor esteja muito acima dos ultimos anos,isto resultará em um periodo maior de preços bons.

Mas se é certo que a inadimplencia é a maior dos ultimos 9 anos é dificil de balisar o mercado interno como se comportará.

Quer queira quer não o nosso mercado é e será ainda o INTERNO.

Concordando com a analise acima,a menciona da no texto é importantisimo ,
sendo que nosso leite é consumido em 95% no mercado interno

Abraço

Marius
RAONI BENI CRISTOVAM

DRACENA - SÃO PAULO - ZOOTECNISTA

EM 21/03/2011

Muito boa a reportagem, ajudando todo o pessoal do setor a entender, as possíveis formações de preço, sendo isto uma questão de difícil entendimento

Estão de parabéns.

Um abraço.

Raoni.
MilkPoint AgriPoint